Estudo do ministério profético do profeta Malaquias. Seu nome significa ‘Meu mensageiro’. Ele fala sobre o ofício e a infidelidade conjugal dos sacerdotes (a bíblia usa a expressão: ‘Aquele que cobre de violência as suas vestes’). Na sua época (o período que Neemias voltou à Pérsia, 433 AC) houve um esfriamento nas coisas espirituais.


Explicação do livro de Malaquias




Malaquias significa ‘Meu mensageiro’. Ele profetizou por volta de 450-400 AC, depois de Israel ter voltado do cativeiro babilônico, depois da reconstrução do templo de Jerusalém (516 AC). O segundo retorno dos exilados ocorreu em 458 AC, com a vinda de Esdras. O terceiro retorno ocorreu em 445 AC com Neemias, para reconstruir os muros de Jerusalém. Mas o entusiasmo inicial se transformou numa apatia; houve um esfriamento nas coisas espirituais, e o que passou a ocupar a mente das pessoas foi o temor da Grécia. Malaquias nos lembra do que é ‘sacerdócio santo’ e nos ensina o que precisamos fazer para agradar ao nosso Senhor.

Na época de Malaquias e no período que Neemias parece ter voltado à Pérsia (após 12 anos da sua vinda, mais ou menos em 433 AC – Ne 13: 6), acontecia um desrespeito às coisas santas e uma negligência dos sacerdotes em relação ao seu ofício (Ml 1: 6-14; Ml 2: 8-9; Ml 2: 10-16; Ml 3: 14), fazendo seu povo desviar por falta da verdadeira palavra de Deus. A Lei já havia sido quase esquecida, tanto pelo povo quanto pelos sacerdotes, que ofereciam alimento impuro e se casavam com mulheres de religião estrangeira (Ml 2: 11). Não havia mais zelo pelas coisas do Senhor, negligenciando os dízimos e as ofertas. Malaquias combate esse comodismo e essa indiferença no meio do povo, e ajuda a reavaliar o relacionamento com Deus. Através dele, o Senhor deixa claro o dever do sacerdote. Seu livro pode ser dividido em duas partes: 1) pecado de Israel e julgamento que sobrevirá aos ímpios e 2) a bem-aventurança que virá sobre aqueles que se arrependem (aqui podemos ver também referências quanto ao Messias e quanto a João Batista: Ml 3: 1-5, Ml 4: 2; Ml 4: 5-6 cf. Mt 11: 14; Mt 17: 10-13; Mc 1: 2; Mc 9: 11-13; Lc 1: 17; Lc 1: 76; Lc 3: 4-6; Lc 7: 27; Jo 1: 21).

A partir da morte do profeta, Israel entrou no ‘período de silêncio de Deus’, previsto por Am 8: 11-13, onde a nação foi entregue nas mãos de reis pagãos devido à sua negligência pelas coisas sagradas, até que se arrependesse e fosse preparada para receber a salvação através do Messias. A vinda de Jesus seria terrível para os ímpios, mas traria consolo e alegria para os piedosos (Ml 4: 1).


Profeta Malaquias

Capítulo 1

Ml 1: 1-5 – O amor do Senhor por Jacó: “Sentença pronunciada pelo Senhor contra Israel, por intermédio de Malaquias. Eu vos tenho amado, diz o Senhor; mas vós dizeis: Em que nos tens amado? Não foi Esaú irmão de Jacó? – disse o Senhor; todavia, amei a Jacó, porém aborreci [NVI: rejeitei] a Esaú; e fiz dos seus montes uma assolação e dei a sua herança aos chacais do deserto. Se Edom diz: Fomos destruídos, porém tornaremos a edificar as ruínas [NVI: Embora Edom afirme: ‘Fomos esmagados, mas reconstruiremos as ruínas’], então, diz o Senhor dos Exércitos: Eles edificarão, mas eu destruirei; e Edom será chamado Terra-De-Perversidade [NVI: Terra Perversa] e Povo-Contra-Quem-O-Senhor-Está-Irado-Para-Sempre. Os vossos olhos o verão [NVI: Vocês verão isso com os seus próprios olhos], e vós direis: Grande é o Senhor também fora dos limites de Israel [NVI: ‘além das fronteiras de Israel!’ ou ‘Grande é o Senhor sobre o território de Israel’]”.

O Senhor começa dizendo para o profeta que Ele os amou e os continua amando, mas eles se sentem rejeitados. Então, Ele começa falando sobre Esaú, que foi rejeitado no passado porque ele havia menosprezado a bênção da primogenitura que Deus, na Sua onisciência, já havia separado para Jacó. Então, o Senhor lhes diz que ainda que Edom reconstruísse as ruínas da sua terra, ainda assim Ele tornaria a destruí-la, porque é um povo perverso e Deus está irado com ele. Ainda lhes dá a certeza que eles verão isso com seus próprios olhos, e engrandecerão o Seu nome.

Edom foi destruído pela Babilônia em 581 AC, cinco anos depois do cativeiro de Judá (cf. Is 34: 1-17; Is 63: 1-6; Jr 49: 7-22; Ez 25: 12-14; Ez 35: 1-15; Am 1: 11-12; Ob 1: 14). Os profetas Amós e Jeremias predisseram a destruição de Bozra (capital de Edom).
As inscrições assírias mostram que Edom se tornou estado vassalo da Assíria em 736 AC no reinado de Tiglate-Pileser III (745-727 AC). A Babilônia o conquistou cinco anos depois do cativeiro de Judá por Nabucodonosor, ou seja, em 581 AC. Depois, caiu nas mãos dos persas (539 AC) e no séc. III AC foi dominado pelos Nabateus (uma das tribos árabes), que acabaram por empurrar os habitantes de Edom para o sul da Judéia, e que mais tarde, foi chamado Iduméia. Judas Macabeu os subjugou (séc. II AC) e João Hircano I (séc. II-I AC) os obrigou a circuncidar-se para poderem ser incorporados pelo povo judeu. Herodes, o grande, descendia dos Edomitas. O povo de Edom definitivamente foi destruído por Tito em 70 DC.

Bozra ou Botsra, Botzrah, Bozrah (em hebraico: בצרה) foi a capital do povo de Edom, e cujo rei foi Jobabe (Gn 36: 33; 1 Cr 1: 44). Esaú ou Edom (Gn 36: 19) foi o irmão de Jacó, e habitou em Seir, uma montanha que antes pertencia a Seir, o horeu (Gn 36: 8-9; Gn 36: 20); por isso, Edom é freqüentemente chamado de Seir. Ismael, filho de Abraão e Agar, teve doze filhos (que foram os príncipes das nações árabes) e uma filha chamada Maalate (Gn 28: 9), que se casou com Esaú (ou Edom). Nebaiote, o primogênito de Ismael foi o ancestral de uma tribo árabe que posteriormente deu origem aos Nabateus. Nebaiote (Nbayowth ou Nbayoth – Strong #5032) significa frutificação, fecundidade. Esses povos (descendentes de Ismael e de Esaú) foram povos aparentados com os descendentes de Isaque, filho de Abraão, porém, mais tarde, se opondo ao povo de Israel em várias ocasiões. A descendência dos edomitas espalhou-se pelas terras adjacentes ao Mar Vermelho subindo para norte onde também entraram em confrontos territoriais com os Filisteus, acabando por se estabelecer, mais tarde, no vale de Aqaba onde fundaram duas cidades muito importantes na rota do incenso: Bozra e Petra. Bozra significa ‘curral de ovelhas’ ou ‘aprisco de ovelhas’, indicando que era uma cidade de pastores no sudeste do Mar Morto, na terra de Edom. Hoje ela é uma pequena cidade da Jordânia no estado de Tafilah, chamada de Buseirah. Os povos de Edom, Moabe e Amom (correspondente à atual Jordânia) não estarão sob o domínio do Anticristo, o que nos faz pensar que o Senhor separará um lugar de refúgio para o Seu povo (Dn 11: 41: “Entrará [O profeta está se referindo ao anticristo] também na terra gloriosa [Israel], e muitos sucumbirão, mas do seu poder escaparão estes: Edom, e Moabe, e as primícias dos filhos de Amom”), assim como o Monte Sião será também demarcado (Ob 17; Ap 14: 1). A Bozra antiga no passado ficou deserta, a Bozra futura e a terra de Edom serão símbolo da paz entre as nações na segunda vinda de Cristo.

Ml 1: 6-14 – O Senhor reprova os sacerdotes:

• Ml 1: 6: “O filho honra o pai, e o servo, ao seu senhor. Se eu sou pai, onde está a minha honra? E, se eu sou senhor, onde está o respeito para comigo? [NVI: onde está o temor que me devem?] — diz o Senhor dos Exércitos a vós outros, ó sacerdotes que desprezais o meu nome. Vós dizeis: Em que desprezamos nós o teu nome?”
O Senhor usa Seu profeta para repreender os sacerdotes, pois Ele não está sendo honrado por eles. E isso nos leva a pensar na negligência do seu oficio. Algo, entretanto, parece estar ‘alheio’ a eles, ou, o que é mais provável, que haja uma ironia na sua pergunta para Deus: ‘Como estamos te desprezando?’ Então, o Senhor prossegue:

• Ml 1: 7-8: “Ofereceis sobre o meu altar pão imundo [NVI: Trazendo comida impura ao meu altar] e ainda perguntais: Em que te havemos profanado? [NVI: De que maneira te desonramos?] Nisto, que pensais: A mesa do Senhor é desprezível. Quando trazeis animal cego para o sacrificardes, não é isso mal? E, quando trazeis o coxo ou o enfermo, não é isso mal? [NVI: animais aleijados e doentes como oferta]. Ora, apresenta-o ao teu governador [NVI: Tentem oferecê-los de presente ao governador]; acaso, terá ele agrado em ti e te será favorável? — diz o Senhor dos Exércitos”.

Quando o Senhor diz: “Ofereceis sobre o meu altar pão imundo [NVI: Trazendo comida impura ao meu altar]”, Ele estava falando em relação aos animais que eram sacrificados no altar do holocausto. Isso profanava Seu nome e o altar. Por isso, Ele diz em seguida: “A mesa do Senhor é desprezível. Quando trazeis animal cego para o sacrificardes, não é isso mal? E, quando trazeis o coxo ou o enfermo, não é isso mal?” Em Deuteronômio (Dt 15: 19-21 – leis acerca dos primogênitos do gado), estava estabelecido o tipo de animais para o sacrifício: “Todo primogênito que nascer do teu gado ou de tuas ovelhas, o macho consagrarás ao Senhor, teu Deus; com o primogênito do teu gado não trabalharás, nem tosquiarás o primogênito das tuas ovelhas. Comê-lo-ás perante o Senhor, tu e a tua casa, de ano em ano, no lugar que o Senhor escolher. Porém, havendo nele algum defeito, se for coxo, ou cego, ou tiver outro defeito grave, não o sacrificarás ao Senhor, teu Deus”. E em Levítico (Lv 22: 1-16 – a lei acerca de comer coisas santas), a bíblia fala que todo sacerdote que estivesse cerimonialmente imundo não poderia comer das coisas sagradas que o povo dedicava a Deus, tampouco fazer sacrifício diante do Senhor, i.e., se estivesse com algum tipo de impureza: lepra, algum tipo de fluxo ou emissão de sêmen, se tivesse tocado em algum morto ou em réptil, ou se comessem animal que morresse por si mesmo ou se o animal tivesse sido dilacerado (despedaçado por feras). Eles teriam que se purificar antes de comer a comida sagrada.

No trecho seguinte de Levítico (Lv 22: 17-33 – os animais sacrificados devem ser sem defeito), o v. 19 diz: “Para que seja aceitável, oferecerá macho sem defeito, ou do gado, ou do rebanho de ovelhas, ou de cabras”. Não poderia ser cego, aleijado, mutilado, ulceroso, sarnoso, nem cheio de impigens (v. 22). Também não poderia ser animal com os testículos machucados ou moídos, arrancados ou cortados (v. 24). Esses animais não poderiam ser oferecidos também se fossem da mão de estrangeiros (v. 25).

O que podemos concluir com tudo isso é que os sacerdotes ofereciam esses animais defeituosos no altar, como se a oferta fosse de qualquer jeito, sem mais nenhum tipo de reverência, só porque já tinha se tornado uma rotina cansativa. Da mesma forma hoje, isso significa que nossa oferta diante do Senhor deve ser sem defeito; deve ser com o que temos de melhor, com as primícias, não com o que sobra, com os restos. A oferta deve ser dada com liberalidade e com inteireza de coração. Não devemos trazer oferta com defeito ao Senhor. Ele não aceita ‘oferta estragada’. Para nós, trazer ‘oferta estragada’ diante do altar do Senhor é trazer as nossas ofertas de má vontade, com desprezo ou com outro sentimento no coração que não a humildade, a reverência e o amor. É desprezarmos o alimento espiritual que flui do altar, pensando somente nas nossas necessidades materiais e pessoais, antes de colocar Jesus em primeiro lugar em nossa vida. É usarmos o nosso dinheiro para fazer qualquer coisa e, depois, tirarmos o dízimo, ‘se sobrar’. Outra coisa importante: a palavrahonra’ vem do hebraico, kãbhôdh e significa: dignidade, reputação, honra, renome, orgulho, prestígio, riqueza. Um filho que segue os caminhos de Deus e faz Sua vontade está honrando a Ele. Significa: ‘ser decente, não ter do que se envergonhar, servir o Senhor de todo o coração, ser um motivo de orgulho (no sentido de dar prazer, alegria) para Deus, mostrar Sua dignidade, zelar pela Sua reputação’. Quando o Senhor estava dizendo: “O filho honra o pai, e o servo, ao seu senhor. Se eu sou pai, onde está a minha honra? E, se eu sou senhor, onde está o respeito para comigo? — diz o Senhor dos Exércitos a vós outros, ó sacerdotes que desprezais o meu nome”, Ele queria dizer que a nossa oferta sincera o honra, é um motivo de orgulho para Ele, mostra que Ele é digno de glória e louvor.

Portanto, Ele faz um desafio a eles: “Ora, apresenta-o ao teu governador [NVI: Tentem oferecê-los de presente ao governador]; acaso, terá ele agrado em ti e te será favorável? — diz o Senhor dos Exércitos”. Se eles oferecessem isso diante do governante civil, ele não aceitaria. Por que Deus teria que fazê-lo?

• Ml 1: 9-10: “Agora, pois, suplicai o favor de Deus, que nos conceda a sua graça; mas, com tais ofertas nas vossas mãos, aceitará ele a vossa pessoa? — diz o Senhor dos Exércitos. Tomara houvesse entre vós quem feche as portas [do templo], para que não acendêsseis, debalde, o fogo do meu altar. Eu não tenho prazer em vós, diz o Senhor dos Exércitos, nem aceitarei da vossa mão a oferta”.
O Senhor não tinha prazer neles nem nas ofertas; seria melhor que fechassem as portas do templo, para que o fogo do altar não queimasse inutilmente. Então, Deus prossegue, comparando os sacerdotes com o povo gentio.

• Ml 1: 11: “Mas, desde o nascente do sol até ao poente [NVI: do oriente ao ocidente], é grande entre as nações o meu nome; e em todo lugar lhe é queimado incenso e trazidas ofertas puras, porque o meu nome é grande entre as nações, diz o Senhor dos Exércitos [Nota NVI: Grande será o meu nome entre as nações. Em toda parte incenso será queimado e ofertas puras serão trazidas ao meu nome, porque meu nome será grande entre as nações]”.

Isso pode significar que naquele momento, muitos gentios temiam o Deus de Israel, e o reverenciavam mais do que os próprios judeus. Mas, provavelmente, é uma profecia em relação aos tempos do evangelho, quando os gentios convertidos abandonariam seus altares de idolatria e engrandeceriam o nome do Senhor, e trariam suas ofertas ao templo em Jerusalém. Mais do que isso, eles realizariam o culto espiritual a Deus através das suas ações santas. A bíblia diz que o incenso é a oração dos santos (Ap 5: 8; Ap 8: 4). É interessante que em Is 17: 1-14, quando o profeta escreve sobre o juízo de Deus sobre Efraim e Damasco, profecia que foi cumprida pelos reis da Assíria (Tiglate-Pileser III, Salmaneser e Sargom II), ele fala também sobre um remanescente que se arrependerá e se voltará para Deus. Em Is 17: 7-8 está escrito: “Naquele dia, olhará o homem para o seu Criador, e os seus olhos atentarão para o Santo de Israel. E não olhará para os altares, obra das suas mãos, nem atentará para o que fizeram seus dedos, nem para os postes-ídolos, nem para os altares do incenso”. Apesar da destruição de Samaria pelos assírios, haverá um remanescente de Efraim que abandonará seus ídolos e se voltará para o Senhor. Assim, isso poderia acontecer tanto com os gentios que se voltassem para Deus (abandonando seus ídolos inúteis) naquela época como nos tempos do evangelho.

• Ml 1: 12-14: “Mas vós o profanais [o nome do Senhor], quando dizeis: A mesa do Senhor é imunda, e o que nela se oferece, isto é, a sua comida, é desprezível. E dizeis ainda: Que canseira! E me desprezais [NVI: e riem dela com desprezo], diz o Senhor dos Exércitos; vós ofereceis o dilacerado, e o coxo, e o enfermo [NVI: animais roubados, aleijados e doentes]; assim fazeis a oferta. Aceitaria eu isso da vossa mão? – diz o Senhor. Pois maldito seja o enganador, que, tendo um animal sadio no seu rebanho, promete e oferece ao Senhor um defeituoso [NVI:... promete oferecê-lo e depois sacrifica para mim um animal defeituoso]; porque eu sou grande Rei [NVI: um grande rei], diz o Senhor dos Exércitos, o meu nome é [Nota NVI: ‘deve ser’] terrível [NVI: temido] entre as nações”.


Sacrifícios no templo


Os sacerdotes já cumpriam o seu ofício sem amor, com negligência e descaso, aborrecidos e cansados daquilo; pior do que isso: riam diante do Senhor e lhe ofereciam animais defeituosos. Deus não aceitava aquilo, e os amaldiçoava por causa da sua mentira. Pensavam enganar a Deus, mas não o conseguiam, pois Ele sabia o que se passava nos seus corações. Era uma oferta de qualidade inferior. Ele termina declarando o Seu nome, que está acima de todo o nome e é temido entre as nações: “Porque eu sou grande Rei, diz o Senhor dos Exércitos, o meu nome é terrível [NVI: temido] entre as nações”. A mentira é uma afronta à soberania de Deus.

Capítulo 2

Ml 2: 1-9 – O castigo dos sacerdotes:

• Ml 2: 1-4: “Agora, ó sacerdotes, para vós outros é este mandamento. Se o não ouvirdes e se não propuserdes no vosso coração dar honra ao meu nome, diz o Senhor dos Exércitos, enviarei sobre vós a maldição e amaldiçoarei as vossas bênçãos; já as tenho amaldiçoado, porque vós não propondes isso no coração [NVI: porque vocês não me honram de coração]. Eis que vos reprovarei [NVI: destruirei; na Septuaginta: ‘cortarei’ ou ‘removerei’] a descendência, atirarei excremento ao vosso rosto, excremento dos vossos sacrifícios, e para junto deste sereis levados [NVI: esfregarei na cara de vocês os excrementos dos animais oferecidos em sacrifício em suas festas e lançarei vocês fora, com os excrementos]. Então, sabereis que eu vos enviei este mandamento, para que a minha aliança continue com Levi [NVI: fosse mantida], diz o Senhor dos Exércitos”.

Até aqui o Senhor mostra Seu desprazer e diz que seriam amaldiçoados se não mudassem suas atitudes e não ouvissem o Seu mandamento, e não o honrassem, como deveriam fazer os sacerdotes, para que toda a linhagem Levítica não desaparecesse. Ele havia feito aliança com a tribo de Levi (Nm 3: 6-7; Nm 3: 11-13; Êx 28: 43) e prometido que jamais lhes faltaria um descendente como Seu representante na classe sacerdotal. Mas estes sacerdotes poderiam até ser eliminados, para que as demais gerações não fossem contaminadas nem envergonhadas pelas suas atitudes. Deus usa palavras bem carnais para mostrar o que poderia fazer com eles para envergonhá-los e, assim, devolver a eles a sua sujeira: “esfregarei na cara de vocês os excrementos dos animais oferecidos em sacrifício em suas festas e lançarei vocês fora, com os excrementos” (NVI).

• Ml 2: 5-7: “Minha aliança com ele foi de vida e de paz; ambas lhe dei eu para que me temesse; com efeito, ele me temeu e tremeu por causa do meu nome. A verdadeira instrução [NVI: lei] esteve na sua boca, e a injustiça [NVI: nenhuma falsidade] não se achou nos seus lábios; andou comigo em paz e em retidão e da iniqüidade apartou a muitos [NVI: desviou muitos do pecado]. Porque os lábios do sacerdote devem guardar o conhecimento, e da sua boca devem os homens procurar a instrução [NVI: a instrução na Lei], porque ele é mensageiro do Senhor dos Exércitos”.

O Senhor fala que Sua aliança com Levi foi de vida e de paz, mais especificamente aqui, se referindo a Finéias (Nm 25: 12), neto de Arão, que mostrou seu zelo pelo Senhor, quando em Baal-Peor matou o israelita e a mulher midianita com quem ele pecou, para extirpar a raiz de idolatria do acampamento de Israel. Por isso, Malaquias escreveu que pelo temor do Senhor, ‘a verdadeira lei esteve na sua boca, e a injustiça não se achou nos seus lábios; andou com Ele em paz e em retidão e da iniqüidade apartou a muitos’. Ele era o exemplo do sacerdócio que Deus queria ver outra vez no meio do Seu povo. O verdadeiro sacerdócio é reafirmado: os lábios do sacerdote devem passar o verdadeiro conhecimento, e a instrução na Lei, porque ele é mensageiro do Senhor dos Exércitos.

• Ml 2: 8-9: “Mas vós vos tendes desviado do caminho e, por vossa instrução, tendes feito tropeçar a muitos [NVI: pelo seu ensino causaram a queda de muita gente]; violastes a aliança de Levi, diz o Senhor dos Exércitos. Por isso, também eu vos fiz desprezíveis e indignos diante de todo o povo [NVI: eu fiz que fossem desprezados e humilhados diante de todo o povo], visto que não guardastes os meus caminhos e vos mostrastes parciais no aplicardes a lei [NVI: quando ensinam a Lei]”.

Malaquias volta agora a fazer a comparação do que é o sacerdote que Deus quer e o que Ele vê ali: eles estavam instruindo o povo de maneira errada, levando ao pecado e afastando-os de Deus, violando a aliança do sacerdócio feita entre Ele e seus antepassados. Por isso, eles já estavam sendo desprezados e humilhados diante do povo, pois não guardaram os retos caminhos e foram parciais em seus julgamentos. Cabia ao sacerdote o cargo de juiz das causas do povo.

• Ml 2: 10-16 – Advertência contra a infidelidade conjugal:

• Ml 2: 10-12: “Não temos nós todos o mesmo Pai? Não nos criou o mesmo Deus? Por que seremos desleais uns para com os outros, profanando a aliança de nossos pais? [NVI: quebramos a aliança dos nossos antepassados]. Judá tem sido desleal, e abominação se tem cometido em Israel e em Jerusalém; porque Judá profanou o santuário do Senhor, o qual ele ama, e se casou com adoradora de deus estranho [NVI: homens casaram-se com mulheres que adoram deuses estrangeiros]. O Senhor eliminará das tendas de Jacó o homem que fizer tal, seja quem for, e o que apresenta ofertas ao Senhor dos Exércitos [NVI: ‘mesmo que esteja trazendo ofertas ao Senhor dos Exércitos’ ou na Septuaginta: ‘Que o Senhor corte das tendas de Jacó qualquer pessoa que dê testemunho em favor do homem que faz isso’]”.

Parece ser o próprio profeta que repreende seus colegas sacerdotes e o povo de Judá que estavam profanando a aliança dos seus antepassados com Deus, se casando com mulheres estrangeiras, pois era uma deslealdade também entre eles mesmos, de uns para com os outros. O Senhor eliminaria o homem que continuasse nessa prática, tanto um homem do povo quanto um sacerdote, e também quem apoiasse o homem que cometeu tal erro.

No tempo de Esdras (Ed 10: 1-44) houve o caso de muitos judeus que se casaram com mulheres hetéias (Ed 10 – título ARA; Ed 10: 2a – ‘mulheres estrangeiras’; Ed 10: 13 – ‘muitos’), inclusive sacerdotes (Ed 10: 18-44), e tiveram que despedi-las, assim como a seus filhos, para não incorrerem na ira do Senhor. Nos tempos de Neemias também houve caso semelhante, quando se descobriu que os israelitas se casaram com mulheres asdoditas (Filistéias, da cidade de Asdode), amonitas (de Amom) e moabitas (de Moabe) – Ne 13: 23. Neemias os puniu, pois entre os sacerdotes estava ocorrendo isso: Ed 10: 18-19. Não se sabe exatamente se este era o mesmo caso que estava acontecendo agora, pois Neemias e Malaquias são contemporâneos, e isso pode ter acontecido no período em que Neemias voltou à Pérsia, após doze anos de sua vinda para Judá (Ne 13: 6 cf. Ne 2: 1; Ne 5: 14).

• Ml 2: 13-16: “Ainda fazeis isto: cobris o altar do Senhor de lágrimas, de choro e de gemidos, de sorte que ele já não olha para a oferta, nem a aceita com prazer da vossa mão [NVI: porque ele já não dá atenção às suas ofertas nem as aceita com prazer]. E perguntais: Por quê? Porque o Senhor foi testemunha da aliança entre ti e a mulher da tua mocidade, com a qual tu foste desleal, sendo ela a tua companheira e a mulher da tua aliança [NVI: a mulher do seu acordo matrimonial]. Não fez o Senhor um, mesmo que havendo nele um pouco de espírito? [NVI: Não foi o Senhor que os fez um só? Em corpo e em espírito eles lhe pertencem] E por que somente um? Ele buscava a descendência que prometera [NVI: ele desejava uma descendência consagrada]. Portanto, cuidai de vós mesmos, e ninguém seja infiel para com a mulher da sua mocidade. Porque o Senhor, Deus de Israel, diz que odeia o repúdio e também aquele que cobre de violência as suas vestes [NVI: ‘e também odeio o homem que se cobre de violência como se cobre de roupas’, ou, ‘cobre sua mulher de violência’], diz o Senhor dos Exércitos; portanto, cuidai de vós mesmos e não sejais infiéis”.

O profeta continua dizendo que não adianta nada os lamentos, nem as súplicas, nem as ofertas diante do Senhor, quando eles continuam na prática do adultério e do divórcio, repudiando a primeira esposa, a esposa legítima (‘a mulher da sua mocidade’), e se casando com outra.
‘Aquele que cobre de violência as suas vestes’ ou ‘o homem que se cobre de violência como se cobre de roupas’ ou ‘cobre sua mulher de violência’ – significa ferir a esposa legítima ao tomar outras mulheres. A ‘veste’ seria o símbolo da primeira esposa, e ‘violência’, o símbolo das outras esposas, pois o repúdio e a poligamia seriam como uma violência contra a esposa legítima.

• Ml 2: 17: “Enfadais o Senhor com vossas palavras; e ainda dizeis: Em que o enfadamos? Nisto, que pensais: Qualquer que faz o mal passa por bom aos olhos do Senhor, e desses é que ele se agrada; ou: Onde está o Deus do juízo?” (ARA).
“Vocês têm cansado o Senhor com as suas palavras. ‘Como o temos cansado?’, vocês ainda perguntam. Quando dizem: ‘Todos os que fazem o mal são bons aos olhos do Senhor, e ele se agrada deles’ e também quando perguntam: ‘Onde está o Deus da justiça?’” (NIV).
Os sacerdotes cansavam o Senhor com suas palavras, principalmente quando distorciam Sua justiça. Por isso, Deus segue dizendo sobre ‘a vinda do Senhor precedida pelo seu Anjo’ (ARA), ou ‘o dia do julgamento’ (NVI).

Capítulo 3

• Ml 3: 1: “Eis que eu envio o meu mensageiro, que preparará o caminho diante de mim; de repente, virá ao seu templo o Senhor, a quem vós buscais, o Anjo da Aliança, a quem vós desejais [NVI: o mensageiro da aliança, aquele que vocês desejam, virá]; eis que ele vem, diz o Senhor dos Exércitos”.
Aqui nós podemos ver as referências quanto ao Messias (‘o Anjo da Aliança’) e quanto a João Batista: Ml 3: 1-5; Ml 4: 2; Ml 4: 5-6 – cf. Mt 11: 14; Mt 17: 10-13; Mc 1: 2; Mc 9: 11-13; Lc 1: 17; Lc 1: 76; Lc 3: 4-6; Lc 7: 27; Jo 1: 21.

• Ml 3: 2-4: “Mas quem poderá suportar o dia da sua vinda? E quem poderá subsistir quando ele aparecer? Porque ele é como o fogo do ourives e como a potassa dos lavandeiros [NVI: o sabão do lavandeiro]. Assentar-se-á como derretedor [NVI: refinador] e purificador de prata; purificará os filhos de Levi e os refinará como ouro e como prata; eles trarão ao Senhor justas ofertas [NVI: ofertas com justiça]. Então, a oferta de Judá e de Jerusalém será agradável ao Senhor, como nos dias antigos e como nos primeiros anos [NVI: como nos dias passados, como nos tempos antigos]”.
v. 2a: “Mas quem poderá suportar o dia da sua vinda? E quem poderá subsistir quando ele aparecer?” – é uma frase muito parecida com a que está em Sf 1: 14: “Está perto o grande Dia do Senhor; está perto e muito se apressa. Atenção! O Dia do Senhor é amargo, e nele clama até o homem poderoso”. Isso significa uma grande força e autoridade de Deus colocando-se em oposição à impotência e à fraqueza dos homens. Ele trará medo aos perversos.

Os versículos 2b-3 expressam a Sua santidade e o Seu poder santificador: “Porque ele é como o fogo do ourives e como a potassa dos lavandeiros. Assentar-se-á como derretedor e purificador de prata; purificará os filhos de Levi e os refinará como ouro e como prata; eles trarão ao Senhor justas ofertas [NVI: ofertas com justiça]” – Seu processo de santificação com uma vida se assemelha à refinação de um metal nobre como o ouro ou a prata. E era isso que o profeta estava dizendo para os sacerdotes, os filhos de Levi: as escórias das suas almas seriam removidas no cadinho de Deus, e aí, sim, eles trariam suas ofertas com justiça diante dele, ou seja, com retidão, com inteireza de coração e mente. O fogo simboliza as provas a que eles seriam submetidos até estarem como o Senhor desejava: com os pensamentos retos e os corações limpos de intenções.

v. 4: “Então, a oferta de Judá e de Jerusalém será agradável ao Senhor, como nos dias antigos e como nos primeiros anos [NVI: como nos dias passados, como nos tempos antigos]” – isso nos lembra as ofertas de Davi, especialmente as que ele fez quando trouxe a arca sobre os ombros dos levitas para Jerusalém (2 Sm 6: 13-15; 1 Cr 15: 25-28) e as riquezas que ele guardou para que Salomão construísse o templo (1 Cr 29: 2-9). Quando o Anjo da Aliança vier e purificar o coração dos Seus sacerdotes, ‘então a oferta de Judá e de Jerusalém será agradável ao Senhor’, não mais com o sacrifício de animais, mas com a verdadeira adoração, reconhecendo o Filho de Deus, Jesus, como o autor da vida e da salvação.

• Ml 3: 5: “Chegar-me-ei a vós outros para juízo [NVI: Eu virei a vocês trazendo juízo]; serei testemunha veloz contra os feiticeiros, e contra os adúlteros, e contra os que juram falsamente, e contra os que defraudam o salário do jornaleiro [NVI: exploram os trabalhadores em seus salários], e oprimem a viúva e o órfão, e torcem o direito do estrangeiro [NVI: privam os estrangeiros dos seus direitos], e não me temem, diz o Senhor dos Exércitos”.
O Senhor avisava que quando Ele viesse, Ele traria juízo a todas as obras que Deus abominava e a todos os que cometiam perversidade; e os sacerdotes tinham consciência: Ele viria para punir os feiticeiros, os adúlteros, os que juravam falsamente, os que exploravam os trabalhadores em seus salários, e oprimiam a viúva e o órfão, os que torciam o direito do estrangeiro e não temiam a Deus. A purificação incluía os sacerdotes e o povo. Essa era uma profecia para os seus descendentes, os que estivessem vivos na vinda de Jesus, assim como se aplica para todos na Sua segunda vinda.

• Ml 3: 6-12 – O roubo no tocante aos dízimos e as ofertas: “Porque eu, o Senhor, não mudo; por isso, vós, ó filhos de Jacó, não sois consumidos. Desde os dias de vossos pais, vos desviastes dos meus estatutos e não os guardastes; tornai-vos para mim, e eu me tornarei para vós outros, diz o Senhor dos Exércitos; mas vós dizeis: Em que havemos de tornar? [NVI: Mas vocês perguntam: Como voltaremos?] Roubará o homem a Deus? Todavia, vós me roubais e dizeis: Em que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas (cf. Ne 13: 10-12). Com maldição sois amaldiçoados, porque a mim me roubais, vós, a nação toda. Trazei todos os dízimos à casa do Tesouro [NVI: ao depósito do templo], para que haja mantimento na minha casa; e provai-me nisto [NVI: Ponham-me à prova], diz o Senhor dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu [NVI: as comportas dos céus] e não derramar sobre vós bênção sem medida. Por vossa causa, repreenderei o devorador [NVI: Impedirei que pragas devorem suas colheitas], para que não vos consuma o fruto da terra; a vossa vide no campo não será estéril, diz o Senhor dos Exércitos. Todas as nações vos chamarão felizes, porque vós sereis uma terra deleitosa [NVI: maravilhosa], diz o Senhor dos Exércitos”.

A primeira frase que o Senhor diz aqui é que Ele não muda, e por isso eles ainda não haviam sido destruídos, após tantos milênios de rebeldia. Por ser justo, o Senhor não muda Suas leis, pois não pode negar-se a si mesmo (2 Tm 2: 13). E essa imutabilidade nos dá a certeza da Sua graça.
Ele dizia que eles tinham se afastado Dele e da Sua lei, mas eles perguntavam: Como?
Eles não conseguiam pensar que se tratava do dízimo e das ofertas.
A Lei falava sobre os dízimos: Lv 27: 30; Nm 18: 21-24; Dt 12: 5-7; Dt 14: 22-29, e os sacerdotes sabiam disso. No caso de Malaquias parece que não havia dízimos sendo dados pelo povo para manter a Casa de Deus (cf. Ne 13: 10-12), e isso, em parte, era culpa dos sacerdotes que, por negligenciarem seu ofício, estavam desmoralizados. Eles estavam negando os dízimos (incluindo o dízimo dos dízimos – Nm 18: 26-29) e as ofertas que eram dadas no templo, como o ½ siclo que era o imposto do templo (Êx 30: 13-16), e as ofertas pacíficas, as ofertas de manjares, holocaustos, primícias etc. (Nm 15: 1-21).

O roubo era punido pela lei, quanto mais em se tratando das coisas de Deus! Deus não precisava de sacrifício de animais, de pão de trigo, nem de dinheiro, mas esta era uma lei criada por Ele mesmo para fazer com que Seus servos fossem mantidos pelo serviço que prestavam a Ele e para que o povo pudesse ser abençoado no seu trabalho e na sua vida financeira. Mas eles se desviaram dos Seus estatutos porque não conheciam as implicações espirituais de tudo isso.

Assim, Ml 3: 6-12 é o texto básico sobre os dízimos. Temos ensinamentos com este texto:
a) Não dar o dízimo é roubo, pois é lei estabelecida por Deus nos primórdios da criação. Reter o dinheiro que Ele mesmo dedicou à Sua Obra é roubo e roubo gera uma conseqüência na terra, na nossa vida natural, que a bíblia dá o nome de maldição, porque gera uma lacuna, uma brecha, por onde há legalidade para haver roubo também. Mesmo vivendo debaixo da dispensação da graça, nós ainda estamos debaixo da autoridade da palavra de Deus e ela nunca morre. O valor de 10% que Ele pede de nós é um meio criado por Ele mesmo para nos abençoar na vida financeira, e para que nós mostremos que Ele está em primeiro lugar em nossa vida, e aquilo que nós temos, recebemos dEle. Ele é quem nos dá força para adquirirmos riqueza (Dt 8: 18). Essa prática é uma experiência que nos leva ao verdadeiro conhecimento de quem Ele é, e porque Ele criou leis para nos proteger da assolação do inimigo. Jesus disse: “Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” (Lc 20: 25). E Ele estava falando para um povo que sabia o que significava “o que é de Deus”, ou seja, os dízimos e as ofertas no templo. Mesmo abolindo o sacerdócio Levítico Mosaico, Sua lei permaneceu para o sacerdócio da nova aliança que Ele criou (1 Tm 5: 17-18; 1 Co 9: 13-14). Quando amamos o Senhor e a Sua obra na terra, tudo que fazemos é por amor, e não por obrigação sujeita à uma pena ou punição. E isso tira o peso da palavra, da forma que era interpretada no AT. O dinheiro de Deus é diferente do dinheiro do mundo. O dízimo não é uma imposição de Deus sujeita à pena de morte, mas uma proteção de Deus na nossa vida, em todas as áreas, não só nas finanças.

b) Trazer primeiro os dízimos à Casa do Senhor provê mantimento ao sacerdote, lei estabelecida por Deus para o sustento dos levitas (hoje, os levitas são os que exercem a função de pastorear e ensinar o rebanho do Senhor e que vivem da Obra de Deus, sem emprego secular – cf. 1 Tm 5: 17-18).

c) Dizimar abre as comportas do céu sobre nós para recebermos as bênçãos sem medida.

d) Dizimar repreende o devorador em todas as áreas da nossa vida, não só na financeira. Quando Ele fala sobre o devorador, se refere a gafanhotos (cf. Jl 1: 4; Jl 2: 25) que devoravam as colheitas como uma forma de punição do Senhor sobre um povo desobediente. As vides também sofriam com a seca, com geadas ou com pragas. Embora no AT estas catástrofes naturais os acometessem como uma maneira de Deus corrigi-los, hoje nós não podemos ignorar o simbolismo de tudo isso. Quando o Senhor fala do ‘devorador’ (em outras traduções, ‘destruidor’), não é só de gafanhotos que se fala. Trata-se de ação de demônios sobre a vida financeira das pessoas, e que encontram uma brecha aberta para destruir essa área, pois o fato de Jesus ter vindo e abolido os rituais da Antiga Aliança, não quer dizer que a palavra de Deus foi abolida (Mt 5: 17-20), nem que Suas leis foram modificadas. Deus sempre quis participar da vida do Seu povo na totalidade, e a área financeira é uma dessas. O dízimo continua válido, ainda mais hoje, quando Principados e Potestades estão ansiosos para roubar a verdade de Deus e a paz dos Seus filhos, dando ao mundo a honra pela prosperidade. Dessa forma, o dízimo fecha as brechas e protege nosso patrimônio: Êx 12: 12-13; Sl 78: 49; Êx 12: 23.

e) O Senhor diz para prová-lo dando-lhe o dízimo. O verbo ‘provar’, para alguns, pode soar como um desafio da parte de Deus, a fim de que o homem acredite Nele, principalmente, numa área que é tão palpável como a área financeira. Entretanto, podemos pensar que provar pode ter o significado de examinar, experimentar, como se saboreia uma comida que nunca se comeu para ver se é boa ou não, se gostamos dela ou não; também pode ter o significado de ganhar experiência, conhecimento e habilidade em determinada área. Com isso, o Senhor nos diz que ao Lhe dar o nosso dízimo, podemos atingir um patamar maior de conhecimento Dele, levando-nos a ganhar experiência nessa área da nossa vida, da mesma forma que o experimentamos nas outras. Dando-Lhe o nosso dízimo, começamos a ter consciência do que Ele é capaz de fazer por quem Lhe é fiel.

f) Deus recompensa os que são fiéis a Ele, mostrando a diferença que existe entre os que o servem e os que não o servem. Deus os poupa do mal e confirma Sua paternidade sobre eles (Ml 3: 17-18: “Eles serão para mim particular tesouro, naquele dia que prepararei, diz o Senhor dos Exércitos; poupá-los-ei como um homem poupa a seu filho que o serve. Então, vereis outra vez a diferença entre o justo e o perverso, entre o que serve a Deus e o que não o serve”).
Em 2 Cr 31: 5-6; 12; Ne 10: 37-38; Ne 12: 44; Ne 13: 5; 12, nós podemos ver o povo trazendo o dízimo ao Senhor, obedecendo assim à Sua lei.
Obedecendo à Sua voz eles seriam felizes, e todas as nações reconheceriam isso. Em Ml 3: 6-12 Deus não estava se referindo apenas aos Levitas, mas a todo o povo de Israel.

Ml 3: 13-18 – A diferença entre o justo e o perverso:

• Ml 3: 13-15: “As vossas palavras foram duras para mim, diz o Senhor; mas vós dizeis: Que temos falado contra ti? Vós dizeis: Inútil é servir a Deus; que nos aproveitou termos cuidado em guardar os seus preceitos e em andar de luto [NVI: ficamos nos lamentando] diante do Senhor dos Exércitos? Ora, pois, nós reputamos por felizes os soberbos; também os que cometem impiedade prosperam, sim, eles tentam ao Senhor e escapam”.
Nem todo o povo levantou sua voz contra Deus para acusá-lo de injustiça, mas alguns judeus reclamaram, e isso foi duro de ouvir. Na verdade, eles faziam com Ele uma barganha. Enquanto estavam sendo abençoados e havia prosperidade, estava tudo bem. Eles continuariam com as atitudes hipócritas e sem fervor na sua adoração, e com um luto externo, mas sem o arrependimento interior. Ainda invejavam os soberbos, pois os julgavam mais abençoados; eles se referiam aos pecadores, em geral, judeus e gentios, que tinham prosperidade material. Por isso está escrito em Ml 2: 17 que eles enfadavam o Senhor com esse tipo de conversa.

• Ml 3: 16-18: “Então, os que temiam ao Senhor falavam uns aos outros; o Senhor atentava e ouvia; havia um memorial escrito diante dele para os que temem ao Senhor e para os que se lembram do seu nome [NVI: Foi escrito um livro como memorial na sua presença acerca dos que temiam o Senhor e honravam o seu nome]. Eles serão para mim particular tesouro [NVI: o meu tesouro pessoal], naquele dia que prepararei [NVI: ‘no dia em que eu agir’ ou ‘no dia em que eu fizer deles o meu tesouro pessoal], diz o Senhor dos Exércitos; poupá-los-ei como um homem poupa a seu filho que o serve [NVI: que lhe obedece]. Então, vereis outra vez a diferença entre o justo e o perverso, entre o que serve a Deus e o que não o serve”.

Aqui dá para se notar que nem todo o povo levantou sua voz contra Deus para acusá-lo de injustiça. O povo justo e temente a Deus, no Dia do Senhor, encontraria a libertação e a vitória. Um memorial é um ‘lembrete’ ou ‘um monumento’ que deixa registrado um feito digno. A versão ARA escreve: “havia um memorial escrito diante dele para os que temem ao Senhor e para os que se lembram do seu nome”; e a NVI, escreve: “Foi escrito um livro como memorial na sua presença acerca dos que temiam o Senhor e honravam o seu nome”. Os reis mantinham um livro de crônicas do seu reinado, onde eram escritos os acontecimentos importantes (Et 2: 23; Et 6: 1). Moisés pediu a Deus que perdoasse o povo ou que tirasse seu nome do livro (Êx. 32: 32-33); Davi tinha seu nome escrito no livro de Deus (Sl. 56: 8). Isso significa que no céu, diante de Deus, no Livro da Vida, estão os nomes daqueles que o temem, e que são um tesouro especial para Ele: Sl 69: 28; Lc. 10: 20; Ap 13: 8; Ap 17: 8; Ap 20: 12; 15; Ap 21: 27; Dn 12: 1.

‘Naquele dia’ ou ‘no dia em que eu agir’ ou ‘no dia em que eu fizer deles o meu tesouro pessoal’ nos faz entender que pode se referir a Ml 3: 1-2; Ml 4: 1 (o Dia do Senhor), em se tratando de Sua primeira vinda, ou no dia que Ele decidir fazer algo importante, ou no dia da Sua segunda vinda, quando Ele tomar para Si os que são Seus.

‘Eles serão para mim particular tesouro [NVI: o meu tesouro pessoal]’ – a palavra, em hebraico, para ‘particular tesouro ou tesouro pessoal’ é Seghullâ (ou Cgullah – Strong #5459), que significa:
• Tesouro peculiar, tesouro particular, pessoal (Ml 3: 17; 1 Cr 29: 3)
• Propriedade particular, possessão dos reis (Êx 19: 5; Ec 2: 8; Sl 135: 4)
• Propriedade pessoal no que diz respeito a pessoas (Dt 7: 6; Dt 14: 2)
• A palavra Seghullâ (em grego: periousios ou peripoiesis) pode ser entendida também como o povo de Deus (Ef 1: 14; Tt 2: 14; 1 Pe 2: 9)
Resumidamente, Seghullâ se refere a uma possessão de reis e a uma propriedade particular, não só material, mas de pessoas.

‘Poupá-los-ei’ – o Dia do Senhor será um dia terrível (Sf. 1: 14-18), mas os justos têm a certeza de que haverá o conforto de Deus para os Lhe pertencem (cf. Sl 91: 7). Deus nos poupa da morte e do inferno (Jo 3: 16-18).
‘Então, vereis outra vez a diferença entre o justo e o perverso, entre o que serve a Deus e o que não o serve’ – ‘vereis outra vez’ mostra que a História se repete na caminhada da humanidade com Deus. Ele sempre acabou por defender Seus filhos e deixar bem evidente a diferença entre os que O servem e Lhe obedecem e os incrédulos, rebeldes e perversos, que acabam por experimentar Sua ira e Seu juízo, pois caem no julgamento da própria palavra de Deus (Jo 3: 18), e não apenas no Último Dia, mas aqui mesmo na terra, onde a regra é igual para todos: “Não vos enganeis: De Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará” (Gl 6: 7).

Capítulo 4 – O sol da justiça e seu precursor

• Ml 4: 1: “Pois eis que vem o dia e arde como fornalha; todos os soberbos e todos os que cometem perversidade serão como o restolho [NVI: Todos os arrogantes e todos os malfeitores serão como palha]; o dia que vem os abrasará [NVI: ateará fogo neles], diz o Senhor dos Exércitos, de sorte que não lhes deixará nem raiz nem ramo”.
Malaquias volta a falar sobre o dia da vinda do Senhor:

‘Vem o dia’ – se refere à 1ª vinda de Cristo, que nós estendemos para a Sua 2ª vinda. Mas é interessante comentar que para aqueles profetas do AT, a vinda de um Messias tão esperado, de um libertador, era como o Apocalipse é para nós, uma nova Criação, pois eles jamais imaginariam que Deus trouxesse para o ser humano daquela época uma dispensação de perdão e graça, como uma nova chance de ser escolhido por Ele e destinado à salvação. A bíblia diz que os espíritos dos profetas estão sujeitos aos próprios profetas (1 Co 14: 32), o que significa que Deus respeitou a característica de personalidade de cada um deles para transmitir Sua mensagem. Por isso, levando em conta o conteúdo mental de cada um (Jeremias, Ezequiel e Zacarias eram sacerdotes, o que se faz notar no tom das suas profecias), é compreensível que eles imaginassem a vinda de Cristo, do esperado Messias de Israel, com certa dose de ‘violência’, para não deixar dúvida quanto à Sua justiça e à Sua autoridade em corrigir os erros dos perversos e vingar os aflitos. Assim, Malaquias deixa a entender que a vinda de Jesus (o ‘Dia do Senhor’) seria terrível para os ímpios: ‘arde como fornalha; todos os soberbos e todos os que cometem perversidade serão como o restolho [NVI: palha]; o dia que vem os abrasará, diz o Senhor dos Exércitos, de sorte que não lhes deixará nem raiz nem ramo’. Se pensarmos de uma maneira mais espiritual, com a nossa visão de hoje, tudo isso foi cumprido, à medida que Jesus realizou um grande trabalho durante o Seu ministério e na Sua morte na cruz, derrotando Satanás e todo tipo de demônio e arma forjada do inferno, todo tipo de cadeia sobre os homens, matando e consumindo, sim, toda perversidade, arrogância, não deixando raiz nem ramo dos projetos do inimigo como uma legalidade de tocar os verdadeiros filhos de Deus. É óbvio que a materialização dessa promessa foi deixada para que nós a conquistássemos, trazendo o reino de Deus à luz, aqui e agora, e que é conquistado por esforço (Mt 11: 12). A parte que cabe a Ele fazer será completada na época da Sua segunda vinda. Mas de forma alguma é uma desculpa para nenhum crente se acomodar com as limitações e o sofrimento do presente sem reagir, esperando que o Senhor faça aquilo que cabe a Seus filhos fazer.

A presença do Senhor – seja da forma que for e no lugar que for – sempre será um terror para os que não são Dele. Mas traz consolo e alegria para os piedosos; por isso Malaquias diz nos versículos seguintes:


Sol da justiça


• Ml 4: 2-3: “Mas para vós outros que temeis o meu nome nascerá o sol da justiça, trazendo salvação [NVI: cura] nas suas asas; saireis e saltareis como bezerros soltos da estrebaria. Pisareis os perversos, porque se farão cinzas debaixo das plantas de vossos pés, naquele dia que prepararei [NVI: no dia em que eu agir], diz o Senhor dos Exércitos”.

Malaquias volta a falar sobre o dia da vinda do Senhor, que é aqui chamado ‘o sol da justiça’, como para responder às reclamações do povo e dos sacerdotes, que acusavam a Deus de ser injusto com eles e parcial no Seu julgamento a favor dos pecadores. Para os que temem o Senhor, Ele sempre nasce sobre as suas situações de angústia e dor, trazendo justiça, cura e salvação. E quando Ele chega ocorre uma libertação e, conseqüentemente, a alegria da liberdade, como com bezerros que são soltos de uma estrebaria onde estavam confinados. Significa ser posto em liberdade, crescer na alegria do Espírito Santo (2 Co 3: 17), experimentar a libertação do jugo da lei e do pecado. Sua presença confere aos Seus amados a autoridade e o poder de pisar sobre os perversos e de consumi-los no fogo do Seu Espírito, transformando-os em cinza, ou seja, em nada, em algo que já não tem poder de atuação. Essa linguagem (consumir com fogo, transformar em cinzas), expressa o juízo correto e rápido de Deus destruindo o mal e removendo do adversário o poder de ação. Quando se pisava na cabeça do inimigo vencido era um sinal de vitória; este era ‘colocado como estrado dos pés’ do vencedor. Aqui é a mesma coisa. ‘Naquele dia que prepararei’ ou ‘no dia em que eu agir’, o Senhor trará a vitória e conferirá a liberdade aos Seus filhos, aos que O temem.

O sol da justiça é Jesus. Seu nome (Yeshua – ישוע) significa salvação (em hebraico, ישועה), uma palavra transliterada como yeshu`ah, e que quer dizer: algo salvo, libertação, ajuda, vitória, prosperidade, saúde, salvação, bem-estar, paz, perdão, proteção, segurança. A palavra ‘salvação’ aparece 146 vezes na bíblia – 103 vezes no AT e 43 vezes no NT. A palavra hebraica yeshu`âh (salvação) é claramente vista em 3 versículos de Isaías: Is 26: 1; Is 49: 8; Is 60: 18. No NT a palavra ‘salvação’ é escrita em grego como: sôtêrias (σωτηριας – Lc 1: 69; 77), sôtêria (σωτηρια – At 4: 12), sôtêrion ou sôtêrian (σωτηριαν – Lc 3: 6; At 28: 28), por exemplo. A palavra ‘Salvador’ é escrita como Sōtèr (Σωτήρ = um libertador, i.e., Deus ou Cristo), e que pode corresponder às palavras hebraicas: mattan e mattnay, significando ‘dar’ ou ‘recompensa’. As palavras gregas sôtêrias, sôtêria ou sôtêrion significam: ‘resgate, segurança, libertar, saúde, salvação, salvo, salvar, defesa, e defensor’.

Em Ml 4: 2, embora a palavra usada em Português (ARA) seja ‘salvação’, no original em hebraico é ‘cura’ (marpe’ ou mrpha – Strong #4832), que significa: um curativo (um medicamento), ou de maneira abstrata: libertação, placidez, serenidade, tranqüilidade, cura, curável, remédio, são (sadio), saudável, produtivo.
João Batista deu testemunho de Jesus de forma mais ou menos igual à de Malaquias: Mt 3: 10-12.

O interessante no versículo de Malaquias é que o Senhor coloca uma condição: temer o Seu nome. Sua libertação é um privilégio para os que temem o Seu nome. E temer, aqui, não é só o medo de Sua ira, mas respeito, reverência, reconhecimento por quem Ele é, dar prioridade. Quando Ele é o centro, tudo o mais está subordinado a Ele.

• Ml 4: 4: “Lembrai-vos da Lei de Moisés, meu servo, a qual lhe prescrevi em Horebe para todo o Israel, a saber, estatutos e juízos [NVI: dos decretos e das ordenanças que lhe dei em Horebe para todo o povo de Israel]”.
O profeta volta a exortar seu povo, em especial os sacerdotes, para que se lembrem da lei de Moisés e a sigam.

• Ml 4: 5-6: “Eis que eu vos enviarei o profeta Elias, antes que venha o grande e terrível Dia do Senhor; ele converterá o coração dos pais aos filhos e o coração dos filhos a seus pais, para que eu não venha e fira a terra com maldição”.
A referência é clara a João Batista, que veio como precursor de Jesus, preparando o coração de Seu povo para receber Sua doutrina. No NT é confirmada esta identidade entre Elias e João Batista: Mt 11: 14; Mt 17: 10-13; Mc 9: 11-13; Lc 1: 17; Lc 7: 27; Jo 1: 21. João Batista é colocado como Elias porque Elias foi um grande membro da linhagem profética em Israel e conhecido por todo o povo como sendo um dos que Deus mais usou na realização de milagres; João Batista foi confirmado por Jesus como o último membro da linhagem profética, pois ninguém mais precisava profetizar sobre Ele (Lc 16: 16). Também disse que entre os nascidos de mulher, ninguém apareceu maior do que João Batista; mas o menor no reino dos céus, era maior do que ele (Mt 11: 11). Isso significava que João Batista se destacou dos profetas do passado porque veio no ‘amanhecer’ do evangelho. Ele teve o privilégio que os outros não tiveram, que foi ver o Cristo encarnado. Mas era o menor no reino dos céus porque não pôde ver Sua ressurreição, nem fez os milagres que os apóstolos fizeram.

No Monte da transfiguração, os apóstolos viram Jesus junto com Moisés e Elias; Moisés representando a lei, e Elias, os profetas. Deus permitiu que os discípulos vissem igualmente o espírito de Moisés e Elias para que entendessem que a Lei e as profecias anteriores estavam sendo cumpridas, agora, na pessoa de Jesus (Lc 24: 44). A bíblia também diz que eles conversavam sobre a partida de Jesus, que estava para se cumprir em Jerusalém. Isso mostra que Deus estava ali revelando que, da mesma maneira que fez milagres no passado através dos Seus servos, estava fazendo milagres nesses dias através do Seu Filho, em especial a salvação da humanidade, e o mundo espiritual já estava ciente. A voz que disse: “Este é o meu Filho, o meu eleito; a ele ouvi” (Lc 9: 35) confirmou Jesus, não apenas como o Messias, o Filho de Deus, mas igualmente como o Profeta de Dt 18: 15 (“O Senhor, teu Deus, te suscitará um profeta do meio de ti, de seus irmãos, semelhante a mim; a ele ouvirás”) profetizado por Moisés (cf. Jo 5: 46: “Porque, se, de fato, crêsseis em Moisés, também creríeis em mim; porquanto ele também escreveu a meu respeito” e Jo 1: 45: “Filipe encontrou a Natanael e disse-lhe: Achamos aquele de quem se referiram os profetas: Jesus, o Nazareno, filho de José”). Portanto, os discípulos tiveram mais uma vez a revelação de Jesus como Filho de Deus, o Messias esperado, e como o profeta anunciado séculos antes.


Transfiguração de Jesus

Conclusão

Malaquias nos lembra do que é sacerdócio santo e nos ensina o que precisamos fazer para agradar ao nosso Senhor. Ele não deseja nos ver apáticos em relação ao nosso chamado nem à Sua obra, pois isso poderia desanimar toda a Sua Igreja. Cada um de nós tem a responsabilidade de perseverar no próprio caminho e zelar pelos dons espirituais que nos foram dados para que possamos ser um canal de Suas bênçãos para outras vidas. Assim sendo, através do nosso testemunho vivo, estaremos profetizando e trazendo a salvação do Messias para todos os que se acham em trevas. Em nossa boca, Suas palavras são vivas e são verdadeiros tijolos que ajudam nossos semelhantes a reconstruir seus ‘templos’. Por isso, o profeta deve obedecer em tudo à voz do Espírito de Deus, tanto para exortar, repreender, convencer do erro e eliminar o pecado, como para trazer o consolo e o incentivo àqueles que o Senhor nos envia. Mesmo condenando o mal e trazendo à luz os erros da carne, estaremos contribuindo para a ‘edificação de muros e reparação de brechas’ (cf. Is 58: 12).

Autora: Pastora Tânia Cristina Giachetti

Sugestão para download:

tabela de profetas AT

Tabela dos profetas (PDF)

Table about the prophets (PDF)


livro evangélico: Profeta, o mensageiro de Deus

Profeta, o mensageiro de Deus

Prophet, the messenger of God


Este texto se encontra no 3º volume do livro:


livro evangélico: Os profetas menores

Os profetas menores vol. 1

Os profetas menores vol. 2

Os profetas menores vol. 3

The minor prophets vol. 1

The minor prophets vol. 2

The minor prophets vol. 3

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