Habacuque ora pedindo a Deus que acabe com a corrupção de Judá. Deus descreve a ele a ferocidade do exército dos caldeus, o que traz conflito ao profeta. Então, ele fica atento à resposta e à visão do Senhor. Sua oração (Hc 3) é em forma de cântico.


Explicação do livro de Habacuque




Habacuque, profeta de Judá, profetizou mais ou menos entre 610 e 597 AC, durante o reinado do rei Jeoaquim (609-598 AC). Fala a Deus como um intercessor do povo, pedindo que Ele acabasse com a corrupção de Judá (Hc 1: 1-4). Clama a Deus por causa da iniqüidade que vê ao seu redor e pergunta por quanto tempo ela continuaria sem ser castigada. Deus lhe responde que está preparando os caldeus e descreve a ferocidade dos seus exércitos e seu desprezo por todos os que se atrevessem a barrar seu caminho (Hc 1: 5-11). O profeta espera que Deus resolva seu conflito interno em relação às suas cogitações: como um Deus Santo permitiria também tanta atrocidade por parte dos caldeus? (Hc 1: 12-17). Então ele fica atento (‘torre de vigia’) e a resposta vem confirmando que o orgulho dos caldeus os destruirá e a fidelidade do justo será sua salvação (Hc 2: 1-5). Seu nome está ligado à raiz hebraica (h-b-q – קבח) que quer dizer ‘abraço’, ou com o nome da planta assíria, hambakuku. A forma grega é Hambakoum. Pouca informação, na verdade, se encontra sobre o profeta. No último capítulo, sua oração é em forma de cântico, não só descrevendo o juízo de Deus sobre Seu povo e sobre Seus inimigos, como afirmando sua fé Nele até que toda a Sua vontade se cumpra.


Profeta Habacuque

Capítulo 1

Hc 1: 1-4A iniqüidade de Judá: “Sentença revelada ao profeta Habacuque. Até quando, Senhor, clamarei eu, e tu não me escutarás? Gritar-te-ei: Violência! E não salvarás? Por que me mostras a iniqüidade e me fazes ver a opressão? [NVI: Por que me fazes ver a injustiça, e contemplar a maldade?] Pois a destruição e a violência estão diante de mim; há contendas, e o litígio se suscita [NVI: há luta e conflito por todo lado]. Por esta causa, a lei se afrouxa, e a justiça nunca se manifesta, porque o perverso cerca o justo, a justiça é torcida [NVI: pervertida]”.

Nesta primeira parte, o profeta pergunta a Deus até quando ele vai continuar a ver os pecados da nação de Judá? Ele expõe o que está vendo e que entristece profundamente seu coração: violência, injustiça, maldade, opressão, discussões, brigas e conflitos ao seu redor, tanto no meio do povo como na liderança política da nação. Ele reclama que a justiça não é praticada, e a lei não é aplicada corretamente. Todos distorcem a justiça para seu próprio benefício; há ganância e extorsão. Até sacerdotes e profetas estão desviados dos mandamentos do Senhor e fazem o povo caminhar errante. Muito provavelmente era o espelho daquela sociedade durante os últimos anos do reino de Judá, no reinado de Jeoaquim, que a bíblia diz ter praticado o mal aos olhos do Senhor (2 Cr 36: 5). Esse quadro descrito pelo profeta é compatível com a atitude dessa sociedade e deste governante, descrito por Jeremias (Jr 2: 8; 11; Jr 4: 22; Jr 5: 1; 7-9; 26-31; Jr 13: 9-10; Jr 22: 13; 17; Jr 36: 1-2; 22-23 – o rei lança o rolo no fogo).

‘Até quando, Senhor, clamarei eu, e tu não me escutarás? Gritar-te-ei: Violência! E não salvarás?’ – Habacuque pedia a Deus que acabasse com a corrupção de Judá e perguntava por quanto tempo ela continuaria sem ser castigada.

Hc 1: 5-11Judá será castigado pelos caldeus: Deus lhe responde que está preparando os caldeus e descreve a ferocidade dos seus exércitos e seu desprezo por todos os que se atrevessem em seu caminho.
• Hc 1: 5: “Vede entre as nações, olhai, maravilhai-vos e desvanecei, porque realizo, em vossos dias, obra tal, que vós não crereis, quando vos for contada [NVI: Olhem as nações e contemplem-nas, fiquem atônitos e pasmem; pois nos dias de vocês farei algo em que não creriam se lhes fosse contado]”.
O Senhor diz ao Seu profeta que vai fazer algo bastante espantoso no meio deles, que nenhuma nação vai acreditar quando souber o que está acontecendo.

• Hc 1: 6-11: “Pois eis que suscito os caldeus, nação amarga [NVI: cruel] e impetuosa, que marcham pela largura da terra [NVI: por toda a extensão da terra], para apoderar-se de moradas que não são suas. Eles são pavorosos e terríveis, e criam eles mesmos o seu direito e a sua dignidade [NVI: cria a sua própria justiça e promove a sua própria honra]. Os seus cavalos são mais ligeiros do que os leopardos, mais ferozes do que os lobos ao anoitecer são os seus cavaleiros que se espalham por toda parte; sim, os seus cavaleiros chegam de longe [NVI: Seus cavalos vêm a galope], voam como águia que se precipita a devorar. Eles todos vêm para fazer violência; o seu rosto suspira por seguir avante; eles reúnem os cativos como areia [NVI: Suas hordas avançam como o vento do deserto, e fazendo tantos prisioneiros como a areia da praia]. Eles escarnecem dos reis; os príncipes são objeto do seu riso [NVI: Menosprezam os reis e zombam dos governantes]; riem-se de todas as fortalezas, porque, amontoando terra, as tomam [NVI: riem de todas as cidades fortificadas, pois constroem rampas de terra e por elas as conquistam]. Então, passam como passa o vento e seguem; fazem-se culpados estes cujo poder [NVI: força] é o seu deus”.

Aqui o profeta dá uma descrição dos caldeus: uma nação cruel, impetuosa, com um exército tão numeroso que ocupa a amplitude da terra e avança como o vento do deserto; à força, eles tomam posse de casas que não são suas; os caldeus inspiram pavor e eles criam a sua própria justiça. Seus cavalos são velozes como leopardos e seus cavaleiros são ferozes como os lobos, se espalhando por toda parte. Voam como águias e trazem a violência junto com eles, fazendo um número tão grande de prisioneiros como a areia da praia. Zombam dos governantes e das cidades fortificadas das outras nações, pois eles constroem obras de cerco como nenhum outro povo, e dessa maneira, conquistam o que querem. O deus deles é o poder, a força, e por isso eles acumulam culpa sobre si mesmos, pois não crêem em Deus.

A descrição do exército caldeu dada por Jeremias é parecida; são fortes, poderosos, ferozes e furiosos, e cavalgando em cavalos ligeiros como águias:
“Eis aí que sobe o destruidor [o rei da Babilônia] como nuvens; os seus carros, como tempestade; os seus cavalos são mais ligeiros do que as águias” (Jr 4: 13a).
“... nação robusta... A sua aljava é como uma sepultura aberta; todos os seus homens são valentes” (Jr 5: 15b-16).
“Assim diz o Senhor: Eis que um povo vem da terra do Norte, e uma grande nação se levanta dos confins da terra. Trazem arco e dardo; eles são cruéis e não usam de misericórdia; a sua voz ruge como o mar, e em cavalos vêm montados, como guerreiros em ordem de batalha contra ti, ó filha de Sião” (Jr 6: 22-23).
“... ao ruído estrepitoso das unhas dos seus fortes cavalos, ao barulho de seus carros, ao estrondo das suas rodas” (Jr 47: 3a).

Hc 1: 12-17A intercessão do profeta: “Não és tu desde a eternidade, ó Senhor, meu Deus, ó meu Santo? Não morreremos. Ó Senhor, para executar juízo, puseste aquele povo; tu, ó Rocha, o fundaste para servir de disciplina [NVI: determinaste que ela aplicasse castigo]. Tu és tão puro de olhos, que não podes ver o mal e a opressão não podes contemplar [NVI: Teus olhos são tão puros que não suportam ver o mal; não podes tolerar a maldade]; por que, pois, toleras os que procedem perfidamente [NVI: os perversos] e te calas quando o perverso devora aquele que é mais justo do que ele? Por que fazes os homens como os peixes do mar, como os répteis, que não têm quem os governe? A todos levanta o inimigo com o anzol, pesca-os de arrastão e os ajunta na sua rede varredoura; por isso, ele se alegra e se regozija [NVI: O inimigo puxa todos com anzóis, apanha-os em sua rede e nela os arrasta; então alegra-se e exulta]. Por isso, oferece sacrifício à sua rede e queima incenso à sua varredoura [NVI: em sua honra]; porque por elas enriqueceu a sua porção, e tem gordura a sua comida [NVI: pois, graças à sua rede, vive em grande conforto e desfruta iguarias]. Acaso, continuará, por isso, esvaziando a sua rede e matando sem piedade os povos?”

O profeta está num dilema, e pergunta: se Deus é santo, por que permitir tamanha atrocidade, não só com Seu povo, mas com outros povos que os caldeus matam sem piedade? Ele os compara a um pescador que pesca outras nações de arrastão com uma rede, tão grande é o número de pessoas que eles levam para sua terra como cativos. Esses povos prisioneiros são, aos olhos do profeta, como peixes do mar ou répteis, sem um líder, sem um defensor, sem alguém que fale por eles.
E o inimigo depois oferece sacrifício aos seus deuses em honra da sua rede de pesca, porque graças ela, enriquece e vive em grande conforto, desfrutando do que caiu nela.
Ele diz: ‘Não morreremos. Ó Senhor, para executar juízo, puseste aquele povo; tu, ó Rocha, o fundaste para servir de disciplina’ – ele reconhece que o Senhor escolheu os caldeus para exercerem a disciplina sobre Seu povo, mas este ainda é o Seu povo. Ele diz ‘não morreremos’, como uma maneira de afirmar sua fé de que mesmo debaixo de tanto sofrimento, o Senhor ainda é capaz de livrá-los. Ele não os destruirá por completo.

Capítulo 2

Hc 2: 1-5A resposta do Senhor: O profeta espera que Deus resolva seu conflito interno. Então ele fica atento (‘torre de vigia’) e a resposta vem confirmando que o orgulho dos caldeus os destruirá, e a fidelidade do justo será sua salvação.

• Hc 2: 1: “Pôr-me-ei na minha torre de vigia [NVI: posto de sentinela], colocar-me-ei sobre a fortaleza [NVI: sobre a muralha] e vigiarei para ver o que Deus me dirá e que resposta eu terei à minha queixa”.
Talvez o profeta ficasse sobre a muralha (‘fortaleza’) observando o horizonte para ver se o inimigo já estava vindo, ou talvez fosse um lugar onde podia falar mais livremente com Deus sem que outros ouvissem. O que podemos dizer é que ‘torre de vigia’ ou ‘posto de sentinela’ significa que ele estava atento à voz do Senhor e esperaria pela Sua resposta, pois tinha certeza de que sua oração foi ouvida.

• Hc 2: 2-5: “O Senhor me respondeu e disse: Escreve a visão, grava-a sobre tábuas, para que a possa ler até quem passa correndo [NVI: ‘para que se leia facilmente’, ou ‘para que todo o que a ler corra’]. Porque a visão ainda está para cumprir-se no tempo determinado, mas se apressa para o fim [NVI: ela fala do fim] e não falhará; se tardar, espera-o [o fim], porque, certamente, virá, não tardará. Eis o soberbo! Sua alma não é reta nele; mas o justo viverá pela sua fé. Assim como o vinho é enganoso, tampouco permanece o arrogante, cuja gananciosa boca se escancara como o sepulcro e é como a morte, que não se farta; ele ajunta para si todas as nações e congrega todos os povos [NVI: e ajunta para si todos os povos]”.
O Senhor responde ao profeta que ele deveria guardar a visão e escrever, para que todos pudessem ler facilmente; a NVI coloca como uma nota que a frase pode ser lida como: ‘para que todo o que a ler corra’, o que nos faz pensar que a visão era realmente forte, e Ele queria que Seu povo entendesse a gravidade da situação.
Deus confirma que a visão está para se cumprir em breve, num tempo que já está determinado por Ele, mas fala que a situação atual terá um fim e a palavra profética será cumprida. Mesmo que pareça demorar o fim virá, e não tardará. Os soberbos caldeus encontrarão sua ruína, pois a soberba será a causa da sua queda.

• ‘Sua alma não é reta nele’ ou ‘Seus desejos não são bons’ (NVI) – Deus sabia que, mesmo sendo Seu instrumento de castigo contra Judá, os caldeus eram arrogantes, e seu coração não era inclinado à misericórdia ou piedade. Eles tinham desejos maus no seu coração. Mas os justos, pela sua fidelidade e pela sua fé, encontrariam a salvação, a saída para sua dor, pois o Senhor lutaria por eles e os protegeria. Se o mal estava vindo sobre uma nação pecaminosa para correção, Deus tinha olhos para distinguir os retos de coração que haviam restado no meio dela. Eles seriam protegidos; Ele conhece os que Lhe pertencem.
O arrogante, movido pela avidez e pela ganância, que é insaciável nos seus desejos, não permanecerá, como o vinho engana os inconseqüentes com uma falsa e temporária alegria, mas que depois passa, e a realidade se mostra como é.

• ‘Ele ajunta para si todas as nações e congrega todos os povos’ – ele, o arrogante, é uma alusão a Nabucodonosor, o rei da Babilônia, que teve poder sobre muitos povos e nações e viveu no luxo e na riqueza do palácio, mas teve o seu fim. Deus o humilhou na sua doença (nos sete anos de loucura) até fazê-lo reconhecer que Deus era Senhor sobre os homens e Seu reino era dado a quem Ele queria. A belíssima cidade que corrompia nações com seu poder, feitiçarias e fascinação foi destruída até o pó, e dela só restaram ruínas.

Hc 2: 6-20 Cinco ais sobre os caldeus: este é um cântico de zombaria dirigido aos caldeus, como conseqüência da sua desumanidade.

• Hc 2: 6-8: “Não levantarão, pois, todos estes contra ele um provérbio, um dito zombador? Dirão: Ai daquele que acumula o que não é seu (até quando?), e daquele que a si mesmo se carrega de penhores! [NVI: Ai daquele que amontoa bens roubados e enriquece mediante extorsão! Até quando isto continuará assim?] Não se levantarão de repente os teus credores? E não despertarão os que te hão de abalar? Tu lhes servirás de despojo [NVI: Agora você se tornará vítima deles]. Visto como despojaste a muitas nações, todos os mais povos te despojarão a ti, por causa do sangue dos homens e da violência contra a terra, contra a cidade e contra todos os seus moradores [NVI: Pois você derramou muito sangue, e cometeu violência contra terras, cidades e seus habitantes]”.

‘Não levantarão,... contra ele um provérbio, um dito zombador?’ – contra ‘ele’, os soberbos, os perversos, personificados aqui em Nabucodonosor, a figura de Satanás, que instiga os que são dele a cometerem as mesmas maldades. Deus é que está, na verdade, proferindo um ditado zombador, não o profeta, pois se segue ao v. 5 da parte anterior do capítulo, onde foi falado sobre a sorte do soberbo, do arrogante, que não O teme.
O primeiro ‘ai’ – contra aquele que amontoa bens roubados e enriquece mediante extorsão. Apesar do medo que ele infunde nos pequenos, um dia os maiores se levantarão para meter medo nele e virão cobrá-lo, e ele se tornará o despojo deles [NVI: vítima deles]. Da mesma forma que ele despojou nações, os povos o despojarão por causa da sua violência que veio e derramou o sangue dos habitantes de muitas terras e cidades. Espiritualmente falando, os credores são os demônios que acham uma legalidade para atormentar os que cometem perversidade e não se voltam para Deus. Eles se acham ricos e poderosos, mas serão cobrados por causa de suas más ações.

• Hc 2: 9-11: “Ai daquele que ajunta em sua casa bens mal adquiridos, para pôr em lugar alto o seu ninho, a fim de livrar-se das garras do mal! Vergonha maquinaste para a tua casa; destruindo tu a muitos povos, pecaste contra a tua alma [NVI: Você tramou a ruína de muitos povos, envergonhando a sua própria casa e pecando contra a sua própria vida]. Porque a pedra clamará da parede, e a trave lhe responderá do madeiramento [NVI: responderão contra você]”.
O segundo ‘ai’ – contra aquele que obtém lucros injustos para sua casa, para guardar esse dinheiro em lugar seguro, como uma proteção contra o mal, pois pode usá-lo até para subornar seus acusadores. O homem que assim faz, tramando a ruína de muitos povos, acaba enlaçando sua própria alma e envergonha toda a sua casa, pois sempre haverá quem o denuncie, nem que sejam as pedras da parede. Isso quer dizer que ninguém passa escondido de nenhuma má ação que cometa, nenhum roubo, e que a própria consciência da pessoa o acusará, mais cedo ou mais tarde.

• Hc 2: 12-14: “Ai daquele que edifica a cidade com sangue e a fundamenta com iniqüidade! [NVI: a estabelece com crime]. Não vem do Senhor dos Exércitos que as nações labutem para o fogo e os povos se fatiguem em vão? [NVI: Acaso não vem do Senhor dos Exércitos que o trabalho dos povos seja só para satisfazer o fogo, e que as nações se afadiguem em vão?]. Pois a terra se encherá do conhecimento da glória do Senhor, como as águas cobrem o mar”.

O terceiro ‘ai’ – contra aquele que edifica uma cidade com sangue e a estabelece com crime, ou seja, o que governa uma cidade e a estabelece sobre um espírito de violência e fomenta o crime. É do Senhor que vem a determinação de que os ímpios (‘os povos’) trabalhem em vão, pois seu trabalho inútil e mal intencionado só serve para o fogo, não terá frutos e, portanto, será destruído. A ganância e a futilidade do mundo não levam a nada, e tudo será destruído pelo fogo do juízo de Deus. Mas o trecho termina dizendo que a terra se encherá do conhecimento da glória do Senhor, como as águas cobrem o mar, ou seja, todos conhecerão a diferença entre o que serve a Deus e o que não O serve, entre o trabalho santo dos filhos de Deus e o trabalho dos filhos do maligno. A terra, a nação de Israel e Judá e as nações gentias, os remanescentes santos, conhecerão plena e abundantemente a glória da presença de Deus. Isaías disse a mesma coisa em relação ao reino Messiânico (Is 11: 9). Assim, mesmo que o perverso permanecesse, o Messias viria trazendo a Sua presença de justiça e paz; e a violência, o crime e a iniqüidade dos povos seriam banidos da Sua presença.

• Hc 2: 15-17: “Ai daquele que dá de beber ao seu companheiro, misturando à bebida o seu furor [nota NVI: ou ‘veneno’], e que o embebeda para lhe contemplar as vergonhas! [NVI: a nudez]. Serás farto de opróbrio em vez de honra; bebe tu também e exibe a tua incircuncisão [NVI: e exponha-se]; chegará a tua vez de tomares o cálice da mão direita do Senhor, e ignomínia cairá sobre a tua glória. Porque a violência contra o Líbano te cobrirá [NVI: A violência que você cometeu contra o Líbano o alcançará], e a destruição que fizeste dos animais ferozes te assombrará [NVI: e você ficará apavorado com a matança, que você fez, de animais], por causa do sangue dos homens e da violência contra a terra, contra a cidade e contra todos os seus moradores”.

O quarto ‘ai’ – contra aquele que se embriaga com o vinho e com o sangue resultante da loucura da sua violência. Ai daquele que embebeda o seu companheiro para envergonhá-lo, para expor a sua nudez física e a sua nudez de alma. O cálice de que o v.15 fala não é só o cálice do vinho da videira, que embriaga, mas também o cálice do sangue inocente que foi derramado (v. 17), como os caldeus fizeram na devastação do Líbano, com homens e animais selvagens, mortos pela sua fúria. A vergonha virá sobre quem fez isso, e chegará a sua vez de tomar de um cálice mais amargo, o cálice da ira de Deus (‘o cálice da mão direita do Senhor’). Sua honra se transformará em desprezo e vexame.

• Hc 2: 18-20: “Que aproveita o ídolo, visto que o seu artífice o esculpiu? E a imagem de fundição, mestra de mentiras, para que o artífice confie na obra, fazendo ídolos mudos? Ai daquele que diz à madeira: Acorda! E à pedra muda: Desperta! Pode o ídolo ensinar? Eis que está coberto de ouro e de prata, mas, no seu interior, não há fôlego nenhum. O Senhor, porém, está no seu santo templo; cale-se diante dele toda a terra”.
O quinto ‘ai’ – contra a idolatria. O ídolo engana até aquele que o fez, para que confie em sua própria obra, achando que aquilo pode salvá-lo. O ídolo é um pedaço de metal sem vida, mas o Senhor é Deus, e diante dele toda a terra se cala.

Capítulo 3 – A oração de Habacuque

Sua oração é em forma de cântico, não só descrevendo a revelação de Deus vindo em Sua majestade, trazendo o Seu juízo sobre Seu povo e sobre Seus inimigos, como afirmando sua fé Nele até que toda a Sua vontade se cumpra.

O versículo 2 da oração de Habacuque (Hc 3: 1-19) tem sido muito usado por muitos servos de Deus como uma inspiração para suplicar a Ele pelo avivamento, mas podemos ver também que essa oração nos mostra a majestade e o poder do Senhor julgando as nossas causas e respondendo ao inimigo com a mesma violência que ele usou contra nós. Deus salvará sempre os Seus ungidos, mesmo que tenha sido levado a discipliná-los pelas suas transgressões. Da mesma forma que o profeta Habacuque sentindo-se alarmado e impotente diante daquilo que não poderia mudar (Hc 3: 2), vendo e prevendo a destruição e a desolação, nós também podemos manter firme a nossa fé no Senhor, tendo a certeza de que toda provação será superada, e no final de tudo Ele fará justiça e nos trará a honra, pois Ele mesmo nos ajudou a permanecer firmes na Sua promessa e na Sua palavra (Hc 3: 17-19) e nos fez superar os obstáculos, colocando-nos num patamar de entendimento maior (‘e faz os meus pés como os da corça, e me faz andar altaneiramente’).

• Hc 3: 1-2: “Oração do profeta Habacuque sob a forma de canto. Tenho ouvido, ó Senhor, as tuas declarações, e me sinto alarmado [NVI: tremo diante dos teus atos]; aviva a tua obra, ó Senhor, no decorrer dos anos, e, no decurso dos anos, faze-a conhecida [NVI: Realiza de novo, em nossa época, as mesmas obras, faze-as conhecidas em nosso tempo]; na tua ira, lembra-te da misericórdia”.
O profeta fala que a declaração de Deus o deixou pasmo, alarmado, com temor por ver do que Ele é capaz. Então, ele pede que o Senhor realize em sua época o mesmo que fez no passado e que faça Suas obras conhecidas para todos os que vivem naquele tempo, antes dos setenta anos de cativeiro que virão. Mas pede também que na Sua ira Ele se lembre da Sua misericórdia. Que a Sua punição não dizime totalmente Seu povo.

• Hc 3: 3-4: “Deus vem de Temã, e do monte Parã vem o Santo. A sua glória cobre os céus, e a terra se enche do seu louvor. O seu resplendor é como a luz, raios brilham da sua mão; e ali está velado o seu poder [NVI: onde se escondia o seu poder]”.
Aqui, o profeta faz menção da majestade de Deus nos tempos antigos, onde Ele apareceu sobre o Sinai e onde Seu povo peregrinou após a saída do Egito. Habacuque viu o Senhor vindo de Temã (Hc 3: 3). Temã era neto de Esaú (Gn 36: 11; 1 Cr 1: 36), e talvez tenha dado seu nome ao distrito ao norte de Edom (Jr 49: 20; Ez 25: 13; Am 1: 12; Ob 9). Seus habitantes eram famosos por causa de sua sabedoria (Jr 49: 7; Ob 8 e seg.). Elifaz, o temanita, foi um dos consoladores de Jó (Jó 2: 11). Um príncipe de Temã é nomeado entre os chefes de Edom (Gn 36: 15; 42; 1 Cr 1; 53), e Husã (Husão) foi um de seus primeiros governantes (Gn 36: 34). Embora a localização exata de Temã permaneça desconhecida, há fortes evidências a favor da cidade Jordaniana de Ma‘ãn. Havia muitas nascentes de água na região, e isso a tornava atraente para as caravanas entre a Península Arábica e o Levante.

Habacuque também diz que vê o Santo vindo de Parã. Parã é um deserto situado na região centro-oriental da península do Sinai, a nordeste do Sinai tradicional e a sudoeste de Cades, com a Arabá e o Golfo de Aqaba em sua fronteira oriental. Para lá Abraão enviou Ismael e Agar (Gn 21: 21). Fez parte dos locais de parada dos Israelitas em sua peregrinação pelo deserto (Nm 10: 12; Nm 12: 16), e de lá Moisés enviou os espias para investigar as condições da terra de Canaã (Nm 13: 3; 26). Foi atravessado por Hadade, o edomita, em sua fuga para o Egito (1 Rs 11: 18). O Monte Parã do cântico de Moisés (Dt 33: 2) e aqui em Habacuque (Hc 3: 3), provavelmente era um pico proeminente na serra montanhosa na margem ocidental do Golfo de Aqaba.
De qualquer forma, o profeta estava dizendo que o Senhor ali mostrou Sua glória, e ele gostaria de ver isso outra vez. Ele exalta a majestade de Deus e diz que Ele é digno de louvor. Na sua visão, ele fala do resplendor da glória de Deus naquele lugar, e que raios brilhavam da mão do Senhor, da Sua mão de poder, que estava escondido dos homens.


Localização de Temã e Parã
Localização de Temã e Parã


• Hc 3: 5-6: “Adiante dele vai a peste, e a pestilência segue os seus passos [NVI: Pragas iam adiante dele; doenças terríveis seguiam os seus passos]. Ele pára e faz tremer a terra; olha e sacode as nações. Esmigalham-se os montes primitivos [NVI: Montes antigos se desmancharam]; os outeiros eternos se abatem [NVI: colinas antiqüíssimas se desfizeram]. Os caminhos de Deus são eternos”.
Habacuque descreve as maravilhas realizadas por Deus ao guiar Seu povo, livrando-o dos seus inimigos. Os poderes da natureza foram abalados e o curso da natureza mudou.
‘Os caminhos de Deus são eternos’ – isso significa que Seus caminhos são imutáveis e desconhecidos para os homens. Ele traça a rota de cada filho Seu em cima da terra.

• Hc 3: 7: “Vejo as tendas de Cusã em aflição; os acampamentos da terra de Midiã tremem [NVI: tremiam as cortinas das tendas de Midiã]”.
Cusã era um termo arcaico que designava os midianitas, os quais, como nômades, chegaram depois até a Síria (em Cananeu, ‘Aram’, ‘terras altas’, o antigo nome da Síria). Talvez, por isso, a bíblia diga que Cusã-Risataim (rei da Mesopotâmia – ‘Aram’ ou ‘Aram Naharayim’) dominou os Israelitas por oito anos, após a morte do último juiz, Otniel (Jz 3: 7-10). Pode haver uma relação entre os dois nomes. Midiã era o nome da terra localizada ao Noroeste da península Arábica, próxima ao Golfo de Aqaba, nas fronteiras da Transjordânia com Moabe e Edom, e cujo fundador foi Midiã, um filho de Abraão e Quetura (Gn 25: 1-4; 1 Cr 1: 32). Midiã significa ‘contenda’. Moisés se refugiou em Midiã, quando fugiu de Faraó (Êx 2: 15). No tempo dos juízes, os midianitas oprimiram Israel por sete anos (Jz 6: 1; Jz 6: 11), e Deus levantou Gideão para libertá-los. Os midianitas montavam os camelos dos amalequitas, que eram nômades encontrados no Neguebe e no Sinai. Amaleque (‘belicoso’) era descendente de Esaú (Gn 36: 12) e pelejou contra Israel quando este se achava em Refidim (chamado por Moisés de ‘Massá e Meribá’ por causa da contenda do povo. ‘Massá’ significa ‘provação’ ou ‘provocação’; e ‘Meribá’, ‘rebelião’), cansado e sedento, após ter fugido do Egito. Israel o venceu e o Senhor prometeu riscar sua memória da terra (Êx 17: 8-16; Dt 25: 17-19).
Quando Habacuque fala ‘Vejo as tendas de Cusã em aflição; os acampamentos da terra de Midiã tremem [NVI: tremiam as cortinas das tendas de Midiã]’ ele está falando, provavelmente, sobre a vitória que Deus deu a Gideão, fazendo com que os midianitas matassem a si mesmos.

• Hc 3: 8-10: “Acaso, é contra os rios, Senhor, que estás irado? [NVI: que estavas irado] É contra os ribeiros a tua ira ou contra o mar, o teu furor, já que andas montado nos teus cavalos, nos teus carros de vitória? [NVI: quando cavalgaste com os teus cavalos e com os teus carros vitoriosos?] Tiras a descoberto o teu arco, e farta está a tua aljava de flechas [NVI: Preparaste o teu arco; pediste muitas flechas]. Tu fendes a terra com rios [NVI: Fendeste a terra com rios]. Os montes te vêem e se contorcem; passam torrentes de água; as profundezas do mar fazem ouvir a sua voz e levantam bem alto as suas mãos [NVI: os montes te viram e se contorceram. Torrentes de água desceram com violência; o abismo estrondou, erguendo as suas ondas]”.
Nestes versículos parece que Habacuque está se referindo poeticamente a todos os momentos que Deus se levantou para salvar Seu povo, como um guerreiro que remove o arco de sua aljava para atirar as flechas. Davi escreveu isso de outra maneira no Salmo 18 (Sl 18: 14): “Despediu suas setas e espalhou os meus inimigos, multiplicou os seus raios e os desbaratou”.
Também mostra como a natureza reage à presença, à vontade ou à ira de Deus:

‘As profundezas do mar fazem ouvir a sua voz e levantam bem alto as suas mãos’ ou ‘o abismo estrondou, erguendo as suas ondas’ pode ser uma referência à passagem pelo Rio Jordão ou pelo Mar Vermelho, quando as águas que foram afastadas pelo vento do Senhor apresentavam ondas revoltas dos dois lados do caminho dos israelitas (Js 3: 16; Êx 14: 22), ou se referir de uma maneira geral ao comportamento do mar quando se torna mais agitado, e que na bíblia foi uma maneira de mostrar às pessoas o desprazer de Deus com certas coisas (Jonas, por exemplo: Jn 1: 4; 11-12; 15)

‘Tu fendes a terra com rios’ ou ‘Fendeste a terra com rios’...
... ‘Os montes te vêem e se contorcem; passam torrentes de água [NVI: Torrentes de água desceram com violência]’ – o Senhor também fez estremecer a terra e abriu as torrentes do céu trazendo copiosa chuva para fazer cessar a ira do inimigo, como aconteceu no Ribeiro de Quisom (Jz 5: 4-5; 20-22) no tempo de Débora.

Também podemos ver esse tipo de descrição no livro de Salmos:
• Sl 18: 7-9: “Então, a terra se abalou e tremeu, vacilaram também os fundamentos dos montes e se estremeceram, porque ele se indignou... Baixou ele os céus, e desceu, e teve sob os pés densa escuridão”.
• Sl 68: 9: “Copiosa chuva derramaste, ó Deus, para a tua herança; quando já ela estava exausta, tu a restabeleceste”.
• Sl 77: 16-20: “Viram-te as águas, ó Deus; as águas te viram e temeram, até os abismos se abalaram. Grossas nuvens se desfizeram em água; houve trovões nos espaços; também as suas setas cruzaram de uma parte para outra. O ribombar do teu trovão ecoou na redondeza; os relâmpagos alumiaram o mundo; a terra se abalou e tremeu. Pelo mar foi o teu caminho; as tuas veredas, pelas grandes águas; e não se descobrem os teus vestígios. O teu povo, tu o conduziste, como rebanho, pelas mãos de Moisés e de Arão”.
• Sl 114: 3-8: “O mar viu isso e fugiu; o Jordão tornou atrás. Os montes saltaram como carneiros, e as colinas, como cordeiros do rebanho. Que tens, ó mar, que assim foges? E tu, Jordão, para tornares atrás? Montes, por que saltais como carneiros? E vós, colinas, como cordeiros do rebanho? Estremece, ó terra, na presença do Senhor, na presença do Deus de Jacó, o qual converteu a rocha em lençol de água e o seixo, em manancial”.

• Hc 3: 11-14: “O sol e a lua param nas suas moradas, ao resplandecer a luz das tuas flechas sibilantes, ao fulgor do relâmpago da tua lança. Na tua indignação, marchas pela terra, na tua ira, calcas aos pés as nações [NVI: Com ira andaste a passos largos por toda a terra e com indignação pisoteaste as nações]. Tu sais para salvamento do teu povo, para salvar o teu ungido; feres o telhado da casa do perverso e lhe descobres de todo o fundamento [NVI: Saíste para salvar o teu povo, para libertar o teu ungido. Esmagaste o líder da nação ímpia, tu o desnudaste da cabeça aos pés]. Traspassas a cabeça dos guerreiros do inimigo com as suas próprias lanças, os quais, como tempestade, avançam para me destruir; regozijam-se, como se estivessem para devorar o pobre às ocultas [NVI: como se estivessem prestes a devorar o necessitado em seu esconderijo]”.

‘O sol e a lua param nas suas moradas, ao resplandecer a luz das tuas flechas sibilantes, ao fulgor do relâmpago da tua lança’ – diz respeito a Josué (Js 10: 12-15), quando o Senhor lhe deu vitória sobre os cinco reis amorreus. Josué disse ao Senhor na presença dos israelitas: “Sol, detém-te em Gibeão, e tu, lua, no vale de Aijalom” (Js 10: 12b). E o sol se deteve, e a lua parou até que o povo se vingou de seus inimigos (Js 10: 13a), e não houve nenhum dia igual a esse porque o Senhor lutou por eles (Js 10: 14). Os versículos 12-14 de Habacuque capítulo 3 descrevem a ação sobrenatural de Deus na batalha, como também foi escrito em Js 10: 10-11: “O Senhor os conturbou diante de Israel, e os feriu com grande matança em Gibeão, e os foi perseguindo pelo caminho que sobe a Bete-Horom, e os derrotou até Azeca e Maquedá. Sucedeu que, fugindo eles de diante de Israel, à descida de Bete-Horom, fez o Senhor cair do céu sobre eles grandes pedras, até Azeca, e morreram. Mais foram os que morreram pela chuva de pedra do que os mortos à espada pelos filhos de Israel”.
O interessante é que no v.14 Habacuque escreve: “Traspassas a cabeça dos guerreiros do inimigo com as suas próprias lanças, os quais, como tempestade, avançam para me destruir; regozijam-se, como se estivessem para devorar o pobre às ocultas”. Ele usa o pronome pessoal ‘me’ como se estivesse participando daquela batalha e se identificasse com os israelitas; ou como se a mesma coisa estivesse acontecendo com ele no momento daquele cântico, se sentindo assim por causa da invasão futura dos caldeus.

• Hc 3: 15: “Marchas com os teus cavalos pelo mar, pela massa de grandes águas [NVI: Pisaste o mar com teus cavalos, agitando as grandes águas]”.
Ele recorda aqui a vitória que Deus deu ao Seu povo no Mar Vermelho.

• Hc 3: 16: “Ouvi-o, e o meu íntimo se comoveu [NVI: estremeceu], à sua voz, tremeram os meus lábios; entrou a podridão nos meus ossos [NVI: os meus ossos desfaleceram], e os joelhos me vacilaram, pois, em silêncio, devo esperar o dia da angústia, que virá contra o povo que nos acomete [NVI: Tranqüilo esperarei o dia da desgraça, que virá sobre o povo que nos ataca]”.
A força da visão e da revelação que Deus deu a ele causaram medo, seus ossos desfaleceram, ele ficou sem forças (‘entrou a podridão nos meus ossos’) e os joelhos começaram a tremer. E ele diz que em silêncio ele vai esperar ‘o dia da angústia, que virá contra o povo que nos acomete’, se referindo não mais à punição de Deus contra Judá, mas ao juízo de Deus contra os babilônios, o povo que os acomete.

• Hc 3: 17-19: “Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; as ovelhas sejam arrebatadas do aprisco, e nos currais não haja gado, todavia, eu me alegro no Senhor, exulto no Deus da minha salvação. O Senhor Deus é a minha fortaleza, e faz os meus pés como os da corça, e me faz andar altaneiramente [NVI: faz-me andar em lugares altos]. Ao mestre de canto. Para instrumentos de cordas”.
Habacuque termina o cântico afirmando sua confiança na misericórdia divina, mesmo que a terra esteja desolada e sem frutos e não haja animais nos pastos. Isso significa que quando tudo se foi, o nosso Deus não se foi; ainda há uma esperança. O Senhor é a salvação e a fortaleza onde podemos nos abrigar.
‘Faz os meus pés como os da corça, e me faz andar altaneiramente [NVI: em lugares altos]’ – quer dizer que Deus o faz superar as montanhas de dificuldades de cabeça erguida. A corça é um animal que tem os pés preparados para galgar as montanhas (‘lugares altos’) sem escorregar, pois ela salta sobre as rochas.

Conclusão:

Ao falar de Habacuque, nós estamos falando do zelo do Senhor pelo Seu povo, apesar do seu pecado, punindo também aqueles que zombam do seu sofrimento e do Seu zelo pela Sua própria santidade, pois quando Seus escolhidos cometem iniqüidades e atrocidades, Seu nome santo é envergonhado. O que Ele pede de nós é a humildade e a verdadeira adoração. Dessa forma, o profeta deve ser um instrumento de zelo do Senhor onde há pecado, irreverência, abominação, falta de temor e desconhecimento do Deus verdadeiro. Não deve permitir que o mundo o influencie ou que as coisas do maligno e da carne o seduzam e o desviem da verdade, pois tudo isso deixa uma mácula no nosso espírito e fere o Espírito Santo que está em nós. Devemos saber que o amor e a misericórdia do Senhor estarão sempre disponíveis para todos aqueles que se arrependem sinceramente do seu erro e que a Sua restauração é completa, removendo de nós toda a acusação do inimigo. É Ele que nos justifica perante os que nos humilharam e nos eleva perante os que desejaram nos ver cair. Quando estamos no centro da Sua vontade, Sua proteção e a Sua justiça estão sobre nós. Devemos interceder como Habacuque por aqueles que estão no erro, mas não carregar o fardo pelos seus pecados e pela sua rebeldia e idolatria. Quando o pecador rejeita a correção através da boca do intercessor e do profeta, é hora de parar de orar e deixar a vontade soberana de Deus entrar em ação para disciplinar, convencer do erro, do pecado, da justiça, do juízo e, assim, vindicar Sua própria santidade.

Autora: Pastora Tânia Cristina Giachetti

Sugestão para download:

tabela de profetas AT

Tabela dos profetas (PDF)

Table about the prophets (PDF)


livro evangélico: Profeta, o mensageiro de Deus

Profeta, o mensageiro de Deus

Prophet, the messenger of God


Este texto se encontra no 2º volume do livro:


livro evangélico: Os profetas menores

Os profetas menores vol. 1

Os profetas menores vol. 2

Os profetas menores vol. 3

The minor prophets vol. 1

The minor prophets vol. 2

The minor prophets vol. 3

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