Em Ageu há quatro profecias: Ag 1: 1-11; Ag 2: 1-9; Ag 2: 10-19; Ag 2: 20-23. As 3 primeiras dizem respeito à reconstrução do templo e a 4ª é uma promessa de proteção para Zorobabel, governador de Judá, em meio aos abalos sofridos pelo Império Persa.


Explicação do livro de Ageu




Ageu profetizou em 520 AC (Ag 1: 1 – Ag 2: 10, em 112 dias). Seu nome significa: ‘alegria, festa’. Embora os judeus tivessem iniciado a reedificação do templo dezesseis anos antes dessa profecia (por volta de 536 AC), a oposição dos povos vizinhos conseguia intimidá-los e levá-los a abandonar a obra de reconstrução (Ed 4: 1-5; 8-10; Ed 5: 6; Ed 6: 6-7; 13), e era por isso que Ageu clamava. Ageu e Zacarias são os primeiros profetas referidos depois do retorno dos primeiros exilados em 538 AC (Ed 5: 2). Ageu estimula o povo a reconstruir, no segundo ano do reinado de Dario I, isto é, em 520 AC (Ag 1: 1; Ed 4: 24; Ed 5: 1-2). Sua conclusão foi em 516 AC (Ed 6: 15 cf. Ag 2: 18, seu início). Segundo a História, o segundo retorno dos exilados a Jerusalém (sob comando de Esdras) foi em 458 AC, e a reconstrução das muralhas de Jerusalém, em 445 AC (3º retorno: Neemias). Em Ageu há quatro profecias:
• Ag 1: 1-11 – Ageu fala da negligência na reedificação do templo nos últimos 16 anos. Deus devia ser colocado em primeiro lugar.
• Ag 2: 1-9 – Encorajamento aos que sentiam que o novo templo era pobre em comparação com o antigo.
• Ag 2: 10-19 – Colocar o fundamento novo do templo faria toda a diferença.
• Ag 2: 20-23 – Promessa a Zorobabel, governador de Judá, de que seria conservado em segurança, apesar das perturbações que assolavam o império persa.


Profeta Ageu

Capítulo 1

• Ag 1: 1-11: “No segundo ano do rei Dario, no sexto mês, no primeiro dia do mês, veio a palavra do Senhor, por intermédio do profeta Ageu, a Zorobabel, filho de Salatiel [NVI: Sealtiel], governador de Judá, e a Josué, filho de Jozadaque, o sumo sacerdote, dizendo: Assim fala o Senhor dos Exércitos: Este povo diz: Não veio ainda o tempo, o tempo em que a Casa do Senhor deve ser edificada [NVI: Ainda não chegou o tempo de reconstruir a casa do Senhor]. Veio, pois, a palavra do Senhor, por intermédio do profeta Ageu, dizendo: Acaso, é tempo de habitardes vós em casas apaineladas, enquanto esta casa permanece em ruínas? [NVI: em casas de fino acabamento, enquanto a minha casa continua destruída?] Ora, pois, assim diz o Senhor dos Exércitos: Considerai o vosso passado [NVI: Vejam aonde os seus caminhos os levaram]. Tendes semeado muito e recolhido pouco; comeis, mas não chega para fartar-vos; bebeis, mas não dá para saciar-vos; vestis-vos, mas ninguém se aquece; e o que recebe salário, recebe-o para pô-lo num saquitel furado [NVI: numa bolsa furada]. Assim diz o Senhor dos Exércitos: Considerai o vosso passado [NVI: Vejam aonde os seus caminhos os levaram!] Subi ao monte, trazei madeira e edificai a casa [NVI: templo]; dela me agradarei e serei glorificado, diz o Senhor. Esperastes o muito, e eis que veio a ser pouco, e esse pouco, quando o trouxestes para casa, eu com um assopro o dissipei. Por quê? – diz o Senhor dos Exércitos; por causa da minha casa [NVI: meu templo], que permanece em ruínas, ao passo que cada um de vós corre por causa de [NVI: se ocupa com] sua própria casa. Por isso, os céus sobre vós retêm o seu orvalho, e a terra, os seus frutos [NVI: o céu reteve o orvalho e a terra deixou de dar o seu fruto]. Fiz vir a seca sobre a terra e sobre os montes; sobre o cereal [NVI: trigo], sobre o vinho, sobre o azeite e sobre o que a terra produz, como também sobre os homens, sobre os animais [NVI: o gado] e sobre todo trabalho das mãos”.

No primeiro dia do sexto mês (Mês de Elul – Ago.-Set.). Essa profecia se dirige a Zorobabel e a Josué, líderes do povo, falando da negligência dos dezesseis anos passados, durante os quais o povo deveria vir reedificando o templo (Ed 3 e 4). Ao contrário, eles haviam preferido construir casas para si, experimentando desastres naturais que destruíam as colheitas e mantinham o povo na pobreza. Assim, Deus os lembrava de colocá-lo em primeiro lugar em suas vidas.
Para nós, este texto nos esclarece o que acontece quando deixamos de suprir a Casa de Deus: nossas orações não são respondidas (‘os céus retêm o orvalho’) e Deus não derrama Sua unção (‘azeite’). Deus não é vingativo, mas é um Deus justo e fiel à Sua própria palavra. Sem se importar com o Seu templo não há bênção nem prosperidade. Isso não diz respeito apenas às ofertas financeiras para suprir as necessidades materiais do templo como impostos, despesas, salário dos funcionários etc., mas diz respeito também à preocupação quanto a ‘limpeza espiritual e física’: a reverência e todo um comportamento respeitoso e digno dentro da Casa de Deus, mantendo o templo limpo fisicamente e orando para que, espiritualmente, esteja também em santidade, através das pessoas que ali ministram, para que elas sejam abençoadas por Deus e que estejam sempre na Sua presença. Dessa forma, os que estão debaixo desse manto serão abençoados também. Jesus veio para cumprir a lei e as profecias, mas a palavra de Deus não muda. A Sua Casa deve ser bem cuidada, assim como Seus servos, que ministram ali, devem receber seu suprimento, através das ofertas e dos dízimos.

• Ag 1: 12-15: “Então, Zorobabel, filho de Salatiel, e Josué, filho de Jozadaque, o sumo sacerdote, e todo o resto do povo atenderam à voz do Senhor, seu Deus, e às palavras do profeta Ageu, as quais o Senhor, seu Deus, o tinha mandado dizer; e o povo temeu diante do Senhor. Então, Ageu, o enviado do Senhor, falou ao povo, segundo a mensagem do Senhor, dizendo: Eu sou convosco, diz o Senhor. O Senhor despertou o espírito de Zorobabel, filho de Salatiel, governador de Judá [NVI: o Senhor encorajou o governador de Judá, Zorobabel, filho de Sealtiel], e o espírito de Josué, filho de Jozadaque [NVI: Jeozadaque], o sumo sacerdote, e o espírito do resto de todo o povo; eles vieram e se puseram ao trabalho na Casa do Senhor dos Exércitos, seu Deus, ao vigésimo quarto dia do sexto mês [NVI: do segundo ano do reinado de Dario]”.

Em vinte e quatro dias o povo reagiu à profecia e recomeçou o trabalho.

Capítulo 2

• Ag 2: 1-9: “No segundo ano do rei Dario, no sétimo mês, ao vigésimo primeiro do mês, veio a palavra do Senhor por intermédio do profeta Ageu, dizendo: Fala, agora, a Zorobabel, filho de Salatiel [NVI: Sealtiel], governador de Judá, e a Josué, filho de Jozadaque [NVI: Jeozadaque], o sumo sacerdote, e ao resto do povo, dizendo: Quem dentre vós, que tenha sobrevivido, contemplou esta casa na sua primeira glória? E como a vedes agora? Não é ela como nada aos vossos olhos? [NVI: Quem de vocês viu este templo em seu primeiro esplendor? Comparado a ele, não é como nada o que vocês vêem agora?] Ora, pois, sê forte, Zorobabel, diz o Senhor, e sê forte, Josué, filho de Jozadaque, o sumo sacerdote, e tu, todo o povo da terra, sê forte, diz o Senhor, e trabalhai, porque eu sou convosco, diz o Senhor dos Exércitos; segundo a palavra da aliança que fiz convosco, quando saístes do Egito, o meu Espírito habita no meio de vós; não temais. Pois assim diz o Senhor dos Exércitos: Ainda uma vez, dentro em pouco, farei abalar o céu, a terra, o mar e a terra seca [NVI: farei tremer o céu, a terra, o mar e o continente]; farei abalar todas as nações, e as coisas preciosas de todas as nações virão [NVI: Farei tremer todas as nações, as quais trarão para cá os seus tesouros], e encherei de glória esta casa, diz o Senhor dos Exércitos. Minha é a prata, meu é o ouro, diz o Senhor dos Exércitos. A glória desta última casa será maior do que a da primeira [NVI: A glória deste novo templo será maior do que a do antigo], diz o Senhor dos Exércitos; e, neste lugar, darei a paz [NVI: estabelecerei a paz], diz o Senhor dos Exércitos”.

No vigésimo primeiro dia do sétimo mês (Mês de Etanim ou Tisri – Set.-Out.), o profeta Ageu deu palavras de encorajamento àqueles que sentiam que o novo templo era pobre em comparação com o antigo. A glória da segunda casa (deste segundo templo) seria maior do que a da primeira. ‘As coisas preciosas’, descritas no versículo 7 se refere às contribuições dos gentios, que ajudariam a adornar o templo. Isso teve início com os persas, na pessoa de Dario I e Artaxerxes I, depois que o decreto de Ciro foi confirmado, pois os inimigos dos judeus haviam tentado impedir a reconstrução desde o tempo de Cambises II (Ed 4: 1-24), onde no v. 6 o cronista usa seu nome caldeu – Ahashuerus – e no v. 7, seu nome persa, Artaxerxes, mas não é o mesmo Artaxerxes I do tempo de Neemias, filho de Xerxes, que autorizou o retorno de Esdras (Ed 7: 1) e a reconstrução das muralhas de Jerusalém (Ne 2: 1). Dario I, filho de Histaspes, decretou que fossem concedidos aos judeus os materiais e o dinheiro necessário para a obra (Ed 6: 1-15), dinheiro este que seria retirado dos tesouros reais (Ed 6: 4). O controle total de Deus sobre reinos e nações, bem como suas decisões políticas, é descrito de maneira figurada, quando o profeta escreve (v. 6): ‘Pois assim diz o Senhor dos Exércitos: Ainda uma vez, dentro em pouco, farei abalar o céu, a terra, o mar e a terra seca [NVI: farei tremer o céu, a terra, o mar e o continente]’ (cf. Jr 51: 29 – ‘estremece a terra’). Como está escrito no v. 7: ‘farei abalar todas as nações, e as coisas preciosas de todas as nações virão [NVI: Farei tremer todas as nações, as quais trarão para cá os seus tesouros]’, pode-se entender que não era apenas o Império Medo-Persa que seria movido pelo Senhor. Mais tarde, Herodes, por exemplo, reformou o templo, mesmo à custa de impostos sobre Judeus e Gentios súditos de Roma, ornamentando-o com belas pedras, ouro e muitos outros materiais que chamavam a atenção de todos pela grandiosidade (Lc 21: 5). Os gentios começaram a ser atraídos ao judaísmo e tiveram permissão de ocupar seus átrios externos, quando vinham para adorar e para trazer suas ofertas. A profecia se cumpriu em Jesus (Ef 2: 17-22). Essa declaração aumentava a esperança dos que estavam reconstruindo, e essas melhorias seriam feitas por vontade de Deus, por isso Ele disse: ‘Minha é a prata, meu é o ouro, diz o Senhor dos Exércitos’, simbolizando que, da mesma maneira que Ele tinha o poder de mover nações para tomarem decisões a favor do Seu povo, Ele também dominava as suas riquezas (v. 8).

• Ag 2: 10-19: “Ao vigésimo quarto dia do mês nono, no segundo ano de Dario, veio a palavra do Senhor por intermédio do profeta Ageu, dizendo: Assim diz o Senhor dos Exércitos: Pergunta, agora, aos sacerdotes a respeito da lei: Se alguém leva carne santa na orla de sua veste [NVI: carne consagrada na borda de suas vestes], e ela vier a tocar no pão, ou no cozinhado, ou no vinho, ou no azeite, ou em qualquer outro mantimento, ficará isto santificado? Responderam os sacerdotes: Não. Então, perguntou Ageu: Se alguém que se tinha tornado impuro pelo contato com um corpo morto tocar nalguma destas coisas, ficará ela imunda? [NVI: impura] Responderam os sacerdotes: Ficará imunda [NVI: impura]. Então, prosseguiu Ageu: Assim é este povo, e assim esta nação perante mim, diz o Senhor; assim é toda a obra das suas mãos, e o que ali oferecem: tudo é imundo [NVI: Tudo o que fazem e tudo o que me oferecem é impuro]. Agora, pois, considerai tudo o que está acontecendo desde aquele dia [NVI: ‘de hoje em diante’; ou ‘desde os dias passados]. Antes de pordes pedra sobre pedra no templo do Senhor, [NVI: Em que condições vocês viviam antes que se colocasse pedra sobre pedra no templo do Senhor?] antes daquele tempo, alguém vinha a um monte de vinte medidas, e havia somente dez; vinha ao lagar para tirar cinqüenta, e havia somente vinte. Eu vos feri com queimaduras, e com ferrugem, e com saraiva [NVI: com mofo, ferrugem e granizo], em toda a obra das vossas mãos; e não houve, entre vós, quem voltasse para mim, diz o Senhor. Considerai, eu vos rogo, desde este dia em diante, desde o vigésimo quarto dia do mês nono, desde o dia em que se fundou o templo do Senhor, considerai nestas coisas. Já não há semente no celeiro. Além disso, a videira, a figueira, a romeira e a oliveira não têm dado os seus frutos; mas, desde este dia, vos abençoarei [NVI: Mas, de hoje em diante, abençoarei vocês]”.

Em 536 AC (no segundo mês do segundo ano de sua chegada a Jerusalém, no reinado de Ciro – mês de Zive ou ’Iyyar, correspondente a Abril–Maio) realizou-se a cerimônia de inauguração (Ed 3: 8; 10-11), mas a obra foi interrompida. No vigésimo quarto dia do nono mês no segundo ano de Dario (520 AC), que corresponde ao mês de Quisleu (Nov.-Dez.), Ageu fez esta profecia.
As ruínas do templo estavam imundas e contaminavam a nação e as coisas em que tocavam. Por isso, colocar o fundamento novo faria toda a diferença e daquele instante em diante a obra do povo seria abençoada.
A palavra de Deus diz em Lv 6: 27; Nm 19: 11; 13; 22; Ez 44: 19 que as vestes do sacerdócio eram consagradas, e que o sacerdote deveria trocá-las depois que ministrasse no santuário e usar outras vestes para se achegar ao povo; e que o que era santo também santificava tudo aquilo em que tocasse (Êx 29: 37; Lv 6: 27; Ez 44: 19). Também diz que tudo que fosse imundo, por tocar em cadáver, não poderia tocar em outras coisas, em especial nas coisas santas para que elas não se tornassem imundas (Nm 19: 11; 13; 22). A carne que se levava na orla da veste estava consagrada, mas se ela tocasse em outros alimentos, eles não ficariam consagrados, santificados, pois não estavam em contato direto com as vestes sacerdotais. Assim, o sacerdote e o templo estavam consagrados, portanto, eram santos ao Senhor. A presença de Deus com estes e com Seu povo é que os abençoava. Isso foi planejado por Deus para lhes dar a idéia de separação entre o santo e o profano. Para os judeus, a santidade estava no templo, por isso era importante reconstruí-lo.

O segundo ponto era uma questão de impureza ritual, ou seja, se a santidade exigia condições especiais, a transmissão da impureza ocorria com extrema facilidade de um para outro. Muitas coisas tornavam uma pessoa impura, especialmente, o fato de tocar em cadáver (Nm 19: 11). Como foi escrito acima, as ruínas do templo, sendo imundas (como um cadáver), contaminavam a nação. A nação havia se tornado impura pelo pecado, pela infidelidade e pelo descaso para com Deus; conseqüentemente, o fruto das suas colheitas insuficientes e da sua pobreza também eram consideradas ofertas imundas pelo Senhor.
Podemos extrapolar nosso raciocínio para os dias de hoje dizendo que as coisas impuras do mundo não devem ser oferecidas a Deus (Ag 2: 14: ‘Então, prosseguiu Ageu: Assim é este povo, e assim esta nação perante mim, diz o Senhor; assim é toda a obra das suas mãos, e o que ali oferecem: tudo é imundo’). Nem o sacerdote pode torná-las santas. Deus pode santificar o pecador através do sangue de Jesus, mas não santifica a sujeira mundana (o pecado). Da mesma forma, o sacerdote não pode purificar o povo, nem a comida consagrada pode fazê-lo, mas pode se tornar imundo pelo povo. A impureza é mais facilmente transmitida do que a santificação.

• Depois o Senhor faz uma ligação entre as condições de impureza e desobediência à Sua palavra, que gerou a seca e as colheitas escassas, e ao tempo em que isso começou, ou seja, antes de iniciarem a construção: “Agora, pois, considerai tudo o que está acontecendo desde aquele dia [NVI: ‘de hoje em diante’; ou ‘desde os dias passados]. Antes de pordes pedra sobre pedra no templo do Senhor, [NVI: Em que condições vocês viviam antes que se colocasse pedra sobre pedra no templo do Senhor?] antes daquele tempo, alguém vinha a um monte de vinte medidas, e havia somente dez; vinha ao lagar para tirar cinqüenta, e havia somente vinte. Eu vos feri com queimaduras, e com ferrugem, e com saraiva [NVI: com mofo, ferrugem e granizo], em toda a obra das vossas mãos; e não houve, entre vós, quem voltasse para mim, diz o Senhor” (v. 15-17).
Mesmo sendo disciplinados por Ele com ‘queimaduras, e com ferrugem, e com saraiva [NVI: com mofo, ferrugem e granizo]’ eles continuavam teimosos, por isso os dias estavam sendo difíceis. E eles não se voltavam para Deus.

• “Considerai, eu vos rogo, desde este dia em diante, desde o vigésimo quarto dia do mês nono, desde o dia em que se fundou o templo do Senhor, considerai nestas coisas. Já não há semente no celeiro. Além disso, a videira, a figueira, a romeira e a oliveira não têm dado os seus frutos; mas, desde este dia, vos abençoarei [NVI: Mas, de hoje em diante, abençoarei vocês]” (Ag 2: 18) – Deus volta a pedir que eles olhem para o seu passado, e lhes garante que a partir de agora Ele irá abençoá-los. Tudo isso era um incentivo para reconstruir o templo (cf. Ed 6: 15 – sua conclusão).

• Ag 2: 20-23: “Veio a palavra do Senhor segunda vez a Ageu, ao vigésimo quarto dia do mês, dizendo: Fala a Zorobabel, governador de Judá: Farei abalar o céu e a terra [NVI: farei tremer o céu e a terra]; derribarei o trono dos reinos e destruirei a força dos reinos das nações [NVI: Derrubarei tronos e destruirei o poder dos reinos estrangeiros]; destruirei o carro e os que andam nele; os cavalos e os seus cavaleiros cairão, um pela espada do outro. Naquele dia, diz o Senhor dos Exércitos, tomar-te-ei, ó Zorobabel, filho de Salatiel [NVI: Sealtiel], servo meu, diz o Senhor, e te farei como um anel de selar, porque te escolhi, diz o Senhor dos Exércitos”.

• Vigésimo quarto dia do nono mês (Quisleu – Nov.-Dez.). Esta foi uma promessa especial a Zorobabel, o governador de Judá, de que seria conservado em segurança, apesar das perturbações que assolavam o império persa.

• “Farei abalar o céu e a terra [NVI: farei tremer o céu e a terra]; derribarei o trono dos reinos e destruirei a força dos reinos das nações [NVI: Derrubarei tronos e destruirei o poder dos reinos estrangeiros]; destruirei o carro e os que andam nele; os cavalos e os seus cavaleiros cairão, um pela espada do outro” (v. 21b-22) – aqui o Senhor volta a falar sobre o Seu poder de mover reinos e impérios, inclusive de fazer cessar as guerras (destruirei o carro e os que andam nele; os cavalos e os seus cavaleiros cairão, um pela espada do outro), o que lembrava os judeus de suas vitórias passadas, quando Deus interveio, trazendo livramentos sobrenaturais para o Seu povo (Jz 7: 7; 13-15; 21-22; 2 Cr 20: 22-24). Essa é uma figura de linguagem que significa: mudar e renovar todas as coisas em Cristo.

• Deus chama Zorobabel de ‘servo meu’ e diz que Ele o tinha escolhido. Isaías usou muito a palavra ‘servo’, tanto para Israel como para Jesus (Is 42: 1; Is 49: 3; 6; 7; Is 52: 13; Is 53: 11), como símbolo do instrumento ungido e escolhido por Deus para realizar o Seu propósito. Zorobabel é a figura de Jesus. Embora Zorobabel tenha enfrentado oposições no momento da sua chegada a Judá, pois o governador nomeado por Ciro era Sesbazar (Ed 1: 8; Ed 5: 14; 16), mas ele, Zorobabel, era o líder ativo, tanto em 536 AC como em 520 AC (Ed 3: 2; 8; Ed 5: 2), depois que Sesbazar morreu Dario I o nomeou para o cargo de governador de Judá, pois essa terra fazia parte de uma satrapia persa no seu reinado (Ed 5: 14; 16; Ag 1: 1; 14; Ag 2: 2). Assim, essa ação de Deus sobre reinos e Impérios, até sobre guerras, pode indicar um tempo futuro, onde a profecia passa a ser cumprida na pessoa de Jesus (‘naquele dia’). Zorobabel era descendente de Davi e também faz parte da linhagem de Jesus (Mt 1: 13; Lc 3: 27). Ele era o responsável pelo retorno dos judeus do cativeiro e pela reconstrução da nação. Na Sua primeira vinda, Jesus reconstruiria espiritualmente a nação, mostrando-se o pastor, o redentor, o sumo sacerdote e o Rei dela, levando-a a um novo patamar de relacionamento com Deus e a um lugar de honra entre as nações.

‘Anel de selar’ era o anel usado pela realeza para selar os decretos emitidos pelo rei, ou seja, o anel os autenticava, como aconteceu com Assuero, rei da Pérsia, descrito no livro de Ester (Et 3: 10-11; 12; Et 8: 2; 8; 10). Jeremias (Jr 22: 24) se referiu a um antepassado de Zorobabel com o nome de ‘anel de selo’ que estava sendo tirado das mãos do Senhor, se referindo à sua rejeição como rei e à sua derrota nas mãos do rei da Babilônia. Deus já tinha selado seu destino. Esse antepassado era Jeconias ou Joaquim, sobrinho de Zedequias. Zedequias foi o último rei de Israel no trono. Depois do retorno do cativeiro só Jesus restituiu a honra à casa de Davi, por isso Zorobabel era uma figura de Jesus, que viria da linhagem deste (Mt 1: 12-13). Essa profecia estimulava os judeus a reconstruírem o templo, pois Deus lhes dava a certeza de que a nação seria reconstruída também, e no futuro, a linhagem de Davi teria honra novamente.

Conclusão:

O que podemos ver na vida de Ageu é a força da palavra profética que nos ajuda a reconstruir o que foi destruído em nossa vida, além do que Ele nos lembra do que é sacerdócio santo, do que precisamos fazer para agradá-lo como nosso Senhor. Ele não deseja nos ver apáticos em relação ao nosso chamado nem à Sua obra, pois isso poderia desanimar toda a Sua Igreja. Cada um de nós tem a responsabilidade de perseverar no próprio caminho e zelar pelos dons espirituais que nos foram dados para que possamos ser um canal de Suas bênçãos para outras vidas. Assim sendo, através do nosso testemunho vivo, estaremos profetizando e trazendo a salvação do Messias para todos os que se acham em trevas. Em nossa boca, Suas palavras são vivas e são verdadeiros tijolos que ajudam nossos semelhantes a reconstruir seus ‘templos’. Por isso, um profeta deve obedecer em tudo à voz do Espírito de Deus, tanto para exortar, repreender, convencer do erro e eliminar o pecado, como para trazer o consolo e o incentivo àqueles que o Senhor o envia. Mesmo condenando o mal e trazendo à luz os erros da carne, estaremos contribuindo para a ‘edificação de muros e reparação de brechas’ (cf. Is 58: 12).

Autora: Pastora Tânia Cristina Giachetti

Sugestão para download:

tabela de profetas AT

Tabela dos profetas (PDF)

Table about the prophets (PDF)


livro evangélico: Profeta, o mensageiro de Deus

Profeta, o mensageiro de Deus

Prophet, the messenger of God


Este texto se encontra no 3º volume do livro:


livro evangélico: Os profetas menores

Os profetas menores vol. 1

Os profetas menores vol. 2

Os profetas menores vol. 3

The minor prophets vol. 1

The minor prophets vol. 2

The minor prophets vol. 3

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