Estudo sobre Eclesiastes 9: 8 (“Em todo tempo sejam alvas as tuas vestes e jamais falte óleo sobre a tua cabeça”).


Estudo sobre Eclesiastes 9:8




Da mesma forma que o beijo e a lavagem dos pés, o ato de ungir uma pessoa com óleo era um ritual costumeiro entre os judeus quando recebiam um visitante em suas casas. Lavar os pés do visitante era para tirar a poeira das estradas, sinal de asseio, conforto e hospitalidade geralmente feito pelos escravos mais desprezíveis, uma coisa que foi feita espontaneamente por Maria e pelo próprio Jesus (Lc 7: 38; Jo 13: 5). Além disso, na Antiguidade, era difícil manter as vestes brancas limpas (quer dizer, até ficarem totalmente brancas – cf. Mc 9: 3). Por isso, entre as orientações dadas por Salomão neste capítulo de Eclesiastes, está a de manter as vestes alvas (brancas, limpas) e a cabeça ungida com óleo, como um símbolo de pureza, santidade e alegria.

Mas, para nós hoje, este versículo tem significados mais profundos. Nós somos o santuário do Deus vivo, um templo onde o Espírito Santo habita, lugar de santidade, i.e., as vestes do nosso espírito devem sempre alvas. E Ele nos enche com Sua unção (Seu óleo), com Seus dons espirituais.

“Em todo tempo sejam alvas as tuas vestes e jamais falte óleo sobre a tua cabeça” (Ec 9: 8).

O versículo começa dizendo que as nossas vestes devem sempre ser alvas, brancas, isto é, limpas e sem pecado, porque foram alvejadas no sangue de Jesus (Ap 7: 14). A bíblia fala que nós somos o santuário do Deus vivo, ou seja, um templo onde o Espírito Santo habita (1 Co 3: 16-17; 1 Co 6: 19-20) e, logicamente, um lugar sem as impurezas do pecado e sem o domínio da carne humana, porque assim haveria disputa sobre a autoridade e o senhorio de Deus em nossas vidas. Ao nos entregarmos de todo o coração a Jesus no momento da nossa conversão, nós deixamos de ser de nós mesmos e passamos a ser propriedade do Senhor. Agora, como servos e filhos nós Lhe devemos obediência. A obediência ao Senhor é uma forma de demonstrarmos o nosso amor a Ele: “Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu também o amarei e me manifestarei a ele... Se alguém me ama, guardará a minha palavra; e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada. Quem não me ama não guarda as minhas palavras; e a palavra que estais ouvindo não é minha, mas do Pai, que me enviou” (Jo 14: 21; 23-24 cf. 1 Jo 5: 3).


Vestes brancas


Por isso, a bíblia diz para desenvolvermos a nossa salvação e a nossa santificação, pois assim estaremos prontos para entrar na Nova Jerusalém, nossa morada celestial (Hb 13: 14). Ela também diz que não somos nós que fazemos a nossa própria santificação, e sim o Espírito de Deus que habita em nós, mas somos nós que, através do nosso livre-arbítrio, damos a Ele espaço para trabalhar dentro da nossa alma (Fp 2: 12-13; Fp 1: 6; Zc 4: 6). O apóstolo escreveu em 1 Jo 3: 9: “Todo aquele que é nascido de Deus não vive na prática de pecado; pois o que permanece nele é a divina semente; ora, esse não pode viver pecando, porque é nascido de Deus”. João também escreveu em 1 Jo 5: 18: “Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não vive em pecado; antes Aquele que nasceu de Deus o guarda e o Maligno não lhe toca”. No original em grego, está escrito: “... aquele [em relação à palavra Aquele, com letra maiúscula] que nasceu de Deus e a si mesmo se protege”. Isso quer dizer que (sendo o próprio Jesus ou o Espírito Santo ou o nosso próprio espírito na força do Senhor, não importa) todos os que experimentaram o novo nascimento através da entrega a Jesus não continuam a pecar, pelo menos conscientemente, pois têm dentro de si a sabedoria de Deus e o Seu discernimento. Sua palavra é eterna e não mente jamais. É ela que nos dá a direção quando estamos em apuros e necessitamos de uma orientação correta.

Em relação a pecado, podemos dizer que não se trata apenas de roubar, matar ou adulterar, como muitos pensam. Por isso, o apóstolo João também escreveu em 1 Jo 1: 8-10: “Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos, e a verdade não está em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça. Se dissermos que não temos cometido pecado, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós”. Isso não contradiz o que lemos acima, ou seja, quem nasceu de Deus não vive cometendo pecado, mas continua tendo dentro de si a natureza do pecado colocada no homem no Éden. Embora com a tendência ao pecado, quem é filho de Deus sabe dominá-lo, e não peca. Por isso, quando Caim ficou contrariado pelo fato de Deus ter rejeitado a sua oferta em relação à de Abel, o Senhor lhe disse: “Por que andas irado, e por que descaiu o teu semblante? Se procederes bem, não é certo que serás aceito? Se, todavia, procederes mal, eis que o pecado jaz à porta; o seu desejo será contra ti, mas a ti cumpre dominá-lo” (Gn 4: 6-7).

Um dos significados gregos da palavra ‘pecado’ é HAMARTIA = errar o alvo. Porém, existem outros como: ADIKIA = iniqüidade, injustiça; PONERIA = mal, de um tipo vicioso ou degenerado; PARABASIS = transgressão, ir além de um limite conhecido; ANOMIA = falta de lei, desrespeito ou violação da lei. Pecado é o fracasso de amar a Deus com todo o nosso ser, é a recusa ativa de reconhecê-lo e obedecer-Lhe como nosso Criador e Senhor, independência, reivindicar a posição que somente Deus pode ocupar, hostilidade para com Deus (Rm 8: 7: “Por isso, o pendor da carne é inimizade contra Deus, pois não está sujeito à lei de Deus, nem mesmo pode estar”), manifestada em rebeldia ativa contra Ele, tomar de Deus o que é Dele. Assim, nós podemos entender que somos pecadores, apesar de não vivermos em pecado consciente todo o tempo, quando deixamos que o Espírito de Deus comande a nossa vontade, nossos pensamentos e sentimentos.

O pecado suja as nossas vestes e é por isso que o versículo de Eclesiastes fala para mantê-las sempre alvas. Uma forma de sujá-las, além dos pecados mais evidentes, que são as obras da carne mencionadas em Gl 5: 19-21, é mantermos comunhão mais íntima com incrédulos, pois isso mina a nossa força. É o que Paulo escreve em 1 Co 5: 9-13 e 2 Co 6: 14-18: “Já em carta vos escrevi que não vos associásseis com os impuros; refiro-me, com isto, não propriamente aos impuros deste mundo, ou aos avarentos, ou roubadores, ou idólatras; pois, neste caso, teríeis de sair do mundo. Mas, agora, vos escrevo que não vos associeis com alguém que, dizendo-se irmão, for impuro, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com esse tal, nem ainda comais. Pois com que direito haveria eu de julgar os de fora? Não julgais vós os de dentro? Os de fora, porém, Deus os julgará. Expulsai, pois, de entre vós o malfeitor”... “Não vos ponhais em jugo desigual com os incrédulos; porquanto que sociedade pode haver entre a justiça e a iniqüidade? Ou que comunhão, da luz com as trevas? Que harmonia, entre Cristo e o Maligno? Ou que união, do crente com o incrédulo? Que ligação há entre o santuário de Deus e os ídolos? Porque nós somos santuário do Deus vivente, como ele próprio disse: Habitarei e andarei entre eles; serei o seu Deus, e eles serão o meu povo. Por isso, retirai-vos do meio deles, separai-vos, diz o Senhor; não toqueis em coisas impuras; e eu vos receberei, serei vosso Pai, e vós sereis para mim filhos e filhas, diz o Senhor Todo-Poderoso”.

O mais importante é nos entregarmos nas mãos do Espírito Santo e deixar que Ele gradualmente nos santifique, tirando da nossa alma o gosto pelas coisas do mundo e colocando dentro dela o gosto pelas coisas de Deus.

A segunda parte do versículo é: “... e jamais falte óleo sobre a tua cabeça”. Aqui, nós vamos falar sobre o significado da palavra “unção”. A unção é como um escudo que nos cobre por inteiro para que o maligno não tenha poder de nos tocar. A palavra ‘ungido’ e o ato de ungir com óleo (Mashach) referem-se ao costume de ungir com óleo para consagrar e santificar as coisas ou as pessoas. O óleo da unção representa o Espírito Santo (Ruach haKodesh) ou o Espírito de Deus (Ruach Elohim). A especiaria, o perfume, a fragrância, simboliza Jesus (2 Co 2: 14-16). Mashach dá origem a Mashiach (Messias), o Ungido (em grego, o Cristo). Ruach significa ‘espírito’, ‘vento’. ‘Santo’ (Hagios, gr.) significa: sagrado, puro, sem culpa, consagrado, separado, digno de ser honrado, semelhante a Deus, ter a natureza mais íntima de Deus, ser separado e reservado para Deus e para o seu serviço. Ele diz: “Ser-me-eis santos, porque eu, o Senhor, sou santo e separei-vos dos povos, para serdes meus” (Lv 20: 26).

A bíblia diz: “E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito” (Ef 5: 18). Como fazemos para sermos cheios com o Espírito e deixar Sua unção transbordar? Isso começa como hábito de ler Sua palavra, orar, louvar e deixar que ela realize sua função, que é nos limpar, fortificar e edificar (1 Pe 5: 10). Também, quando nos deixamos ser canais para o Espírito Santo abençoar outras vidas e realizar a Obra de Deus na terra nós multiplicamos a unção que recebemos Dele e aprimoramos os dons espirituais. Por outro lado, quando deixamos a carne prevalecer, o espírito se enfraquece e a unção diminui.

Por isso, meu irmão, minha irmã, entregue sua vida nas mãos do Senhor e Ele colocará o Espírito Santo dentro do seu espírito. Através Dele você será salvo (a) e santificado (a) e receberá os dons e frutos espirituais necessários para o seu crescimento e para a edificação de outros irmãos em Cristo.

Autora: Pastora Tânia Cristina Giachetti

Este texto se encontra no livro:


livro evangélico: Jamais falte óleo sobre tua cabeça

Jamais falte óleo sobre tua cabeça

Never be lacking oil on your head

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