Estudo bíblico sobre o amor Ágape, sob o ponto de vista bíblico: o amor de Deus, incondicional, de entrega total, desprendimento, como Jesus demonstrou. Em suma, um amor mais abrangente, altruísta e desapegado.
Biblical study on Agape love from the biblical standpoint: God’s love, unconditional, of total surrender, of selflessness, as Jesus demonstrated. In short, a more encompassing, selfless, and detached love.

Os gregos têm nomes diferentes para as quatro principais manifestações do amor: Ágape (ἀγάπη agápē, “amor” no grego moderno, relativo ao amor de Deus); Philleo ou Philia (φιλία philía, “amizade”, relativo ao amor fraternal); Storge (στοργή storgē, “afeição”, “afeto”, o amor entre pais e filhos e outros membros da família); e Eros (ἔρως érōs, que está ligado à atração sexual entre homem e mulher). O nome “eros” está ligado aos Érotes, Ἔρωτες, um grupo de deuses alados da mitologia grega ligados ao amor, à paixão e à atração sexual, companheiros da deusa Afrodite.
Neste estudo, nós vamos falar sobre o Ágape. Ágape (ἀγάπη agápē), no grego moderno, significa “amor”.
O conceito bíblico define o amor Ágape como o amor de Deus, o amor incondicional, de entrega total, de desprendimento, vivido pelo Pai e pelo Filho e ensinado a nós pelo Espírito Santo, portanto, um amor de abnegação que pode ser praticado por seres humanos, logicamente em grau bem inferior em função das imperfeições e limitações humanas.
Muitas pessoas pregam que o Ágape é o exercício da própria Palavra em ação, o que de fato é, mas negam o envolvimento das emoções em todo o processo. Isso não é totalmente válido, uma vez que somos corpo, alma e espírito e Deus nos usa por inteiro, como usou Seu próprio Filho, várias vezes, ao se condoer por quem não estava diretamente ligado a Ele como um discípulo ou parente próximo (o homem da mão ressequida, a viúva de Naim, o cego de Jericó etc., quando a bíblia usou a expressão: condoeu-se. Também fala que Ele chorou ao ver Marta e Maria no túmulo de Lázaro).
É pouco provável que Jesus tenha ido para a cruz isento de emoções, pois estava em carne e Seu sofrimento não foi apenas espiritual, todavia, igualmente emocional e físico. Em Mc 14: 32-34 está escrito: “Então, foram a um lugar chamado Getsêmani; ali chegados, disse Jesus a seus discípulos: Assentai-vos aqui, enquanto vou orar. E, levando consigo a Pedro, Tiago e João, começou a sentir-se tomado de pavor e angústia. E lhes disse: A minha alma está profundamente triste até a morte; ficai aqui e vigiai”.
Quem teve uma encarnação humana e sentiu o que o ser humano sente e se diz UM com o Pai (Jo 17: 21), então sabe o que é o amor e quais os sentimentos que estão envolvidos com ele. A própria bíblia descreve sentimentos em Deus como ciúmes por nós, ira ou tristeza diante do pecado, da injustiça ou da afronta, júbilo pelos filhos que Lhe agradam e andam nos Seus caminhos, entre muitos outros. Jesus também nos deu o exemplo de “Chorar com os que choram e se alegrar com os que se alegram” (ver Rm 12: 15).
Ele usa as nossas emoções tanto para sentirmos o Seu amor pelos nossos irmãos em Cristo quanto para sentirmos o Seu amor por nós. Essa é uma prova de que o Ágape envolve, sim, a emoção, tanto a nossa quanto a dEle. Portanto, exercer o Ágape é agir de acordo com Sua palavra, não apenas verbalizá-la ou profetizá-la sobre a vida de alguém, mas vivê-la em sua plenitude, muitas vezes, sofrendo e tendo compaixão pelos que estão na tribulação, sentindo suas necessidades e experimentando a alegria de poder supri-los com o que está ao nosso alcance.
Então, para com nossos irmãos, o amor se resume em atitudes práticas e palpáveis decorrentes da vivência da própria Palavra (JESUS) em nós.
E a atitude de amor que temos para com Deus (nossa forma de demonstrar amor a Ele) é guardar a Sua palavra e obedecer-Lhe em tudo o que Ele nos pede para fazer, seja o que for.
• Jo 14: 21; 23: “Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu também o amarei e me manifestarei a ele... Respondeu Jesus: Se alguém me ama, guardará a minha palavra; e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada”.
Podemos ver o Ágape demonstrado por Jesus em vários textos bíblicos:
• Jo 3: 16: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”.
• Is 53: 4-7: “Certamente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus e oprimido. Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo caminho, mas o Senhor fez cair sobre ele a iniqüidade de todos nós. Ele foi oprimido e humilhado, mas não abriu a boca; como cordeiro foi levado ao matadouro; e, como ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a boca”.
• Is 53: 11-12: “Ele verá o fruto do penoso trabalho de sua alma e ficará satisfeito; o meu Servo, o Justo, com o seu conhecimento, justificará a muitos, porque as iniqüidades deles levará sobre si. Por isso, eu lhe darei muitos como a sua parte, e com os poderosos repartirá ele o despojo, porquanto derramou a sua alma na morte; foi contado com os transgressores; contudo levou sobre si o pecado de muitos e pelos transgressores intercedeu”.
• 1 Co 6: 20: “Porque fostes comprados por preço [pela vida de Jesus Cristo, é o que quer dizer]. Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo”.
• 1 Pe 2: 24: “Carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados, para que nós, mortos para os pecados, vivamos para a justiça; por suas chagas, fostes sarados”.
• 1 Jo 3: 16: “Nisto conhecemos o amor: que Cristo deu sua vida por nós; e devemos dar a nossa vida pelos irmãos”.
• 1 Jo 4: 10: “Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados”.
• 1 Jo 4: 19: “Nós amamos porque ele nos amou primeiro”.

Seu amor é algo forte e firme que nos preserva do mal e nos estimula a caminhar e a superar limites. E o Seu amor é o amor que correu risco sem ter certeza de êxito, um amor que se fez (e se faz) vulnerável à possibilidade de que Seus filhos O desprezassem (ou desprezem) e lhe voltassem (ou voltem) as costas. O grito de abandono na cruz mostra Sua amorosa disposição de se identificar com os rejeitados humanos. Tem igual importância o sofrimento do Pai pela morte do Filho quanto o sofrimento do Filho pelo afastamento do Pai (orfandade). Seu amor foi exposto ao sofrimento da perda para que nós pudéssemos ganhá-lo e tê-lo sempre à nossa disposição. Em outras palavras: Deus, como Pai, sabe o que é a dor de perder um filho e, como Filho, conhece a dor de não ter Pai. Por isso, qualquer que seja a nossa dor ou a nossa necessidade, podemos ter a certeza que Jesus é a pessoa mais capacitada a preencher nossos espaços vazios e nos restaurar e refazer. Ele está acima de toda a rejeição que o diabo tenta lançar sobre a nossa vida, pois Seu amor é infinitamente mais forte e mais poderoso para nos defender e suprir. Assim, através do sacrifício de Jesus na cruz nós podemos confiar nas boas intenções de Deus a nosso respeito, mesmo que o inimigo tenha tentado nos provar o contrário. A bíblia diz que Deus é amor e que os Seus pensamentos para nós são de paz e não de mal (Jr. 29: 11). A Sua vontade para nós é sempre boa, agradável e perfeita.
Depois da vinda de Jesus, o mesmo mandamento de amor em Levítico e Deuteronômio passou a ser falado em Mateus e Marcos como Ágape (Mt 22: 37, 39 e Mc 12: 30-31): agapaó, ἀγαπάω, Strong #G25, que significa: amar, desejar bem, ter prazer em, ansiar por, estima; de ‘agan’ (muito); amar (em um sentido social ou moral)], se referindo aos dois mandamentos da Lei do AT [Lv 19: 18; Dt 6: 5, onde a palavra usada em hebraico tanto para amar a Deus e aos homens é aheb, אָהַב, Strong #H157, uma raiz primitiva que significa: ter afeição por (qualquer tipo e nível de afeição, até sexual); amar, ser amado, adorável, agradável, aprazível; gostar; amigo], o que nos faz pensar que antes da vinda de Jesus o homem tinha uma maneira de amar comparável ao grego ‘philleo’, ou seja, o amor humano que se tem por um amigo ou um ente querido que se gosta, com um sentimento de afeição; e a Lei pedia esse tipo de amor até para com Deus, como um amigo do Seu povo, pois Moisés conheceu o nome próprio de Deus (YHWH), como se conhece a um amigo. Assim, ser humano passaria a conhecer um amor muito maior de entrega e doação, diferente do que conheceu no AT.
Na Última Ceia (Jo 13: 34-35; Jo 15: 12-15, 17), Jesus falou sobre amar com o Ágape, tanto para os entes queridos ou amigos mais chegados, como o povo que seria rebanhado para Deus, pois aí sim, eles seriam conhecidos como discípulos de Jesus, repetindo a Sua atitude:
• Jo 13: 34-35: “Novo mandamento vos dou: que vos ameis (agapaó) uns aos outros; assim como eu vos amei (agapaó), que também vos ameis (agapaó) uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor (agapé) uns aos outros”.
• Jo 15: 12-15; 17: “O meu mandamento é este: que vos ameis (agapaó) uns aos outros, assim como eu vos amei (agapaó). Ninguém tem maior amor (agapé) do que este: de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigos (philos). Vós sois meus amigos (philos), se fazeis o que eu vos mando. Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho-vos chamado amigos (philos), porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho dado a conhecer... Isto vos mando: que vos ameis (agapaó) uns aos outros”.
• 1 Jo 4: 18: “No amor (ἀγάπη, agapé, Strong #26; de agapaó) não existe medo; antes, o perfeito amor (agapé) lança fora o medo. Ora, o medo produz tormento; logo, aquele que teme não é aperfeiçoado no amor (agapé)”.
Ele também disse em um dos Seus sermões:
• Lc 6: 32, 35: “Se amais (agapaó) os que vos amam (agapaó), qual é a vossa recompensa? Porque até os pecadores amam (agapaó) aos que os amam (agapaó)... Amai (agapaó), porém, os vossos inimigos, fazei o bem e emprestai, sem esperar nenhuma paga; será grande o vosso galardão, e sereis filhos do Altíssimo. Pois ele é benigno até para com os ingratos e maus”.
Mas note também, que Jesus não nos obrigou a amar toda a humanidade com o amor de amigo (Philia), pois Eles separou aqui, o amor incondicional de se dar, de se doar, de estar disponível a quem precisar (Ágape), quando o Espírito Santo encher nossa alma para Sua obra, por exemplo, mas entende que o afeto natural do ser humano por pessoas mais próximas e amigos mais íntimos Philos (φίλος) não pode ser forçado, como Ele mesmo escolheu os doze como amigos mais íntimos (na verdade, foram escolhidos pelo Pai – Lc 6: 12-16) para levar Sua obra adiante, e com quem Ele abriu Seu coração e contou Seus segredos (Jo 15: 13-15), como Abraão foi chamado “amigo de Deus” (2 Cr 20: 7; Is 41: 8; Tg 2: 23).
Mas não “trouxe para dentro de Si” os que não têm parte com Deus, os que escolhem ser do maligno. Como Deus, Ele deixou Seu amor disponível aos que se arrependem e se voltam para Ele e que querem ser seus amigos, mas como homem de carne e sangue, Ele nos orientou sempre a vigiar e a separar o mal do bem, o santo do profano, pois quem não é amigo de Deus não pode ser o nosso também:
• 2 Co 6: 14-18; 2 Co 7: 1: “Não vos ponhais em jugo desigual com os incrédulos; porquanto que sociedade pode haver entre a justiça e a iniqüidade? Ou que comunhão, da luz com as trevas? Que harmonia, entre Cristo e o Maligno? Ou que união, do crente com o incrédulo? Que ligação há entre o santuário de Deus e os ídolos? Porque nós somos santuário do Deus vivente, como ele próprio disse: Habitarei e andarei entre eles; serei o seu Deus, e eles serão o meu povo. Por isso, retirai-vos do meio deles, separai-vos, diz o Senhor; não toqueis em coisas impuras; e eu vos receberei, serei vosso Pai, e vós sereis para mim filhos e filhas, diz o Senhor Todo-Poderoso. Tendo, pois, ó amados, tais promessas, purifiquemo-nos de toda impureza, tanto da carne como do espírito, aperfeiçoando a nossa santidade no temor de Deus”.
Nós aprendemos muito com as experiências dos nossos irmãos do passado. Pedro foi um deles. Experimentou tanto o amor Philleo, como o Ágape, pois ao negar Jesus, ele se deparou com a limitação do seu amor de amigo; e ao ser tratado pelo Mestre na praia da Galiléia, após Sua ressurreição, recebeu seu chamado pastoral e passou a entender o desafio que Ele lhe propunha, que era amar Suas ovelhas com o Ágape. Jesus lhe perguntou: “Simão, filho de João, tu me amas?” (Jo 21: 15-19) – leia o texto completo nesse outro estudo.
Resumindo:
O amor humano é limitado e depende muito das emoções, por envolver o “gostar”, ou seja, a afinidade humana natural por uns e a pouca afinidade por outros. “O gostar é humano, o amar é divino”. O Ágape é incondicional, não depende da nossa vontade pessoal, mas da própria Palavra em ação sem acepção de pessoas, apenas para que a justiça de Deus já realizada na cruz seja feita também entre os homens, gostando ou não deles. O Ágape é o tipo de amor que traz o poder de Deus para vencer as trevas, uma vez que se trata do próprio Deus em ação.
Um sinal de que você já está começando a desenvolver o amor Ágape é a vontade genuína (de coração, não apenas no entendimento racional) de ver a salvação em pessoas que não são seus familiares ou do seu círculo de amizades, pessoas que você não conhece muito bem, mas que necessitam conhecer Jesus. São seres humanos que carecem do perdão e da salvação de Deus.
Autora: Pastora Tânia Cristina Giachetti
Atualização: 07/09/26
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