Estudo sobre o calendário judaico, o Sábado de descanso e as principais festas do AT e seu significado para nós cristãos: festa dos Pães Asmos ou Páscoa, Festa das Semanas (Pentecostes), Festa dos Tabernáculos, Dia das Trombetas, Dia da Expiação, Festa de Purim e a Festa das Luzes (Hanukkâ, Hanukah ou Hanuká).


As Festas Judaicas do AT




Antes de entrarmos no tema propriamente dito, vamos entender primeiro o calendário judaico. A passagem dos anos era geralmente assinalada por referência aos meses, às estações agrícolas e às festas principais.

O Ano, em hebraico, shãnâ (pronuncia-se shaná), assim chamado devido à mudança ou sucessão das estações, era composto de doze meses lunares (354 dias). De três em três anos acrescentava-se um mês (pela repetição do último mês) para tirar a diferença entre os doze meses lunares e o ano solar. Para os judeus, a festividade que comemora o início do ano é baseada no calendário religioso e no calendário civil. O calendário civil iniciava quando começava o outono (sétimo mês ou mês de Tisri – Êx 23: 16; Êx 34: 22). Enquanto estiveram no Egito, os hebreus talvez tenham se adaptado ao ano solar de 12 meses, cada qual com trinta dias, com a adição de cinco dias extras, totalizando 365 dias; mas, no momento da sua saída de lá, o Senhor marcou o início do ano (calendário religioso) baseado no evento da Páscoa (Pessach), quando o Destruidor passou sobre as casas matando os primogênitos (Pessach significa passar por cima – Êx 12: 13; Êx 12: 23; Êx 12: 27). Assim, o primeiro mês foi fixado na primavera (Abibe ou Nisã – Êx 12: 2) e o calendário judaico passou a ter doze meses lunares.

O mês tinha início quando o crescente da lua nova (Nm 28: 14; Is 66: 23; 2 Cr 8: 13; Nm 28: 11) era visto pela primeira vez ao pôr-do-sol. O Mês (yerah ou yare’ach = lua) tinha vinte e nove a trinta dias e, visto que o ano lunar era mais curto em cerca de onze dias que o ano solar, era necessário intercalar periodicamente, como foi explicado acima, um décimo terceiro mês, a fim de que o dia do Ano Novo não caísse antes da primavera (março-abril).

Podemos notar dois nomes diferentes para cada mês: um pré-exílio babilônico e outro pós-exílio. O mês de Abibe, designado por Deus para início do Ano Novo, coincidindo com a primavera ou com a Páscoa, também se referia ao período do início da colheita de trigo, por isso, o nome Abibe significa: amadurecimento do trigo (Êx 13: 4; Êx 23: 15). Seu nome pós-exílio passou a ser Nisã = princípio, abertura. Os outros nomes que restam do período pré-exílio são: Zive (1 Rs 6: 1; 37, o segundo mês, que significa esplendor das flores), Etanim (1 Rs 8: 2, o sétimo, que significa chuva constante) e Bul (1 Rs 6: 38, o oitavo, que significa mutável, crescimento).

O calendário agrícola é dividido em estação seca (de abril a setembro) e estação chuvosa (de outubro a março). Esta podia ser subdividida em “sementeira” (novembro-dezembro) e “colheita” (abril-junho).

As festas do Senhor (hebraico, mô‘adhe YHWH) descritas em Lv 23: 2; 4 e Nm 15: 3 (onde são chamadas de festas fixas) expressam um dia ou um período de alegria religiosa. Embora algumas coincidam com as estações do ano e com os eventos da colheita, não são devidas a estas circunstâncias, mas a um mover poderoso de Deus na vida do Seu povo. As festas foram instituídas por Ele para que o povo se aproximasse mais Dele e refizesse a aliança com seu Criador, como um ato de gratidão pelos Seus benefícios.

Outro termo usado para festas é hagh (Lv 23: 6; Dt 16: 16). Embora três delas sejam as principais descritas na bíblia (Páscoa, Pentecostes e Tabernáculos), o Sábado também é considerado em Levítico como uma Festa, assim como a Festa das Trombetas [Rosh haShannah (literalmente “cabeça do ano”), Ano Novo civil, não o religioso correspondente à Páscoa] e o Dia da Expiação (Yom Kippur). As outras duas descritas depois (Purim – Et 9: 21-22 – e Hanuká, descrita em 1 Macabeus 4: 52-53 – livro apócrifo – não considerado canônico) não foram diretamente instituídas por Deus, mas comemoradas pelo povo judeu por ter recebido Dele um livramento importante.

Algumas festividades foram descritas no NT, mantendo as leis judaicas dadas a Moisés: Páscoa (Jo 2: 13 e 23; Jo 6: 4; Jo 11: 55; Mt 26: 2; Mc 14: 1; Lc 22: 1; At 12: 3; At 20: 6), Ano Novo (Jo 5: 1), Tabernáculos (Jo 7: 2 e 37 cf. Lv 23: 36; Nm 29: 35; Ne 8: 18), Pentecostes (At 2: 1; At 20: 16; 1 Co 16: 8), Dia da Expiação (At 27: 9, aqui chamado Dia do Jejum).

O significado do nome de cada mês é:
• Abibe = Amadurecimento do trigo
• Nisã = Princípio, abertura (Êx 12: 2; Ne 2: 1)
• Zive = Esplendor das flores (1 Rs 6: 1; 37)
• Sivã ou Siwãn (Et 8: 9) – nome de origem persa; não se sabe o significado
• Tamuz = Escondido, filho da vida (Ez 8: 14); Tamuz era uma divindade fenícia e babilônica; em grego, Adônis.
• Ab (’Abh) = muito provavelmente significa ‘pai’
• Elul = Grito ou colheita da vida (Ne 6: 15)
• Etanim (Ethãnïm) = Chuva constante (1 Rs 8: 2); Tisri
• Bul = mutável, crescimento; alimento; comida; estoque (1 Rs 6: 38)
• Marheshwan = (literalmente) oitavo mês
• Quisleu = Confiança, ousadia (Ne 1: 1)
• Tebete (Et 2: 16) – nome de origem estrangeira; não se sabe o significado
• Sebate (Zc 1: 7) – nome de origem estrangeira; não se sabe o significado
• Adar (origem aramaica – ’adhar) = Amplitude, largura, ornamento, glória (Ed 6:15; Et 3:7,13)

Abaixo, eu coloco uma tabela com os nomes pré e pós-exílicos dos meses hebraicos, seu nome no calendário cristão, as estações do ano e o dia de cada mês em que as festas eram comemoradas:


Mês | Pré | Pós-exílio Cristão Estação Dia do mês | Festa
1 | Abibe | Nisã Mar-Abr Primavera 14º - Páscoa (Êx 12: 18)
15º-21º - Pães asmos (Lv 23: 6)
16º - Primícias (Lv 23: 10-14)
2 | Zive | Iyyar Abr-Mai Começo da sega (cevada e trigo) 14º - 2ª Páscoa (Nm 9: 10-11)
3 | – | Sivã Mai-Jun Figos verdes 6º - Pentecostes
(Semanas - Lv 23: 15-25)
4 | – | Tamuz Jun-Jul Colheita de uvas  
5 | – | ’Abh Jul-Ago Colheita de azeitonas  
6 | – | Elul Ago-Set Tâmaras e figos maduros de verão  
7 | ’Ethãnïm | Tisri Set-Out Primeiras chuvas 1º - Trombetas (Nm 29: 1)
10º - Expiação (Lv 16: 29)
15º-21º - Tabernáculos (Lv 23: 34)
22º - Reunião solene (Lv 23: 36)
8 | Bul | Marheshwan Out-Nov Aradura e figos tardios (Outono-Inverno)  
9 | – | Quisleu Nov-Dez Semeadura 25º - Dedicação*
(Hanukah; festa das luzes)
10 | – | Tebete Dez-Jan Chuva (neve nos lugares altos)  
11 | – | Sebate Jan-Fev Flor da amoreira e colheita de frutas cítricas  
12 | – | Adar Fev-Mar Colheita de frutas cítricas 14º-15º - Purim*


* Festas não determinadas por Deus. Purim: por Mordecai e Ester (Et 9: 21-22; 26-29). Hanuká (Hanukah ou Chanuká, 1 Mac 4: 52-53; Jo 10: 22): extra-bíblica, estabelecida por homens, durante o “período de silêncio de Deus” (400 AC até o nascimento de Cristo).

As principais festas descritas são:

Festa dos Pães Asmos, em hebraico, hagh hamaççôth (Êx 12: 8; Êx 23: 15; Lv 23: 4-8), ou Páscoa, em hebraico, Pessach (= passar por cima – Lv 23: 5), estabelecida para comemorar a libertação dos israelitas da escravidão do Egito (Êx 12: 1-28). Iniciava no 14º dia do primeiro mês e durante sete dias era comido o pão sem fermento; também não era feito nenhum tipo de trabalho servil. O primeiro e o último dia da festa eram convocações santas e sacrifícios eram oferecidos (Nm 9: 1-5; Nm 28: 16-25 e Dt 16: 1-8).

Festa das Semanas, em hebraico, hagh shavuot, também chamada de festa das colheitas e festa das primícias (Êx 23: 16; Êx 34: 22 e 26; Lv 23: 9-14; Lv 23: 15-22; Nm 28: 26-31; Dt 16: 9-12; 26: 1-11). Posteriormente, tornou-se conhecida como Festa de Pentecostes, uma vez que era celebrada cinqüenta dias após o sábado da Páscoa (Lv 23: 15-16). Era assinalada por uma convocação e por oferta de sacrifícios. Os primeiros frutos da terra eram oferecidos ao Senhor como gratidão (um molho da primeira colheita de trigo) e nenhuma obra servil era feita.


Festa de Shavuot – músicos

Festa de Shavuot – dançarinas peneirando o trigo


Festa dos Tabernáculos, em hebraico, hagh hassukkôth (ou festa de Sucot; sucot = tendas, plural de sucá = tenda), ou festa da colheita do final do ano, em hebraico, hagh hã’ãsïph (Êx 23: 16; Êx 34: 22; Lv 23: 33-44; Nm 29: 12-40; Dt 16: 13-17). Durava sete dias sendo que o primeiro e o último eram convocações santas. As frutas eram colhidas e o povo habitava em cabanas feitas de ramos e galhos de árvores, iniciando-se no 15º dia do sétimo mês (Lv 23: 39-43; Nm 29: 12-40; Ne 8: 15). O fato de viverem em tendas durante a festa lembrava os judeus sobre as suas peregrinações no deserto, após terem sido libertos de Faraó. Assim como nas demais festas era guardado o descanso. Sete tipos de alimentos são colhidos na época de Sukkot em Israel. Muitos judeus penduram exemplos de cada um no teto da Sukah (Sucá) para simbolizar a colheita. Esses alimentos são: trigo, cevada, uvas, azeitonas, romãs, tâmaras e figos. O Lulav ou folha de palmeira é amarrado com o salgueiro e a murta. O Etrog (cidra) é usado em preces e cerimônias de Sukkot. As plantas e as frutas estão descritas em Lv 23: 40: “No primeiro dia, tomareis para vós outros frutos de árvores formosas (cidra – etrog), ramos de palmeiras (tamareiras – lulav), ramos de árvores frondosas (hadas – murta) e salgueiros de ribeiras (aravah – chorão); e, por sete dias, vos alegrareis perante o Senhor, vosso Deus”. O oitavo dia de Sukkot descrito em Lv 23: 36 foi um dia de reunião solene instituído pelo Senhor como uma forma de consagração a Ele e como encerramento da Festa dos Tabernáculos.

Sábado (Shabbat = descanso, cessação ou interrupção). Esse é reputado como festa em Lv 23: 2-3 e é chamado Sábado de Descanso. Era assinalado por assembléia solene (Is 1: 13) e pela cessação de todo trabalho. Também era dia de alegria (Is 58: 13). O que Deus queria dizer era para eles descansarem do trabalho secular que realizavam como fonte de sobrevivência, a fim de poderem estar livres para ter mais comunhão com Ele, para adorá-lo e esperar pela Sua ajuda. Algo importante a cerca do sábado do descanso é que não apenas dizia respeito ao povo e ao quarto mandamento instituído por Deus (Êx 20: 8-11), mas também ao descanso da terra (Êx 23: 10-11, onde Deus fala sobre o Ano do descanso ou Ano Sabático, assim como em Lv 25: 2-4). Dessa forma, alertava o povo a obedecer às Suas leis para que esta bênção não fosse retirada (Lv 26: 34-35; 43); eles não obedeceram ao Senhor ao longo dos séculos e então Ele retirou os sábados de uma só vez, por isso os setenta anos de cativeiro na Babilônia (2 Cr 36: 21 e Jr 25: 11-12). Outras referências bíblicas em relação ao Sábado: Êx 20: 8-11; Êx 23: 10-13; Êx 34: 21; Êx 35: 1-3; Lv 19: 30; Lv 23: 3; Lv 25: 2-4; Lv 26: 34-35; Lv 26: 43; Nm 15: 32-36; Dt 5: 12; 2 Cr 36: 21; Ne 13: 17; Is 1: 13; Is 56: 2; 4-5; Is 58: 13-14; Jr 17: 21-22; Jr 25: 11-12; Jr 29: 10; Dn 9: 2; Hb 3: 11.

Dia das Trombetas (Nm 29: 1-6). Em Lv 23: 24 esse dia é chamado de “memorial com sonidos de trombetas”, correspondendo ao Ano Novo civil (Rosh haShannah). Sacrifícios eram oferecidos, e o trabalho árduo cessava. Praticamente antecipava a festa posterior da Expiação (Yom Kippur), pois a trombeta é símbolo de convocação, chamando o povo ao arrependimento e a estar na presença do Senhor. É costume tocar a trombeta de chifre de carneiro (shofar) nesse dia.

Dia da Expiação (Yom Kippur, Jejum – At 27: 9; Lv 16: 1-10; 29-34; Lv 23: 26-32; Nm 29: 7-11). Era observado no décimo dia do sétimo mês e era de dia de convocação santa durante o qual as pessoas se afligiam e uma expiação anual pelo pecado era efetuada. Era realizado apenas uma vez por ano (Êx 30: 10).

Festa de Purim, descrita em Et 9: 21-22 e estabelecida por Mordecai (não por Deus) no tempo de Assuero (rei persa), a fim de comemorar o grande livramento dos judeus das intrigas de Hamã, o agagita, sendo dias de festividade e regozijo. Comemorada nos dias 14 e 15 do mês de ’adhar (o último mês = fevereiro-março).

Festa de Hanukkâ (Hanukah ou Hanuká) é a celebração da recuperação e purificação do templo de Jerusalém por Judas Macabeu, por volta de 165 AC, após sua profanação por Antíoco Epifânio (1 Macabeus 4: 52-53 – livro apócrifo), também chamado Antíoco IV. Recebeu igualmente o nome de Festa das Luzes. Em grego, o termo usado em Jo 10: 22 é Enkainia = Dedicação. Diferentemente da Festa de Purim, onde o objetivo é comemorar com presentes e alimentos, pois a vida (o corpo físico dos judeus) foi solicitada pelo inimigo, a Festa das Luzes é uma festa de cunho espiritual, onde se busca a luz da presença de Deus no meio do Seu povo. É comemorada por oito dias; em cada um deles, uma das nove lâmpadas do candelabro (Chanukiá ou Hanukiá) é acesa, sendo que a do meio, chamada shamash (hebr. = sol), é usada para acender as outras oito e é a 1ª vela a ser acesa. A Festa das Luzes não foi instituída por Deus, mas por homens, durante o “período de silêncio de Deus” (400 AC até o nascimento de Cristo). Segundo a tradição judaica, na consagração do altar por Judas Macabeu a Menorá do templo precisava ser acesa, e para isso era necessário azeite de oliva ritualmente puro. Contudo, havia apenas um frasco que não fora violado pelos gregos, suficiente para um dia apenas. Mesmo assim, os judeus acenderam o Candelabro. E, foi, então, que ocorreu o grande milagre e o azeite ardeu por oito dias.


Chanukiá, o candelabro de nove lâmpadas

Significado para nós, cristãos:

O mais importante de tudo para nós, que vivemos debaixo da graça ao invés da lei, é saber interpretar à luz da sabedoria divina o que essas festas significam espiritualmente, pois o nosso espírito pode se alegrar não só com algo que foi bênção do Senhor no passado, mas continua a ser para todo aquele que Nele crê.

A Páscoa não é mais um ritual a ser obedecido como uma libertação física de um cativeiro em terra estrangeira, mas a libertação espiritual conquistada na cruz por Jesus, nos livrando do cativeiro eterno da morte nas mãos do diabo. Viver a Páscoa é viver a Sua ressurreição e a Sua vitória sobre o pecado em nossas vidas. É conquistar o direito de filhos de Deus através do Seu perdão e ter a autoridade sobre todo o mal.

A Festa das Primícias, ou Pentecostes, é mais do que nos alegrar com os frutos do nosso trabalho, ofertando-os como um ato de gratidão ao Senhor; é receber Dele o Seu Espírito Santo que nos enche com dons e frutos espirituais e com todo o poder que estava em Si mesmo, nos dando a capacitação para realizar aqui na terra os mesmos milagres que Ele realizou.

Celebrar a Festa dos Tabernáculos significa nos lembrarmos de todas as coisas que Ele já fez por nós até hoje no nosso deserto espiritual em busca da “terra prometida” e nos alegrarmos sabendo que na nossa peregrinação na terra Ele estará sempre nos dirigindo a cada passo do caminho, nos dando vitória e livramentos.

Não devemos nos esquecer dos ‘sábados’ que Deus coloca na nossa vida, ou seja, dos períodos em que a única alternativa que temos é descansar Nele, pois só Ele é capaz de nos direcionar e nos suprir com o que precisamos. Devemos dar descanso à nossa terra, à nossa alma, como era prescrito na Lei, periodicamente, após um período de luta espiritual para que o nosso interior possa se refazer do esgotamento sofrido. É dar descanso à nossa terra interior e nos afastar da convivência com tudo aquilo que não agrada ao Senhor para estarmos no altar em intimidade com o Seu Espírito, recebendo Seu consolo, Sua direção e Sua força.

Viver a Festa das Trombetas é ouvir Seu chamado para estar em Sua presença em louvor e oração, principalmente quando a nossa alma está enfraquecida por tanta afronta de Satanás e tantos obstáculos que ele coloca em nosso caminho. É convocar os irmãos à santidade planejada por Deus para o Seu povo, levando-os ao altar através da adoração e do arrependimento para que a aliança feita com Ele não se quebre; começar tudo de novo (um “Ano Novo”).

O Dia da Expiação pode ser todo o dia, pois é o dia em que podemos nos consagrar a Jesus e nos aproximar da cruz através do jejum e da oração sincera, nos limpando daquilo que nos incomoda; viver Seu perdão. É o dia em que podemos entrar em intercessão por outros irmãos que possam estar necessitados de uma intervenção divina em suas vidas.

Celebrar a Festa de Purim é dar graças às bênçãos materiais que o Senhor coloca em nossas mãos, não só para nosso próprio benefício, mas para abençoar Sua obra, dividindo o que temos com os menos favorecidos. É saber que o inimigo não pode reter o que é nosso e tudo o que ele tentar roubar injustamente das nossas vidas, inclusive nossa saúde física, pode ser revertido pelo poder abençoador de Deus. Jesus (na figura de Mordecai) pode determinar livramento sobre os Seus filhos e quebrar todo o decreto de Satanás sobre eles.

A Festa das Luzes é algo contínuo que um cristão tem o direito de comemorar quando está cheio do Espírito Santo. É viver no Espírito e não na carne, deixando a força do Espírito de Deus realizar em nós e através de nós a Sua vontade. É ter entendimento, sabedoria, fortaleza, prudência, conhecimento e temor do Senhor na nossa alma e no nosso espírito afugentando todo o tipo de treva que tenta nos impedir de ver com clareza direção divina para nossas vidas. É ter a certeza de que Sua revelação vai estar sempre disponível para nós e que a força da Sua Palavra não nos deixará escorregar nas ciladas do diabo, pelo contrário, nos levará seguros até o fim.

Em quase todas as festas eram oferecidos sacrifícios ao Senhor: holocaustos, ofertas pelo pecado, oferta pela culpa, ofertas de manjares, ofertas pacíficas etc. Isso quer dizer para nós que Jesus já se ofereceu como sacrifício vivo diante do Pai pagando o preço pela nossa Salvação, mas cabe a nós nos oferecermos como sacrifício vivo, santo e agradável a Ele, como diz a Palavra, diariamente, dando a Ele o que temos de melhor. Agindo assim, estaremos cumprindo o que está escrito em Lv 6: 12-13: “O fogo, pois, sempre arderá sobre o altar; não se apagará; mas o sacerdote acenderá lenha nele cada manhã, e sobre ele porá em ordem o holocausto, e sobre ele queimará a gordura das ofertas pacíficas. O fogo arderá continuamente sobre o altar: não se apagará”. Isso quer dizer que a chama do avivamento do Espírito em nossos corações não vai se apagar porque nós como sacerdotes vamos acender a lenha da oração, das súplicas e das ações de graças; sobre elas colocaremos não só a nossa vida à disposição do Senhor como também o nosso sacrifício de louvor (holocausto), a nossa unção e o que temos de mais precioso que é a intimidade com Jesus (gordura) para que ela seja multiplicada por Ele, vindo a nos fortalecer.

Uma palavrinha sobre o Sábado

Sábado vem do hebraico, Shabbat, que significa: ‘descanso, cessação ou interrupção’. O descanso de Deus, o sábado (Shabbat, Êx 23: 12-13 e Lv 23: 3), significa desfrutarmos as Suas bênçãos espirituais, como está escrito em Hb 3: 11: “Assim jurei na minha ira: Não entrarão no meu descanso” [em referência à desobediência do povo a Deus no deserto, tentando-o por quarenta anos]. Para nós cristãos, isso significa que se respeitarmos o “shabbat”, nosso sábado de descanso (o domingo), descansando do trabalho das nossas próprias mãos para ganhar dinheiro e sustento financeiro e descansando no Senhor das coisas que não podemos resolver com nossas próprias forças, Ele vai começar a agir em nosso favor e poderemos receber as nossas bênçãos diretamente Dele. Assim, respeitar o sábado nos traz também a prosperidade, pois mostramos que cremos em Deus para nos suprir e para resolvermos o que não podemos no próprio braço; assim fazendo, estamos nos consagrando verdadeiramente a Ele: “Se desviares o pé de profanar o sábado e de cuidar dos teus próprios interesses no meu santo dia; se chamares ao sábado deleitoso e santo dia do Senhor, digno de honra, e o honrares não seguindo os teus caminhos, não pretendendo fazer a tua própria vontade, nem falando palavras vãs, então te deleitarás no Senhor. Eu te farei cavalgar sobre os altos da terra e te sustentarei com a herança de Jacó, teu pai, porque a boca do Senhor o disse” (Is 58: 13-14).

Dessa forma, o Senhor separou um dia da semana para descansarmos das nossas atividades rotineiras, para recondicionarmos nossa alma em contato com Ele. Deus nos concedeu este dia para que tenhamos oportunidade de desfrutar algumas das melhores e mais importantes realidades da vida, e não para que fosse um dia de proibições. Nesse dia de descanso, sem nos preocuparmos em trabalhar para acumular riquezas, podemos entrar em contato não só com Deus para ouvir Sua voz, mas com a família e os amigos dando valor à amizade verdadeira e aos relacionamentos sadios onde Ele também quer participar. Ou é um dia em que nos separamos do barulho da civilização para estarmos em contato com a natureza onde Deus também pode se manifestar a nós e nos ensinar lições importantes. Para nós, cristãos, o domingo foi separado como um dia de consagração a Deus. Isso não quer dizer que devemos conversar com Ele só no domingo, mas deve ser um dia especial, quando ouvir Sua voz significa recebermos Sua direção para a nossa nova semana e podermos entregar a Ele os frutos da semana que passou, agradecendo-Lhe por Sua ajuda. Entretanto, a palavra “shabbat” tem um significado mais profundo do que simplesmente um descanso físico. Ela significa que, qualquer que seja o dia da semana que separemos para Deus, nós devemos descansar Nele naquilo que não podemos fazer, por isso, em certas situações da nossa vida, podemos viver um tempo de shabbat, esperando no livramento e no socorro do Senhor. Portanto, o Dia do Descanso não é dia de prejuízo financeiro, prisão espiritual, julgamento ou contenda entre irmãos, mas dia de bênção e consagração a Ele.

Autora: Pastora Tânia Cristina Giachetti

Este texto se encontra no livro:


livro evangélico: Jamais falte óleo sobre tua cabeça

Jamais falte óleo sobre tua cabeça

Never be lacking oil on your head

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