Em Lv 11: 1-47 Deus permitiu e proibiu certos animais na alimentação do homem. Antes da queda, Ele deu ervas para a sua alimentação, mas depois do Dilúvio, os animais também foram liberados. Jesus propiciou nossos pecados e considerou puros todos os alimentos.


Animais proibidos e permitidos – Lv 11: 1-47


No livro de Levítico, vemos a permissão e a proibição de Deus quanto a certos animais na alimentação do homem. Aqui, nós vamos entender o porquê de cada uma delas, mas precisamos entender primeiro o motivo pelas quais essas orientações foram dadas depois da queda do homem. Os judeus tradicionais guardam até hoje esses mandamentos quanto à alimentação Kosher (Pronuncia-se: cashér, que significa: permitido, próprio, bom, alimento correto, alimentação correta), que não só diz respeito à carne de animais, mas ao preparo de muitos outros tipos de alimentos, inclusive vegetais.

Aqui nós vamos falar especificamente sobre o livro de Levítico, sobre os alimentos dados por Deus ao homem antes e depois do pecado de Adão. Vamos começar por Gênesis:

Gn 1
28 E Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra.
29 E disse Deus ainda: Eis que vos tenho dado todas as ervas que dão semente e se acham na superfície de toda a terra e todas as árvores em que há fruto que dê semente; isto vos será para mantimento.
30 E a todos os animais da terra, e a todas as aves dos céus, e a todos os répteis da terra, em que há fôlego de vida, toda erva verde lhes será para mantimento. E assim se fez.

Nesta fase da Criação, antes da queda do homem, o Senhor deu ervas para mantimento do ser que havia criado (Gn 1: 29-30). Isso quer dizer que o alimento era puro e permitido. Não havia nenhum impuro, nem proibição alguma sobre o sangue dos animais, pois o homem não teria que matá-los para comer. Isso significa que não havia ainda derramamento de sangue por morte violenta, porque não existia dolo nem malícia. Adão e Eva pecaram e Caim matou Abel. Pela sua natureza corrompida, o homem começou a matar seu semelhante e também os animais. E após o Dilúvio, por liberação do próprio Deus, ele passou a comer a carne de animais (Gn 9: 3-4). Em Gn 9: 6 está escrito: “Se alguém derramar o sangue do homem, pelo homem se derramará o seu; porque Deus fez o homem segundo a sua imagem”. A injustiça precisava ser vingada. O sangue (no AT) é o símbolo da vida terminada geralmente por meios violentos. Também significa o que sustenta a vida física de um ser, assim como seu “espírito”, ou seja, seu caráter, sua índole, sua natureza (pense nas transmissões genéticas que “estão no sangue”, como dizem as pessoas). Lembrando de Gn 4: 10-11 (“E disse Deus: Que fizeste? A voz do sangue de teu irmão clama da terra a mim. És agora, pois, maldito por sobre a terra, cuja boca se abriu para receber de tuas mãos o sangue de teu irmão”), o sangue foi um meio de expiação providenciado pelo próprio Deus, pelo Seu amor pelo homem para não mantê-lo afastado de Si. A finalidade do sangue seria um ato espiritual, sacrificial, de adoração a Deus e expiação pelo pecado, usando animais como o cordeiro e outros. Complementando o raciocínio: a vida da carne (Lv 17: 11; 14) era a vida sacrificada na morte, pois a finalidade do sangue do animal seria um ato espiritual para purificar o homem do seu pecado (morte) e lhe restaurar a vida (comunhão com Deus). O sangue do animal era o substituto do sangue do homem; ao invés de Deus matar o pecador pelo seu pecado, usaria um substituto, no caso os animais considerados puros, separados para esse fim. Mas a bíblia também diz que é impossível que o sangue de bodes ou de touros remova pecados (Hb 10: 4: “porque é impossível que o sangue de touros e bodes remova pecados”); por isso Jesus veio como sangue inocente para expiar todos os nossos pecados e iniqüidades. Só Ele era adequado para esta expiação:

• 1 Pe 1: 19-20: “mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo, conhecido, com efeito, antes da fundação do mundo, porém manifestado no fim dos tempos, por amor de vós”.
Nosso substituto, aquele que tomou nosso lugar e morreu a nossa morte foi o próprio Deus, em Cristo, que foi verdadeira e completamente Deus e homem.

O pecado atingiu toda a criação, não apenas o homem, porém, todos os seres, e alguns deles passaram a ser impuros diante dos olhos do Criador; se tornaram impuros não propriamente por serem imperfeitos na sua aparência física (“com defeito”, como disse o Senhor a Moisés: coxo, cego, sem uma orelha, com manchas etc.), mas porque o Ele sabia que, mais tarde, o ser humano os usaria indevidamente para a idolatria, ou seja, para a adoração a outros deuses:
• Is 65: 2-4: “Estendi as mãos todo dia a um povo rebelde, que anda por caminho que não é bom, seguindo os seus próprios pensamentos, povo que de contínuo me irrita abertamente, sacrificando em jardins e queimando incenso sobre altares de tijolos; que mora entre as sepulturas e passa noites em lugares misteriosos; come carne de porco e tem no seu prato ensopado de carne abominável”.
• Is 66: 3-4: “O que imola um boi é como o que comete homicídio; o que sacrifica um cordeiro, como o que quebra o pescoço a um cão; o que oferece uma oblação, como o que oferece sangue de porco; o que queima incenso, com o que bendiz a um ídolo. Como estes escolheram os seus próprios caminhos, e a sua alma se deleita nas suas abominações, assim eu lhes escolherei o infortúnio e farei vir sobre eles o que eles temem; porque clamei, e ninguém respondeu, falei, e não escutaram; mas fizeram o que era mau perante mim e escolheram aquilo em que eu não tinha prazer”.
• Is 66: 15-17: “Porque eis que o Senhor virá em fogo, e os seus carros, como um torvelinho, para tornar a sua ira em furor e a sua repreensão, em chamas de fogo, porque com fogo e com a sua espada entrará o Senhor em juízo com toda a carne; e serão muitos os mortos da parte do Senhor. Os que se santificam e se purificam para entrarem nos jardins após a deusa que está no meio, que comem carne de porco, coisas abomináveis e rato serão consumidos, diz o Senhor”.
Resumindo: uso indevido dos animais para o sacrifício a ídolos.

Além disso, a imperfeição interna gerada pelo pecado tornou os animais impróprios para a alimentação humana por fazê-los transmissores e portadores de doenças infecto-contagiosas e suas carnes apresentarem componentes químicos e nutritivos danosos ao corpo humano (em suma: uma questão de higiene). Por isso, quando Deus fez a aliança com Noé e o orientou a construir a arca, também determinou uma separação entre animais puros e impuros. Mesmo após o dilúvio ter destruído as criaturas corrompidas, a criatura (homem e animal) continuava com a marca inicial do pecado, portanto, o Senhor manteve as orientações básicas a Noé: não comer a carne com sangue, nem os animais determinados impuros:
• Gn 9: 1-4: “Abençoou Deus a Noé e aos seus filhos e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos e enchei a terra. Pavor e medo de vós virão sobre todos os animais da terra e sobre todas as aves dos céus; tudo o que se move sobre a terra e todos os peixes do mar nas vossas mãos serão entregues. Tudo o que se move e vive ser-vos-á para alimento. Carne, porém, com sua vida, isto é, com seu sangue, não comereis”.

Mais tarde, no livro de Levítico está escrito:

• Lv 11: 2-3: “Dizei aos filhos de Israel: São estes os animais que comereis de todos os quadrúpedes que há sobre a terra: todo o que tem unhas fendidas, e o casco se divide em dois, e rumina, entre os animais, esse comereis”. Os proibidos eram: o camelo, o arganaz (parecido com uma marmota alpina; é vegetariano e vive nas rochas), a lebre e o porco.
• Lv 11: 9; 12: “De todos os animais que há nas águas comereis os seguintes: todo o que tem barbatanas e escamas, nos mares e nos rios; esses comereis”... “Todo o que nas águas não têm barbatanas ou escamas será para vós outros abominação”.
• Lv 11: 13-19: “Das aves, estas abominareis; não se comerão, serão abominação: a águia, o quebrantoso [urubu] e a águia marinha; o milhano e o falcão, segundo a sua espécie, todo corvo, segundo a sua espécie, o avestruz, a coruja, a gaivota, o gavião, segundo a sua espécie, o mocho, o corvo marinho, a íbis, a gralha, o pelicano, o abutre, a cegonha, a garça, segundo a sua espécie, a poupa e o morcego”.
• Lv 11: 20-22: “Todo inseto que voa, que anda sobre quatro pés será para vós outros abominação. Mas de todo inseto que voa, que anda sobre quatro patas, cujas pernas traseiras são mais compridas, para saltar com elas sobre a terra, estes comereis. Deles, comereis estes: a locusta..., o gafanhoto devorador..., o grilo..., e o gafanhoto...”.

Aqui, nós paramos para pensar:
• Por que só alguns quadrúpedes, peixes e aves eram considerados puros?
• Por que Jesus, em Mc 7: 19 b (“E, assim, considerou ele puros todos os alimentos”) considerou puros todos os alimentos, mas até hoje, pouquíssimos de nós, teria coragem de comer rato ou lagartixa, por exemplo?
• Por que Paulo considera liberados todos os alimentos, advertindo apenas quanto aos alimentos consagrados a ídolos? “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas convêm; todas são lícitas, mas nem todas edificam. Ninguém busque seu próprio interesse, e sim o de outrem. Comei de tudo o que se vende no mercado, sem nada perguntardes por motivo de consciência; porque do Senhor é a terra e sua plenitude. Se algum dentre os incrédulos vos convidar, e quiserdes ir, comei de tudo o que for posto diante de vós, sem nada perguntardes por motivo de consciência. Porém, se alguém vos disser: Isto é coisa sacrificada a ídolo, não comais, por causa daquele que vos advertiu e por causa da consciência; consciência, digo, não a tua propriamente, mas do outro. Pois por que há de ser julgada a minha liberdade pela consciência alheia? Se eu participo com ações de graças, por que hei de ser vituperado [insultado, injuriado, afrontado] por causa daquilo por que dou graças? Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus” (1 Co 10: 23-31).
• Por que em 1 Tm 4: 1-5 existe também uma referência contrária à alimentação variada e sadia, excluindo certos ingredientes essenciais da dieta humana? – “Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios, pela hipocrisia dos que falam mentiras e que têm cauterizada a própria consciência, que proíbem o casamento e exigem abstinência de alimentos que Deus criou para serem recebidos, com ações de graça, pelos fiéis e por quantos conhecem plenamente a verdade; pois tudo que Deus criou é bom, e, recebido com ações de graças, nada é recusável, porque, pela palavra de Deus e pela oração, é santificado”.
• Por que Paulo, ao escrever para Tito (Tt 1: 15-16), diz: “Todas as coisas são puras para os puros; todavia, para os impuros e descrentes, nada é puro. Porque tanto a mente como a consciência deles estão corrompidas. No tocante a Deus, professam conhecê-lo; entretanto, o negam por suas obras; é por isso que são abomináveis, desobedientes e reprovados para toda boa obra”?

Nós já vimos duas características importantes que ajudava a dividir os animais entre puros e impuros: 1ª) a questão da higiene e da qualidade nutricional e 2ª) uma questão cerimonial (adoração real e não idólatra). Todavia, existe mais um motivo pelo qual Deus deixou na Lei a permissão e a proibição em relação a certos animais. Mesmo que os propósitos divinos para essa proibição e permissão possam ser outros e até encobertos aos homens, Ele respeitou o pensamento humano vigente na época, a fim de manter a Sua vontade soberana acima de tudo. Se nos aprofundarmos no pensamento psicológico judaico da Antiguidade, descobriremos que a bíblia mostra os animais como símbolo de pecado ou virtude.

Dessa forma, resumidamente, podemos dizer em relação aos animais:

Animais quadrúpedes limpos e imundos: eram permitidos os que ruminam, têm unhas fendidas e o casco dividido em dois:
•• Ruminação: símbolo de meditação. Uma pessoa que medita na Palavra e naquilo que faz se aproxima com mais facilidade da perfeição de Deus. Portanto, o fato de liberar esses animais para a alimentação do homem, Ele os estava lembrando que era dessa virtude que eles deveriam alimentar seu espírito. O porco tem unhas fendidas, mas não rumina. É também é um animal que vive olhando para baixo, isto é, Deus não queria Seus filhos como animais, que só têm olhos para o que é terreno.
•• Unhas fendidas e cascos divididos em dois: fazem com que o animal não tenha contato direto com o chão, pois os cascos os separam. Isso significava não ficar imerso em coisas terrenas, por isso uma separação da terra (não pisar totalmente no solo). O fato de serem divididos em dois simboliza o equilíbrio, como numa balança; equilíbrio entre o espiritual e o material. O camelo, a lebre e o arganaz (ele é similar a uma marmota Alpina; é vegetariano e vive nas rochas) ruminam, mas não têm cascos fendidos.


Arganaz Camelo
Lebre Porco


Aves permitidas e proibidas: isso significaria descartar da alimentação as aves de rapina, que costumam se alimentar de carniça (cadáver), o que por si só já era proibido por Deus (tocar em cadáver). Quanto ao morcego, parece fisicamente uma mistura de rato com porco, só que com asas. Vive de cabeça para baixo e se alimenta do sangue alheio (de animais, geralmente do gado, não de homens, como a ficção criou em torno dos “vampiros”). O morcego, em especial, simboliza tudo o que inverte a luz e as trevas, pois além de viver de cabeça para baixo, dorme durante o dia e acorda à noite. Paulo escreve aos tessalonicenses: “Nós, porém, que somos do dia, sejamos sóbrios [moderados, frugais, simples], revestindo-nos da couraça da fé e do amor e tomando como capacete a esperança da salvação; porque Deus não nos destinou para a ira, mas para alcançar a salvação mediante nosso Senhor Jesus Cristo, que morreu por nós para que, quer vigiemos, quer durmamos, vivamos em união com ele” (1 Ts 5: 8-10). Voltando aos demais animais com asas, em Lv 11: 24 b está escrito: “qualquer que tocar o seu cadáver lavará as suas vestes e será imundo até a tarde”. Portanto, tocar em cadáver, assim como comer animais que se alimentavam de carniça, tornava a pessoa impura, pois trazia o pecado e, conseqüentemente, a morte para dentro de si. Além disso, é bom pensar no fator higiênico de não se tocar num cadáver em decomposição pelo risco de se contrair uma infecção grave.


Corvo marinho Águia
Falcão Pelicano
Avestruz Coruja
Garça Morcego
Corvo Gavião Milhano
Poupa Íbis Gralha
Mocho Gaivota Cegonha
Abutre Urubu


Animais com aparência nojenta: como caramujos, mexilhões e outros frutos do mar, que podem simbolizar um espírito cruel ou ser o símbolo de pessoas que detestam a virtude e a verdade.

Insetos: era permitido comer apenas os que tinham as pernas traseiras mais compridas, para saltar com elas sobre a terra. Com isso, o Senhor estava nos lembrando da grande virtude de podermos saltar os obstáculos que surgem na nossa caminhada, geralmente coisas terrenas que nos impedem de “voar” no espírito.


Grilo Locusta Gafanhoto


Animais aquáticos: o Senhor deixou aqui a orientação de comer apenas os animais com barbatanas e escamas, pois os outros lembrariam a aparência da serpente, símbolo de traição. Além disso, outros animais marinhos que hoje chamamos frutos do mar, como o mexilhão, por exemplo, e todos os que têm uma casca, mas que só comemos o seu conteúdo, são moles como a lesma; todos os animais com aparência nojenta, como vimos acima, poderiam simbolizar um espírito cruel ou ser o símbolo de pessoas que detestavam a virtude e a verdade.


Peixe


Outros animais impuros: Lv 11: 29-30: “Estes vos serão imundos entre o enxame de criaturas que povoam a terra: a doninha, o rato, o lagarto, segundo a sua espécie, o geco [uma espécie de lagartixa], o crocodilo da terra, a lagartixa, o lagarto da areia e o camaleão”. Como explicação psicológica para todas essas proibições, podemos dizer que “rastejar” não é o projeto de Deus para nós; nossos objetivos devem ser mais elevados e estar acima dos terrenos. O rato e seus “parentes” simbolizam a peste, a doença e o roubo. Também são qualidades abomináveis aos filhos de Deus. O camaleão tem a característica de mudar de cor para se camuflar e se esconder dos predadores. Como estratégia da cadeia ecológica, essa qualidade é boa para o animal porque foi dada pelo próprio Criador para sua defesa, entretanto, para nós não é uma virtude, pois mostra a nossa inconstância e falta de coragem em mostrar quem somos e enfrentar o inimigo cara a cara. Camaleão simboliza dissimulação, fingimento, inconstância, covardia. Em Ap 3: 16 está escrito: “Assim, porque és morno e nem és quente nem frio, estou a ponto de vomitar-te da minha boca”. E em Rm 14: 5 b está escrito; “Cada um tenha opinião bem definida em sua própria mente”. Isso quer dizer que Deus não se agrada de filhos que “ficam em cima do muro”, nem de “camaleões”.


Doninha Rato Lagartixa
Geco Camaleão
Lagarto Crocodilo


Por que, então, Jesus considerou puros todos os alimentos?
• Mc 7: 1-23: “Ora, reuniram-se a Jesus os fariseus e alguns escribas, vindos de Jerusalém. E, vendo que alguns dos discípulos dele comiam pão com as mãos impuras, isto é, por lavar (pois os fariseus e todos os judeus, observando a tradição dos anciãos, não comem sem lavar cuidadosamente as mãos; quando voltam da praça, não comem sem se aspergirem; e há muitas outras coisas que receberam para observar, como a lavagem de copos, jarros e vasos de metal [e camas]), interpelaram-no os fariseus e os escribas: Por que não andam os teus discípulos de conformidade com a tradição dos anciãos, mas comem com as mãos por lavar? Respondeu-lhes: Bem profetizou Isaías a respeito de vós, hipócritas, como está escrito: Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. E em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens (Is 29: 13). Negligenciando o mandamento de Deus, guardais a tradição dos homens. E disse-lhes ainda: Jeitosamente rejeitais o preceito de Deus para guardardes a vossa própria tradição. Pois Moisés disse: Honra a teu pai e a tua mãe, e: Quem maldisser a seu pai ou a sua mãe seja punido de morte. Vós, porém, dizeis: Se um homem disser a seu pai ou a sua mãe: Aquilo que poderias aproveitar de mim é Corbã, isto é, oferta para o Senhor, então, o dispensais de fazer qualquer coisa em favor de seu pai ou de sua mãe, invalidando a palavra de Deus pela vossa própria tradição, que vós mesmos transmitistes; e fazeis muitas outras coisas semelhantes. Convocando ele, de novo, a multidão, disse-lhes: Ouvi-me, todos, e entendei. Nada há de fora do homem que, entrando nele, o possa contaminar; mas o que sai do homem é que o contamina. [Se alguém tem ouvidos para ouvir, ouça]. Quando entrou em casa, deixando a multidão, os seus discípulos o interrogaram acerca da parábola. Então, lhes disse: Assim vós também não entendeis? Não compreendeis que tudo o que de fora entra no homem não o pode contaminar, porque não entra no coração, mas no ventre, e sai para lugar escuso? [NVI: Porque não entra em seu coração, mas em seu estômago, sendo depois eliminado / Em Mt 15: 17 está escrito: “Vai para o estômago e mais tarde é expelido?”]. E, assim, considerou ele puros todos os alimentos. E dizia: O que sai do homem, isso é que o contamina. Porque de dentro, do coração dos homens, é que procedem os maus desígnios, a prostituição, os furtos, os homicídios, os adultérios, a avareza, as malícias, o dolo, a lascívia, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura. Ora, todos estes males vêm de dentro e contaminam o homem [Mt 15: 19-20: “Porque do coração procedem maus desígnios, homicídios, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos, blasfêmias, a avareza, as malícias, o dolo, a lascívia, a inveja, a soberba e a loucura. São estas as coisas que contaminam o homem; mas o comer sem lavar as mãos não o contamina”]”.

Jesus estava mostrando aos fariseus que, mais importante do que a pureza cerimonial, era a pureza moral. A visão da época é a que foi descrita acima: que ao comer certos alimentos, eles trariam algo bom ou ruim para dentro de si. Porém, Jesus foi mais longe, mostrando a eles não a importância das coisas físicas nem da sabedoria humana, e sim das coisas espirituais, pois para Deus tinha mais valor a cura e a santidade da alma, externando um caráter moldado e trabalhado pelas Suas mãos. O que saía de dentro do coração deturpado e corrompido do homem era o que o fazia prisioneiro do pecado e das armadilhas de Satanás; era esse o verdadeiro veneno para sua alma e para o seu espírito. O Mestre estava lhes abrindo os olhos e lhes revelando que o processo era inverso. O sangue de um animal ou a rigidez do cumprimento da Lei nunca poderia lhes trazer a salvação; Ele, sim.

Conclusão: Antes da queda do homem o Senhor deu ervas para mantimento do ser que havia criado (Gn 1: 28-30). O alimento era puro e permitido. Não havia nenhum impuro, nem proibição alguma sobre o sangue dos animais, pois o homem não teria que matá-los para comer. Isso significa que não havia ainda derramamento de sangue por morte violenta, porque não existia dolo nem malícia. Agora, preste atenção ao que está escrito em Gn 9: 2-4 em relação à alimentação do homem após o Dilúvio: “Pavor e medo de vós virão sobre todos os animais da terra e sobre todas as aves dos céus; tudo o que se move sobre a terra e todos os peixes do mar nas vossas mãos serão entregues. Tudo o que se move e vive ser-vos-á para alimento. Carne, porém, com sua vida, isto é, com seu sangue, não comereis”. No princípio da Criação, Deus havia dado ervas e frutos para alimentação do homem; depois da queda do homem e do Dilúvio, a carne dos animais também foi permitida como alimento. E em Gn 9: 6 está escrito: “Se alguém derramar o sangue do homem, pelo homem se derramará o seu; porque Deus fez o homem segundo a sua imagem”. Assim, quando o pecado de homicídio de Caim ocorreu, o sangue passou a ser uma forma de expiação, e os animais foram os “substitutos” do ser humano. Ao separar os animais para serem colocados na arca, Noé o fez de acordo com a orientação de Deus sobre os que eram considerados puros ou imundos, pois essa separação tinha um propósito cerimonial. Depois, quando a Lei foi dada a Moisés, se tornou bem claro ao homem quais os animais que deveria comer e os que não eram permitidos para sua nutrição (os que seriam usados para a adoração a Deus e os que seriam, mais tarde, usados para idolatria). Além disso, o pensamento da época levava em conta o simbolismo de cada animal, considerando-os como pecado ou virtude, de forma que, se fossem ingeridos, poderiam trazer qualidades positivas ou negativas para a alma. Jesus veio para nos substituir e propiciar os nossos pecados, para nos redimir e salvar, por isso, a antiga aliança deixou de ter sentido. Assim, todos os alimentos passaram a ser considerados cerimonialmente puros, o que não significa, entretanto, que estamos liberados para comer todo o tipo de animal sobre a terra, pelo simples fato de sua carne não ser apropriada para o nosso corpo do ponto de vista nutricional, além de muitas criaturas serem transmissoras de doenças. Para Deus tem mais valor a cura e a santidade da nossa alma. O que sai de dentro do coração do homem é o que o faz prisioneiro do pecado e das armadilhas de Satanás ou lhe traz a liberdade do Espírito Santo.

Quero terminar com um comentário que coloquei no assunto sobre a lepra:

Nós podemos dizer que é uma vergonha existir ainda hoje certas doenças em nosso meio (a lepra é um exemplo), pois perpetuá-las é uma prova da maneira suja de manter a nossa própria vida, fazendo pouco caso da higiene e das orientações sanitárias, que estavam mais presentes e mais atuantes num povo nômade do deserto do que hoje, com tanta tecnologia. Aquele povo que caminhou sob as ordens de Moisés e guiado por Deus mantinha pouquíssimos casos de doenças infecciosas, apesar de tudo o que passou (Exceto nos casos onde elas foram enviadas por Deus como punição – Nm 12: 10; Nm 14: 12; 37; Nm 16: 46; 48). É só ler a bíblia com atenção que vamos perceber a descrição exageradamente detalhada de Deus dada a Moisés e, conseqüentemente, ao Seu povo. Era cheia de minúcias para não deixar dúvidas quanto ao que deveriam fazer, inclusive, o que comer. Hoje nós dispomos de banheiras, duchas, preservativos, absorventes higiênicos e fraldas descartáveis, freezer, geladeira, microondas, antibióticos, autoclaves, centros hiperbáricos, hospitais e equipes cirúrgicas especializadas. Lá atrás, eles só tinham alimentos precários, de difícil conservação caso passassem um ou dois dias debaixo do sol do deserto, água escassa, mas uma grande e forte presença de Deus, proibindo ou permitindo coisas na Sua onisciência para que o homem não fosse prejudicado, coisas que nós viemos a descobrir séculos depois. Pior do que isso, nós descobrimos as causas, porém desrespeitamos as regras divinas para facilitar sua erradicação.

Autora: Pastora Tânia Cristina Giachetti

Este texto se encontra no livro:


livro evangélico: Curiosidades e Revelações – Gênesis

Curiosidades e Revelações – Gênesis

Curiosities and Revelations – Genesis

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