Estudo sobre a passagem da mulher que padecia de uma hemorragia há doze anos. Ela exerceu a fé, venceu todos os obstáculos e, ao tocar na orla do manto de Jesus, foi curada. A fé é um combustível poderoso que nos dá forças para lutar por algo que é extremamente precioso.


A cura de uma mulher com fluxo de sangue


“Grande multidão o seguia, comprimindo-o. Aconteceu que certa mulher, que, havia doze anos, vinha sofrendo de uma hemorragia e muito padecera à mão de vários médicos, tendo despendido tudo quanto possuía, sem, contudo, nada aproveitar, antes, pelo contrário, indo a pior, tendo ouvido a fama de Jesus, vindo por trás dele, por entre a multidão, tocou-lhe a veste. Porque dizia: Se eu apenas lhe tocar as vestes, ficarei curada [NVI: "Se eu tão-somente tocar em seu manto, ficarei curada"]. E logo se lhe estancou a hemorragia, e sentiu no corpo estar curada do seu flagelo. Jesus, reconhecendo imediatamente que dele saíra poder, virando-se no meio da multidão, perguntou: Quem me tocou nas vestes? Responderam-lhe seus discípulos: Vês que a multidão te aperta e dizes: Quem me tocou? Ele, porém, olhava ao redor para ver quem fizera isto. Então, a mulher, atemorizada e tremendo, cônscia do que nela se operara, veio, prostrou-se diante dele e declarou-lhe toda a verdade. E ele lhe disse: Filha, a tua fé te salvou; vai-te em paz e fica livre do teu mal” (Mc 5: 24b-34 cf. Mt 9: 20-22; Lc 8: 43-48).

A história desta mulher que se interpôs entre Jesus e a filha de Jairo no caminho do Mestre para a casa do chefe da sinagoga vem nos mostrar o que a fé pode fazer por alguém que, aparentemente, não tem nenhuma chance de receber uma bênção. A fé é um combustível poderoso que dá forças a quem parece não tê-la mais para que possa lutar, ainda que pela última vez, por algo que é extremamente precioso. Essa mulher, segundo a bíblia, padecia de hemorragia há doze anos e já tinha gastado todo o seu dinheiro com médicos, que nada puderam fazer para resolver seu caso. A bíblia não diz se era casada, solteira, viúva, separada, se tinha família, filhos ou se alguém a sustentava, mas podemos inferir pelo seu sintoma que ela estava quase a ponto de morrer, pois um sangramento durante doze anos a tinha depauperado fisicamente. Provavelmente estava extremamente pálida, com todos os sintomas físicos decorrentes de uma anemia como: falta de ar, aceleração dos batimentos cardíacos e da respiração, fraqueza extrema, desidratação, queda de cabelos, pele seca, má absorção de alimentos por falta de energia celular, falta de memória e alterações do raciocínio, etc.. Por ter gasto todos os seus recursos financeiros com médicos, não tinha uma alimentação adequada para compensar a perda de sangue, tampouco para suprir suas outras necessidades básicas. Possivelmente, passava maior parte do seu tempo deitada devido à fraqueza. Entretanto, ao ter ouvido falar de Jesus, uma nova esperança e uma nova força surgiram no seu espírito, o que despertou sua fé para fazer uma última tentativa.

Ela vivia em Cafarnaum, onde ocorreu a cura da filha de Jairo e onde Jesus fez moradia por um bom tempo do Seu ministério, quando começou a pregar na região da Galiléia (Mt 4: 13) após a prisão de João Batista. Por morar, então, na mesma cidade que Jesus (mesmo que já tivesse se passado um tempo desde Sua saída dali para pregar em outros lugares de Israel), ela podia ouvir inúmeros testemunhos de cura que eram por Ele realizados, por isso sua fé foi aumentando a ponto de fazê-la tomar uma decisão. Ela sentiu no seu interior que, se apenas tocasse na borda do Seu manto, seria curada. Tendo este tipo de fé em mente, já era um passo para a cura. Por isso, quando Jesus veio acompanhado da multidão para a casa de Jairo, a mulher deve ter se arrastado por entre as pernas das pessoas até conseguir tocar na borda do Seu manto. Foi, então, que o Senhor parou e fez a pergunta: — “Quem me tocou?” Ele sabia que aquilo era necessário não apenas para que a multidão participasse de mais um milagre, mas para que a cura da mulher fosse completa.


Se eu apenas lhe tocar as vestes, ficarei curada


Nós falamos da carência material que ela vinha sofrendo, mas era óbvia a carência emocional que vinha junto com a doença, pois parecia não ter ninguém para ajudá-la a chegar até Jesus. A família, se é que tinha alguma, sequer foi mencionada como um fator de suporte para ela. Isso poderia tê-la levado, inclusive, à perda completa da sua fé em Deus, porém, apesar de tudo o que tinha passado por tantos anos, ainda mantinha certo grau de força espiritual. Por não ter saúde, não poderia trabalhar nem participar de um convívio social normal. Devido ao sangramento, ela estava catalogada como uma pessoa cerimonialmente impura pela Lei de Moisés, portanto, sua auto-estima deveria estar completamente prejudicada. Por isso, Jesus quis curá-la no corpo, na alma e no espírito, demonstrando àquele povo que era preciso fazer um esforço para conseguir uma cura completa e permanente: ter fé ativa e perseverança.

Aquela mulher tinha se comportado como uma discípula, ou seja, quis se aproximar mais do Mestre, tocar Nele, não apenas receber Sua cura como a multidão ingrata e comodista recebia; ela deu um passo a mais, se arriscou, portanto, demonstrou que estava espiritualmente apta a ter uma bênção e uma revelação maior do caráter de Deus. Ela foi honrada e recompensada por Jesus quando teve a ousadia de se manifestar no meio da multidão e Lhe contar sua história. Ela foi recompensada quando, publicamente, o Senhor a elogiou pela sua fé e a tocou com compaixão (é bem provável que Jesus tenha se ajoelhado ao seu lado e tocado seu rosto ou a segurado pelos ombros para poder ouvir seu caso). Ela tinha buscado a cura física e saíra curada em todas as áreas do seu ser; fora tocada profundamente por Ele. Enquanto relatava seu caso, a cura emocional se processava, pois o Senhor a fazia ver que aquilo não era mais necessário no seu presente; estava, agora, lançado no passado. O seu presente e o seu futuro seriam de saúde, vida, força, restauração emocional, sentimental e espiritual e seu testemunho pessoal seria uma forma de evangelizar outras pessoas e acender nelas a fé que estava morta.

Aprendizados:

1) Nada é impossível ao que crê, pois é capaz de superar todas as dificuldades para tocar em Jesus em busca de solução para os seus problemas. A fé é o combustível que nos faz receber nossas bênçãos, pois quando a colocamos em prática e passamos à ação, tudo passa a cooperar para o nosso bem.

2) Não precisamos sentir vergonha de expor o nosso problema a Deus, mesmo que os outros ao nosso redor não nos dêem crédito ou nos ridicularizem. Atos religiosos não trazem solução para os nossos problemas. Por ser mulher e considerada impura pela hemorragia, provavelmente foi julgada por muitos à sua volta por ela ter tocado no Mestre, mas ela não se importou com o que pensavam dela; contou-Lhe toda a sua história diante de todos, o que não somente foi honra para si mesma fazendo-a vencer a vergonha e o medo, como também foi uma forma de dar glória a Deus publicamente na pessoa do Seu Filho, atribuindo a Ele o mérito pela sua cura.

3) Quando o Senhor nos cura, Ele nos cura de maneira completa (corpo, alma e espírito) e nos mostra que certas curas precisam vir primeiro do espírito para poder chegar ao mundo material. A vitória da mulher começou quando ela teve o discernimento espiritual para abandonar as antigas estratégias de cura para procurar a verdadeira em Jesus. Ela entendeu que Nele estava todo o poder, por isso, mudou sua maneira de agir e pensar e se apegou à fé.

4) Deus nos trata individualmente e com interesse, não com negligência. Jesus, como em todas as outras passagens relevantes de cura descritas na bíblia, parou, olhou nos olhos do “paciente”, ouviu-o com atenção e realizou o milagre. Ele não fez nada de maneira apressada ou negligente, andando e conversando ao mesmo tempo com quem o procurava, simplesmente porque estava atrasado para uma reunião na casa de algum fariseu ou porque tinha pressa para fazer qualquer outra coisa e “não estava muito a fim de ouvir abobrinha”. O mundo nos solicita com falsas necessidades, impondo uma pressa e uma falsa eficiência (visando apenas ao lucro financeiro), nos fazendo desprezar os ‘momentos de eternidade’ que o Senhor coloca no nosso caminho quando quer nos usar para a Sua obra. Quando perdemos os ‘momentos de eternidade’ de Deus, possivelmente eles não voltarão mais e depois vamos nos arrepender de tê-los negligenciado. Devemos aproveitar todos os momentos bons que o Senhor nos proporciona para fazermos algo construtivo como: amar nosso semelhante e ajudá-lo nas suas necessidades, dialogar, se relacionar bem, pregar a Palavra para quem está precisando dela, nos dedicar à missão que Ele nos deu e sobretudo, desenvolver o crescimento interior e a nossa santificação, dando valor às nossas conversas particulares com Jesus.

Autora: Pastora Tânia Cristina Giachetti

Este texto se encontra no livro:


livro evangélico: Ensinos, curas e milagres

Ensinos, curas e milagres

Teachings, healings and miracles

▲ Início  

relacionamentosearaagape@gmail.com