Aprendizados com a passagem da mulher adúltera perdoada por Jesus. Ao vencer as tentações como ser humano, Jesus condenou o pecado na Sua própria carne. Ao nos perdoar e nos dar o Seu Espírito nossa história é recriada, como foi a daquela mulher.


A mulher adúltera


“Jesus, entretanto, foi para o monte das Oliveiras. De madrugada, voltou novamente para o templo, e todo o povo ia ter com ele; e, assentado, os ensinava. Os escribas e fariseus trouxeram à sua presença uma mulher surpreendida em adultério e, fazendo-a ficar de pé no meio de todos, disseram a Jesus: Mestre, esta mulher foi apanhada em flagrante adultério. E na lei nos mandou Moisés que tais mulheres sejam apedrejadas [Lv 20: 10 e Dt 22: 22-24]; tu, pois, que dizes? Isto diziam eles tentando-o, para terem de que o acusar. Mas Jesus, inclinando-se, escrevia na terra com o dedo. Como insistissem na pergunta, Jesus se levantou e lhes disse: Aquele que dentre vós estiver sem pecado seja o primeiro que lhe atire a pedra. E, tornando a inclinar-se, continuou a escrever no chão. Mas, ouvindo eles esta resposta e acusados pela própria consciência, foram-se retirando um por um, a começar pelos mais velhos até os últimos, ficando só Jesus e a mulher no meio onde estava. Erguendo-se Jesus e não vendo a ninguém mais além da mulher, perguntou-lhe: Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou? Respondeu ela: Ninguém, Senhor! Então, lhe disse Jesus: Nem eu tampouco te condeno; vai e não peques mais” (Jo 8: 1-11).

Este episódio da mulher adúltera é mais um dos que Jesus mostra a Sua misericórdia aos aflitos ao mesmo tempo em que cumpre a Lei. Quando Jesus disse que Ele veio para cumprir a Lei, não para revogá-la, e que nenhum til da Lei passaria até que tudo que fora escrito pelos profetas fosse cumprido, ninguém poderia imaginar a profundidade do que Ele estava dizendo. A Lei foi dada numa época bastante diferente da de Jesus para um povo recém-saído do cativeiro, da rebeldia e da idolatria e que precisava voltar a obedecer a Deus e a acreditar Nele e na Sua promessa dada ao patriarca Abraão de que geraria uma grande nação na terra e que dela nasceria o Messias para livrá-la de uma vez por todas da opressão do pecado. Humanamente falando, ninguém conseguiria cumprir à risca todos os mandamentos. Entretanto, este povo não entendia que isso poderia ser mais simples se obedecessem apenas a dois deles: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”. Como homem apenas, Jesus não poderia cumprir tantos preceitos, mas como Filho de Deus, sim, pois o Seu sangue substituiria o sacrifício de tantos animais. A bíblia diz que só Ele conseguiu viver aqui na terra num corpo de carne, mas sem pecado (Rm 8: 3; 2 Co 5: 21; Cl 2: 9), sendo tentado na sua alma como todos os outros seres humanos (Hb 2: 18).

Jesus tinha a natureza divina dentro de Si, como Filho de Deus, mas tinha também a natureza da carne, pois nascera fisicamente de uma mulher, por isso sabia o que era a luta da carne contra o Espírito e do Espírito contra a carne. Por se consagrar e permanecer fiel à vontade do Pai, conseguiu sair vitorioso na Sua missão e podia entender o que se passava no coração de cada ser humano. Conhecia cada fraqueza da carne, ao mesmo tempo em que estava ciente da misericórdia de Deus para com aqueles que eram fracos e não conseguiam se dominar. Jesus não compactuava com o pecado com a desculpa de exercer misericórdia, mas também não compactuava com a rigidez da Lei que levava o ser humano a cometer outro tipo de pecado: uma religiosidade fria que exercia os mandamentos com crueldade. Ele conhecia a punição para os pecados de adultério; também não compactuava com essa atitude. Entretanto, no caso desta mulher, Ele quis dar uma lição aos homens.

Uma pergunta interessante é: o que Jesus tanto escrevia na areia? Enquanto os fariseus se importavam em fazê-lo se lembrar da lei contra o pecado de adultério, Ele poderia muito bem estar escrevendo o que a Lei dizia sobre as atrocidades cometidas pelos homens e que também eram passíveis de punição divina; ou poderia estar escrevendo o pecado de todos eles; ou, então, os pecados de idolatria cometidos por todo o povo de Israel durante as várias eras e que, por causa dela, Ele tinha vindo à terra para pôr um ponto final nesta separação e nesta inimizade contra Deus. Por isso, respondeu: “Aquele que dentre vós estiver sem pecado seja o primeiro que lhe atire a pedra”.

A bíblia diz que, acusados pela própria consciência, cada um deles foi se retirando, dos seus acusadores mais antigos aos mais recentes, até que a mulher ficou sozinha com Jesus. Algo tinha falado dentro deles todos, a ponto de reconhecerem que, apesar de todos os seus esforços para seguirem rigidamente os preceitos religiosos, estavam falhando e muito, pois não era possível cumpri-los cabalmente. Ao ficar só com a mulher, Ele lhe perguntou se alguém a tinha acusado e ela Lhe respondeu que ninguém o fizera; então, Ele lhe disse: – “Nem eu tampouco te condeno; vai e não peques mais”. Como homem suscetível ao pecado, Ele também não tinha condições de acusá-la; todavia, como Deus, tinha o poder de perdoá-la da sua transgressão.


Jesus perdoou a mulher adúltera


Vamos agora nos voltar para a mulher que ali estava. Em primeiro lugar, precisamos entender a posição que ela ocupava no casamento naquela época, pois as mulheres não tinham a liberdade de escolha nem de expressão que têm hoje. Não sabemos se ela se sentia amada pelo marido, se o amava, sequer sabemos se era casada e estava naquele momento cometendo um adultério com um homem que era casado. Provavelmente se sentia oprimida ou rejeitada, e isso talvez tenha sido um motivo para agir desta forma. Uma coisa era certa: ela fora apanhada em flagrante e isso a colocava numa posição de extrema fragilidade. O medo que deveria estar sentindo provavelmente era grande, assim como a vergonha de ver seu pecado trazido a público. Por isso, deve ter se espantado com a reação de Jesus e com a Sua maneira de defendê-la. Ao ouvir a voz de Jesus perdoando-a, com toda a certeza foi um marco, chamando-a a mudar de hábitos e a nascer de novo. Assim acontece com todos os que se arrependem dos seus pecados e acabam tendo um encontro profundo e verdadeiro com Jesus; jamais voltam à velha vida, pois uma transformação ocorre no seu interior e o sangue que foi derramado na cruz passa a cobrir a transgressão, apagando-a aos olhos de Deus. Ao nos perdoar e nos dar o Seu Espírito nossa história é recriada, como certamente foi a daquela mulher.

Autora: Pastora Tânia Cristina Giachetti

Este texto se encontra no livro:


livro evangélico: Ensinos, curas e milagres

Ensinos, curas e milagres

Teachings, healings and miracles

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