Aprendizados com a cura do cego de Jericó. O cego Bartimeu precisou de coragem para superar a multidão, que tentava impedi-lo de ver Jesus. Mas Ele ouviu seu pedido e mandou chamá-lo. Naquele tempo, os cegos eram reconhecidos pela capa que usavam.


O cego de Jericó




“E foram para Jericó. Quando ele saía de Jericó, juntamente com os discípulos e numerosa multidão, Bartimeu, cego mendigo, filho de Timeu, estava assentado à beira do caminho. E, ouvindo que era Jesus, o Nazareno, pôs-se a clamar: Jesus, Filho de Davi, tem compaixão de mim! E muitos o repreendiam, para que se calasse; mas ele cada vez gritava mais: Filho de Davi, tem misericórdia de mim! Parou Jesus e disse: Chamai-o. Chamaram, então, o cego dizendo-lhe: Tem bom ânimo; levanta-te, ele te chama. Lançando de si a capa, levantou-se de um salto e foi ter com Jesus. Perguntou-lhe Jesus: que queres que eu te faça? Respondeu o cego: Mestre, que eu torne a ver. Então, Jesus lhe disse: Vai, a tua fé te salvou. E, imediatamente, tornou a ver e seguia a Jesus estrada fora” (Mc 10: 46-52 cf. Lc 18: 35-43; Mt 20: 29-34).

Essa é uma das passagens onde Jesus curou um cego de uma maneira diferente da que curou os outros: em Marcos (Mc 8: 22-26) com saliva nos olhos e em João (Jo 9: 1-12), com lama e saliva, mandando lavar-se no tanque de Siloé.

Neste texto, a bíblia fala que o nome do cego era Bartimeu que, em hebraico, quer dizer: filho de Timeu. Timeu significa: altamente considerado, altamente cotado, altamente estimado. A primeira lição é: não herdamos as conquistas particulares espirituais, emocionais ou sociais de ninguém, nem dos nossos pais; cada um tem sua própria ‘terra prometida’ a conquistar. O pai de Bartimeu poderia ser homem importante pelo seu mérito, pode ter conquistado sua posição diante da sociedade, mas o filho não conseguiu a mesma coisa. Somos espíritos com características diferentes. Por exemplo, o que podemos herdar são certos dons naturais presentes na família, porém, cabe a nós determinar a forma de usá-los. As nossas vitórias pessoais, apenas nós podemos ter. Nossa missão, só nós podemos cumprir; nossa cruz, só nós podemos carregar.

Essa Jericó foi erigida por Herodes, o Grande, e era um lugar rico, especialmente para aqueles que cobravam impostos. Não é a mesma Jericó que foi vencida por Josué ao entrar na Terra Prometida. Em Lucas, a bíblia fala (Lc 18: 35) que ele estava assentado à beira do caminho pedindo esmolas e em Marcos, o descreve como cego mendigo, ou seja, era cego e pobre no meio de uma cidade rica.

A bíblia não fala aqui que ele era cego de nascença, mas presume-se que ficou cego depois, pois no versículo 51 de Marcos ele diz: “Que eu torne a ver”. Não se sabe o que o cegou, se uma doença orgânica (física, do próprio corpo) ou um acidente. Entretanto, o fato de estar fisicamente cego naquele momento e, provavelmente, por um bom tempo em sua vida, fez com que desenvolvesse outra visão, a espiritual, já que não tinha as distrações da visão física, e isso o fez reconhecer que Jesus era o Messias, o Filho de Davi, Aquele que tinha capacidade de restaurá-lo totalmente. Quando Deus retira de nós certas distrações materiais e físicas, tem um propósito: desenvolver em nós outro tipo de percepção da vida e que nos levará a reconhecer a necessidade Dele, preparando-nos para o momento de encontro real com Ele. Bartimeu, com certeza, teve tempo de meditar bastante e estava interiormente preparado para esse encontro, tanto é que, sua sede interior de ser tocado por Jesus o ajudou a superar todos os impedimentos da multidão tentando fazê-lo se calar. O interessante é que Jesus não se importou com as vozes exteriores e superficiais da multidão que o seguia até por curiosidade. Ele estava atento às vozes interiores dos aflitos e contritos de coração que, realmente, o desejavam. É estranho pensar que diante do barulho de uma multidão, alguém possa identificar o pedido de uma única voz, porém, Jesus parou porque ouviu Bartimeu e disse: — “Chamai-o”. Quando Ele o chamou, provavelmente a multidão se calou para ver o que aconteceria. Aqui, o primeiro aprendizado é: Muitas vozes podem falar no nosso interior ou ao redor de nós, tentando impedir o chamado do Senhor, mas quando o clamor do nosso coração é sincero, Jesus vem ao nosso encontro. Quando Ele confirma o chamado, as vozes se calam e aí Ele fala.

A bíblia diz em Marcos 10: 49: “Tem bom ânimo; levanta-te, ele te chama”. Em grego, a expressão “tem bom ânimo” significa “tem coragem”. Primeiro, nós reconhecemos nossas fraquezas, nossa miséria espiritual e nossa necessidade de Deus. Depois, reconhecemos que a solução é Jesus. Então, gritamos por Sua ajuda e nos dispomos a buscá-lo, mesmo que tudo ao redor diga não. E quando chega o momento, descobrimos que precisamos ter coragem. Coragem para quê? Para fazer o que o cego fez: saiu da oração e do clamor e passou à ação. Mesmo não enxergando para onde ia e dependendo dos outros para conduzi-lo a Jesus, ele realizou um movimento interior; levantou-se, ou seja, ele deixou de se ver como um coitado, impotente, para tomar posse da bênção. Ele também ficou de pé, assumiu sua posição de autoridade e dignidade diante daquela situação e diante das pessoas e se dispôs a ser ajudado e abençoado. Lançou de si a capa, o que significa que abriu mão do rótulo e do estigma, pois os cegos eram, naquele tempo, reconhecidos pela capa que usavam. Abriu mão da timidez, da situação em que se escondia e das limitações interiores. Talvez, muitos anos de humilhação e derrota o tenham deixado medroso, sem coragem de se arriscar novamente; ou tenham tirado dele a esperança de ser alguém honrado de novo, capaz de dirigir sua vida ou de ganhar seu sustento; ou tenham, apenas, servido para prová-lo e fortalecê-lo na fé de que o Messias esperado poderia vir um dia e tocar nele. Se ele viu em Jesus o Messias, o Filho de Davi, era de se supor que conhecia as Escrituras e cria nelas. Embora sua alma estivesse desesperançada com a aparente impossibilidade de cura, seu espírito, com certeza, mantinha acesa a chama da fé. Essa fé proporcionou a ele a noção correta do momento de tomar posse da bênção e seu espírito fortalecido deu condições à sua alma para vencer suas próprias limitações e preconceitos e se levantar, harmonizado com a vontade de Deus para ele. A bíblia fala que ele se levantou de um salto, ou seja, rapidamente; ele estava decidido, queria esse encontro e foi ter com Jesus.

O interessante é que Jesus poderia ter facilitado as coisas para o cego indo até ele, mas parou a certa distância para que o cego viesse. Era mais uma prova para ver sua fé e se seu desejo era realmente grande de ser tocado por Ele. Podemos imaginar que Jesus também o beneficiou com essa atitude, honrando-o diante das pessoas que antes o humilharam, isto é, usou aqueles que tentaram impedir a bênção para ajudá-lo a conquistá-la. Ele os mandou chamá-lo, fazendo-o se sentir especial e importante, individualizando-o diante da multidão. Jesus nos trata individualmente, mostrando que, mesmo que exista uma multidão ao nosso lado, Ele nos reconhece pessoalmente e nos chama, trata particularmente do nosso problema, quando nos dispomos realmente a buscá-lo e quando desejamos superar todas as barreiras para conseguir nossa promessa.


O cego de Jericó


O próximo passo de Jesus foi espantoso. Ele perguntou: — “Que queres que eu te faça?” Nós podemos pensar que se trata de uma pergunta desnecessária, já que é lógico que um cego peça a cura para sua cegueira, mas Jesus sabia o que fazia. Ele queria ver se Bartimeu tinha noção do que era realmente prioritário em sua vida, se seu pedido estava em conformidade com o desejo do coração de Deus para ele. Ele poderia pedir muitas coisas para Jesus: para ter reconstrução familiar, para ter sua casa própria ou para ter alguém que o acolhesse ou sustentasse financeiramente ou muitos pedidos materiais, todavia, sua necessidade era outra. Ele precisava conhecer verdadeiramente o Messias e experimentar Seu poder sobre si; precisava ver as coisas e sua própria vida de outra forma. Por isso ele pediu para recuperar a visão. A expressão “que eu torne a ver”, em grego, significa: “que eu recupere a visão, que eu receba a capacidade de dirigir ou reconsiderar, que eu saiba ver com os olhos da mente”. Talvez, ele pudesse reconhecer Jesus como seu Salvador e Aquele que seria capaz de restaurar sua identidade e auto-estima, mas não tinha ainda a visão de como conseguir ser alguém de valor, capaz de trabalhar novamente pelo seu sustento e se mostrar às pessoas como uma testemunha viva do poder de Deus. De certa forma, essa história é parecida com a de Jó, que antes conhecia a Deus de ouvir falar, mas depois do seu sofrimento passou a conhecê-lo, porque o via de verdade; experimentou-o por si mesmo. O projeto de Deus para nós é que conheçamos a verdade da Sua palavra e tenhamos abertos os olhos da nossa alma e do nosso espírito para podermos caminhar com dignidade e autoridade. Bartimeu chamou Jesus de Mestre (Rabi), pois sabia que Nele havia a sabedoria para ensiná-lo a fazer todas as coisas e que Ele era o verdadeiro caminho. Então o Senhor lhe disse: — “Vai, a tua fé te salvou”. E, imediatamente tornou a ver.

Em Marcos e Lucas, a bíblia relata que Jesus disse para recuperar a vista e, em Mateus, fala que lhe tocou os olhos. O fato de tocar seria, talvez, para confirmar o que estava fazendo, pois o cego era sensível à informação tátil, e para deixar nele uma certeza física de que fora realmente curado, uma marca sensitiva em seu cérebro; talvez, para satisfazer sua necessidade de ser tocado por Jesus. Como Deus deixou Jacó coxo de uma perna como uma marca do seu encontro com Ele, Jesus, em várias curas realizadas na bíblia, deixou impressa na memória das pessoas a marca do Seu toque, pois conhece a necessidade de cada um dos Seus filhos.

Você precisa ver com os olhos de Deus? Peça a Ele e tenha seus olhos abertos hoje, em nome de Jesus. Receba a sua vitória.

Autora: Pastora Tânia Cristina Giachetti

Este texto se encontra no livro:


livro evangélico: Ensinos, curas e milagres

Ensinos, curas e milagres

Teachings, healings and miracles

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