Ensinamentos com a cura de um surdo e gago (um surdo-mudo) em Decápolis. Decápolis era um conjunto de 10 cidades gregas a leste do Jordão, governadas por Roma. Aquele homem era um gentio, mas havia fé no seu coração. Quando Jesus disse: ‘Efatá!’, o homem passou a ouvir e a falar.


O surdo e gago de Decápolis


“De novo, se retirou das terras de Tiro e foi por Sidom até ao Mar da Galiléia, através do território de Decápolis [NVI: A seguir Jesus saiu dos arredores de Tiro e atravessou Sidom, até o Mar da Galiléia e a região de Decápolis]. Então, lhe trouxeram um surdo e gago [NVI: ... um homem que era surdo e mal podia falar...] e lhe suplicaram que impusesse as mãos sobre ele. Jesus, tirando-o da multidão, à parte, pôs-lhe os dedos nos ouvidos e lhe tocou a língua com saliva [NVI: Em seguida cuspiu e tocou na língua do homem...]; depois, erguendo os olhos ao céu, suspirou e disse: Efatá!, que quer dizer: Abre-te! Abriram-se-lhe os ouvidos, e logo se lhe soltou o empecilho da língua, e falava desembaraçadamente. Mas lhes ordenou que a ninguém o dissessem; contudo, quanto mais recomendava, tanto mais eles o divulgavam. Maravilhavam-se sobremaneira, dizendo: Tudo ele tem feito esplendidamente bem; não somente faz ouvir os surdos, como falar os mudos” (Mc 7: 31-37 – ARA).

Vamos começar nosso estudo meditando um pouco sobre o texto que lemos acima. Jesus já tinha saído da Fenícia, passado pelo Mar da Galiléia e, agora, chegava à região de Decápolis. Decápolis era um conjunto de dez cidades gregas, gentílicas, portanto, fora do controle judaico, a leste do Jordão, governadas por Roma. Seus nomes eram: Citópolis (atualmente, Bete-Sean), Damasco, Canata (Qanawat, na Síria), Rafana, Hippos (ou Sussita), Diom (Capitólia ou Beit Ras), Filadélfia (atualmente Amã, capital da Jordânia), Pela, Gerasa e Gadara (Umm Qais). De acordo com certas fontes, pode ter havido em redor de 18 ou 19 cidades Greco-Romanas contadas como parte de Decápolis. Por exemplo, Abília é freqüentemente citada como pertencente ao grupo, assim como Kursi, Al Husn e Arabella (Irbid). Profeticamente, Jesus estava mostrando a todos que Sua missão se estenderia mais tarde aos gentios. Para os judeus tradicionais, aquilo era, no mínimo, estranho, uma vez que Ele estava entrando em território “inimigo”, de povo idólatra, portanto, impuro. A bíblia não diz em que vilarejo Jesus encontrou o homem, sequer deixa claro se o encontrou a caminho de Decápolis. Entretanto, o maior ensinamento aqui é que, quando o povo daquela cidade O viu, trouxeram-Lhe o surdo e gago para que fosse tocado por Ele. Portanto, havia alguma fé no coração daquela gente. A palavra de Deus também não deixa claro se aquela doença era causada por um espírito imundo ou se era apenas decorrente da imperfeição humana. A seguir, o texto bíblico diz que “Jesus, tirando-o da multidão, à parte, pôs-lhe os dedos nos ouvidos e lhe tocou a língua com saliva; depois, erguendo os olhos ao céu, suspirou e disse: Efatá!, que quer dizer: Abre-te! Abriram-se-lhe os ouvidos, e logo se lhe soltou o empecilho da língua, e falava desembaraçadamente... Maravilhavam-se sobremaneira, dizendo: Tudo ele tem feito esplendidamente bem; não somente faz ouvir os surdos, como falar os mudos”.

Em primeiro lugar, vamos raciocinar sobre o significado desta cura. Orelha simboliza um canal de recepção da revelação divina. No AT “dar ouvidos à Sua voz” significava “obedecer a Deus”. O verbo hebraico traduzido como obedecer é shãma‘ be, literalmente, dar ouvidos a. Na Septuaginta (tradução grega do AT) e no NT é hypakouõ, que significa “ouvir debaixo”, ou eisakouõ, que significa “ouvir dentro” [1 Co 14: 21: “Na lei está escrito: Falarei a este povo por homens de outras línguas e por lábios de outros povos, e nem assim me ouvirão (eisakouõ – ouvir dentro), diz o Senhor”]. Isso para nós tem o significado de que Deus estava atuando num povo não judeu, mas que tinha fé em Seu Filho, a ponto de Lhe trazer um homem enfermo para ser curado. Em outras palavras, era uma confirmação do que estava profetizado em Is 28: 11-12: “Pelo que por lábios gaguejantes e por língua estranha falará o Senhor a este povo, ao qual ele disse: Este é o descanso, dai descanso ao cansado; e este é o refrigério; mas não quiseram ouvir [shãma‘ be, dar ouvidos à Sua voz, obedecer]”, repetido por Paulo em 1 Co 14: 21, ou seja, a cura daquele homem era uma maneira de Deus mostrar ao Seu próprio povo a sua incredulidade e sua falta de compreensão dos milagres divinos devido ao endurecimento do seu coração. A voz do Senhor dentro de cada israelita não estava sendo ouvida, tampouco obedecida. O homem estava passando pelo mesmo processo, porém, poderia ser por causa das influências espirituais idólatras ao seu redor, não propriamente pelo endurecimento do seu coração às coisas de Deus, pois não O conhecia ainda.

Outra coisa interessante a respeito da cura: no começo do relato, o evangelista diz que o homem era “gago ou mal podia falar”, mesmo porque com a surdez, ele, provavelmente, fazia uma leitura labial e o som que saía de sua boca era bastante diferente do que uma pessoa normal poderia emitir. No final do relato, o comentário do povo é que eles estavam admirados com o poder de Jesus de curar os mudos. De qualquer forma, falando mal ou sendo mudo, o mais importante é que a boca daquele homem estava impedida de dizer o que ele queria, por isso, quando o Senhor o tocou, a bíblia diz que “logo se lhe soltou o empecilho da língua, e falava desembaraçadamente”. A boca pode ser considerada como uma chave (Mt 16: 19: “Dar-te-ei as chaves do reino dos céus; o que ligares na terra terá sido ligado nos céus; e o que desligares na terra terá sido desligado nos céus”) ou como uma espada que separa a verdade da mentira, a vontade de Deus da do homem (Hb 4: 12-13: “Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração. E não há criatura que não seja manifesta na sua presença; pelo contrário, todas as coisas estão descobertas e patentes aos olhos daquele a quem temos de prestar contas”).

Juntando os dois últimos parágrafos, o raciocínio onde quero chegar é que aquele homem, debaixo de influências espirituais ruins ou por uma doença de nascença ou por qualquer trauma emocional que já tivesse passado, não podia ouvir corretamente a voz de Deus, conseqüentemente, falar Sua palavra de maneira a conseguir materializar suas bênçãos; ele não podia trazer seus sonhos à existência, não podia abrir os caminhos da sua própria vida, pois havia um empecilho. Foi quando Jesus tocou seus ouvidos com os dedos, como uma forma de dizer que estava removendo o impedimento à audição, e tocou a língua do homem com a Sua saliva, não com a saliva daquele, mostrando com isso que era a palavra de Deus que tinha o poder de remover todo e qualquer empecilho na vida de alguém, abrindo os caminhos para a realização dos sonhos de qualquer um que Nele cresse. O mundo foi criado pela palavra de Deus, o Verbo, portanto, o próprio Jesus, a Palavra Viva (Jo 1: 1-4: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez. A vida estava nele e a vida era a luz dos homens”).

Outro comentário interessante é que Jesus fez com este homem o mesmo que fez com o cego de Betsaida: retirou-o da multidão para fazer a cura, ou seja, mostrou a ele que, se quisesse ter um encontro particular com Deus e ser verdadeiramente curado, precisava se retirar do mundo e das influências carnais à sua volta; aí, sim, estaria pronto a ouvir corretamente a voz do Senhor e teria o livre-arbítrio de obedecer-Lhe, colocar Sua palavra em prática e materializar suas bênçãos.

Autora: Pastora Tânia Cristina Giachetti


mapa de Decápolis

Este texto se encontra nos livros:


livro evangélico: Ensinos, curas e milagres

Ensinos, curas e milagres

Teachings, healings and miracles


livro evangélico: Efatá

Efatá (alegoria) / Ephphatha (alegory)

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