Estudo do evangelho sobre a cura de um leproso por Jesus. Várias doenças de pele eram agrupadas sob o nome de lepra. Lepra pode significar mal de Hansen, feridas emocionais ou pecado. Qual o comportamento do leproso naquela época?


A cura de um leproso




“Aconteceu que, estando ele numa das cidades, veio à sua presença um homem coberto de lepra; ao ver a Jesus, prostrando-se com o rosto em terra, suplicou-lhe: Senhor, se quiseres, podes purificar-me. E ele, estendendo a mão, tocou-lhe, dizendo: Quero, fica limpo! E, no mesmo instante, lhe desapareceu a lepra. Ordenou-lhe Jesus que a ninguém o dissesse, mas vai, disse, mostra-te ao sacerdote e oferece, pela tua purificação, o sacrifício que Moisés determinou, para servir de testemunho ao povo. Porém o que se dizia a seu respeito cada vez mais se divulgava, e grandes multidões afluíam para o ouvirem e serem curadas de suas enfermidades. Ele, porém, se retirava para lugares solitários e orava” (Lc 5: 12-16 cf. Mt 8: 1-4 / Mc 1: 40-45).

É bom lembrar que nos tempos bíblicos, várias afecções dermatológicas eram agrupadas sob o nome de lepra, entretanto, muitas eram evidentes, fazendo com que a pessoa começasse a perder a sensibilidade de algumas partes do corpo pela doença, propiciando a formação de feridas que, infectadas e mal tratadas, faziam-na perder progressivamente os membros. Por isso, ao ser diagnosticada a lepra numa pessoa, ela era rotulada como cerimonialmente impura, além de ser um perigo para a sociedade, sendo obrigada a viver fora das aldeias, sobrevivendo do que a natureza podia lhe dar ou do que viajantes lhe jogavam de longe. Portanto, o diagnóstico de lepra trazia à pessoa um completo isolamento espiritual e social, afetando grandemente sua vida física, emocional e familiar. Quando, porém, por algum milagre de Deus eram curadas, deveriam voltar ao templo e mostrar a ferida ao sacerdote e oferecer sacrifícios pela sua purificação. Assim, tanto no corpo, como na alma e no espírito, a lepra deixava marcas, por isso o leproso era expulso de casa e da sociedade e proibido de entrar em qualquer cidade. Devia vestir roupas rasgadas, deixar o cabelo emaranhado e clamar “imundo, imundo!” se alguém se aproximasse (Lv 13: 45-46: “As vestes do leproso, em que está a praga, serão rasgadas, e os seus cabelos serão desgrenhados; cobrirá o bigode e clamará: Imundo! Imundo! Será imundo durante os dias em que a praga estiver nele; é imundo, habitará só; a sua habitação será fora do arraial”). Dificilmente alguém conseguia ver seu rosto totalmente. Quando Jesus veio e começou a fazer milagres, as pessoas acometidas por este mal vieram a Ele em busca de cura, pois se fossem curadas, tudo o mais seria restaurado em suas vidas.


Jesus cura o leproso


Para nós, a lepra pode ter o significado de doença física mesmo (lepra ou mal de Hansen), feridas emocionais que nos isolam do convívio normal com nossos semelhantes, ou o pecado (lepra espiritual), que deixa marcas espirituais terríveis, gerando separação entre a pessoa e Deus, por isso Jesus veio para nos curar das marcas deixadas pela lepra do pecado. Aquele homem que procurou Jesus estava consciente da sua inutilidade como ser humano, pois era impossível viver mais daquele jeito; sentia-se rejeitado e impuro. Entretanto, teve a ousadia de se aproximar suplicando por cura. Humildemente, se submeteu à vontade de Jesus e Lhe disse: “Senhor, se quiseres, podes purificar-me. E Jesus, estendendo a mão, tocou-lhe, dizendo: Quero, fica limpo! E, no mesmo instante, lhe desapareceu a lepra”.

Ensinamentos

1) O primeiro ensinamento aqui é: quando reconhecemos o nosso pecado e nos submetemos à vontade de Deus Lhe pedindo perdão, Ele nos toca com cura. A bíblia diz que Jesus o tocou, o que para muitos poderia ter sido uma imprudência, pois poderia contrair a doença, mas Seu toque foi para libertar o homem, não para ser contaminado por ele; mesmo porque a doença não é transmitida deste modo.

2) Portanto, o segundo ensinamento é: ainda que muitos sintam nojo de nós ou repulsa pelo mal que nos acometeu, Jesus jamais nos rejeita, pois não tem medo nem nojo de feridas; Ele veio para nos livrar delas.

3) A lepra acomete finas raízes nervosas, o que faz com que a pessoa passe a não ter mais sensibilidade naquela região do corpo que está afetada. É o que o pecado faz com aqueles que dele estão cativos: se tornam insensíveis à verdade, parecem cauterizados, não sentem mais a presença de Deus. Assim, o terceiro ensinamento é: quando o Senhor nos toca com libertação, as “cascas da ferida” caem e voltamos a ser sensíveis à Sua voz e à Sua presença. Dessa forma, estamos aptos para reatar nossa convivência não apenas com Ele, mas com nossos irmãos, pois voltamos a amar e a sentir compaixão pelos outros. Começamos a nos sentir úteis porque a experiência que tivemos nos capacita agora com unção para tratarmos os que estão com o mesmo problema. Muitos acham errado que o homem não obedeceu à ordem de Jesus para não contar nada a ninguém, mas de qualquer forma saberiam que foi Ele que o tinha curado, porque Ele já tinha feito outras curas e o Seu nome já estava começando a ser conhecido. O homem seria um evangelista a partir daquele momento. Seu testemunho confirmaria a todos a presença do Messias entre Seu povo. É interessante que não só neste texto bíblico está escrito: “Ele, porém, se retirava para lugares solitários e orava”, o que quer dizer que, ainda sendo o Filho de Deus, Jesus tinha vindo em carne e precisava, assim como todos nós, estar se renovando na presença do Pai para poder continuar a Obra. Isso para nós foi um exemplo, pois se quisermos ter unção para fazer as mesmas obras que Ele fazia, é necessário ter o nosso tempo particular com o Senhor, longe dos outros. É no altar, longe do barulho e das solicitações da carne, que nos recarregamos de unção e recebemos as revelações particulares para todas as áreas da nossa vida. Portanto, o último ensinamento é: um discípulo precisa dos seus momentos de intimidade e conversa particular com Deus para prosseguir na sua caminhada cristã com segurança. É no silêncio do Seu altar que o Senhor fala conosco.

Autora: Pastora Tânia Cristina Giachetti

Este texto se encontra no livro:


livro evangélico: Ensinos, curas e milagres

Ensinos, curas e milagres

Teachings, healings and miracles

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