Este é um estudo bíblico sobre os Dez Mandamentos dados por Deus no Monte Sinai, após ter livrado o povo do Egito. Há um comentário também sobre a ‘Lei oral’ (Mishná) dada a Moisés, segundo a crença judaica.


Os Dez Mandamentos – Estudo bíblico




No terceiro mês da saída dos filhos de Israel do Egito, no primeiro dia desse mês, chegaram ao deserto do Sinai (Êx 19: 1). Eles acamparam ali e Deus deu ordem a Moisés para purificar o povo, pois no terceiro dia desceria sobre o monte. Ele queria se mostrar aos Seus filhos. O Senhor veio com poder no terceiro dia, conforme tinha combinado, e Moisés subiu ao Monte Sinai e ali ficou na presença de Deus por quarenta dias e quarenta noites (Dt 9: 9). Nesse período não recebeu apenas os Dez Mandamentos (Êx 20: 1-17; Dt 5: 1-21; Êx 31: 18; Êx 32: 15; Êx 34: 28), mas todas as leis que o povo de Israel deveria obedecer acerca de qualquer assunto (Êx 24: 1-4). Ao apresentar os Dez Mandamentos a Moisés, o Senhor os apresentou em ordem, ou seja, os quatro primeiros dizem respeito ao relacionamento do homem com Deus; os outros seis ao relacionamento do homem com seu semelhante. Antes que o homem possa ter um relacionamento correto com seu próximo, tem que acertar as coisas com o Criador.

Os Dez Mandamentos

1º) “Eu sou o Senhor, teu Deus, que te tirou da terra do Egito, da casa da servidão. Não terás outros deuses diante de mim”.

Deus deixou bem claro aqui que Ele é que tinha tirado o povo das mãos de Faraó, mostrando o Seu poder acima de todos os deuses do Egito. Por isso, o Senhor quer ser adorado incondicionalmente acima de qualquer coisa, pois Ele é o único que nos deu Seu Filho unigênito, portanto, o único capaz de nos dar a salvação. Muitos deuses podem ser colocados em nossa vida. Nós, como cristãos, não mais adoramos outras entidades. Entretanto, podemos manter arraigadas dentro de nós outras idolatrias que assumimos e admitimos serem apenas hábitos, fraquezas de caráter, costumes familiares ou gostos pessoais, mas, na verdade, são deuses que precisam ser destronados para podermos caminhar na liberdade do Espírito Santo. Tudo aquilo que nos prende e não nos deixa seguir a vontade de Deus é um ídolo. Até certos hábitos como novelas, sexo, revistas, excesso de cuidado com a casa, com o carro ou com a família, cuidado excessivo com o trabalho (profissão), com a aparência e com o vestuário, vaidade de estar sempre bem informado a respeito de tudo o que acontece para ter o que conversar com as pessoas, estar sempre aparentando equilíbrio e bem-estar para dizer que não há nada de errado conosco, ser sempre bem sucedido na profissão e até no ministério só para dizer que somos capaz de tudo são exemplos de idolatrias que podem estar na nossa vida de maneira clara ou camuflada, porém, se colocam no lugar de Deus e nos impedem de estar 100% na Sua presença.

Assim, os cinco principais ídolos que a maioria das pessoas está colocando antes de Deus são: dinheiro, prazer, poder, fama e conhecimento. A pessoa pode ser rica ou pobre, desejar a riqueza ou até se contentar com o que tem, porém, muitas vezes o espírito de miséria ou avareza que a domina tira sua alma da necessidade de buscar a Deus de maneira mais profunda, a faz agir de maneira possessiva ou ciumenta com aquilo que é dela e não deixa as verdades espirituais acerca da prosperidade de Deus penetrar no seu coração. Ela dá externamente, até para mostrar aos outros, mas, internamente, seu coração continua avarento e mesquinho. Ela começa a medir as pessoas que estão ao seu redor pelo lucro ou prejuízo que podem lhe dar. Faz cálculos aritméticos em todas as situações e deixa de crer na provisão inesperada de Deus. Não consegue emprestar nada do que é seu por ciúme daquilo estar sendo usado e gasto. Vive debaixo de ansiedade e sofre por antecipação se houver a possibilidade de surgir uma despesa extra. Vai à igreja e dá o dízimo por obrigação, quando dá, pois fica imaginando o que o pastor vai fazer com o dinheiro dela. É incapaz de semear na obra de Deus usando qualquer filho Seu, porque “ele não faz nada mais do que a obrigação!” Priva-se de momentos de alegria e comunhão na companhia de quem quer que seja porque vai gastar dinheiro. Guarda em casa coisas quebradas ou que não usa mais. Vive na miséria a vida inteira para economizar para a velhice ou para a descendência (não há nada de errado nisso, pensar na velhice ou nos filhos, a menos que isso se torne doentio). Esses e outros exemplos podem ser encontrados quando o dinheiro passa a ser um Deus.

Outro ídolo é o prazer, que muitas vezes impede a pessoa de procurar a presença de Deus porque “dá trabalho”, “vai levar muito tempo”, “exige sacrifício, disciplina e entrega” ou porque “dói”. A pessoa vive pelas coisas que lhe agradam e só faz o que gosta e o que quer e, é claro, nada do que faz tem afinidade com as coisas do Senhor, só com as do mundo. É o caso daquela pessoa que não tem compromisso com nada nem com ninguém que possa solicitar cuidados ou uma parcela do seu tempo porque isso acarretaria certo fardo e para ela a vida é sempre “light”, gostosa e prazerosa, sem problema algum. É capaz de se ligar emocionalmente a quem não presta ou que não é da vontade de Deus porque dá prazer estar com essa pessoa, mesmo que ela roube o seu tempo de oração ou de comunhão com Ele.

O terceiro tipo de deus que precisa ser destronado é o poder, que transforma a pessoa que o detém num verdadeiro ditador ou manipulador, se esse poder não estiver nas mãos de Deus. Ela passa a usá-lo para corromper, abusar e desencaminhar a vida de outras pessoas e até a dela própria. Não sabe colocá-lo nem exercê-lo em amor para o bem do próximo. A palavra de Deus diz que Jesus veio para destruir as obras do diabo e Ele usou o poder que o Pai lhe concedeu para realizar isso. Na bíblia, a palavra ‘poder’ tem dois significados em grego: exsousia (Strong #g1849; autoridade, jurisdição – Jo 1: 12) e dunamis (ou dunamei – δυναμει – Strong #g1411; poder para realizar milagres – Lc 24: 49) e isso nos é concedido pelo Espírito Santo. Entretanto, existe uma condição primordial para que isso seja exercido, que é o amor, como está escrito em 1 Co 13: 1-13. Sem o amor de Deus, não conseguimos exercer Seu poder na terra para o bem do Seu povo. O poder do mundo corrompe, mas o poder de Deus nos dá capacidade para realizar aqui tudo o que Ele realizou. Não adianta pedirmos poder a Deus, sem antes pedir Seu amor (Ágape) e Sua sabedoria para exercer esse poder. O poder que aqui está mencionado é uma força direcionada a um determinado alvo para exercer autoridade divina ou realizar um trabalho específico como cura, libertação, milagres, liberação de potenciais e dons espirituais. Existe uma terceira palavra grega, usada mais raramente (apenas 9 vezes no NT), que é kratos (κρατος – Strong #g2904), e que significa: grande vigor, glória, domínio, poder, força, posse geralmente sobre algo físico, material, como uma terra arrendada, herdade (Lc 1: 51; At 19: 20; Cl 1: 11; 1 Tm 6: 16; Hb 2: 14; 1 Pe 4: 11; 1 Pe 5: 11; Jd 1: 25; Ap 1: 6).

O quarto deus que precisa cair é a fama. O desejo de ser visto, reconhecido e honrado é inato no ser humano e até é bom para manter sua auto-estima, mas quando esse desejo passa a ser desmedido ou egocêntrico, ocupando ou tirando o lugar dos outros, deve ser reavaliado e tratado. O trabalho para Deus é geralmente feito em paz, de maneira mansa, humilde e silenciosa, sem alarde, sem competição e sem a fama que o mundo impõe sobre nós, sem a sua ajuda para manifestar nossa adoração. Não precisamos fazer o trabalho do Senhor debaixo de luzes ou holofotes, entretanto, quando Sua luz começa a brilhar em nós, é claro que seremos vistos. Por isso, devemos pedir sempre a humildade e a sabedoria divina para lidar com o que Ele nos dá para que a glória seja apenas Sua e não nossa, porém, jamais devemos deixar de mostrar nossa autoridade e nossa identidade de filhos e servos do Altíssimo. Foi o Senhor mesmo que disse que nos colocaria por cabeça, não por cauda. Podemos ver nos evangelhos que Jesus, principalmente no início do Seu ministério, procurava não ser visto e até pedia para aqueles que Ele curava para não dizerem nada a ninguém, pois ainda não era chegada Sua hora de aparecer publicamente e chamar a atenção das autoridades judaicas ou romanas. Porém, no decorrer do Seu ministério, podemos ver que Sua fama correu pelas cidades porque a luz que havia Nele era visível. Foi Ele mesmo que nos disse que nós somos a luz do mundo e que as nossas boas obras precisam ser vistas para que os outros glorifiquem o Pai que está no céu. Precisamos ter em mente que os impossíveis que realizamos vêm Dele apenas, não de nós. Nós até podemos ter vontade de curar as pessoas ou ressuscitar mortos, mas nada em nós tem poder para isso. Só quando Ele se manifesta com unção sobre nossa vida é que podemos realizar essas coisas. Por isso, a fama que o cristão deve buscar é a fama para o reino de Deus. Como dizia João Batista: “Convém que eu diminua para que Ele cresça”.

O último deus a ser derrotado é o conhecimento. Não adianta nada termos conhecimento em todos os assuntos se isso for apenas para alimentar nosso ego e nossa vaidade ou para humilhar as pessoas. Nenhum conhecimento que o Senhor nos dá é para nada ou por objetivos egoístas. Pelo contrário, o conhecimento que o Senhor nos dá são “talentos” a serem multiplicados para ajudar os irmãos e fazê-los felizes e conscientes da capacidade divina que já está colocada dentro deles. Os conhecimentos que Ele nos dá são para ajudarmos os outros a tomarem posse do reino de Deus e de suas bênçãos. Tudo o que o Senhor nos dá gera responsabilidade, portanto, não devemos buscar o conhecimento para estarmos acima de ninguém ou para competir, e sim para darmos a Ele, multiplicado, aquilo que Ele colocou em nossas mãos. Como tudo o que Ele nos dá, devemos colocar também o conhecimento em Suas mãos para que Ele mesmo nos ajude a usá-lo com discernimento e sabedoria. Devemos pedir que Ele só nos dê aquilo que possamos suportar e administrar, senão nos desviaremos por um caminho de morte (Pv 30: 7-9, por exemplo). Todo o conhecimento que temos, nossos diplomas e méritos profissionais foram permitidos por Ele; não foi por nossa própria força que os conquistamos. Ele permitiu que os tivéssemos.

2º) “Não farás para ti imagens de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima nos céus, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não as adorarás, nem lhes darás culto; porque eu sou o Senhor, teu Deus, Deus zeloso, que visito a iniqüidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem e faço misericórdia até mil gerações daqueles que me amam e guardam os meus mandamentos”.

Quando a bíblia diz ‘Deus zeloso’, quer dizer ‘ciumento’. Em Tg 4: 5 está escrito: “é com ciúme que por nós anseia o Espírito, que ele fez habitar em nós”. Deus tem ciúme de nós, por isso não gosta quando dividimos nossa atenção com outros deuses. Como os pagãos tinham uma facilidade muito grande de ver deuses em todas as coisas, até na natureza, como animais, conchas, corais, cristais, plantas, rochas, sol, lua e estrelas, Ele advertiu o povo de Israel a não seguir esses costumes para não deturparem a visão correta Dele. O ser humano tem necessidade de visualizar uma fruta para saber a diferença entre ela e uma pedra, por exemplo, pois uma nós podemos comer, a outra não. Deus sabia dessa necessidade, por isso se mostrou ao povo na forma de coluna de fogo ou na nuvem que o seguia pelo deserto. Quando desceu sobre o Sinai, Ele se mostrou através de relâmpagos, trovões e fogo (Êx 19: 18-19). Quando Elias se refugiou na caverna, Deus se mostrou a ele como um cicio suave. Quando Jesus veio a terra, Deus se mostrou na forma humana para que fosse reconhecido, mas mesmo com esses simbolismos ou através do próprio Jesus feito homem, Ele não quer que O transformemos em um simples pedaço de pedra, madeira ou pintura para que entremos em contato com Ele. A bíblia fala que Deus é espírito (Jo 4: 24; 2 Co 3: 17), portanto, a presença do Seu Espírito em nós nos faz conhecer Sua imagem e reconhecê-lo em qualquer situação e em qualquer lugar. Mesmo a imagem mental que fazemos Dele não é a correta porque somos limitados demais para compreendê-lo e imaginarmos Sua forma. O próprio Moisés, com quem Ele falava face a face, boca a boca, só viu a glória de Deus pelas costas. Muitas vezes, quando estamos em espírito diante do trono, podemos perceber Sua luz ou até Seus olhos de amor sobre nós, entretanto, não chegamos nem perto do que Ele é. O importante é sentirmos a Sua presença em oração, louvor e adoração e no contato constante com a Sua palavra, pois Jesus é a Palavra. Viver Sua palavra em nós é vê-lo corretamente. Tenho certeza que quando necessitarmos verdadeiramente ser tocados e ter uma visão de Deus por algum motivo divino, Ele mesmo nos dará para que possamos aumentar nossa fé. O apóstolo João, no Apocalipse, nos mostra Jesus (Ap 1: 12-17; Ap 19: 11-16) e o descreve da maneira que ele conseguiu descrevê-lo. Para João, como um ser humano, faltavam-lhe palavras e comparações que se pudesse fazer a Deus. Portanto, as palavras-chave para resumir este mandamento são: ter a visão correta de Deus.

3º) “Não tomarás o nome do Senhor, teu Deus, em vão, porque o Senhor não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão”.

Esse mandamento nos diz para pensar Nele de maneira correta. Devemos alimentar nossa mente com conceitos elevados acerca de Deus, que nos inspirem e nos levem a reverenciá-lo (Fp 4: 8). O diabo é de origem ímpia, e não devemos encher nossa mente com ele nem com conceitos a seu respeito, pois isso degrada nossa alma. A palavra ‘profano’ vem do latim ‘profanus’; ‘pro’ significa ‘diante, perante’ e ‘fanum’ significa ‘templo’. Um termo profano, portanto, é o que não se usa num templo, o que não deixa de ser uma boa maneira de nortear nossa linguagem. Estou falando isso porque a primeira maneira de profanar o nome de Deus é através da linguagem profana (falando do diabo o tempo todo; também dos palavrões e das palavras torpes, ou seja, obscenas, como Paulo fala nas suas cartas). A segunda maneira de usarmos Seu nome em vão é dizer: – “Só Jesus na minha vida!” ou – “Em nome de Jesus” para qualquer situação natural sem importância espiritual alguma. Seu nome é para ser usado para coisa séria como enfermidades e demônios. A terceira maneira de usar seu nome em vão é não temê-lo, isto é, fazermos brincadeiras usando o Seu nome ou reduzindo-o à nossa pequenez, tratando-o como se Ele fosse nosso igual, sem termos a consciência do Seu poder, da Sua majestade e do Seu senhorio; não podemos dar ordens a Ele ou desafiá-lo. A quarta maneira é termos uma fé vazia, “da boca pra fora”, que não é posta em prática quando necessitamos dela. A bíblia fala que tudo o que não provém da fé é pecado (Rm 14: 23 b). A quinta maneira é falarmos coisas da nossa carne e depois dizer que é profético, que foi Ele que disse. Quando o Senhor fala profeticamente, temos a certeza de que foi Ele que falou (Jr 23: 31-32; Dt 13: 1-5; Dt 18: 21-22). A sexta maneira é nos recusarmos a ter comunhão com Ele ou receber Seu auxílio. Isso quer dizer que quando confiamos em alguém, de verdade, desejamos estar em contato constante com essa pessoa e pedir sua ajuda quando necessitamos. Se dissermos que amamos a Deus e confiamos Nele, mas fazemos as coisas sem consultá-lo ou pedir Sua ajuda, quer dizer que não o achamos bom o bastante para ser nosso amigo e nosso Deus. Sem a oração sincera todos os dias nós não manteremos contato profundo com Ele. A sétima maneira de usar Seu nome em vão é testá-lo; e testá-lo seria provocá-lo naquilo que Ele pode fazer em nossa vida. Significa não acreditar em Suas promessas ou no Seu poder de cumprir o que prometeu.

4º) “Lembra-te do dia de sábado para o santificar. Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra. Mas o sétimo é o sábado do Senhor, teu Deus; não farás nenhum trabalho, nem tu, nem o teu filho, nem a tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o forasteiro das tuas portas para dentro; porque, em seis dias fez o Senhor os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há, e, ao sétimo dia, descansou; por isso, o Senhor abençoou o dia de sábado e o santificou”.

Sábado vem do hebraico, Shabbat, que significa: ‘descanso, cessação ou interrupção’. O Senhor separou um dia da semana para descansarmos das nossas atividades rotineiras, para recondicionarmos nossa alma em contato com Ele. Deus nos concedeu este dia para que tenhamos oportunidade de desfrutar algumas das melhores e mais importantes realidades da vida, e não para que fosse um dia de proibições. Nesse dia de descanso, sem nos preocuparmos em trabalhar para acumular riquezas, podemos entrar em contato não só com Deus para ouvir Sua voz, mas com a família e os amigos dando valor à amizade verdadeira e aos relacionamentos sadios onde Ele também quer participar. Ou é um dia em que nos separamos do barulho da civilização para estarmos em contato com a natureza onde Deus também pode se manifestar a nós e nos ensinar lições importantes. Por isso, os judeus mantêm a tradição do Shabbat que começa aproximadamente às 18h às 18h30 da sexta-feira e termina às 19h00 às 19h25 do sábado (começa ao pôr-do-sol de sexta-feira e termina ao cair da noite de sábado, quando três estrelas estão visíveis, cerca de 40 minutos após o pôr-do-sol). Na verdade, o exato momento de início e final do Shabbat varia de semana para semana e de lugar para lugar, de acordo com o horário do pôr-do-sol, levando-se em conta também o horário de verão. Nesse período eles se dedicam à família e às coisas do Senhor. Para nós, cristãos, o domingo foi separado como um dia de consagração a Deus. Isso não quer dizer que devemos conversar com Ele só no domingo, mas deve ser um dia especial, quando ouvir Sua voz significa recebermos Sua direção para a nossa nova semana e podermos entregar a Ele os frutos da semana que passou, agradecendo-Lhe por Sua ajuda.

Entretanto, a palavra Shabbat tem um significado mais profundo do que simplesmente um descanso físico. O descanso de Deus no dia de sábado (Shabbat, Êx 23: 12-13; Lv 23: 3) significa desfrutarmos as suas bênçãos espirituais, como está escrito em Hb 3: 11: “Assim jurei na minha ira: Não entrarão no meu descanso” (em referência à desobediência do povo a Deus no deserto, tentando-o por quarenta anos). Para nós cristãos, isso significa que se respeitarmos o nosso sábado, descansando no Senhor das coisas que não podemos resolver com nossas próprias forças, e do trabalho das nossas próprias mãos para ganhar dinheiro e sustento financeiro, Ele vai começar a agir em nosso favor e poderemos receber diretamente Dele as nossas bênçãos. Respeitar o Shabbat nos traz também a prosperidade, pois mostramos que cremos em Deus para nos suprir e para resolvermos o que não podemos nas nossas próprias forças, por isso, em certas situações da nossa vida, podemos viver um tempo de Shabbat, esperando no livramento e no socorro do Senhor. Assim fazendo, estamos nos consagrando verdadeiramente a Ele. Nosso sábado de descanso pode ser qualquer dia da semana que separamos para Deus, não necessariamente o sábado.

O Sábado ou o Domingo se tornam apenas obrigações religiosas para todos aqueles que não têm entendimento do que esse descanso significa. Tanto faz o dia que se consagra ao Senhor; o que importa é a separação para Ele e o descanso Nele, sabendo que essa parada é importante para o ser humano, não só para refazer as suas forças, mas também para fazê-lo entender que, ao invés de prejuízo, ele está tendo um grande amigo trabalhando por ele neste dia. Em outras palavras, o Shabbat não precisa ser necessariamente o sábado ou o domingo, mas qualquer dia da semana que consagramos ao Senhor. Vamos imaginar que a sua profissão exija um trabalho no sábado ou no domingo (por exemplo: você é um médico de Terapia Intensiva ou um cirurgião, um piloto de aeronave comercial, bombeiro ou tenha qualquer ocupação que lida com emergências). Você até gostaria de ter esse dia livre (o sábado ou o domingo) para estar com sua família, com seus amigos ou com seus irmãos na igreja, porém, não dá. O que fazer? Se você teme verdadeiramente o Senhor e entende o significado do Shabbat, escolha um dia da semana que coincida com a sua folga e faça dele um dia de bênção e separação para Deus, pensando nas Suas coisas, ou seja, nas coisas espirituais ao invés das terrenas, que só o preocupam, e descanse Nele. Enquanto você descansa, Ele trabalha por você. Portanto, o Dia do Descanso, não é dia de prejuízo financeiro, prisão espiritual, julgamento ou contenda entre irmãos, mas dia de bênção e consagração a Ele.

Outros versículos sobre o Sábado:

• Lv 19: 30: “Guardareis os meus sábados e reverenciareis o meu santuário. Eu sou o Senhor”.
• Dt 5: 12: 15: “Guarda o dia de sábado, para o santificar, como te ordenou o Senhor, teu Deus... porque te lembrarás que foste servo na terra do Egito e que o Senhor, teu Deus, te tirou dali com mão poderosa e braço estendido; pelo que o Senhor, teu Deus, te ordenou que guardasses o sábado”.
• Ne 13: 17: “Contendi com os nobres de Judá e lhes disse: “Que mal é esse que fazeis, profanando o dia de sábado?”
• Is 56: 2; 4-5: “Bem-aventurado o homem que faz isto, e o filho do homem que nisto se firma, que se guarda de profanar o sábado e guarda a sua mão de cometer algum mal... Aos eunucos que guardam os meus sábados, escolhem aquilo que me agrada e abraçam a minha aliança, darei na minha casa e dentro dos meus muros, um memorial e um nome melhor do que filhos e filhas; um nome eterno darei a cada um deles, que nunca se apagará”.
• Is 58: 13-14: “Se desviares o pé de profanar o sábado e de cuidar dos teus próprios interesses no meu santo dia; se chamares ao sábado deleitoso e santo dia do Senhor, digno de honra, e o honrares não seguindo os teus caminhos, não pretendendo fazer a tua própria vontade, nem falando palavras vãs, então te deleitarás no Senhor. Eu te farei cavalgar sobre os altos da terra e te sustentarei com a herança de Jacó, teu pai, porque a boca do Senhor o disse”.
• Jr 17: 21-22: “Assim diz o Senhor: Guardai-vos por amor da vossa alma, não carregueis cargas no dia de sábado, nem façais obra alguma; antes, santificai o dia de sábado, como ordenei a vossos pais”.
• 2 Cr 36: 21: “para que se cumprisse a palavra do Senhor, por boca de Jeremias, até que a terra se agradasse dos seus sábados; todos os dias da desolação repousou, até que os setenta anos se cumpriram”. O povo deveria honrar a Deus permitindo que sua terra descansasse a cada sete anos. Esse período sem plantio era considerado sábado de descanso (Lv 25: 2-4; Êx 23: 10-11). Como, porém, deixaram de fazer isso ao longo dos séculos, Deus os condenou e retirou todos os sábados de descanso de uma só vez. A terra ficaria adormecida durante o cativeiro na Babilônia: 70 anos (Lv 26: 34-35; Lv 26: 43; Jr 25: 11; Jr 29: 10; Dn 9: 2).

5º) “Honra teu pai e tua mãe para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor, teu Deus, te dá”.

‘Abh (hebr. = pai – אב) e ’ēm (hebr. = mãe – אמא). Dar honra é reconhecer, respeitar, não difamar, não fazer quem é honrado passar vergonha por nossa causa. A palavra honra vem do hebraico kãbhôdh (pronuncia-se kavôd) e significa: dignidade, reputação, honra, renome, orgulho, prestígio, riqueza. Um filho que segue os caminhos de Deus e faz Sua vontade está honrando seus pais. Isso significa ser decente, não ter do que se envergonhar, servir o Senhor de todo o coração, ser um motivo de orgulho (no sentido de dar prazer, alegria) para Deus, mostrar Sua dignidade, zelar pela Sua reputação. Como fazemos com Ele, devemos fazer com nossos pais terrenos. Esse é o único dos dez mandamentos que tem promessa, ou seja, honrar os pais faz com que nossos dias se prolonguem.

Em Ef 6: 1-4 está escrito: “Filhos, obedecei a vossos pais no Senhor, pois isto é justo. Honra a teu pai e a tua mãe (que é o primeiro mandamento com promessa), para que te vá bem, e sejas de longa vida sobre a terra. E, vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor”. E em Cl 3: 20-21 Paulo escreve: “Filhos, em tudo obedecei a vossos pais; pois fazê-lo é grato diante do Senhor. Pais, não irriteis os vossos filhos, para que não fiquem desanimados”.

Infelizmente, aqui ocorrem grandes problemas decorrentes da ação do diabo sobre as famílias, fazendo com que pais ajam em discordância com as leis de Deus, abusando do poder que Ele lhes delegou e oprimindo os filhos, forçando-os à desobediência e depois trazendo sobre eles a culpa. Devemos orar para que Deus intervenha nas famílias, a começar pelos pais, para que possam estar debaixo dos Seus mandamentos e educar seus filhos baseados neles. Não se deve colocar sobre os filhos o jugo da culpa e da rebeldia quando os pais são os primeiros a serem rebeldes à lei de Deus. Talvez por isso Paulo tenha escrito uma orientação para pais e filhos em seqüência; aos filhos, para obedecer e respeitar seus pais; e aos pais, para não provocar nem irritar seus filhos. Procuremos ser bons filhos e bons pais, andando nos caminhos do Senhor.

6º) “Não matarás”. Aqui o Senhor está falando de todos os tipos de assassinato: do corpo, da alma e do espírito, pois acarreta punição. Algumas referências bíblicas mantêm concordância com esse mandamento: Gn 9: 6; Lv 24: 17; Mt 5: 21; Mt 19: 18; Mc 10: 19; Lc 18: 20; Rm 13: 9; Tg 2: 11. Sobre os suicídios e homicídios não temos nem o que comentar. Vamos falar um pouco sobre outros tipos invisíveis de morte que são tão danosos quanto a morte física, pois acarretam a morte da alma e do espírito de alguém. As pessoas podem não ver ou fingir que não percebem, mas Deus vê e, no devido tempo, fará justiça. Estou falando das palavras e sentimentos ingratos, indiferentes, da negligência, da crueldade no tratar o semelhante, das emoções destrutivas e, com certeza, das maldições de sentença que são capazes de destruir uma vida para sempre se esse processo não for interrompido através da cura divina. Tomemos cuidado com nossas palavras e atitudes, assim como com pessoas que são verdadeiros enviados de Satanás para destruir, matar e roubar, usando suas bocas, sentimentos e atitudes para arrasar o que estamos construindo. Devemos liberar perdão para elas, mas nos afastar completamente para que a destruição não seja pior.

7º) “Não adulterarás”. O adultério é a violação do voto de fidelidade conjugal. Portanto, não é aprovado diante de Deus. Quando isso ocorre, o pecado deve ser limpo através do arrependimento e do perdão e, quando não é mais possível a reconciliação, está liberado da parte de Deus o divórcio (Mt 5: 27-32, Mt 19: 7-9 e Dt 24: 1-4). Entretanto, isso traz complicações para as duas partes envolvidas, pois foi deixada uma marca. Em Gn 2: 24 está escrito: “por isso, deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne”. Esse foi o propósito inicial de Deus para o homem, por conseguinte, a separação que decorre desse ato de adultério traz feridas emocionais e espirituais que demoram a ser cicatrizadas. Portanto, a carne deve se submeter ao domínio do Espírito de Deus.

Está escrito em 1 Co 7: 10-15: “Ora, aos casados ordeno, não eu, mas o Senhor, que a mulher não se separe do marido (se, porém, ela vier a separar-se, que não se case ou que se reconcilie com o seu marido); e que o marido não se aparte de sua mulher”. Aqui, Paulo explica que, se houver a separação do casal, não deve haver casamento com outra pessoa. Se não é possível a reconciliação, é melhor a separação legal através do divórcio. Assim, ou se permanece casado ou se faça o divórcio, mas não o desquite, onde se fica no meio do caminho, e que acaba levando a uniões ilegais como o adultério ou a fornicação (Mt 5: 31-32; Mt 19: 9; Mc 10: 11-12; Lc 16: 18). Em palavras mais claras: se a separação ocorreu por causa de problemas banais, Paulo confirma que é melhor que o casal se reconcilie. Entretanto, se a separação ocorreu por causa de adultério, é aconselhável que a mulher não volte a se casar com seu primeiro marido e o marido não volte a se casar com sua antiga mulher, pois seus corpos foram “invadidos” por estranhos (cf. Dt 24: 1-4).

8º) “Não furtarás”. Em Êx 22: 1-15, a lei estipula restituição de duas a quatro vezes o que foi roubado, conforme o caso. Em Pv 6: 30-31 vemos outro valor de restituição: “Não é certo que se despreza o ladrão, quando furta para saciar-se, tendo fome? Pois este, quando encontrado, pagará sete vezes tanto; entregará todos os bens de sua casa” (o número sete aqui se refere à plenitude, ao número perfeito de Deus). Quando alguém reconhece seu erro e se arrepende verdadeiramente, mudando sua atitude, a salvação de Deus entra em ação naquela vida. É o caso de Zaqueu (Lc 19: 8-9) que reconheceu o erro e Jesus o resgatou: “Entrementes, Zaqueu se levantou e disse ao Senhor: Senhor, resolvo dar aos pobres a metade dos meus bens; e, se nalguma coisa tenho defraudado alguém, restituo quatro vezes mais. Então, Jesus lhe disse: Hoje, houve salvação nesta casa, pois que também este é filho de Abraão”.

Existem também outras formas sutis de roubo que muitas vezes passam incólumes diante dos homens, mas não diante dos olhos de Deus, por exemplo:
• reter os dízimos e as ofertas do Senhor (Ml 3: 8-9: “Roubará o homem a Deus? Todavia, vós me roubais e dizeis: Em que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas. Com maldição sois amaldiçoados, porque a mim me roubais, vós, a nação toda”).
• reter o que é do próximo (por exemplo: guardar o que se pediu emprestado e não devolveu, ou demorar para lhe dar o que lhe pertence por direito).
• tirar do outro o que é dele (roubo visível mesmo).
• viver acima das suas posses porque a pessoa vive à custa do que não é dela. Há uma palavra em Jr 22: 13 que diz: “Ai daquele que edifica a sua casa com injustiça e os seus aposentos, sem direito! Que se vale do serviço do seu próximo, sem paga, e não lhe dá o salário”.
• desperdício de tempo e negligência no trabalho, que é roubar o patrão.
• inveja, que através de atitudes ou palavras vem roubar a esperança, as forças ou as bênçãos espirituais de alguém.
• trair a confiança num relacionamento; mau humor e frustração descarregados sem motivo sobre alguém para lhe roubar a alegria.
• palavras negativas que trazem dúvida e destroem projetos; chantagem emocional que faz com que o outro deixe suas necessidades para dar atenção ao chantagista.
• nutrir um sonho na vida de alguém e não cumprir depois com a promessa.
• plágio de um trabalho ou de uma obra artística ou literária.
• tentar legalizar algo que por si só já é ilegal (“pirataria” em qualquer área, forjando licenças que não existem).
• negar ajuda a alguém ou informação ou dar informação falsa, que faz o outro ‘tropeçar’ e levar mais tempo até chegar ao seu objetivo, quando se tem capacidade e condições para isso (Pv 3: 27).
• cobrar a mais por um serviço quando este não é merecedor disso (“Foram também os publicanos para serem batizados e perguntaram-lhe: Mestre, que havemos de fazer? Respondeu-lhes [João Batista]: não cobreis mais do que o estipulado” – Lc 3: 12-13).
• usar de astúcia, engano ou artimanhas mundanas baseadas na sabedoria e na experiência profissional da carne em qualquer negócio, seja em que profissão for, o que só traz benefício próprio para fins egoístas. Perde-se a confiabilidade dos homens e de Deus, abrindo brechas cada vez maiores para a assolação do diabo.
• subornos e impostos indevidos, que são desviados para fins ilícitos.
Essas e outras formas sutis de roubo trazem prejuízo para as duas partes: para quem é roubado e para quem rouba.

9º) “Não dirás falso testemunho contra o teu próximo”. Uma das coisas que mais assola hoje a vida e as conversas das pessoas é a maledicência. Uma vez, eu li num livro o seguinte pensamento: “Quem tem a mente avançada fala de idéias; quem a tem num nível mediano fala sobre fatos e os de mente mesquinha falam dos outros”. A maledicência alimenta o orgulho, porque quando alguém fala de outrem, ele se sente como se fosse melhor do que esta pessoa. Além disso, a maledicência é alimentada pelo ciúme, pela crítica e pelo julgamento. O pensamento de quem fala dos outros é de que se trata apenas de um assunto inofensivo, mas Jesus diz em Mt 7: 1-2: “Não julgueis, para que não sejais julgados. Pois com o critério com que julgardes, sereis julgados; e com a medida com que tiverdes medido vos medirão também”. Em Cl 3: 8 está escrito: “Agora, porém, despojai-vos, igualmente de tudo isso: ira, indignação, maldade, maledicência, linguagem obscena o vosso falar” e em 1 Co 6: 9-10, a bíblia diz: “Ou não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus? Não vos enganeis: nem impuros, nem idólatras, nem adúlteros, nem efeminados, nem sodomitas, nem ladrões, nem avarentos, nem bêbados, nem maldizentes, nem roubadores entrarão no reino de Deus”. Outra forma de maledicência é ouvir os mexericos sobre a vida de outros sem contestar ou parar a conversa por ali mesmo. De todas as formas, a maledicência distorce os fatos, deforma a imagem da vítima perante os que a conhecem, gera maldições sobre ela, mas atrai a maldição de volta sobre quem fala, pois falar de amado e ungido de Deus tem uma promessa do próprio Deus: “Abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem”. Falso testemunho é mentira e o Senhor não aprova a mentira.

10º) “Não cobiçarás a casa do teu próximo. Não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma que pertença ao teu próximo”.

A palavra cobiça, em latim (Cupiditia), significa: grande desejo, avidez. É o que Paulo fala nas suas epístolas com o nome de concupiscência da carne, que pode destruir o que é do outro só com o olhar. Anda de braços dados com a inveja, a mediocridade e a preguiça, pois só quem é medíocre, invejoso e preguiçoso e não consegue correr atrás dos próprios sonhos é que cobiça o que é do outro. Esse mandamento de Deus é um grande desafio que Ele nos propõe para nos levar à realização pessoal. Quando desejamos algo, seja material, emocional ou espiritual, esse desejo deve estar de acordo com a vontade de Deus para nós, pois desejar, almejar, planejar, projetar, conquistar, sonhar, conseguir e alcançar faz parte da natureza humana e são coisas sadias colocadas em nós por Ele mesmo, mas não trazem ansiedade ou descontrole, nem prejudicam a terceiros; porém, quando a avidez, que é a tentação, dá lugar ao roubo, que é o pecado, por exemplo, as coisas saem do controle e a destruição se instala. A avidez já é, na realidade, um pecado, mas pode começar como uma simples tentação, que deve ser tratada por Deus o quanto antes.

O Senhor não nos deu esses mandamentos para serem fardos ou jugos sobre nossa vida, e sim para evitar que caiamos nos laços de morte do diabo. Eles se resumem verdadeiramente em dois. Como foi falado, os quatro primeiros dizem respeito a Deus: “Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força” (Dt 6: 5). Os outros seis dizem respeito ao nosso relacionamento com as pessoas: “... amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Lv 19: 18; Lc 10: 27). Quem ama o próximo, se preocupa com o que é dele como se fosse seu. Que Deus possa ter misericórdia de nós, perdoando nossos pecados e falhas e nos capacitando através do Seu Espírito a praticar todas essas palavras.

Sobre a Lei Oral dada a Moisés

• Muitas pessoas acreditam que a Lei oral foi dada por Moisés aos sábios daquela geração que, por sua vez, transmitiram-na às gerações subseqüentes sem a existência de um registro escrito. Com a destruição do 2º templo, os rabinos sentiram a necessidade de registrar as tradições orais de forma escrita para que estas não se perdessem. Tal tarefa foi levada a cabo bem mais tarde, por volta do século II EC (Era Comum) em Jerusalém, constituindo, assim, a Mishná. O Talmude, completado por volta de 500 EC, contém muitas tradições judaicas seculares e apresenta uma enumeração dos escritores dos livros do AT. Traz comentários sobre os outros livros (Torá ou Pentateuco – os 5 primeiros livros da bíblia – e a Mishná). A metodologia para interpretar a Mishná encontra-se no Midrash, que tem raiz na palavra darash, que quer dizer ‘inquirir’, ‘investigar’.

• Aqui entra um comentário sobre a veracidade da existência ou não da lei oral. Pelo que conseguimos perceber pela leitura da própria bíblia, Deus deu as primeiras tábuas de pedra a Moisés, forjadas e escritas por Ele mesmo, contendo os Dez Mandamentos (Dt 4: 13; Dt 5: 22). As demais leis também foram dadas a Moisés no Sinai e por ele escritas no ‘livro da aliança’:
• Êx 24: 4; 7: “Moisés escreveu todas as palavras do Senhor e, tendo-se levantado pela manhã de madrugada, erigiu um altar ao pé do monte e doze colunas, segundo as doze tribos de Israel”... “E tomou o livro da aliança e o leu ao povo; e eles disseram: Tudo o que falou o Senhor faremos e obedeceremos”.
• Êx 24: 12; 18: “Então, disse o Senhor a Moisés: Sobe a mim, ao monte, e fica lá; dar-te-ei tábuas de pedra, e a lei, e os mandamentos que escrevi, para os ensinares... E Moisés, entrando pelo caminho da nuvem, subiu ao monte; e lá permaneceu quarenta dias e quarenta noites”.
• Êx 31: 18: “E, tendo acabado de falar com ele no monte Sinai, deu a Moisés as duas tábuas do Testemunho, tábuas de pedra, escritas pelo dedo de Deus”.
• Êx 32: 15-16: “E, voltando-se, desceu Moisés do monte com as duas tábuas do Testemunho nas mãos, tábuas escritas de ambos os lados; de um e de outro lado estavam escritas. As tábuas eram obra de Deus; também a escritura era a mesma escritura de Deus, esculpida nas tábuas”.

As segundas tábuas da lei foram lavradas por Moisés e escritas por Deus:
• Êx 34: 1; 4: “Então, disse o Senhor a Moisés: Lavra duas tábuas de pedra, como as primeiras; e eu escreverei nelas as mesmas palavras que estavam nas primeiras tábuas que quebraste... Lavrou, pois, Moisés duas tábuas de pedra, como as primeiras; e, levantando-se pela manhã de madrugada, subiu ao monte Sinai, como o Senhor lhe ordenara, levando nas mãos as duas tábuas de pedra”.
• Êx 34: 27-28: “Disse mais o Senhor a Moisés: Escreve estas palavras, porque, segundo o teor destas palavras, fiz aliança contigo e com Israel. E, ali, esteve com o Senhor quarenta dias e quarenta noites; não comeu pão, nem bebeu água; e escreveu nas tábuas as palavras da aliança, as dez palavras”.
• Dt 10: 1-5: “Naquele tempo, me disse o Senhor: Lavra duas tábuas de pedra, como as primeiras, e sobe a mim ao monte, e faze uma arca de madeira. Escreverei nas duas tábuas as palavras que estavam nas primeiras que quebraste, e as porás na arca. Assim, fiz uma arca de madeira de acácia, lavrei duas tábuas de pedra, como as primeiras, e subi ao monte com as duas tábuas na mão. Então, escreveu o Senhor nas tábuas, segundo a primeira escritura, os dez mandamentos que ele vos falara no dia da congregação, no monte, no meio do fogo; e o Senhor mas deu a mim. Virei-me, e desci do monte, e pus as tábuas na arca que eu fizera; e ali estão, como o Senhor me ordenou”.

Antes de morrer, Moisés repetiu ao povo a lei que recebeu do Senhor:
• Dt 31: 9-13 (A lei deve ser lida ao povo de sete em sete anos): “Esta lei, escreveu-a Moisés e a deu aos sacerdotes, filhos de Levi, que levavam a arca da Aliança do Senhor, e a todos os anciãos de Israel. Ordenou-lhes Moisés, dizendo: Ao fim de cada sete anos, precisamente no ano da remissão, na Festa dos Tabernáculos, quando todo o Israel vier a comparecer perante o Senhor, teu Deus, no lugar que este escolher, lerás esta lei diante de todo o Israel. Ajuntai o povo, os homens, as mulheres, os meninos e o estrangeiro que está dentro da vossa cidade, para que ouçam, e aprendam, e temam ao Senhor, vosso Deus, e cuidem de cumprir todas as palavras desta lei (cf. Dt 17: 18); para que seus filhos que não a souberem ouçam e aprendam a temer o Senhor, vosso Deus, todos os dias que viverdes sobre a terra à qual ides, passando o Jordão para a possuir”.
• Dt 31: 24-26 (O Livro da Lei posto ao lado da arca): “Tendo Moisés acabado de escrever, integralmente, as palavras desta lei num livro, deu ordem aos levitas que levavam a arca da Aliança do Senhor, dizendo: Tomai este Livro da Lei e ponde-o ao lado da arca da Aliança do Senhor, vosso Deus, para que ali esteja por testemunha contra ti”.

Não há evidência bíblica nenhuma sobre a lei oral (Mishnah ou Mishná) que foi, mais tarde, escrita pelos rabinos e fariseus (século II DC). Deus fez o pacto com Seu povo por escrito. Se a lei deveria ser lida, como vimos acima, quer dizer que foi escrita. A lei oral foi compilada por homens, onde a interpretação humana (intelectual, racional) se sobrepôs às orientações divinas (vindas do Espírito Santo), ainda que o intuito primordial tenha sido facilitar a interpretação das Escrituras pelos judeus. Não há registro bíblico na Torá desta “lei oral” transmitida “em sigilo” a Moisés. Da mesma forma que com todos os outros profetas, Deus nunca contou segredos particulares a nenhum deles quando se tratava de disciplinar e orientar Seu povo. Pelo contrário, Suas ordens e revelações foram sempre claras e diretas para todos, sem acepção de pessoas. Sempre que Ele usou Seus servos deixou registrado por escrito todos os Seus feitos para que as futuras gerações O conhecessem. Por isso, está escrito: “Passará o céu e a terra, porém as minhas palavras não passarão” (Lc 21: 33)... “Ainda: No princípio, Senhor, lançaste os fundamentos da terra, e os céus são obra das tuas mãos; eles perecerão; tu, porém, permaneces; sim, todos eles envelhecerão qual veste; também, qual manto, os enrolarás, e, como vestes, serão igualmente mudados; tu, porém, és o mesmo, e os teus anos jamais terão fim” (Hb 1: 10-12)... “Não falei em segredo, nem em lugar algum de trevas da terra; não disse à descendência de Jacó: Buscai-me em vão; eu, o Senhor, falo a verdade e proclamo o que é direito” (Is 45: 19)... “Certamente, o Senhor Deus não fará coisa alguma, sem primeiro revelar o seu segredo [NVI: o seu plano] aos seus servos, os profetas” (Am 3: 7).

Autora: Pastora Tânia Cristina Giachetti


Moisés e as duas tábuas de pedra

Este texto se encontra nos livros:


livro evangélico: Jamais falte óleo sobre tua cabeça

Jamais falte óleo sobre tua cabeça

Never be lacking oil on your head


livro evangélico: Detentores do poder

Detentores do poder – O primeiro mandamento em forma de alegoria

Holders of power

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