Capítulo 51: Deus conforta o Seu povo e pede a ele que se lembre de Abraão e Sara, que alcançaram Suas promessas pela fé Nele. O profeta ora em nome do povo aflito. O Senhor diz que é Ele quem os consola, e que o cálice da Sua ira será dado aos seus inimigos.


Isaías capítulo 51




Capítulo 51

Palavra de conforto e salvação eterna para Sião – v. 1-8.
• Is 51: 1-8: “Ouvi-me vós, os que procurais a justiça, os que buscais o Senhor; olhai para a rocha de que fostes cortados e para a caverna do poço de que fostes cavados [NVI: ‘e para a pedreira de onde foram cavados’]. Olhai para Abraão, vosso pai, e para Sara, que vos deu à luz; porque era ele único, quando eu o chamei, o abençoei e o multipliquei. Porque o Senhor tem piedade de Sião; terá piedade de todos os lugares assolados dela, e fará o seu deserto como o Éden, e a sua solidão, como o jardim do Senhor [NVI: ‘seus ermos, como o jardim do Senhor’]; regozijo e alegria se acharão nela, ações de graças e som de música. Atendei-me, povo meu, e escutai-me, nação minha; porque de mim sairá a lei, e estabelecerei o meu direito como luz dos povos [NVI: ‘minha justiça se tornará uma luz para as nações’]. Perto está a minha justiça, aparece a minha salvação [NVI: ‘Minha retidão logo virá, minha salvação está a caminho’], e os meus braços dominarão os povos [NVI: ‘e meu braço trará justiça às nações’]; as terras do mar me aguardam e no meu braço esperam. Levantai os olhos para os céus e olhai para a terra embaixo, porque os céus desaparecerão como a fumaça, e a terra envelhecerá como um vestido, e os seus moradores morrerão como mosquitos, mas a minha salvação durará para sempre, e a minha justiça não será anulada [NVI: ‘a minha retidão jamais falhará’]. Ouvi-me, vós que conheceis a justiça [NVI: ‘que sabem o que é direito’], vós, povo em cujo coração está a minha lei; não temais o opróbrio dos homens, nem vos turbeis por causa das suas injúrias [NVI: ‘Não temam a censura de homens nem fiquem aterrorizados com seus insultos’]. Porque a traça os roerá como a um vestido, e o bicho [NVI: ‘o verme’] os comerá como à lã; mas a minha justiça [NVI: ‘a minha retidão’] durará para sempre, e a minha salvação, para todas as gerações”.

Deus conforta o Seu povo e pede a eles que se lembrem de Abraão e Sara, seus antepassados, que conquistaram o favor do Senhor e alcançaram Suas promessas pela fé Nele. Ele compara essas pessoas a uma rocha ou uma pedreira, pois permaneceram firmes durante os tempos de tribulação pela fé no Senhor, e acabaram por ver o impossível para os homens ser transformado num milagre de Deus diante dos seus olhos. Eles não desanimaram nem desistiram por causa das condições desfavoráveis. Abraão creu em Deus e isso lhe foi atribuído como justiça. Por isso, Ele fez uma aliança forte com o Seu escolhido, prometendo-lhe a bênção da descendência (na pessoa de Isaque), da possessão da terra de Canaã, e da intimidade com Deus, e nele seriam abençoadas todas as famílias da terra. Abraão era sozinho quando Deus o chamou; sequer tinha um filho, mas Deus lhe deu Isaque, que foi o início de uma grande descendência. Deus o abençoou e o multiplicou, e faria o mesmo com este povo que agora estava no cativeiro, e se achava tão diminuto. Da mesma forma, o Senhor terá piedade da Sua nação e a transformará num jardim, como o jardim do Éden. Sua assolação será desfeita, e os lugares desertos e abandonados serão habitados novamente. A alegria voltará, os cânticos de ação de graças e som de música.

O Senhor os chama para que o ouçam, porque Dele procederá a lei, e Sua justiça se tornará uma luz para as nações. E aqui Ele está falando de uma nova lei, a lei do evangelho da graça que está prestes a se manifestar na pessoa do Messias. Essa é a Sua verdadeira justiça; não apenas a retidão à qual eles estavam acostumados, seguindo os mandamentos de Deus para serem salvos e estar debaixo de Sua aprovação, porém a justiça resultante da justificação dos Seus pecados pelo sangue de Seu Filho na cruz; em outras palavras, a salvação. Ele diz que a Sua salvação está já aparecendo, ela está a caminho, e é o Seu próprio braço que fará esse milagre de trazer justiça às nações, dominando-as com a Sua mansidão, amor e misericórdia. Os gentios também estarão debaixo da Sua autoridade. A palavra ‘salvação’ neste versículo 5, em hebraico é yesha` ou yeshai (Strong #3468), que significa: liberdade, libertação, prosperidade, segurança, salvação, salvando (no sentido de proteção). O céu a terra se dissiparão como fumaça, mas a Sua justiça e a Sua salvação durarão para sempre. As figuras de linguagem aplicadas aqui [‘os céus desaparecerão como a fumaça, e a terra envelhecerá como um vestido, e os seus moradores morrerão como mosquitos’] mostram grandes mudanças mundiais, enquanto Ele protege os que são Seus. Por isso, Ele diz para não temerem as afrontas dos homens, nem suas palavras de ameaça porque eles também passarão, serão consumidos, destruídos. A salvação de Deus, entretanto, durará para todas as gerações.

Uma oração em tempo de angústia – v. 9-11.
• Is 51: 9-11: “Desperta, desperta, arma-te de força, braço do Senhor [NVI: ‘Veste de força, o teu braço, ó Senhor’]; desperta como nos dias passados, como nas gerações antigas; não és tu aquele que abateu o Egito e feriu o monstro marinho? Não és tu aquele que secou o mar, as águas do grande abismo? Aquele que fez o caminho no fundo do mar, para que passassem os remidos? Assim voltarão os resgatados do Senhor e virão a Sião com júbilo, e perpétua alegria lhes coroará a cabeça; o regozijo e a alegria os alcançarão, e deles fugirão a dor e o gemido”.

O profeta dirige uma oração a Deus em nome do povo, como que sentindo a sua aflição, mas reconhecendo que o mesmo Deus que realizou uma grande libertação no passado fará de novo a mesma coisa com eles. No original em Hebraico, a palavra ‘Egito’ é ‘Raabe’ (Strong #7294), um ‘apelido’ dado a esta nação (como no Sl 87: 4). Raabe significa: bufão, ostentador, insolente, que se gaba, que se vangloria, insolente, força.
A expressão ‘monstro marinho’, também uma alusão ao Egito, em hebraico é ‘tanniyn’ ou ‘tanniym’ (Strong #8577), que significa: um grande animal marinho ou terrestre, serpente do mar; chacal; dragão, monstro marinho, serpente, baleia; crocodilo (Ez 29: 3). Faraó era chamado de monstro marinho ou crocodilo (Sl 74: 14).

A resposta do Senhor – v. 12-16.
• Is 51: 12-16: “Eu, eu sou aquele que vos consola; quem, pois, és tu, para que temas o homem, que é mortal, ou o filho do homem, que não passa de erva? Quem és tu que te esqueces do Senhor, que te criou, que estendeu os céus e fundou a terra, e temes continuamente todo o dia o furor do tirano, que se prepara para destruir? Onde está o furor do tirano? [NVI: ‘Pois onde está a ira do opressor?’] O exilado cativo depressa será libertado, lá não morrerá, lá não descerá à sepultura [NVI: ‘não morrerão em sua masmorra’]; o seu pão não lhe faltará. Pois eu sou o Senhor, teu Deus, que agito o mar, de modo que bramem as suas ondas – o Senhor dos Exércitos é o meu nome. Ponho as minhas palavras na tua boca e te protejo com a sombra da minha mão, para que eu estenda novos céus, funde nova terra e diga a Sião: Tu és o meu povo [NVI: ‘eu, que pus os céus no lugar, que lancei os alicerces da terra, e que digo a Sião: Você é o meu povo’]”.

O Senhor responde ao Seu profeta que é Ele quem os consola; por isso eles não deveriam temer o homem que era um ser mortal como uma simples erva, enquanto Ele, o Senhor, é eterno. Ele fez todas as coisas; Ele não enxergava mais o opressor, pois Sua libertação viria de repente. Ele fala como se tudo já tivesse passado. Os exilados voltarão para a terra de Canaã e não morrerão na Babilônia. Não faltará alimento a eles. O Senhor dos Exércitos faz o que quer: agita o mar e faz com que suas ondas rujam; Ele põe Suas palavras na boca dos Seus ungidos e os protege com Sua mão, pois Ele, que fez o céu e a terra, diz a Sião: Você é o meu povo. Era hora de se levantar, pois a ira do Senhor já havia passado; eles já tinham provado dela até o fim. A era do Messias poderia ser comparada à criação de novos céus e nova terra (cf. Is 65: 17).

O cálice da ira do Senhor que foi dado ao Seu povo será dado aos seus inimigos – v. 17-23.
• Is 51: 17-23: “Desperta, desperta, levanta-te, ó Jerusalém, que da mão do Senhor bebeste o cálice da sua ira, o cálice de atordoamento [NVI: ‘taça que faz os homens cambalearem’], e o esgotaste. De todos os filhos que ela teve nenhum a guiou; de todos os filhos que criou nenhum a tomou pela mão. Estas duas coisas te aconteceram; quem teve compaixão de ti? A assolação e a ruína, a fome e a espada! Quem foi o teu consolador? Os teus filhos já desmaiaram, jazem nas estradas de todos os caminhos, como o antílope, na rede [NVI: ‘como antílope pego numa rede’]; estão cheios da ira do Senhor e da repreensão do teu Deus. Pelo que agora ouve isto, ó tu que estás aflita e embriagada, mas não de vinho. Assim diz o teu Senhor, o Senhor, teu Deus, que pleiteará a causa do seu povo [NVI: ‘que defende o seu povo’]: Eis que eu tomo da tua mão o cálice de atordoamento [NVI: ‘o cálice que faz cambalear’], o cálice da minha ira; jamais dele beberás; pô-lo-ei nas mãos dos que te atormentaram, que disseram à tua alma: Abaixa-te, para que passemos sobre ti; e tu puseste as costas como chão e como rua para os transeuntes”.

Jerusalém aparece arruinada, Israel está no exílio da Babilônia e o exílio já tinha durado muito. O povo de Israel achava-se em grande consternação, inconsolável por causa da ruína e da desolação da sua cidade e por causa da sua própria destruição pela fome e pela espada; não havia ninguém que pudesse consolar esta nação ou a Jerusalém. A fúria de Deus pesou sobre eles, mas agora Ele tira da mão deles esse cálice amargo e promete defendê-los. Ele colocará esse cálice da Sua ira nas mãos dos seus adversários. Estes conhecerão a ira do Senhor, pois humilharam demais Seu povo, como se eles fossem obrigados a se deitar no chão e os inimigos passassem sobre suas costas e os pisoteassem. Era hora de se levantar, pois a ira do Senhor já havia passado; eles já tinham provado dela até o fim. A era do Messias poderia ser comparada à criação de novos céus e nova terra (cf. Is 65: 17).

Autora: Pastora Tânia Cristina Giachetti

• Principal fonte de pesquisa: Douglas, J.D., O novo dicionário da bíblia, 2ª ed. 1995, Ed. Vida Nova.
• Fonte de pesquisa para algumas imagens: wikipedia.org e crystalinks.com


Os judeus retornam do exílio

Sugestão para download:


tabela de profetas AT

Tabela dos profetas (PDF)

Table about the prophets (PDF)


livro evangélico: Profeta, o mensageiro de Deus

Profeta, o mensageiro de Deus

Prophet, the messenger of God


Este texto se encontra no 2º volume do livro:


livro evangélico: O livro do profeta Isaías

O livro do profeta Isaías vol. 1

O livro do profeta Isaías vol. 2

O livro do profeta Isaías vol. 3

The book of prophet Isaiah vol. 1

The book of prophet Isaiah vol. 2

The book of prophet Isaiah vol. 3

▲ Início  

relacionamentosearaagape@gmail.com