Capítulo 42: profecia sobre o Messias (O ‘Servo do Senhor’), Sua vinda e Seu ministério na terra. Ele será um homem manso e que atrairá para si tanto judeus quanto gentios. Deus continua demonstrando Sua majestade e a loucura da idolatria.


Isaías capítulo 42




Capítulo 42

O Messias é chamado o Servo do Senhor; o ministério de Cristo – v. 1-9.
• Is 42: 1-9: “Eis aqui o meu servo, a quem sustenho; o meu escolhido, em quem a minha alma se compraz; pus sobre ele o meu Espírito, e ele promulgará o direito para os gentios [NVI: ‘e ele trará justiça às nações’]. Não clamará, nem gritará, nem fará ouvir a sua voz na praça. Não esmagará a cana quebrada, nem apagará a torcida que fumega [NVI: ‘Não quebrará o caniço rachado, e não apagará o pavio fumegante’]; em verdade, promulgará o direito [NVI: ‘Com fidelidade fará justiça’]. Não desanimará, nem se quebrará até que ponha na terra o direito; e as terras do mar aguardarão a sua doutrina [NVI: ‘Em sua lei as ilhas porão sua esperança’]. Assim diz Deus, o Senhor, que criou os céus e os estendeu, formou a terra e a tudo quanto produz; que dá fôlego de vida ao povo que nela está e o espírito aos que andam nela. Eu, o Senhor, te chamei em justiça, tomar-te-ei pela mão, e te guardarei, e te farei mediador da aliança com o povo e luz para os gentios; para abrires os olhos aos cegos, para tirares da prisão o cativo e do cárcere, os que jazem em trevas. Eu sou o Senhor, este é o meu nome; a minha glória, pois, não a darei a outrem, nem a minha honra, às imagens de escultura. Eis que as primeiras predições já se cumpriram, e novas coisas eu vos anuncio; e, antes que sucedam, eu vo-las farei ouvir [NVI: ‘As profecias antigas aconteceram, e novas eu anuncio; antes de surgirem, eu as declaro a vocês’]”.

A expressão ‘terras do mar’ ou ‘ilhas’ se refere aos países distantes da Judéia, habitados por gentios idólatras; as partes mais remotas do mundo; ou todas as regiões além do mar (Jeremias 25: 22), regiões marítimas ou regiões costeiras, não meramente ilhas no sentido estrito. Isso confirma que Jesus, o Messias, viria também para os gentios:

• Is 42: 6: “Eu, o Senhor, te chamei em justiça, tomar-te-ei pela mão, e te guardarei, e te farei mediador da aliança com o povo e luz para os gentios” cf. Is 49: 6: “Sim, diz ele: Pouco é o seres meu servo, para restaurares as tribos de Jacó e tornares a trazer os remanescentes de Israel; também te dei como luz para os gentios, para seres a minha salvação até à extremidade da terra”; Lc 2: 32 (o cântico de Simeão, quando Jesus, ainda bebê, foi apresentado no templo): “luz para revelação aos gentios, e para glória do teu povo de Israel”.

Fica clara a relação entre a palavra ‘Servo’ e o Messias, para nós, Jesus:

Em Is 42: 1 Deus diz que Ele tem prazer no Seu servo, Jesus. A mesma frase se repete no NT no episódio do batismo de Jesus e no momento da transfiguração: Mt 3: 17 (batismo de Jesus); Mt 17: 5 (a transfiguração); Mc 1: 11 (batismo de Jesus); Lc 3: 22 (batismo de Jesus); Lc 9: 35 (a transfiguração).

Nos versículos de Is 42: 1-4, nós podemos ver mais uma identificação com Jesus, se compararmos com Mt 12: 15-21, quando o Mestre sai da sinagoga após a cura do homem da mão ressequida:

• Is 42: 1-4: “Eis aqui o meu servo, a quem sustenho; o meu escolhido, em quem a minha alma se compraz; pus sobre ele o meu Espírito, e ele promulgará o direito para os gentios [NVI: ‘e ele trará justiça às nações’]. Não clamará, nem gritará, nem fará ouvir a sua voz na praça. Não esmagará a cana quebrada, nem apagará a torcida que fumega [NVI: ‘Não quebrará o caniço rachado, e não apagará o pavio fumegante’]; em verdade, promulgará o direito [NVI: ‘Com fidelidade fará justiça’]. Não desanimará, nem se quebrará até que ponha na terra o direito; e as terras do mar aguardarão a sua doutrina [NVI: ‘Em sua lei as ilhas porão sua esperança’]”.

• Mt 12: 15-21: “Mas, Jesus, sabendo disto [que os fariseus pretendiam matá-lo], afastou-se dali [Da sinagoga]. Muitos o seguiram, e a todos ele curou, advertindo-lhes, porém, que não o expusessem à publicidade, para se cumprir o que foi dito por intermédio do profeta Isaías: Eis aqui o meu servo, que escolhi, o meu amado, em quem a minha alma se compraz. Farei repousar sobre ele o meu Espírito, e ele anunciará juízo aos gentios [NVI, ‘anunciará justiça às nações’]. Não contenderá, nem gritará, nem alguém ouvirá nas praças a sua voz. Não esmagará a cana quebrada, nem apagará a torcida que fumega, até que faça vencedor o juízo [NVI, ‘até que leve à vitória a justiça’]. E, no seu nome, esperarão os gentios”.

Essa passagem de Is 42: 1-9 confirma que o Senhor viria também para os gentios, aos quais Ele daria a conhecer a Sua justiça [‘direito’]. No penúltimo versículo de Mateus: ‘Até que faça vencedor o juízo’ [NVI, ‘até que leve à vitória a justiça’], a bíblia possivelmente quer dizer: o juízo de Deus sobre o pecado, juízo que foi realizado por Jesus na cruz, fazendo a justiça divina prevalecer, por isso, os gentios esperariam por Ele e seriam Seu povo também, um povo vingado da injustiça.

Mas podemos ver algumas frases e palavras que parecem contraditórias nas duas passagens (Isaías e Mateus): ‘promulgará o direito para os gentios [trará justiça aos gentios – NVI]’ e ‘... e ele anunciará juízo aos gentios’ [NVI, ‘anunciará justiça às nações’]. Podemos ficar em dúvida quanto às palavras ‘direito’, ‘justiça’ e ‘juízo’.

Pesquisando na bíblia hebraica, a palavra correta para o 1º versículo de Isaías 42 é ‘juízo’ ou ‘julgamento’ (Mishpâth), onde a nossa bíblia escreve ‘direito’: “Eis aqui o meu servo, a quem sustenho; o meu escolhido, em quem a minha alma se compraz; pus sobre ele o meu Espírito, e ele promulgará o direito (Hebraico: Mishpat ou Mishpâth) para os gentios”.
Mishpâth ou Mishpat quer dizer ‘julgamento, juízo’. Para nós, as palavras ‘juízo’ e ‘julgamento’ são discretamente diferentes de ‘justiça’ [escrita na NIV, e praticamente sinônima de ‘direito’].
Justiça = retidão, fazer prevalecer o direito de alguém, tratar ou julgar alguém de forma justa em conformidade com a lei; um direito que a pessoa tem.
Julgamento = colocar alguém à prova para ver se é culpado ou inocente; discernimento; fazer distinções críticas e atingir um ponto de vista equilibrado, levando a uma decisão e ao pronunciamento de uma sentença (veredicto). Há outros significados menos relevantes para esta palavra.
Juízo = sentença, decreto, veredicto, pronunciados após a decisão tomada no julgamento. A palavra ‘Juízo’ também pode se referir ao ‘Juízo Final’, quando Deus vai decidir o merecimento ou a indignidade do indivíduo ou de toda a humanidade; decisão posterior de Deus determinando os destinos finais de todos os indivíduos.

Vamos explicar melhor:
Na ‘Concordância Lexicon Strong’, a palavra mishpâth (Strong #4941, mishpat, משפט) pode ser traduzida mais exatamente como um veredicto (favorável ou desfavorável) pronunciado judicialmente, especialmente uma sentença ou decreto formal, humano ou de um participante da lei divina, incluindo o ato, o lugar, o fato, o crime e a pena; abstratamente, a palavra significa ‘justiça’, incluindo ‘o direito’ de um participante ou ‘privilégio’ (legal ou ordinário). Também significa ‘ser julgado, julgamento, justiça, forma de lei, legal (legalizado, legítimo), ordem, decreto (portaria), direito, sentença (pena, veredicto)’.

‘Mishpat’ vem da palavra ‘Shaphat’, uma raiz primitiva, que significa: ‘julgar’, ou seja, ‘pronunciar uma sentença’ (a favor ou contra) e, conseqüentemente, ‘reivindicar ou punir, governar, litigar (literal ou figurativamente), vingar, o que condena, lutar, defender, executar (sentença, julgamento), ser um juiz, pleitear, razão, regra’.

Em Mt 12: 18 está escrito: “Eis aqui o meu servo, que escolhi, o meu amado, em quem a minha alma se compraz. Farei repousar sobre ele o meu Espírito, e ele anunciará juízo [KJV: justiça] aos gentios [NVI, ‘anunciará justiça às nações’]”.
A palavra acima ‘juízo’, em grego é ‘krisin – κρίσιν’ (Strong #g2920 – krísis: uma decisão, julgamento, julgamento divino). Krísis é um substantivo feminino derivado de outra palavra grega, krínō (Strong #g2919), com a mesma raiz, e que significa: separar, distinguir, julgar, julgamento (enfatizando seu aspecto qualitativo que pode ser aplicado tanto a um veredicto positivo (por justiça), ou mais comumente, o veredicto negativo, o que condena a natureza do pecado sobre o qual ele é trazido. Krínō (κρίνω) ou krinó (transliterado) significa: julgar, decidir, eu julgo, eu decido, acho que é bom.

Em resumo, o Senhor seria o defensor dos gentios da mesma maneira que foi o defensor dos judeus e também os julgaria da mesma forma. Assim, nós podemos pensar: com a Lei da primeira aliança, ou com a Lei da Graça trazida por Jesus, nós somos julgados da mesma forma. Se nós somos filhos e eleitos, como a bíblia diz, Ele não nos corrigirá da mesma maneira?
• Rm 2: 12: “Assim, pois, todos os que pecaram sem lei também sem lei perecerão; e todos os que com lei pecaram mediante lei serão julgados.”

• Is 42: 2-3: “Não clamará, nem gritará, nem fará ouvir a sua voz na praça. Não esmagará a cana quebrada, nem apagará a torcida que fumega [NVI: ‘Não quebrará o caniço rachado, e não apagará o pavio fumegante’]; em verdade, promulgará o direito [NVI: ‘Com fidelidade fará justiça’]”.

Não clamará, nem gritará, nem fará ouvir a sua voz na praça’ significa: diferentemente de João Batista, que tinha a missão de proclamar a vinda do Messias e pregar arrependimento aos corações endurecidos, portanto, muitas vezes tinha que gritar e se exaltar na sua pregação, Jesus estava vindo para uma terra já preparada (corações arrependidos); além do que Ele viria sem a ostentação do mundo para chamar a atenção daquele povo para Sua pessoa. Ele não teria que levantar a voz para ser ouvido; a autoridade do Pai sobre Ele já era suficiente para que as pessoas o respeitassem e se calassem quando Ele falava, com exceção de alguns mestres da lei, que algumas vezes o provocavam a responder de uma maneira um pouco mais rude quando duvidavam, por exemplo, da Sua autoridade de perdoar pecados. A bíblia diz: “Porque ele as ensinava como quem tem autoridade e não como os escribas” (Mt 7: 29). Sua voz era ouvida na rua de maneira ministerial, não para discutir opiniões como um ser humano qualquer. Ele pregava na rua como em muitos outros lugares públicos (Lucas 13: 26), mas não de maneira contenciosa, nem de um modo ameaçador, nem com ostentação, vangloriando-se de Si mesmo, de Sua doutrina e milagres; pelo contrário, Jesus se comportou com grande humildade e mansidão.

Não esmagará a cana quebrada, nem apagará a torcida que fumega’:
‘Não esmagará a cana [hebraico, qaneh] quebrada, nem apagará a torcida que fumega; em verdade, promulgará o direito [hebraico, Mishpat]’ ou ‘Não quebrará o caniço rachado, e não apagará o pavio fumegante. Com fidelidade fará justiça’ – Eu ouvi uma pregação uma vez sobre este versículo, dizendo que na época de Jesus havia uma brincadeira de crianças com a cana. As palavras hebraicas traduzidas por ‘cana’ são termos genéricos, que se aplicam a uma variedade de vegetais, como canas, juncos (Gome’ – Êx 2: 3), papiros (Cuwph), ou outras plantas que crescem na água (Jn 2: 5 – Cuwph, traduzido por ‘algas’). Assim, a palavra ‘cana’ (Em Hebraico) tem muitos significados, além do que nós pensamos hoje sobre a cana de açúcar, por exemplo, pois o termo ‘qaneh’ (Strong #7070), como neste texto de Isaías, significa, entre muitas outras coisas: um junco (ereto; como uma vara para a medição); eixo, tubo, haste, viga; ramo, cálamo, cana, junco, talo. Nesta brincadeira de crianças, elas pegavam um junco ou papiro, por exemplo, ou qualquer planta que tivesse um talo oco, e faziam furinhos nele para fazerem uma flauta. Quando ele se quebrava ou não emitia exatamente o som que era esperado, elas o quebravam e o jogavam fora. Talvez por isso, o profeta tenha feito essa comparação aqui com aquelas pessoas desprezadas, ‘jogadas de escanteio’, negligenciadas e abandonadas porque são fracas, ignorantes ou não têm nenhuma serventia. Isso me lembrou uma passagem do evangelho onde Jesus menciona algo semelhante: “Mas a quem hei de comparar esta geração? É semelhante a meninos que, sentados nas praças, gritam aos companheiros: Nós vos tocamos flauta, e não dançastes; entoamos lamentações, e não pranteastes” (Mt 11: 16-17), o que nos leva a crer que a brincadeira ainda existia na Sua época.

Isso significa que o Messias não trataria de maneira rigorosa ou estúpida (grosseira) aqueles que viessem a Ele, ainda mesmo que fossem fracos e desprezados, mas os trataria com gentileza, curando-os e confortando-os nas suas fragilidades físicas e emocionais. Ele não feriria os fracos; pelo contrário, Ele os apoiaria e os fortaleceria. Jesus teve ternura para com as pessoas fracas e ignorantes, como os crentes novos e fracos na fé, e que para os mais sábios em religião eram como juncos quebrados que não tinham nenhum valor para Deus. Eles mesmos, os fracos e impotentes, não se achavam dignos de misericórdia por parte dos homens, pois, sendo mais fracos, eram também mais sensíveis ao que viam e sofriam; por exemplo, os leprosos que suplicaram misericórdia a Jesus, pois viram Nele o Filho de Davi. Publicanos, prostitutas e endemoninhados, os marginalizados pela sociedade, encontraram conforto nas palavras do Senhor. Ele não os esmagou nem os envergonhou, porém mostrou a eles a justiça de Deus. Conforme está escrito em Isaías, Ele agiu: “em verdade, promulgará o direito [Com fidelidade fará justiça’ – NIV]”, ou seja, ele os julgou da maneira correta, da maneira de Deus, não segundo a aparência, e sim pela reta justiça (Jo 7: 24).

‘A torcida que fumega’ ou ‘o pavio fumegante’ não seriam apagados pelo Messias. Naquela época, a mecha de linho de um velador (lamparina ou candeia) era enrolada e colocada dentro do recipiente com azeite para que, depois de molhada, começasse a queimar e iluminar o ambiente. ‘A torcida que fumega’ ou ‘o pavio fumegante’ significa a mecha que está quase extinta, que mal consegue iluminar a casa, transmite pouco calor, mas faz bastante fumaça com odor desagradável. Isso pode simbolizar os que um dia tiveram conhecimento da palavra de Deus, mas as decepções da vida os fizeram ‘esfriar’ na fé; sua luz está quase se apagando. Eles não têm mais forças para continuar a caminhada com o Senhor; o que eles falam não emite mais a luz da verdade, mas turva os pensamentos das pessoas como uma fumaça de uma vela quando está quase no fim. Então, Isaías disse que o Messias estaria de novo agindo para impedir que a chama do Espírito nessas vidas se apagasse, ou que mais alguém as apagasse. Ele renovaria a fé deles, a esperança e a consciência das verdades divinas através da Sua graça. O conhecimento e o entendimento das coisas de Deus voltariam para eles. Haveria um avivamento. Ele, novamente, julgaria com justiça e verdade.

E isso aconteceria não apenas com o povo de Israel, mas também com os gentios: ‘Ele promulgará o direito para os gentios... e as terras do mar aguardarão a sua doutrina... Eu, o Senhor, te chamei em justiça,... e te... farei mediador da aliança com o povo e luz para os gentios; para abrires os olhos aos cegos, para tirares da prisão o cativo e do cárcere, os que jazem em trevas’. Em resumo, o Senhor seria o defensor dos gentios da mesma maneira que foi o defensor dos judeus e também os julgaria da mesma forma.

‘Eu sou o Senhor, este é o meu nome; a minha glória, pois, não a darei a outrem, nem a minha honra, às imagens de escultura’ – volta-se a falar contra a idolatria (Is 42: 8); a confiança em outros deuses é vã, e a adoração aos ídolos é pecado. Deus termina esta parte da profecia dizendo que Ele estava anunciando algo novo, porque as profecias antigas já tinham se cumprido. Aqui o profeta coloca tudo isso como passado, já prevendo a época messiânica: “Eis que as primeiras predições já se cumpriram, e novas coisas eu vos anuncio; e, antes que sucedam, eu vo-las farei ouvir [NVI: ‘As profecias antigas aconteceram, e novas eu anuncio; antes de surgirem, eu as declaro a vocês’]” (Is 42: 9).

Cântico de louvor pela salvação do povo – v. 10-17
• Is 42: 10-17: “Cantai ao Senhor um cântico novo e o seu louvor até às extremidades da terra, vós, os que navegais pelo mar e tudo quanto há nele, vós, terras do mar [NVI: ‘ilhas’] e seus moradores. Alcem a voz o deserto, as suas cidades e as aldeias habitadas por Quedar [NVI: ‘os povoados habitados por Quedar’]; exultem os que habitam nas rochas e clamem do cimo dos montes [NVI: ‘Cante de alegria o povo de Selá, gritem pelos altos dos montes’]; dêem honra ao Senhor e anunciem a sua glória nas terras do mar. O Senhor sairá como valente, despertará o seu zelo como homem de guerra; clamará, lançará forte grito de guerra e mostrará sua força contra os seus inimigos. Por muito tempo me calei, estive em silêncio e me contive; mas agora darei gritos como a parturiente, e ao mesmo tempo ofegarei, e estarei esbaforido. Os montes e outeiros devastarei e toda a sua erva farei secar; tornarei os rios em terra firme e secarei os lagos [NVI: ‘tornarei rios em terra seca e secarei os açudes’]. Guiarei os cegos por um caminho que não conhecem, fá-los-ei andar por veredas desconhecidas; tornarei as trevas em luz perante eles e os caminhos escabrosos, planos [NVI: ‘tornarei retos os lugares acidentados’]. Estas coisas lhes farei e jamais os desampararei. Tornarão atrás e confundir-se-ão de vergonha os que confiam em imagens de escultura e às imagens de fundição [NVI: ‘ídolos fundidos’] dizem: Vós sois nossos deuses”.

Nesta parte da profecia do capítulo 42, Isaías levanta um cântico de louvor a Deus pela libertação que Ele vai dar ao Seu povo. Ele está falando em relação ao cativeiro na Babilônia, e convida a todos os povos de perto e de longe a se alegrarem com Israel.

‘Alcem a voz o deserto, as suas cidades e as aldeias habitadas por Quedar [NVI: ‘os povoados habitados por Quedar’]; exultem os que habitam nas rochas e clamem do cimo dos montes [NVI: ‘Cante de alegria o povo de Selá, gritem pelos altos dos montes’]’.
Deserto aqui transmite a idéia de desolação, esterilidade. O profeta fala para esse povo do deserto se alegrar também, pois a salvação do Senhor está prestes a vir. Sua graça transformará essa esterilidade em fertilidade e alegria.

‘Exultem os que habitam nas rochas’ – em Hebraico: Sela‘ ou has-sela‘ ou Cela` – Strong #5553 – que significa rocha ou penedo; uma rocha escarpada, literalmente ou figurativamente (uma fortaleza): rocha, rocha áspera, pedra, pedregoso, fortaleza, forte; ser nobre. Muitos árabes habitavam em regiões montanhosas, e esses também estavam sendo convidados pelo profeta a louvar o Senhor.
A palavra hebraica aqui encontrada (Sela‘ ou has-sela‘ ou Cela`, Strong #5553) é também encontrada em outros versículos da bíblia, com o simples significado de ‘rocha ou penedo, pedra, pedregoso, fortaleza’, ou seja, qualquer lugar rochoso:
• Jz 1: 36, onde está escrita a palavra ‘Sela’ como o limie dos amorreus – ARA;
• 2 Cr 25: 12, onde está escrito ‘penhasco’ – ARA;
• Is 42: 11, onde está escrita a palavra ‘rochas’ – ARA;
• Ob 3 (‘os que habitam nas fendas das rochas’) – ARA.

Mas há uma Sela (Selá ou Selah) específica (Strong #5554), um antigo povoado edomita, hoje chamado de Petra (uma cidade arqueológica da Jordânia). Os versículos bíblicos que se referem a este lugar são:
• 2 Rs 14: 7 – Strong #5554 – Cela`, Sela, a cidade rochosa da Iduméia (Selah ou Petra) – tomada por Amazias, rei de Judá, quando feriu os edomitas no vale do Sal. Ele trocou o nome da cidade para Jocteel.
• Is 16: 1 – Strong #5554 – Cela`, Sela, a cidade rochosa da Iduméia (Selah ou Petra) – quando Isaías fala para os edomitas enviarem tributo a Sião.

Nós falamos sobre Quedar em Is 21: 13-17 ao mencionar o ataque dos assírios sobre eles, e que provavelmente viria sob Senaqueribe, quando ele invadiu as cidades de Judá (701 AC) e pôde tomar a Arábia no seu caminho. Jeremias (Jr 49: 28-33) profetizou que Nabucodonosor investiria contra os árabes (fala de Quedar), o que ocorreu por volta de 599-598 AC.

Quedar ou Kedar, em hebraico, significa ‘obscuro’ (da pele ou da tenda). Quedar era um dos filhos de Ismael (Gn 25: 13; 1 Cr 1: 29). Esta tribo era composta por árabes beduínos que viviam em tendas e guardavam seus rebanhos; por causa dos animais, eles se moviam de lugar em lugar para o pasto e acampavam onde lhes era mais conveniente. Sua glória (Is 21: 16) era seus rebanhos de ovelhas (Is 60: 7), cabras e bodes. Em Ct 1: 5 há uma referência às tendas de Quedar, cujas tendas eram, em geral, feitas de peles de bodes negros. O Sl 120: 5 também faz menção a esta tribo. Além dos seus rebanhos, essa tribo nômade era dotada de habilidosos arqueiros, por isso Is 21: 27 diz: “E o restante do número dos flecheiros, os valentes dos filhos de Quedar, será diminuto, porque assim o disse o Senhor, Deus de Israel”. Um exército destruidor seria trazido sobre eles, e os tornaria uma presa fácil. Nem a habilidade dos arqueiros, nem a coragem dos seus guerreiros poderiam protegê-los do julgamento de Deus. Talvez, por terem também conhecido a amargura da destruição e do cativeiro é que Isaías os convida a louvar o Senhor junto com os exilados judeus, pois Sua libertação abrangeria todos os povos dominados pela Babilônia.

Dessa forma, o profeta estava falando da salvação das nações da terra, em sentido físico (por causa do jugo babilônico) ou espiritual (a salvação das nações, trazida pelo Messias).


Tendas no deserto


‘O Senhor sairá como valente, despertará o seu zelo como homem de guerra; clamará, lançará forte grito de guerra e mostrará sua força contra os seus inimigos. Por muito tempo me calei, estive em silêncio e me contive; mas agora darei gritos como a parturiente, e ao mesmo tempo ofegarei, e estarei esbaforido. Os montes e outeiros devastarei e toda a sua erva farei secar; tornarei os rios em terra firme e secarei os lagos’ – isso mostra a vingança do Senhor sendo feita na Babilônia. A destruição que os babilônios tinham causado, eles agora experimentariam. E saberiam que o Deus de Israel era o agente desse julgamento.

‘Guiarei os cegos por um caminho que não conhecem, fá-los-ei andar por veredas desconhecidas; tornarei as trevas em luz perante eles e os caminhos escabrosos, planos [NVI: ‘tornarei retos os lugares acidentados’]. Estas coisas lhes farei e jamais os desampararei’ –
Essa era a promessa de Deus para os que não conseguiam vê-lo com os olhos da fé, nem entender Seus motivos e Seu modo de trabalhar com eles. É mais provável que Ele esteja falando para o Seu próprio povo mais do que para os gentios, uma vez que a profecia de Isaías dá seqüência com a ‘cegueira de Israel’ (v. 18-25). A idolatria os havia cegado, assim como a rebeldia a Ele pela rejeição dos profetas que Ele tinha enviado, e que falaram as mesmas coisas e fizeram as mesmas advertências por tantos séculos. Depois do cativeiro, o Senhor os traria de volta a Sião e abriria o entendimento deles para a Sua luz, a Sua palavra, e eles, que antes eram cegos pelos seus pecados, começariam a enxergar o caminho reto e plano por onde andar. Eles seriam conduzidos pelo Senhor de outra maneira e isso era desconhecido para eles (‘um caminho que não conhecem, fá-los-ei andar por veredas desconhecidas’). Mais do que um retorno do exílio aqui, nós podemos entender que isso se cumpriu mesmo no tempo do Messias, pois o povo se corrompeu de novo nos tempos de Malaquias, o último profeta do AT, quando até os sacerdotes pareciam ter esfriado na fé. No Período Intertestamentário, com o helenismo introduzido por Alexandre o Grande e tudo o que se seguiu até o nascimento de Jesus, as trevas sobre a humanidade se tornaram grandes, pois não houve mais profecia para aquele povo; e a palavra de Deus diz: “Não havendo profecia, o povo se corrompe” (Pv 29: 18a). Assim, quando a bíblia fala neste texto de Isaías: “Guiarei os cegos por um caminho que não conhecem, fá-los-ei andar por veredas desconhecidas”, essas veredas desconhecidas para eles seria a nova e sadia doutrina de Jesus, completamente diferente da que o Seu povo ouvira de rabinos e religiosos até aquele momento.

‘Tornarão atrás e confundir-se-ão de vergonha os que confiam em imagens de escultura e às imagens de fundição [NVI: ‘ídolos fundidos’] dizem: Vós sois nossos deuses’. Deus volta a falar contra a idolatria (cf. Is 42: 8), e aqui, muito provavelmente, se refere aos ídolos da Babilônia.

Lamento sobre a cegueira e a obstinação de Israel – v. 18-25
• Is 42: 18-25: “Surdos, ouvi, e vós, cegos, olhai, para que possais ver. Quem é cego, como o meu servo, ou surdo, como o meu mensageiro, a quem envio? Quem é cego, como o meu amigo, e cego, como o servo do Senhor? [NVI: ‘Quem é cego como aquele que é consagrado a mim, cego como o servo do Senhor?’]. Tu vês muitas coisas, mas não as observas [NVI: ‘Você viu muitas coisas, mas não deu nenhuma atenção’]; ainda que tens os ouvidos abertos, nada ouves. Foi do agrado do Senhor, por amor da sua própria justiça [NVI: ‘retidão’], engrandecer a lei e fazê-la gloriosa [NVI: ‘tornar grande e gloriosa a sua lei’]. Não obstante, é um povo roubado e saqueado; todos estão enlaçados em cavernas e escondidos em cárceres; são postos como presa, e ninguém há que os livre [‘sem ninguém para resgatá-lo’]; por despojo, e ninguém diz: Restitui [NVI: ‘tornou-se despojo, sem que ninguém o reclamasse, dizendo: Devolvam’]. Quem há entre vós que ouça isto? Que atenda e ouça o que há de ser depois? [NVI: ‘Qual de vocês escutará isso ou prestará muita atenção no tempo vindouro?’] Quem entregou Jacó por despojo e Israel, aos roubadores? Acaso, não foi o Senhor, aquele contra quem pecaram e nos caminhos do qual não queriam andar, não dando ouvidos à sua lei? Pelo que derramou sobre eles o furor da sua ira e a violência da guerra; isto lhes ateou fogo ao redor, contudo, não o entenderam [‘Ele os envolveu em chamas, contudo nada aprenderam’]; e os queimou, mas não fizeram caso [NVI: ‘isso os consumiu, e ainda assim, não o levaram a sério’]”.
• Is 42: 18: ‘Surdos, ouvi, e vós, cegos, olhai, para que possais ver’ – O Senhor chama quem quiser ouvir e ver o que Ele tem a falar e mostrar.

• Is 42: 19-20: “Quem é cego, como o meu servo, ou surdo, como o meu mensageiro, a quem envio? Quem é cego, como o meu amigo, e cego, como o servo do Senhor? [NVI: ‘Quem é cego como aquele que é consagrado a mim, cego como o servo do Senhor?’]. Tu vês muitas coisas, mas não as observas [NVI: ‘Você viu muitas coisas, mas não deu nenhuma atenção’]; ainda que tens os ouvidos abertos, nada ouves”.

Quando o profeta escreve: ‘Quem é cego, como o meu servo, ou surdo, como o meu mensageiro, a quem envio?’, ele estava se referindo a Jacó, a Israel, ao povo do Senhor, a quem Ele chama de meu servo e a quem Ele comissionou para levar Sua palavra aos outros povos. Através de Abraão todas as famílias da terra seriam abençoadas (Gn 12: 3; Gl 3: 8b), é o que diz a Palavra, portanto, nós podemos pensar que Israel era Seu servo para ensinar Sua lei como um missionário entre as outras nações.

Depois, o profeta continua, dizendo: ‘Quem é cego, como o meu amigo, e cego, como o servo do Senhor?’ ou ‘Quem é cego como aquele que é consagrado a mim, cego como o servo do Senhor?’ (NVI). Essa parte, agora, se refere ao sumo sacerdote e aos sacerdotes Levitas, pois o sacerdote, mais do que ninguém está em proximidade com o Senhor. A eles foi dada a incumbência de ensinar o povo, não apenas fazer sacrifício por ele (Dt 31: 10-13; 2 Rs 17: 27-28; 2 Cr 19: 8; 2 Cr 29: 11; 2 Cr 34: 30-31; Ne 8: 2-3; 7-8). Jesus repreendeu saduceus, fariseus e escribas, e os chamou de guias cegos (Mt 15: 7-9; 14; Mt 23: 13; 16-19; 23-24; 34-35), pois desviavam o povo da verdadeira doutrina, para dar a eles ensinamentos corrompidos de homens. A palavra ‘mensageiro’ (Em hebraico: mal’ak) pode se referir a um anjo do Senhor, aos profetas, sacerdotes ou mestres, embora neste texto se refira aos judeus como um todo, enviados por Deus para ensinar as outras nações (‘o meu mensageiro, a quem envio’), como foram os discípulos e apóstolos de Jesus no NT.

O povo e os sacerdotes viam o que Deus havia feito por eles, mas não atentavam para aquilo. Mesmo ouvindo o profeta falar, eles não entendiam; talvez até pela própria vontade do Senhor (Is 6: 9-13 – o chamamento de Isaías; Is 29: 13-14, onde o profeta fala também da cegueira de Israel; outras passagens: Is 29: 9-16; Mt 13: 13-15; Mt 15: 7-9; Rm 9: 14-18 cf. Êx 33: 19; Êx 7: 2-5; Êx 9: 6; Dt 29: 2-4). Da mesma forma, os escribas e os fariseus viram Cristo em carne e presenciaram Seus milagres, mas não o receberam nos seus corações.

• Is 42: 21: “Foi do agrado do Senhor, por amor da sua própria justiça [NVI: ‘retidão’], engrandecer a lei e fazê-la gloriosa [NVI: ‘tornar grande e gloriosa a sua lei’]”.

Esse versículo fala sobre o tratamento de Deus com Seu povo. Ao puni-los pelo pecado deles, Ele estava cumprindo a Sua própria lei, as Suas regras sadias para o ser humano e, portanto, engrandecendo essa lei, pois ela mesma estava sendo exercida para a correção de caminhos e para a salvação do Seu povo. Entretanto, o engrandecimento completo dessa lei se deu com Jesus. Ele cumpriu em Si mesmo toda a lei para que os homens pudessem ser livres da maldição e da punição que ela acarretava a quem pecava (Gl 3: 10; Gl 3: 13-14; 2 Co 5: 21).

• Is 42: 22: “Não obstante, é um povo roubado e saqueado; todos estão enlaçados em cavernas e escondidos em cárceres; são postos como presa, e ninguém há que os livre [‘sem ninguém para resgatá-lo’]; por despojo, e ninguém diz: Restitui [NVI: ‘tornou-se despojo, sem que ninguém o reclamasse, dizendo: Devolvam’]”.

O povo de Israel no exílio da Babilônia achava-se em grande consternação. Já tinham sido muito roubados e saqueados, em todos os sentidos, mas ninguém se dispunha a resgatá-los; ninguém se dispunha a livrá-los. Isso aconteceu pelo próprio julgamento de Deus. Por não atentarem para a misericórdia e para a lei do Senhor, Israel se permitiu a ainda se permitia ser despojado por seus inimigos; tudo isso estava acontecendo por sua incredulidade nas palavras dos profetas. O inimigo não devolveria o que roubara, nem se ofereceria para libertá-los. Por isso, Deus teria que providenciar um libertador. Depois dos setenta anos de cativeiro, ele chamaria a Ciro para libertar Seu povo; mas Ciro só poderia libertá-los fisicamente, pois era homem e não Deus. Só Jesus pôde pagar o resgate completo.

• Is 42: 23-25: “Quem há entre vós que ouça isto? Que atenda e ouça o que há de ser depois? [NVI: ‘Qual de vocês escutará isso ou prestará muita atenção no tempo vindouro?’] Quem entregou Jacó por despojo e Israel, aos roubadores? Acaso, não foi o Senhor, aquele contra quem pecaram e nos caminhos do qual não queriam andar, não dando ouvidos à sua lei? Pelo que derramou sobre eles o furor da sua ira e a violência da guerra; isto lhes ateou fogo ao redor, contudo, não o entenderam [‘Ele os envolveu em chamas, contudo nada aprenderam’]; e os queimou, mas não fizeram caso [NVI: ‘isso os consumiu, e ainda assim, não o levaram a sério’]”.

Aqui, Deus assume a autoria e a responsabilidade pela punição do Seu povo, pois se eles não o tinham escutado até agora, não escutariam depois, mesmo sendo tão duramente provados. Entretanto, Ele os advertia para que atentassem nas suas ações no passado e para não repeti-las agora, pois haveria punição no futuro. E isso duraria até que o véu que estava sobre o coração deles fosse removido: “Mas os sentidos deles se embotaram. Pois até o dia de hoje, quando fazem a leitura da antiga aliança, o mesmo véu permanece, não lhes sendo revelado que, em Cristo, é removido. Mas até hoje, quando é lido Moisés, o véu está posto sobre o coração deles. Quando, porém algum deles se converte ao Senhor, o véu lhe é retirado” (2 Co 3: 14-16). Deus sabia lidar com o povo de dura cerviz que ali estava.

Autora: Pastora Tânia Cristina Giachetti

• Principal fonte de pesquisa: Douglas, J.D., O novo dicionário da bíblia, 2ª ed. 1995, Ed. Vida Nova.
• Fonte de pesquisa para algumas imagens: wikipedia.org e crystalinks.com

Sugestão para download:

tabela de profetas AT

Tabela dos profetas (PDF)

Table about the prophets (PDF)


livro evangélico: Profeta, o mensageiro de Deus

Profeta, o mensageiro de Deus

Prophet, the messenger of God


Este texto se encontra no 2º volume do livro:


livro evangélico: O livro do profeta Isaías

O livro do profeta Isaías vol. 1

O livro do profeta Isaías vol. 2

O livro do profeta Isaías vol. 3

The book of prophet Isaiah vol. 1

The book of prophet Isaiah vol. 2

The book of prophet Isaiah vol. 3

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