Capítulo 11: no reino do Messias haverá paz e unidade, pois o Espírito do Senhor estará sobre Ele, o Espírito de sabedoria e de entendimento, de conselho e de fortaleza, de conhecimento e de temor do Senhor. Os gentios procurarão pelo Senhor.


Isaías capítulo 11




Capítulo 11

O Espírito do Senhor estará sobre o Messias e Seu reino – v. 1-5.
• Is 11: 1-5: “Do tronco de Jessé sairá um rebento, e das suas raízes, um renovo. Repousará sobre ele o Espírito do Senhor, o Espírito de sabedoria e de entendimento, o Espírito de conselho e de fortaleza, o Espírito de conhecimento e de temor do Senhor. E deleitar-se-á no temor do Senhor; não julgará segundo a vista dos seus olhos, nem repreenderá segundo o ouvir dos seus ouvidos [NVI: ‘Não julgará pela aparência, nem decidirá com base no que ouviu’]; mas julgará com justiça os pobres, e decidirá com eqüidade a favor dos mansos da terra [NVI: ‘pobres’]; ferirá a terra com a vara de sua boca [NVI: ‘Com suas palavras, como se fossem um cajado’], e com o sopro dos seus lábios matará o perverso. A justiça será o cinto dos seus lombos [NVI: ‘a faixa de seu peito’], e a fidelidade, o cinto dos seus rins [NVI: ‘o seu cinturão’]”.

Como já foi comentado no capítulo 9, da mesma forma que todos os demais profetas, Isaías tem a visão, mas nem sempre sabe quando será cumprida, a não ser que Deus revele. Por isso, todas as vezes que ele fala sobre o Messias, dá a impressão de que ele fala de algo muito próximo, seja porque a sua vontade era que Ele viesse logo ou porque ele não tinha, na verdade, a noção do reino espiritual trazido pelo Messias. Em sua mente humana, como um judeu, ele esperava um Messias em forma humana e trazendo um reino militar, como Davi ou Ciro. Não é verdade que ele estava profetizando sobre Ezequias e nem que ele esperava o Messias personificado nele. No capítulo 9, para o ‘menino’ que nasceria da virgem, Isaías usou as qualidades que eram muito comuns de se esperar em relação a um rei, segundo a mentalidade da época: sabedoria na administração, capacidade militar, zelo pela prosperidade do povo e a preocupação com a felicidade deste. O versículo 7 (Is 9: 7) deixou claro que o menino pertenceria à casa real de Davi e que governaria com juízo e justiça, salvando o país da catástrofe.
Aqui (Is 11: 1-5), nós vemos coisa parecida. ‘Do tronco de Jessé’, ‘Raiz de Davi’, ‘Renovo’ e ‘Renovo de Justiça’ são todos termos empregados para descrever a linhagem real do Messias, descendente de Davi.

Isaías profetiza sobre as qualidades do Messias, como se esperaria de um rei, também chamado ‘ungido de Deus’. Por isso, ele começa falando que o Espírito do Senhor repousará sobre Ele, o Messias, trazendo também os dons da sabedoria, do entendimento, de conselho, de fortaleza [em algumas versões, está escrito ‘poder’], de conhecimento e de temor do Senhor. A palavra ‘conselho’, em Hebraico, `etsah (Strong #6098) significa: conselho; por implicação: plano, prudência, deliberação, consideração, ponderação, conselho, conselheiro, propósito. Antes de prosseguirmos, vamos entender o que cada um desses dons significa:

1º) O Espírito do Senhor: é o próprio Espírito de Deus em nós, mantendo Sua chama de vida no nosso espírito, fazendo-nos existir e realizar Sua obra na terra. Com o Espírito Santo podemos realizar o que Jesus realizava: pregar boas novas, curar os enfermos da alma e do corpo, libertar os cativos do diabo e levar alegria. Nós o recebemos no momento da nossa conversão. Ele nos faz sentir coragem, assim como a força e o poder de Deus em ação de milagres, libertação e cura.

2º) O Espírito de Sabedoria: A sabedoria é a arte de ser bem sucedido, de formar um plano correto para alcançar os resultados desejados, ter habilidade, prudência, graça; saber aplicar o conhecimento e o entendimento da palavra; está envolvida no ato de interpretar sonhos. A sabedoria, no seu sentido mais amplo, pertence exclusivamente a Deus e consiste não apenas em conhecimento completo acerca de todos os aspectos da vida, mas também no conhecimento daquilo que Ele tem em mente para ser cumprido. A sabedoria está mais relacionada ao ensino, ao passo que o conhecimento está mais relacionado ao ministério profético. Sua sede é o coração, o centro da decisão moral e intelectual. A sabedoria nos coloca em contato direto com a mente de Deus nos fazendo pensar como Ele pensa.

3º) O Espírito de Entendimento: inteligência, discernimento. É a compreensão que adquirimos após termos o conhecimento (a revelação) da palavra de Deus. Ele nos coloca em contato com a verdade divina contida na Palavra, nos trazendo a segurança sobre o que cremos e nos dando a capacidade de resistir ao mal e a tudo o que tenta impedir Sua vontade para nossa vida, como os falsos ensinos.

4º) O Espírito de Conselho: planejamento e estratégia, solução para um propósito. Estar numa mesa de conselho é estar junto com autoridades que vêm discutir algo importante e planejar soluções e estratégias. Assim, estarmos reunidos com Deus em oração nos dá o discernimento espiritual para recebermos Suas estratégias para vencermos qualquer situação. A prudência nos leva a planejar a estratégia correta em cada situação e esperar pelo momento certo de tomar decisões; também nos ensina a maneira como tudo deve ser feito. Através dela adquirimos a certeza de que tudo tem solução.

5º) O Espírito de Fortaleza: dá-nos domínio e convicção da vitória. Onde as minhas forças acabam os recursos de Deus são liberados. A fortaleza (ou ‘poder’ em algumas traduções) nos faz realizar coisas que, no nosso natural, não somos capazes; coisas grandes e ousadas. A fortaleza do Espírito nos envolve como um escudo de proteção e nos firma ‘na Rocha’, como se firma no chão uma árvore com raízes fortes. Ela nos dá determinação, segurança e certeza para prosseguirmos em nossos objetivos.

6º) O Espírito de Conhecimento: é ter a compreensão correta das coisas, a informação revelada da palavra de Deus e saber o que temos à nossa disposição através dela. Está relacionado à revelação e à experiência, aos sonhos e às visões. A palavra ‘conhecimento’ tem a idéia de desvendar alguma coisa oculta para que possa ser vista e conhecida conforme é, ou seja, ela expressa a idéia de revelação. O conhecimento traz luz, clareza, revelação e manifestação do que está em oculto, seja bom ou mau. Ele nos faz conhecer os segredos do coração de Deus e os mistérios do mundo espiritual. Enche-nos com a verdade para que possamos vencer as falsas profecias.

7º) O Espírito de Temor do Senhor: significa reverência, prioridade, respeito, devoção a Deus, reconhecer quem Ele é e não usar Seu nome em vão. O temor do Senhor nos eleva até o trono e nos faz entrar em contato com a santidade do Senhor. Coloca-nos numa posição de afastamento das coisas mundanas para dar reverência e prioridade à pessoa de Deus. Através do temor do Senhor nós conhecemos Seu amor e a força do louvor e da adoração dos anjos ao redor do trono. Diante dele cai toda a irreverência, idolatria e perturbação da paz. É interessante notar que na bíblia a palavra medo ou temor vem de várias raízes gregas e hebraicas, como por exemplo: a) Phobos (gr.) = arroubo, medo, terror. b) Deilia (gr.) = temor, covardia, timidez, como está em 2 Tm 1: 7. c) Eulabeia (gr.) = prudência, reverência. d) Pachad (hebr. AT) = temer, estar ansioso ou em terror; ajudador ou um companheiro para a vida (se referindo à morte), até que veio Jesus para nos libertar do medo dela (Hb 2: 15).

Assim, o texto fala de um personagem régio que julgará com justiça e decidirá com eqüidade a favor dos pobres, destruindo o perverso. ‘A vara de sua boca’ significa: o Messias conquistará o povo por meios das palavras (Is 49: 2; Hb 4: 12; Ap 19: 15). Fazendo uma comparação com a armadura de Deus e com as profecias posteriores do livro de Isaías, este personagem messiânico usará a justiça como uma couraça [Is 11: 5 – NVI: ‘a faixa de seu peito’; cf. Is 59: 17], e a fidelidade como seu cinturão (‘o cinto dos seus rins’). Por fidelidade, nós podemos entender aqui a fidelidade à Deus e à Sua palavra de verdade, como é o cinturão da verdade de Ef 6: 14.

No reino do Messias haverá paz e unidade – v. 6-9.
• Is 11: 6-9 (cf. Is 65: 25): “O lobo habitará com o cordeiro, e o leopardo se deitará junto ao cabrito; o bezerro, o leão novo e o animal cevado [NVI: ‘novilho gordo ‘] andarão juntos; e um pequenino os conduzirá [NVI: ‘uma criança os guiará’]. A vaca e a ursa pastarão juntas, e as suas crias juntas se deitarão; o leão comerá palha como o boi. A criança de peito brincará sobre a toca da áspide [NVI: ‘cobra’], e o já desmamado meterá a mão na cova do basilisco [NVI: ‘no ninho da víbora’]. Não se fará mal nem dano algum em todo o meu santo monte, porque a terra se encherá do conhecimento do Senhor, como as águas cobrem o mar”.

O Messias estabelecerá uma nova realidade. Aqui, justiça e paz que são simbolizadas pela convivência harmoniosa de animais selvagens e domésticos. E até uma criancinha poderá brincar com uma víbora porque não haverá perigo; os moradores do reino de Deus são inofensivos. No Seu reino, o pobre e o oprimido serão protegidos contra a prepotência dos poderosos. Em Israel haverá o conhecimento de Deus.


O leão e o cordeiro habitarão juntos
O leão e o cordeiro habitarão juntos


Seu próprio povo retornará para sua terra e as nações o servirão; os gentios procurarão pelo Senhor – v. 10-16.
• Is 11: 10-16: “Naquele dia, recorrerão as nações à raiz de Jessé que está posta por estandarte dos povos; a glória lhe será a morada. Naquele dia, o Senhor tornará a estender a mão para resgatar o restante do seu povo, que for deixado, da Assíria, do Egito, de Patros, da Etiópia (em hebraico, Cuxe), de Elão, de Sinar, de Hamate, e das terras do mar [NVI: ‘nas ilhas do mar’]. Levantará um estandarte para as nações, ajuntará os desterrados de Israel e os dispersos de Judá recolherá desde os quatro confins da terra. Afastar-se-á a inveja de Efraim [NVI: ‘o ciúme de Efraim’], e os adversários de Judá serão eliminados [NVI: ‘a hostilidade de Judá será eliminada’]; Efraim já não invejará a Judá, e Judá já não oprimirá a Efraim [NVI: ‘será hostil a Efraim’]. Antes, voarão para sobre os ombros dos filisteus ao Ocidente [NVI: ‘Eles se infiltrarão pelas encostas da Filístia’]; juntos, despojarão os filhos do Oriente; contra Edom e Moabe lançarão as mãos, e os filhos de Amom lhes serão sujeitos. O Senhor destruirá totalmente o braço do mar do Egito, e com a força do seu vento moverá a mão contra o Eufrates, e, ferindo-o, dividi-lo-á em sete canais [NVI: ‘riachos’], de sorte que qualquer o atravessará de sandálias. Haverá caminho plano para o restante do seu povo, que for deixado, da Assíria, como o houve para Israel no dia em que subiu da terra do Egito”.

Isaías diz que o Messias será colocado na terra por um estandarte para os povos e todas as nações deverão recorrer a Ele. Naquele dia que Ele vier, haverá um resgate de todos os do Seu povo que foram espalhados pelas nações por causa do exílio. Judá e Efraim, ou seja, o reino do sul e o reino do norte não mais serão duas nações divididas; pelo contrário, como no reinado de Davi elas voltarão a ser uma só nação sob o Messias. As nações que antes os oprimiram estarão sujeitas aos israelitas, como Moabe, Edom e os filhos de Amom. Os filisteus também se submeterão a Israel.

Em Is 11: 11, o profeta menciona algumas nações como: Assíria, Egito, Patros, Etiópia, Elão, Sinar, Hamate, e as terras do mar (ou ‘ilhas do mar’). A expressão ‘ilhas do mar’ se refere aos países distantes da Judéia, habitados por gentios idólatras; as partes mais remotas do mundo, bem como na Arábia, que estava perto deles; ou todas as regiões além do mar (Jeremias 25: 22), regiões marítimas ou regiões costeiras, não meramente ilhas no sentido estrito.

Patros é o nome hebraico para Alto Egito e Cuxe ou Etiópia; Elão é o nome antigo da planície de Cuzistão, na baixa Mesopotâmia, no atual Irã, banhada pelos rios Karkheh (ou Karkhen) e Karun (Kārūn), que deságuam no Tigre justamente ao norte do Golfo Pérsico. O Karkheh ou Karkhen é talvez o rio conhecido na bíblia como o Giom, um dos quatro rios do Éden. Outros cientistas acham que o Giom é o próprio rio Karun. Cuzistão ou Khuzistão ou Khuzestão (árabe transliterado, Khūzestān) é hoje uma das províncias ao sudoeste do Irã, fazendo fronteira com o sul do Iraque. A sua capital é Ahvaz. Khuzestan significa ‘a terra dos Khuz’ ou ‘Kuzi’, se referindo aos habitantes originais desta província, o povo ‘Susian’ (em persa antigo, ‘Huza’ ou ‘Huja’; Shushan, em Hebraico; em Ester 1: 2, chamada de Susã). Susã é um atual sítio arqueológico nas proximidades de Shush, outra cidade da província do Cuzistão. Senaqueribe e Assurbanipal sujeitaram os elamitas e deportaram alguns deles para Samaria, transferindo alguns israelitas para o Elão (Is 11: 11; Ed 4: 9). O Elão foi anexado por um ancestral de Ciro, e Susã acabou por se tornar uma das três principais cidades do império medo-persa. Sinar (ou Sinear) é o nome hebraico da terra da Babilônia; Hamate é uma cidade da Síria (Hoje conhecida pelo nome de Hamãh ou Hama).

• Is 11: 15-16: “O Senhor destruirá totalmente o braço do mar do Egito, e com a força do seu vento moverá a mão contra o Eufrates, e, ferindo-o, dividi-lo-á em sete canais [NVI: ‘riachos’], de sorte que qualquer o atravessará de sandálias. Haverá caminho plano para o restante do seu povo, que for deixado, da Assíria, como o houve para Israel no dia em que subiu da terra do Egito” – da mesma forma que o Mar vermelho foi um impedimento no caminho dos Israelitas no Êxodo, o Eufrates era uma obstrução no caminho de Israel para o seu retorno da Assíria. ‘Caminho plano’ significa ‘sem obstrução, sem impedimentos futuros’. Entretanto, pela força do Seu vento, o Senhor da mesma forma dividiria o Eufrates por onde os exilados pudessem passar a pé. Ele faria o impossível para libertar Seu povo. Isso pode ser visto também como uma visão da restauração futura de Israel no final dos tempos. Foi feita uma relação com o primeiro êxodo, onde o profeta menciona os antigos sete canais de desembocadura do Nilo no Mediterrâneo. Essa relação foi feita para lembrá-los de que a libertação da Babilônia seria tão majestosa quanto fora a libertação do Egito; um segundo êxodo para eles (cf. Zc 10: 11). ‘Com a força do seu vento moverá a mão contra o Eufrates’ lembra o forte vento oriental que soprou e dividiu as águas do Mar Vermelho (Êx 14: 21).

Autora: Pastora Tânia Cristina Giachetti

• Principal fonte de pesquisa: Douglas, J.D., O novo dicionário da bíblia, 2ª ed. 1995, Ed. Vida Nova.
• Fonte de pesquisa para algumas imagens: wikipedia.org e crystalinks.com

Sugestão para download:

tabela de profetas AT

Tabela dos profetas (PDF)

Table about the prophets (PDF)


livro evangélico: Profeta, o mensageiro de Deus

Profeta, o mensageiro de Deus

Prophet, the messenger of God


Este texto se encontra no 1º volume do livro:


livro evangélico: O livro do profeta Isaías

O livro do profeta Isaías vol. 1

O livro do profeta Isaías vol. 2

O livro do profeta Isaías vol. 3

The book of prophet Isaiah vol. 1

The book of prophet Isaiah vol. 2

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