Explicação de Ezequiel capítulo 8: Deus mostra ao profeta as idolatrias ocultas no Templo, como ‘a imagem dos ciúmes’, Tamuz, e a adoração ao sol e aos deuses egípcios.


Ezequiel capítulo 8



A visão das abominações em Jerusalém

1 No sexto ano, no sexto mês, aos cinco dias do mês, estando eu sentado em minha casa, e os anciãos de Judá, assentados diante de mim, sucedeu que ali a mão do Senhor Deus caiu sobre mim.
2 Olhei, e eis uma figura como de fogo; desde os seus lombos e daí para baixo, era fogo e, dos seus lombos para cima, como o resplendor de metal brilhante.
3 Estendeu ela dali uma semelhança de mão e me tomou pelos cachos da cabeça; o Espírito me levantou entre a terra e o céu e me levou a Jerusalém em visões de Deus, até à entrada da porta do pátio de dentro, que olha para o norte, onde estava colocada a imagem dos ciúmes, que provoca o ciúme de Deus.
4 Eis que a glória do Deus de Israel estava ali, como a glória que eu vira no vale.
5 Ele me disse: Filho do homem, levanta agora os olhos para o norte. Levantei os olhos para lá, e eis que do lado norte, à porta do altar, estava esta imagem dos ciúmes, à entrada.

No sexto ano do exílio (591 AC), 1 ano após as profecias anteriores, o profeta estava sentado em sua casa com os anciãos de Judá. E ali o Senhor lhe falou novamente.
Um ser com aparência humana estava diante dele, brilhando como fogo.
O ser que Ezequiel viu era semelhante ao da visão de Deus e Sua glória no primeiro capítulo (Ez 1: 27). Aqui, provavelmente essa era uma representação de Deus (Jesus, o Senhor, v.18: “Eu”, “me”, “meus”) em alguma semelhança humana.
E o Espírito o levou em visão a Jerusalém, até a entrada da porta norte do pátio interno do templo, onde havia o ídolo que provoca o ciúme de Deus, ‘a imagem dos ciúmes’ (Ez. 8: 3). E a glória do Senhor estava ali com Ezequiel.
Ninguém sabe exatamente que ídolo era esse, só se sabe que estava à entrada da porta norte do pátio interno do templo (v.3), junto à porta do altar (v.5).
A adoração a essa divindade e a Tamuz eram práticas separadas.
O ídolo era chamado de ‘imagem do ciúme’ porque era uma afronta tanto a Deus quanto ao Seu templo e ao Seu povo.

Acaz colocou um altar idólatra dentro do próprio templo, mudando o altar de bronze para o norte, a fim de abrir espaço para o seu altar (2 Rs 16: 14-15).
Ezequias removeu a idolatria de Judá (2 Rs 18: 1-5), mas seu filho Manassés a restaurou de maneira pior do que antes, colocando um ídolo no templo (2 Cr 33: 7) e edificando altares na Casa do Senhor (2 Rs 21: 4). Em 2 Cr 33: 15, está escrito que Manassés mesmo removeu o ídolo. Seu filho Amom, continuou a idolatria de seu pai (2 Rs 21: 21), e provavelmente recolocou o ídolo, pois Josias, filho de Amom, purificou Judá da idolatria e queimou o ídolo que Manassés havia colocado no templo (2 Rs 23: 4-20; o v.12 em especial).

Então, como o ídolo estava de volta no templo? Uma réplica? A palavra usada em Ez 8: 3 para ‘imagem’ ou ‘ídolo’ é a mesma encontrada em Dt 4: 16 (ídolo’ ou ‘figura’ em algumas traduções e em 2 Cr 33: 7, 15 (o ídolo de Manassés), ou seja, semel, סֵ֫מֶל, Strong #5566, que significa figura, imagem, ídolo; e procede de uma raiz (cemel) que significa assemelhar, parecer, imagem, semelhança, aparência. Mas não sabemos que deus falso esta imagem representava.

Se a bíblia não descreve separação entre o pátio externo e o altar e o pátio interno no Templo de Salomão, por que tantas portas mencionadas em Ezequiel capítulos 8 e 9, dentro do Templo (Ez 8: 3,5,7,12,14; Ez 9: 2,3)?

Nós podemos notar que nessa narração de Ezequiel há certas portas e muros dentro do templo, que não estavam presentes no templo de Salomão. E isso decorreu das práticas idólatras dentro do Templo, como as que Acaz, Manassés e os mais recentes reis de Judá haviam feito e, por isso, eles alteraram a arquitetura do mesmo para comportar sua adoração dividida com ídolos lá dentro.

No templo de Salomão não havia separação por muros entre o altar do holocausto e o pátio exterior, exceto a separação mencionada em 2 Cr 4: 9 (“Fez mais o pátio dos sacerdotes e o pátio grande, como também as portas deles [do pátio], as quais cobriu de bronze”), sendo que as referidas portas poderiam se referir às portas laterais do santuário, talvez, onde estavam os armazéns e as câmaras do tesouro do templo, e onde também se guardavam as coisas pertinentes ao sacerdócio, ou dormitórios dos sacerdotes ao redor da parte posterior do templo. Mas com o decorrer dos anos, o projeto arquitetônico original do Templo de Salomão foi se alterando, por causa das edificações do rei Manassés (Jr 15: 4; 2 Cr 33: 4, 7) e outros monarcas idólatras. Por isso, tantas portas mencionadas em Ezequiel capítulos 8 e 9 (Ez 8: 3,5,7,12,14; Ez 9: 2,3). Em outras palavras, no tempo de Ezequiel, tratava-se de um templo já modificado para práticas de idolatria.


Pátio do Templo de Salomão
Pátio do Templo de Salomão


6 Disse-me ainda: Filho do homem, vês o que eles estão fazendo? As grandes abominações que a casa de Israel faz aqui, para que me afaste do meu santuário? Pois verás ainda maiores abominações.
7 Ele me levou à porta do átrio; olhei, e eis que havia um buraco na parede. Então, me disse: Filho do homem, cava naquela parede.
8 Cavei na parede, e eis que havia uma porta.
9 Disse-me: Entra e vê as terríveis abominações que eles fazem aqui.
10 Entrei e vi; eis toda forma de répteis e de animais abomináveis e de todos os ídolos da casa de Israel, pintados na parede em todo o redor.
11 Setenta homens dos anciãos da casa de Israel, com Jazanias, filho de Safã, que se achava no meio deles, estavam em pé diante das pinturas, tendo cada um na mão o seu incensário; e subia o aroma da nuvem de incenso.
12 Então, me disse: Viste, filho do homem, o que os anciãos da casa de Israel fazem nas trevas, cada um nas suas câmaras pintadas de imagens? Pois dizem: O Senhor não nos vê, o Senhor abandonou a terra.

Então, o homem começou a mostrar ao profeta as abominações que os líderes faziam dentro do templo.
Havia um buraco na parede e, uma porta atrás dele. O profeta entrou e viu imagens de criaturas rastejantes e animais impuros e todos os ídolos da casa de Israel, pintados nas parede ao redor.
Os ídolos aos quais os sacerdotes estavam queimando incenso, provavelmente eram deuses egípcios (os cultos de animais do Egito), na forma de répteis e animais impuros, como os egípcios costumavam adorar bois, burros, cabras, cães, gatos, serpentes, crocodilos, o pássaro íbis, etc.
Ali, setenta líderes de Israel queimavam incenso aromático diante das pinturas.
Entre eles estava Jazanias, o filho de Safã, um dos líderes da época da reforma de Josias (2 Rs 22: 3; 2 Cr 34: 8), e da redescoberta do Livro da Lei, e todos eles queimavam incenso aromático diante das pinturas.
E eles diziam que o Senhor não os via e os tinha abandonado.

13 Disse-me ainda: Tornarás a ver maiores abominações que eles estão fazendo.
14 Levou-me à entrada da porta da Casa do Senhor, que está no lado norte, e eis que estavam ali mulheres assentadas chorando a Tamuz.

Depois, o anjo o levou à porta norte do santuário e ele viu mulheres chorando por Tamuz.
Tamuz ou Dumuzid (em babilônico) era o deus mesopotâmico dos pastores, associado com o crescimento das plantas, aquele que morre e renasce a cada ano.
O culto ao Tamuz era aceito pelos judeus exilados. Tamuz em hebraico significa: ‘escondido’, ‘filho da vida’.
O deus grego correspondente a Tamuz era Adônis, adorado em Biblos, na Fenícia, praticamente da mesma forma que Baal.
Isso aconteceu no 2º dia do 4º mês (nota da NVI) e por isso, o nome do 4º mês judaico pós-exílio (Junho–Julho), é ‘Tamuz’, coincidindo com o tempo de colheita de uvas.

15 Disse-me: Vês isto, filho do homem? Verás ainda abominações maiores do que estas.
16 Levou-me para o átrio de dentro da Casa do Senhor, e eis que estavam à entrada do templo do Senhor, entre o pórtico e o altar, cerca de vinte e cinco homens, de costas para o templo do Senhor e com o rosto para o oriente; adoravam o sol, virados para o oriente.
17 Então, me disse: Vês, filho do homem? Acaso, é coisa de pouca monta para a casa de Judá o fazerem eles as abominações que fazem aqui, para que ainda encham de violência a terra e tornem a irritar-me? Ei-los a chegar o ramo ao seu nariz [NVI: Eles estão pondo o ramo perto do nariz].
18 Pelo que também eu os tratarei com furor; os meus olhos não pouparão, nem terei piedade. Ainda que me gritem aos ouvidos em alta voz, nem assim os ouvirei.

E no pátio interno da casa do Senhor, no pátio dos sacerdotes, à porta do templo, entre o pórtico e o altar, estavam cerca de vinte e cinco homens de costas para o templo do Senhor e os seus rostos voltados para o oriente, adorando o sol. Isso era uma atitude de repúdio ao Senhor.
Esses vinte e cinco homens poderiam ser os representantes de cada uma das 24 turmas de sacerdotes e o Sumo Sacerdote.

‘Chegar o ramo ao seu nariz’ (ARA) ou ‘eles estão pondo o ramo perto do nariz’ (NVI) é uma expressão obscura, mas que mostra provocação a Deus e o desprezo por Ele. A NABRE traduz como ‘estão colocando o galho no meu nariz!’, e escreve nas notas de rodapé: “o texto massorético interpreta ‘seus narizes’ como um eufemismo para ‘meu nariz’, evitando assim a impropriedade de esses idólatras entrarem em contato com Deus, mesmo que figurativamente”.

O Senhor pode estar dizendo que no lugar do odor agradável da adoração sacrificial sincera, Ele estava recebendo dos israelitas um odor que chegava às Suas narinas como um mau cheiro. Ou, então, que a violência o provocava à ira, tanto a violência contra Deus (a idolatria), quanto a do povo, que enchia a nação com violência contra o próximo. E por isso e o Senhor não teria piedade deles.

Vídeo de ensino

Esse vídeo é parte do curso bíblico (link dourado no alto das páginas).

O Profeta Ezequiel

Este estudo se encontra no livro:


O livro do profeta Ezequiel; livro evangélico

O livro do profeta Ezequiel

The book of prophet Ezekiel

Resumo sobre os profetas:


livro evangélico: Profeta, o mensageiro de Deus

Profeta, o mensageiro de Deus

Prophet, the messenger of God

Sugestão para download:


tabela de profetas AT

Tabela dos profetas (PDF)

Table about the prophets (PDF)


Autora: Pastora Tânia Cristina Giachetti

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