Explicação de Ezequiel capítulo 4: A encenação com o tijolo. Ezequiel comeria seu pão, assado sobre esterco de vaca (“o pão imundo”) por 430 dias (390 por Israel e 40 por Judá).

• Ez 4: 1-17 (ARA):
1 Tu, pois, ó filho do homem, toma um tijolo, põe-no diante de ti e grava nele a cidade de Jerusalém [NVI: nele desenhe a cidade de Jerusalém].
2 Põe cerco contra ela, edifica contra ela fortificações, levanta contra ela tranqueiras e põe contra ela arraiais e aríetes em redor [NVI: erga obras de cerco contra ela; construa uma rampa, monte acampamentos e ponha aríetes ao redor dela].
3 Toma também uma assadeira de ferro [uma placa de ferro, como muro de ferro] e põe-na por muro de ferro entre ti e a cidade; dirige para ela o rosto, e assim será cercada, e a cercarás; isto servirá de sinal para a casa de Israel.
Ezequiel, assim como Jeremias, também encenava suas profecias. Foi o que Deus lhe disse para fazer em relação ao cerco de Jerusalém (Ez 4: 1-17), que aconteceria 7 ½ anos depois. Ezequiel foi deportado para a Babilônia em 597 AC. Essa profecia foi feita em 592 AC. O final do exílio foi em 538 AC.
Uma vez que o versículo 12 escreve “O que comeres será como bolos de cevada; cozê-lo-ás sobre esterco de homem, à vista do povo”, nós podemos concluir que não apenas o pão ‘imundo’ deveria ser comido num lugar em que o povo visse, mas também o cerco simbólico também deveria ocorrer num lugar onde o profeta pudesse ser visto, não necessariamente na praça da cidade, mas provavelmente, num espaço aberto em frente à sua casa. Caso contrário, as encenações seriam inúteis. Elas teriam que ser observadas por um grande número de pessoas.
Ez 4: 1-3: O profeta deveria pegar um tijolo e desenhar nele a cidade de Jerusalém. Ele deveria fazer uma espécie de maquete, colocando obras de cerco contra ela, edificando fortificações, levantando rampas e pondo contra ela aríetes em redor e acampamentos inimigos.
Ele também tomaria uma assadeira de ferro, ou seja, uma placa de ferro, e a poria por muro de ferro entre ele e a cidade; viraria o rosto para ela, e assim ela seria cercada, servindo de sinal para os israelitas. Essa placa ou assadeira de ferro, segundo Warren Wendall Wiersbe (1929–2019, clérigo da igreja batista, professor, escritor e palestrante), era o tipo de utensílio que os sacerdotes usavam no templo para preparar as ofertas de manjares, ou seja, a farinha misturada com azeite e sal, sem fermento nem mel, que também faziam parte dos holocaustos e das ofertas pacíficas (junto com uma libação). Essas ofertas eram um ato voluntário de adoração e dedicação a Deus por Sua bondade e provisão, pois o azeite simboliza alegria. Muitas vezes a bíblia traduz como ‘assadeira’ (Lv 2: 5, Lv 6: 21) ou ‘frigideira’ (Lv 7: 9). Em Ez 4: 3 a NVI escreve ‘panela’.
Tijolo, fortificações, tranqueiras, arraiais e aríetes ao seu redor, assadeira de ferro – era dessa forma que Jerusalém seria cercada; isto serviria de sinal para a casa de Israel. O muro de ferro representa a barreira de separação entre Deus e Seu povo, por causa dos seus pecados e do endurecimento do seu coração. Ele não interviria nem resgataria Jerusalém no cerco vindouro, não olharia mais para eles com aprovação e bênção.
O tijolo ou azulejo mencionado no texto era uma tábua de argila macia, assada para torná-la durável, como os babilônios usavam para fins de escrita.

4 Deita-te também sobre o teu lado esquerdo e põe a iniquidade da casa de Israel sobre ele; conforme o número dos dias que te deitares sobre ele, levarás sobre ti a iniquidade dela [NVI: Deite-se então sobre o seu lado esquerdo e sobre você ponha a iniquidade da nação de Israel. Você terá que carregar a iniquidade dela durante o número de dias em que estiver deitado sobre o lado esquerdo].
5 Porque eu te dei os anos da sua iniquidade, segundo o número dos dias, trezentos e noventa dias; e levarás sobre ti a iniquidade da casa de Israel [NVI: Determinei que o número de dias seja equivalente ao número de anos da iniquidade dela, ou seja, durante trezentos e noventa dias você carregará a iniquidade da nação de Israel].
O profeta estaria 390 dias deitado sobre o lado esquerdo simbolizando os 390 anos de pecado da casa de Israel; depois, Ezequiel se deitaria por 40 dias sobre o lado direito, simbolizando os 40 anos de pecado da casa de Judá. Difícil precisar as datas exatas como base para a contagem desses anos. Muitas hipóteses foram feitas, mas não são satisfatórias nem coerentes para Israel e Judá. Esses anos não se se encaixam em nenhum período de tempo preciso conhecido na história de Israel.
Como eu escrevi acima, nós podemos concluir que não apenas o pão ‘imundo’ deveria ser comido num lugar em que o povo visse, mas também o cerco simbólico também deveria ocorrer num lugar onde o profeta pudesse ser visto, não necessariamente na praça da cidade, mas provavelmente, num espaço aberto em frente à sua casa. Ou talvez ele tenha feito isso (deitar sobre seu lado esquerdo e direito) à noite em sua cama, ou por várias horas a cada dia, e então, enquanto o público assistia, comia uma pequena porção do pão.
6 Quando tiveres cumprido estes dias, deitar-te-ás sobre o teu lado direito e levarás sobre ti a iniquidade da casa de Judá.
7 Quarenta dias te dei, cada dia por um ano. Voltarás, pois, o rosto para o cerco de Jerusalém, com o teu braço descoberto, e profetizarás contra ela [NVI: durante quarenta dias, tempo que eu determinei para você, um dia para cada ano. Olhe para o cerco de Jerusalém e, com braço desnudo, profetize contra ela].
8 Eis que te prenderei com cordas; assim não te voltarás de um lado para o outro, até que cumpras os dias do teu cerco [NVI: Vou amarrá-lo com cordas para que você não possa virar-se enquanto não cumprir os dias da sua aflição].
Depois dos 390 dias, ele se deitaria sobre seu lado direito, com o seu braço descoberto, e profetizaria mais 40 dias contra a cidade sitiada, com o rosto voltado para ela, levando sobre si a iniqüidade da casa de Judá, pois esse era ao número dos anos do seu pecado.
“Voltarás, pois, o rosto para o cerco de Jerusalém, com o teu braço descoberto, e profetizarás contra ela” – esta profecia, Ezequiel demonstrou que o braço forte do julgamento de Deus [o braço direito] contra Jerusalém estaria ativo e desenfreado, o braço mais forte e mais pronto para agir, será descoberto, nu e estendido, como estando pronto para golpear e matar.
“Eis que te prenderei com cordas; assim não te voltarás de um lado para o outro, até que cumpras os dias do teu cerco [NVI: Vou amarrá-lo com cordas para que você não possa virar-se enquanto não cumprir os dias da sua aflição]”.
As cordas ao redor do profeta (v.8) simbolizavam o cerco de Jerusalém (coincidindo com alguns anos do período de exercício profético de Jeremias [626-585 AC], quando Jerusalém ficou sitiada durante 1 ½ ano por Nabucodonosor – Jr 39: 1-2: do 10º mês do 9º ano de Zedequias ao 9º dia do 4º mês do seu 11º ano de reinado). A incapacidade de Ezequiel de se mover por causa das cordas representava o confinamento dos habitantes de Jerusalém durante o cerco, ou seja, o inalterável decreto de Deus (cerco e tomada de Jerusalém). As cordas também poderiam significar que os sitiados seriam capturados e amarrados como Ezequiel foi. Nabucodonosor significa: “Nabu, proteja o príncipe herdeiro” ou “Nabu proteja os direitos de sucessão” ou ainda “Nabu proteja a fronteira”.
Da mesma forma que foi com o rolo que ele comeu em visão, que não deve ser interpretado da maneira literal, e como Deus o impediu de falar (“Farei que a tua língua se pegue ao teu paladar, ficarás mudo e incapaz de os repreender”, Ez 3: 26), essas cordas aqui não eram cordas físicas, mas a limitação que Deus traria a ele, impedindo-o que saísse do seu lugar durante o tempo da encenação. Na verdade, Ezequiel ficava imóvel somente uma parte de cada dia, pois ele ainda tinha que preparar suas refeições.
Então, o Senhor explica qual deveria ser seu alimento (Ez 4: 9-15).
9 Toma trigo e cevada, favas e lentilhas [NVI: trigo e cevada, feijão e lentilha, painço e espelta], mete-os numa vasilha e faze deles pão; segundo o número dos dias que te deitares sobre o teu lado, trezentos e noventa dias, comerás dele.
10 A tua comida será por peso, vinte siclos por dia [230g]; de tempo em tempo, a comerás [NVI: Pese duzentos e quarenta gramas do pão por dia e coma-o em horas determinadas]
11 Também beberás a água por medida, a sexta parte de um him [600 ml]; de tempo em tempo, a beberás [NVI: Também meça meio litro de água e beba-a em horas determinadas].
12 O que comeres será como bolos de cevada; cozê-lo-ás sobre esterco de homem, à vista do povo [NVI: Coma o pão como você comeria um bolo de cevada; asse-o à vista do povo, usando fezes humanas como combustível].
13 Disse o Senhor: Assim comerão os filhos de Israel o seu pão imundo, entre as nações para onde os lançarei.
14 Então, disse eu: ah! Senhor Deus! Eis que a minha alma não foi contaminada, pois, desde a minha mocidade até agora, nunca comi animal morto de si mesmo nem dilacerado por feras, nem carne abominável entrou na minha boca.
15 Então, ele me disse: Dei-te esterco de vacas, em lugar de esterco humano; sobre ele prepararás o teu pão [NVI: “Está bem”, disse ele, “deixarei que você asse o seu pão em cima de esterco de vaca, e não em cima de fezes humanas”].
16 Disse-me ainda: Filho do homem, eis que eu tirarei o sustento de pão em Jerusalém; comerão o pão por peso e, com ansiedade, beberão a água por medida e com espanto [NVI: E acrescentou: Filho do homem, cortarei o suprimento de comida em Jerusalém. O povo comerá com ansiedade comida racionada e beberá com desespero água racionada];
17 porque lhes faltará o pão e a água, espantar-se-ão uns com os outros e se consumirão nas suas iniquidades [NVI: pois haverá falta de comida e de água. Ficarão chocados com a aparência uns aos outros, e definharão por causa de sua iniquidade (iniquidade significa: perversidade, injustiça, falta de equidade)].
Ez 4: 9-17 pode ser resumido em poucas palavras: o pão da ira de Deus e o período de fome passado por Jerusalém durante o cerco babilônico de 1 ½ ano (Jr 39: 1-2). O versículo 9 fala sobre os ingredientes usados no preparo do pão: trigo, cevada, favas e lentilhas [NVI: trigo e cevada, feijão e lentilha, painço (uma gramínea [capim] cujas espigas servem de alimento) e espelta (uma espécie de trigo de qualidade inferior)]. Isso significa que haveria um período de fome tão grande que seria uma alegria comer qualquer coisa, como grãos e até gramíneas.
Os versículos 10-11 dizem que Ezequiel deveria comer 20 siclos (equivale a 230-240 gr.) do pão e beber a sexta parte de um him de água por dia (1 Him = aproximadamente 3,47 a 4 litros de água, portanto, 500-600 ml de água). Isso significava que assim como o profeta comeria e beberia com escassez, o povo também comeria e beberia pouco, com ansiedade devido à angústia do cerco (vs. 16-17 – cf. Ez 12: 18-20). Como foi dito acima, Nabucodonosor sitiou Jerusalém por 1 ½ ano até invadi-la por completo e queimá-la.
Na NVI o v.12 diz: “Coma o pão como você comeria um bolo de cevada; asse-o à vista do povo, usando fezes humanas como combustível”.
O pão que ele comesse seria pequeno como um bolo de cevada e ele deveria assá-lo à vista do povo, usando fezes humanas como combustível. Como um sacerdote, Ezequiel disse ao Senhor que nunca tinha comido coisa impura. Então o Senhor lhe deu esterco de vacas em lugar de esterco humano para preparar seu pão.
E no v.13 o Senhor mesmo é quem diz: “Assim comerão os filhos de Israel o seu pão imundo, entre as nações para onde os lançarei”. O ‘pão imundo’ seria uma forma de dizer que já que eles rejeitaram o sustento e a bênção de Deus e tiveram prazer na idolatria se alimentando de comida consagrada a ídolos, então eles comeriam o ‘pão imundo’ diante das nações, até porque não fizeram distinção entre o alimento dos judeus e dos gentios.
E o Senhor acrescentou que tiraria o sustento de pão em Jerusalém. Eles comeriam de maneira racionada e com ansiedade, assim como beberiam sua água com desespero.
Esse vídeo é parte do curso bíblico (link dourado no alto das páginas).



Table about the prophets (PDF)
Autora: Pastora Tânia Cristina Giachetti
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