Explicação de Ezequiel capítulo 39: Gogue e seu exército serão totalmente derrotados. Servirão de ceia para as aves de rapina e os animais carnívoros. Por que sepultar seus ossos por 7 meses?


Ezequiel capítulo 39



A queda de Gogue

1 Tu, pois, ó filho do homem, profetiza ainda contra Gogue e dize: Assim diz o Senhor Deus: Eis que eu sou contra ti, ó Gogue, príncipe de Rôs, de Meseque e Tubal.
2 Far-te-ei que te volvas [NVI: farei você girar] e te conduzirei, far-te-ei subir dos lados do Norte e te trarei aos montes de Israel.
3 Tirarei o teu arco da tua mão esquerda e farei cair as tuas flechas da tua mão direita.

O Senhor repete aqui que está contra Gogue e que o fará vir do extremo norte até os montes de Israel.
Quando os profetas bíblicos falam de batalhas em um futuro distante, referem-se a armas e táticas conhecidas na época em que viviam (espada, arco e flechas, cavalos e cavaleiros).
• Ez 39: 3: “Farei cair as tuas flechas da tua mão direita” – significa que Deus mesmo o despojará de sua força de guerra, o deixará sem ação, incapaz de revidar.

4 Nos montes de Israel, cairás, tu, e todas as tuas tropas, e os povos que estão contigo; a toda espécie de aves de rapina e aos animais do campo eu te darei, para que te devorem.
5 Cairás em campo aberto, porque eu falei, diz o Senhor Deus.

Novamente o Senhor fala que Gogue e seu exército cairão nas montanhas de Israel e se tornarão comida para as aves de rapina e os animais selvagens. A derrota será total; não haverá lugar para onde os inimigos de Deus possam fugir e encontrar abrigo (“Cairás em campo aberto”). Esse cena é semelhante à queda de Senaqueribe em Is 14: 25 (“Quebrantarei a Assíria na minha terra e nas minhas montanhas a pisarei, para que o seu jugo se aparte de Israel, e a sua carga se desvie dos ombros dele”), quando o Anjo do Senhor dizimou os assírios sozinho para que não invadissem Jerusalém.

6 Meterei fogo em Magogue e nos que habitam seguros nas terras do mar; e saberão que eu sou o Senhor.
7 Farei conhecido o meu santo nome no meio do meu povo de Israel e nunca mais deixarei profanar o meu santo nome; e as nações saberão que eu sou o Senhor, o Santo em Israel.
8 Eis que vem e se cumprirá, diz o Senhor Deus; este é o dia de que tenho falado.

“As terras do mar” se referem às nações distantes e povos aliados de Magogue que habitam seguros, longe do centro da batalha em Israel, mas que serão atingidos pelo juízo divino.
“Fogo” aqui pode se referir a relâmpagos ou se tratar de uma manifestação mais ostensiva da Sua ira como foi no Egito e é sugerido em Apocalipse.
Mais uma vez a mesma declaração é feita sobre o objetivo dessa punição definitiva: “Farei conhecido o meu santo nome no meio do meu povo de Israel e nunca mais deixarei profanar o meu santo nome; e as nações saberão que eu sou o Senhor, o Santo em Israel”, ou seja, tanto Seu próprio povo O conhecerá de verdade, quanto as nações ímpias saberão que é Ele o único que governa, e que Seu nome é santo, não pode ser profanado com irreverência nem com as más ações do Seu povo. Essa batalha contra Gogue evidencia a soberania e a majestade de Deus.

9 Os habitantes das cidades de Israel sairão e queimarão, de todo, as armas, os escudos, os paveses, os arcos, as flechas, os bastões de mão e as lanças; farão fogo com tudo isto por sete anos.
10 Não trarão lenha do campo, nem a cortarão dos bosques, mas com as armas acenderão fogo; saquearão aos que os saquearam e despojarão aos que os despojaram, diz o Senhor Deus.

O capítulo agora passa a descrever as conseqüências da batalha. O povo de Israel passará sete meses enterrando os mortos e limpando a terra. Usarão as armas do exército invasor como combustível para suas fogueiras, e o saque será tão grande que levará sete anos para tomar tudo.

O versículo não se refere exatamente ao fato de que os modernos armamentos possam ser usados como combustível para o fogo. Mas isso enfatiza que houve uma destruição completa dos inimigos, apesar de terem soldados em tão grande número e armas consideradas invencíveis.

O sepultamento das hordas de Gogue

11 Naquele dia, darei ali a Gogue um lugar de sepultura em Israel, o vale dos Viajantes, ao oriente do mar [NVI: ‘no vale dos que viajam para o oriente na direção do Mar’, se referindo ao Mar morto]; espantar-se-ão os que por ele passarem. Nele, sepultarão a Gogue e a todas as suas forças e lhe chamarão o vale das Forças de Gogue [NVI: ‘Vale de Hamom-Gogue’, ou seja, das hordas de Gogue. Hamoná significa hordas].
12 Durante sete meses, estará a casa de Israel a sepultá-los, para limpar a terra.
13 Sim, todo o povo da terra os sepultará; ser-lhes-á memorável o dia em que eu for glorificado, diz o Senhor Deus.
14 Serão separados homens que, sem cessar, percorrerão a terra para sepultar os que entre os transeuntes tenham ficado nela, para a limpar; depois de sete meses, iniciarão a busca.
15 Ao percorrerem eles a terra, a qual atravessarão, em vendo algum deles o osso de algum homem, porá ao lado um sinal, até que os enterradores o sepultem no vale das Forças de Gogue [NVI: ‘Vale de Hamom-Gogue’].
16 Também o nome da cidade será o das Forças [NVI: ‘Hamoná’ = hordas]. Assim, limparão a terra.

Esse trecho é difícil de interpretar do ponto de vista literal se nós sabemos de antemão que esse é um combate definitivo para o povo de Deus e que após isso só resta a inauguração dos novos céus e da nova terra.
Os sete anos dos versículos 9 e 10 podem ser comparados aos sete meses dos versículos 12 e 14. Na verdade, o número 7 sugere a totalidade e o encerramento da guerra, que a destruição foi total.

Enterrar os ossos na lei de Moisés sempre foi uma medida de higiene e purificação ritual (Lv 5: 2,3; Lv 21: 1-4; Nm 6: 6). Ezequiel, sendo sacerdote e escrevendo até aqui sobre o quanto a purificação é importante para alguém poder entrar na presença de Deus, não poderia deixar de mencionar isso, ou seja, mesmo sendo os ossos do inimigo, deveriam ser enterrados como um sinal de que a terra de Israel e seu povo não mais se contaminariam com o pecado (tocar em cadáver era um sinal de impureza, como tocar no pecado também é para o Senhor). O versículo 12 deixa mais claro: “para limpar a terra.”

Quando ele escreve “todo o povo da terra os sepultará” isso significa que cada um seria responsável por se purificar dos seus pecados, de tudo o que trouxe contaminação para si mesmo.
Os versículos 14 e 15, quanto aos “homens separados” para supervisionar o trabalho de limpeza pode se referir à responsabilidade dos sacerdotes em manter o objetivo de santidade no meio do povo.

O mais importante é que o “enterro de Gogue” simboliza a destruição total do inimigo, que o seu mal, o seu nome, o seu pavor entre o povo de Deus será para sempre lançado no esquecimento. Não se falará mais dele nem terão medo dele, porque o resquício da sua presença e dos seus atos malignos será apagado da mente e do coração dos filhos de Deus.

E esse dia será memorável, como será memorável o dia da vitória de Jesus sobre o mal (1 Co 15: 24-28; Ap 19: 1-4; Ap 15: 3-4) e a nossa nova vida com Ele na eternidade, porque o Senhor foi glorificado: “ser-lhes-á memorável o dia em que eu for glorificado, diz o Senhor Deus” (Ez 39: 13).

O grande sacrifício do Senhor

17 Tu, pois, ó filho do homem, assim diz o Senhor Deus: Dize às aves de toda espécie e a todos os animais do campo: Ajuntai-vos e vinde, ajuntai-vos de toda parte para o meu sacrifício, que eu oferecerei por vós, sacrifício grande nos montes de Israel; e comereis carne e bebereis sangue.
18 Comereis a carne dos poderosos e bebereis o sangue dos príncipes da terra, dos carneiros, dos cordeiros, dos bodes e dos novilhos, todos engordados em Basã.
19 Do meu sacrifício, que oferecerei por vós, comereis a gordura até vos fartardes e bebereis o sangue até vos embriagardes.
20 À minha mesa, vós vos fartareis de cavalos e de cavaleiros, de valentes e de todos os homens de guerra, diz o Senhor Deus.

O Senhor deixa aqui ressaltado o Seu controle sobre a Sua vitória contra inimigos ferozes. Essa ‘ceia’ seria um sacrifício preparado por Ele mesmo às aves de rapina e aos animais carnívoros na Sua mesa, nos montes de Israel.
“Carneiros, cordeiros, bodes e novilhos, todos engordados em Basã” descrevem o poder desses homens, pois os rebanhos de Basã eram os animais mais fortes e mais importantes do Israel antigo, tratados nas ricas pastagens a leste da Galiléia. Essa descrição é muito similar ao que é usada em Ap 19: 17-21 para descrever a vitória de Cristo sobre os seguidores da besta.

21 Manifestarei a minha glória entre as nações, e todas as nações verão o meu juízo, que eu tiver executado, e a minha mão, que sobre elas tiver descarregado.
22 Desse dia em diante, os da casa de Israel saberão que eu sou o Senhor, seu Deus.
23 Saberão as nações que os da casa de Israel, por causa da sua iniqüidade, foram levados para o exílio, porque agiram perfidamente contra mim, e eu escondi deles o rosto, e os entreguei nas mãos de seus adversários, e todos eles caíram à espada.
24 Segundo a sua imundícia e as suas transgressões, assim me houve com eles e escondi deles o rosto.
25 Portanto, assim diz o Senhor Deus: Agora, tornarei a mudar a sorte de Jacó e me compadecerei de toda a casa de Israel; terei zelo pelo meu santo nome.
26 Esquecerão a sua vergonha e toda a perfídia com que se rebelaram contra mim, quando eles habitarem seguros na sua terra, sem haver quem os espante,
27 quando eu tornar a trazê-los de entre os povos, e os houver ajuntado das terras de seus inimigos, e tiver vindicado neles a minha santidade perante muitas nações.
28 Saberão que eu sou o Senhor, seu Deus, quando virem que eu os fiz ir para o cativeiro entre as nações, e os tornei a ajuntar para voltarem à sua terra, e que lá não deixarei a nenhum deles.
29 Já não esconderei deles o rosto, pois derramarei o meu Espírito sobre a casa de Israel, diz o Senhor Deus.

Mais uma vez é confirmado que o juízo teve por objetivo exaltar Seu nome sobre as nações e sobre Seu próprio povo e deixar claro que o exílio e todas as punições que eles sofreram foram por causa do seu pecado de idolatria, rebeldia e obstinação. Por isso, o Senhor escondeu Seu rosto deles, mas agora Ele se voltava para Seu povo porque estavam purificados.

Não haveria mais exílio. A paz a partir daquele momento seria duradoura, não mais fictícia ou temporária. Ele termina novamente com a promessa do derramamento do Espírito. Seu povo se esquecerá da sua vergonha e das suas traições quando eles habitarem em sua terra (Ez 39: 26). O povo habitará na terra em paz como um povo restaurado em seu relacionamento com o Senhor, na nova Jerusalém celestial.

Vídeo de ensino

Esse vídeo é parte do curso bíblico (link dourado no alto das páginas).

O Profeta Ezequiel

Este estudo se encontra no livro:


O livro do profeta Ezequiel; livro evangélico

O livro do profeta Ezequiel

The book of prophet Ezekiel

Resumo sobre os profetas:


livro evangélico: Profeta, o mensageiro de Deus

Profeta, o mensageiro de Deus

Prophet, the messenger of God

Sugestão para download:


tabela de profetas AT

Tabela dos profetas (PDF)

Table about the prophets (PDF)


Autora: Pastora Tânia Cristina Giachetti

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