Explicação de Ezequiel capítulo 37: A visão de um vale de ossos secos é uma profecia de restauração da nação após o exílio. Os dois reinos serão novamente uma só nação sob o reinado do Messias (“meu servo Davi”).

1 Veio sobre mim a mão do Senhor; ele me levou pelo Espírito do Senhor e me deixou no meio de um vale que estava cheio de ossos,
2 e me fez andar ao redor deles; eram mui numerosos na superfície do vale e estavam sequíssimos.
3 Então, me perguntou: Filho do homem, acaso, poderão reviver estes ossos? Respondi: Senhor Deus, tu o sabes.

Ezequiel 37 é uma profecia de restauração da nação após o exílio.
Mais uma vez Ezequiel foi arrebatado no espírito e o Senhor o levou a um vale de ossos secos.
Ezequiel andou ao redor dos ossos e viu que eram muito numerosos, como os ossos de mortos num campo de batalha.
Então, o Senhor lhe perguntou: “Filho do homem, acaso poderão reviver estes ossos?” Ezequiel lhe respondeu: “Senhor, tu o sabes”.
Talvez fosse impossível saber, devido às circunstâncias diante dos seus olhos, mas a fé do profeta estava no Deus vivo. Ezequiel sabia que o Todo-Poderoso poderia dar vida àqueles ossos.
4 Disse-me ele: Profetiza a estes ossos e dize-lhes: Ossos secos, ouvi a palavra do Senhor.
5 Assim diz o Senhor Deus a estes ossos: Eis que farei entrar o espírito em vós, e vivereis.
6 Porei tendões sobre vós, farei crescer carne, sobre vós estenderei pele e porei em vós o espírito, e vivereis. E sabereis que eu sou o Senhor.
7 Então, profetizei segundo me fora ordenado; enquanto eu profetizava, houve um ruído, um barulho de ossos que batiam contra ossos e se ajuntavam, cada osso ao seu osso.
8 Olhei, e eis que havia tendões sobre eles, e cresceram as carnes, e se estendeu a pele sobre eles; mas não havia neles o espírito.
9 Então, ele me disse: Profetiza ao espírito, profetiza ao espírito, ó filho do homem, e dize-lhe: Assim diz o Senhor Deus: Vem dos quatro ventos, ó espírito, e assopra sobre estes mortos para que vivam.
10 Profetizei como ele me ordenara, e o espírito entrou neles, e viveram e se puseram em pé, um exército sobremodo numeroso.
E o Senhor ordenou-lhe que profetizasse aos ossos e Deus faria entrar neles o espírito, e eles viveriam.
O Senhor poria tendões sobre eles, faria crescer carne e estenderia a pele, e eles teriam vida novamente.
O profeta profetizou e então houve um ruído, um barulho de ossos que se batiam contra ossos e se ajuntavam um com outro.
Apareceram tendões, carne, pele, mas ainda faltava o espírito neles.
E o Senhor lhe disse para profetizar novamente ao espírito em seu nome: “Vem dos quatro ventos, ó espírito, e assopra sobre esses mortos, para que vivam”.
Este trecho fala sobre o renascimento de uma pessoa em estado de morte espiritual.
Ezequiel obedeceu e o espírito entrou neles e viveram e se puseram de pé, numerosos como um exército.
Neste texto, o fôlego, ou espírito, enviado por Deus aos corpos sem vida simboliza o Espírito Santo (v. 14), que traz renovação, regeneração e renascimento.
11 Então, me disse: Filho do homem, estes ossos são toda a casa de Israel. Eis que dizem: Os nossos ossos se secaram, e pereceu a nossa esperança; estamos de todo exterminados.
12 Portanto, profetiza e dize-lhes: Assim diz o Senhor Deus: Eis que abrirei a vossasepultura, e vos farei sair dela, ó povo meu, e vos trarei à terra de Israel.
13 Sabereis que eu sou o Senhor, quando eu abrir a vossa sepultura e vos fizer sair dela, ó povo meu.
14 Porei em vós o meu Espírito, e vivereis, e vos estabelecerei na vossa própria terra. Então, sabereis que eu, o Senhor, disse isto e o fiz, diz o Senhor.
Então, o Senhor lhe explicou que esses ossos eram a casa de Israel, que dizia que seus ossos estavam secos, e já não tinham esperança, pois estavam exterminados.
“Toda a casa de Israel” (v. 11) não se referia apenas aos filhos do reino de Judá, que estavam ali ao lado do profeta, mas abrangia também os israelitas do reino do norte que foram exilados pelos assírios em 722 AC, quase 140 anos antes (se considerarmos que a data dessa profecia continua a do capítulo 32 – 585 AC). Deus não havia se esquecido deles.
Novamente o Senhor ordenou que o profeta profetizasse. O Senhor abriria a sepultura deles (símbolo da Babilônia e outras terras de exílio) e os faria sair dela e os traria de volta à terra de Israel.
E eles saberiam que Ele é o Senhor, e os chamava de “povo meu”. Ele ainda não tinha desistido deles.
Mais uma vez Deus lhes dá a promessa e pôr o Seu espírito neles e eles viveriam, e seriam estabelecidos na sua própria terra. Eles saberiam que aquilo que Ele disse, Ele mesmo o faria acontecer.
15 Veio a mim a palavra do Senhor, dizendo:
16 Tu, pois, ó filho do homem, toma um pedaço de madeira e escreve nele: Para Judá e para os filhos de Israel, seus companheiros; depois, toma outro pedaço de madeira e escreve nele: Para José, pedaço [NVI: vara] de madeira de Efraim, e para toda a casa de Israel, seus companheiros.
17 Ajunta-os um ao outro, faze deles um só pedaço, para que se tornem apenas um na tua mão.
Na segunda parte do capítulo 37 (Ez 37: 15-28), o Senhor explica que a nação voltará a ser unida como nos tempos de Davi.
Os dois reinos de Israel e Judá haviam sido separados desde a época do rei Roboão. O Senhor declara que reunirá os dois reinos e os transformará em uma nação sob um rei.
O Senhor falou para Ezequiel tomar dois pedaços de madeira e escrever nele “Para Judá” (Judá e Benjamim) e para “José” ou Efraim, ou seja, as dez tribos do norte). A tribo de Efraim era a mais influente tribo do reino do norte. Várias vezes no Antigo Testamento o reino do norte era chamado Efraim. José representa as dez tribos em geral; elas estavam na mão de Efraim, isto é, sob o governo de Jeroboão.
Para nós cristãos essa profecia já se cumpriu na primeira vinda de Jesus, quando Judá e Israel (os judeus convertidos em toda a nação) foram unidos espiritualmente debaixo do Seu amor, segundo as demais profecias de Ezequiel sobre ‘Davi’, o Messias (Ez 34: 23-24; Ez 37: 22, 24). Politicamente falando, as divisões entre o norte e o sul permaneceram mesmo no NT, quando era clara a animosidade entre judeus e samaritanos.
18 Quando te falarem os filhos do teu povo, dizendo: Não nos revelarás o que significam estas coisas?
19 Tu lhes dirás: Assim diz o Senhor Deus: Eis que tomarei o pedaço de madeira de José, que esteve na mão de Efraim, e das tribos de Israel, suas companheiras, e o ajuntarei ao pedaço de Judá, e farei deles um só pedaço, e se tornarão apenas um na minha mão.
20 Os pedaços de madeira em que houveres escrito estarão na tua mão, perante eles.
21 Dize-lhes, pois: Assim diz o Senhor Deus: Eis que eu tomarei os filhos de Israel dentre as nações para onde eles foram, e os congregarei de todas as partes, e os levarei à sua terra.
22 Farei deles uma só nação na terra, nos montes de Israel, e um só rei será rei de todos eles. Nunca mais serão duas nações; nunca mais para o futuro se dividirão em dois reinos.
23 Nunca mais se contaminarão com os seus ídolos, nem com as suas abominações, nem com qualquer das suas transgressões; livrá-los-ei de todas as suas apostasias em que pecaram e os purificarei. Assim, eles serão o meu povo, e eu serei o seu Deus.
[KJV-Fiel: Nem mais se contaminarão com os seus ídolos, nem com suas coisas detestáveis, nem com qualquer uma das suas transgressões; mas eu os livrarei de todas as suas habitações em que pecaram, e os limparei; assim eles serão o meu povo, e eu serei o seu Deus].
E quando o povo perguntasse a Ezequiel o que aquilo significava, ele deveria dizer que o Senhor pegaria o pedaço correspondente às dez tribos e o ajuntaria a Judá e faria deles um só pedaço.
O Israel espalhado entre as nações seria trazido à sua própria terra e haveria uma só nação com um único rei para todos eles, ou seja, o Messias. Nunca mais se dividiriam em dois reinos.
Eles seriam purificados das suas idolatrias, dos seus pecados e apostasias. Aí, sim, eles seriam povo de Deus e Ele seria o Seu Deus.
24 O meu servo Davi [referência a Jesus] reinará sobre eles; todos eles terão um só pastor, andarão nos meus juízos, guardarão os meus estatutos e os observarão.
25 Habitarão na terra que dei a meu servo Jacó, na qual vossos pais habitaram; habitarão nela, eles e seus filhos e os filhos de seus filhos, para sempre; e Davi, meu servo, será seu príncipe eternamente.
26 Farei com eles aliança de paz; será aliança perpétua. Estabelecê-los-ei, e os multiplicarei, e porei o meu santuário no meio deles, para sempre.
27 O meu tabernáculo [NVI: minha morada] estará com eles; eu serei o seu Deus, eles serão o meu povo.
28 As nações saberão que eu sou o Senhor que santifico a Israel, quando o meu santuário estiver para sempre no meio deles”.
Novamente, Deus fala sobre Seu servo Davi que reinará sobre eles como pastor, guiando-os nos mandamentos de Deus.
Eles habitarão seguros na terra que foi prometida a Jacó, e Davi, “o Servo”, será seu príncipe eternamente.
A aliança de paz entre eles e Deus seria feita e Ele poria o Seu santuário no meio deles (Sf 3:17-20, Hb 8:1-2; 6-13).
E esta seria uma aliança eterna.
Para Ezequiel, um sacerdote do AT, e os exilados babilônicos, nenhuma restauração poderia estar completa sem algum tipo de templo, pois isso seria uma maneira de Deus demonstrar que Ele não estava morto e que Israel ainda era o Seu povo. Por isso, o profeta menciona o ‘santuário’ ou ‘tabernáculo’, mesmo que do ponto de vista de Deus, esse santuário fosse ‘espiritual’ (tendo Seu ‘servo Davi’ reinando sobre eles). Entretanto, o segundo templo foi erguido fisicamente para que os Judeus se vissem restaurados.
“O meu tabernáculo” ou “O meu santuário” (v. 27), como Deus menciona aqui e que estará com eles, é o próprio Jesus, como Ele mesmo disse em Lc 17: 20-21: “o reino de Deus está dentro de vós” (ARA) ou “o Reino de Deus está entre vocês” (NVI © 1993, 2000). Paulo também diz que nós somos santuário do Deus vivente, pois o Espírito de Deus habita em nós (2 Co 6: 16). E Deus também fala (Ez 37: 27): “eu serei o seu Deus, eles serão o meu povo” (ver Lv 26: 12; Jr 32: 38).
Jesus veio, esteve no meio do Seu povo como o Tabernáculo do Deus Vivo (Hb 9: 11-12), mas eles não O reconheceram.
Todos os judeus que O receberam nos seus corações estiveram unidos espiritualmente sob Seu governo e pastoreio.
Esse vídeo é parte do curso bíblico (link dourado no alto das páginas).



Table about the prophets (PDF)
Autora: Pastora Tânia Cristina Giachetti
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