Explicação de Ezequiel capítulo 35: Edom ajudou os babilônios a saquearem Jerusalém e manteve sua “velha hostilidade” contra Israel. Edom desejava assumir o controle de Judá e Israel, e por isso seria punido.

1 Veio a mim a palavra do Senhor, dizendo:
2 Filho do homem, volve o rosto contra o monte Seir e profetiza contra ele.
3 Dize-lhe: Assim diz o Senhor Deus: Eis que eu estou contra ti, ó monte Seir, e estenderei a mão contra ti, e te farei desolação e espanto [NVI: um deserto arrasado].
4 Farei desertas as tuas cidades, e tu serás desolado; e saberás que eu sou o Senhor.
No capítulo 35 (Ez 35: 1-15) há uma nova profecia contra Edom (Monte Seir), pois se alegrou com a destruição de Israel e manteve uma velha hostilidade (Ez 25: 12-14).
Outros profetas profetizaram contra Edom: Is 34: 1-10; Is 63: 1-6; Jr 49: 7-22; Jl 3: 19; Am 1: 11-12; Ob 1-9.
Edom, neste capítulo, é uma nação julgada para abrir o caminho da bênção do povo de Deus depois da Sua restauração.
Edom é a área montanhosa ao sul do mar Morto habitada pelos descendentes de Esaú (ou Edom), quando ele tomou a terra de Seir, o horeu, que antes habitava lá. Por isso, Edom é freqüentemente chamado de Seir (Ez 35: 15; Ez 25: 8; Gn 36: 8-9; 20).
A capital de Edom era Bozra (Botsra, Botzrah, Bozrah), hoje uma pequena cidade da Jordânia chamada de Buseirah. Edom corresponde hoje ao território ao sul da Jordânia.
5 Pois guardaste inimizade perpétua e abandonaste os filhos de Israel à violência da espada, no tempo da calamidade e do castigo final [NVI: Visto que você manteve uma velha hostilidade e entregou os israelitas à espada na hora da desgraça, na hora em que o castigo deles chegou].
“Inimizade perpétua” ou “velha hostilidade” se refere à rixa entre Esaú e Jacó, que começou quando Esaú vendeu seu direito de primogenitura por um prato de comida.
Mesmo que a bíblia descreva sua reconciliação com Jacó quando este voltou de Harã, e mesmo que Esaú tenha aberto mão do seu ódio pelo irmão, ele pode ter transmitido esse sentimento aos seus descendentes, por isso a bíblia descreve essa “inimizade perpétua” ou “velha hostilidade” ainda aqui em Ezequiel.
Amom, Moabe e Edom, cujas terras o Senhor não permitiu Israel invadir quando entrou em Canaã, não levaram isso em conta e mais tarde se voltaram contra Israel (2 Cr 20: 10-11).
6 Por isso, diz o Senhor Deus, tão certo como eu vivo, eu te fiz sangrar, e sangue te perseguirá; visto que não aborreceste o sangue, o sangue te perseguirá [NVI: por isso, juro pela minha vida, palavra do Soberano, o SENHOR, que entregarei você ao espírito sanguinário, e este o perseguirá. Uma vez que você não detestou o espírito sanguinário, este o perseguirá].
7 Farei do monte Seir extrema desolação e eliminarei dele o que por ele passa e o que por ele volta.
8 Encherei os seus montes dos seus traspassados; nos teus outeiros, nos teus vales e em todas as tuas correntes, cairão os traspassados à espada [NVI; Encherei seus montes de mortos; os mortos à espada cairão em suas colinas, em seus vales e em todas as suas ravinas].
9 Em perpétuas desolações, te porei, e as tuas cidades jamais serão habitadas; assim sabereis que eu sou o Senhor.
Como os edomitas não abandonaram sua sede de sangue (ARA: “visto que não aborreceste o sangue”; NVI: “você não detestou o espírito sanguinário”), o Senhor dizia que o sangue o perseguiria.
No Monte Seir, haveria desolação e os edomitas seriam mortos à espada. Suas cidades jamais seriam habitadas.
A profecia foi literalmente cumprida, em especial nas principais cidades dos edomitas: Petra e Tema. Hoje, elas se encontram em ruínas.
10 Visto que dizes: Os dois povos e as duas terras serão meus, e os possuirei, ainda que o Senhor se achava ali, [NVI: Uma vez que você disse: ‘Estas duas nações e povos serão nossos e nos apossaremos deles’, estando eu, o SENHOR, ali,]
11 por isso, tão certo como eu vivo, diz o Senhor Deus, procederei segundo a tua ira e segundo a tua inveja, com que, no teu ódio, os trataste; e serei conhecido deles, quando te julgar.
Edom desejava assumir o controle de Judá e Israel após a destruição causada pelos babilônios.
• Ez 35: 10: “Os dois povos e as duas terras” ou “Essas duas nações e povos” se referem Israel e Judá.
Embora os judeus estivessem exilados da sua terra, o Senhor estava lá. Ele iria guardar e preservar a Sua terra contra qualquer povo que quisesse tomá-la.
Nós podemos perceber que no AT a posse de um território, de um pedaço de terra, era algo levado muito a sério, em especial as terras dadas pelo Senhor como herança às Suas tribos ou as terras individuais de Seus filhos, com o caso de Acabe e Nabote (1 Rs 21: 1-29), ou o território de Anatote pertencente por direito a Jeremias (Jr 32: 7-8). Assim, quem tomasse as terras de outra pessoa ou a adquirisse em momentos de crise tinha que devolvê-las no ano do jubileu (Lv 25: 10-17; 25-28). Mesmo que os judeus tivessem pecado e estivessem em exílio, Sua terra tinha sido uma promessa de Deus ao patriarca Abraão e, portanto, era uma terra santa diante do Senhor, não podendo ser transferida para outras mãos sem o Seu consentimento. E isso pode ser uma fonte de esperança para nós hoje, pois uma coisa que nos pertence materialmente falando, principalmente se é fruto de uma promessa de Deus, está sob Seu domínio e não pode ser transferida para quem quer que seja, pois Deus mesmo guarda nossos bens. Onde houve alguma espécie de roubo na nossa vida, também vai haver um acerto. O Senhor nos restituirá.
12 Saberás que eu, o Senhor, ouvi todas as blasfêmias que proferiste contra os montes de Israel, dizendo: Já estão desolados, a nós nos são entregues por pasto.
13 Vós vos engrandecestes contra mim com a vossa boca e multiplicastes as vossas palavras contra mim; eu o ouvi.
O Senhor ouviu suas blasfêmias e cita a ira deles, o ódio e a inveja com que eles trataram Israel, quando Nabucodonosor invadiu Judá.
14 Assim diz o Senhor Deus: Ao alegrar-se toda a terra, eu te reduzirei à desolação [NVI: Pois assim diz o Soberano, o SENHOR: Enquanto a terra toda se regozija, eu o arrasarei].
15 Como te alegraste com a sorte da casa de Israel, porque foi desolada, assim também farei a ti; desolado serás, ó monte Seir e todo o Edom, sim, todo; e saberão que eu sou o Senhor.
Edom se tornou estado vassalo da Assíria em 736 AC no reinado de Tiglate-Pileser III (745-727 AC).
Após a queda do Império Neo-Assírio no final do século VII AC (612 AC), Edom recuperou sua independência, controlando rotas comerciais importantes, como a Rota da Seda, que passava por Petra.
Mas foi conquistado por Nabucodonosor cinco anos após a queda de Jerusalém (581 AC).
Depois, caiu nas mãos dos persas em 539 AC, no século III AC foi conquistado pelos Nabateus (seu ancestral era Nebaiote, o primogênito de Ismael).
Judas Macabeu os subjugou (séc. II AC) e João Hircano I (séc. II-I AC) os obrigou a circuncidar-se para serem incorporados pelo povo judeu.
O povo de Edom definitivamente foi destruído por Tito em 70 DC.
Edom, na verdade, é o símbolo dos inimigos do povo de Deus, e que serão julgados com rigor na segunda vinda de Cristo.
Esse vídeo é parte do curso bíblico (link dourado no alto das páginas).



Table about the prophets (PDF)
Autora: Pastora Tânia Cristina Giachetti
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