Explicação de Ezequiel capítulo 33: Deus repete a responsabilidade do verdadeiro atalaia. O mensageiro traz a notícia da queda de Jerusalém. A data desta profecia é 585 AC (2 meses após Ez 32).


Ezequiel capítulo 33



O dever do verdadeiro atalaia

1 Veio a mim a palavra do Senhor, dizendo:
2 Filho do homem, fala aos filhos de teu povo e dize-lhes: Quando eu fizer vir a espada sobre a terra, e o povo da terra tomar um homem dos seus limites, e o constituir por seu atalaia;
3 e, vendo ele que a espada vem sobre a terra, tocar a trombeta e avisar o povo;
4 se aquele que ouvir o som da trombeta não se der por avisado, e vier a espada e o abater, o seu sangue será sobre a sua cabeça.
5 Ele ouviu o som da trombeta e não se deu por avisado; o seu sangue será sobre ele; mas o que se dá por avisado salvará a sua vida.
6 Mas, se o atalaia vir que vem a espada e não tocar a trombeta, e não for avisado o povo; se a espada vier e abater uma vida dentre eles, este foi abatido na sua iniqüidade, mas o seu sangue demandarei do atalaia.
7 A ti, pois, ó filho do homem, te constituí por atalaia sobre a casa de Israel; tu, pois, ouvirás a palavra da minha boca e lhe darás aviso da minha parte.
8 Se eu disser ao perverso: Ó perverso, certamente, morrerás; e tu não falares, para avisar o perverso do seu caminho, morrerá esse perverso na sua iniqüidade, mas o seu sangue eu o demandarei de ti.
9 Mas, se falares ao perverso, para o avisar do seu caminho, para que dele se converta, e ele não se converter do seu caminho, morrerá ele na sua iniqüidade, mas tu livraste a tua alma.

No capítulo 33, Deus reforçou para Ezequiel as responsabilidades do verdadeiro atalaia.
O Senhor explicou que se Ezequiel visse o perigo chegando, ele deveria alertar o povo para que eles se afastassem de seus maus caminhos e evitasse a destruição. Se ele falhasse em avisar o povo, então o sangue deles estaria em suas mãos.
Ele deveria transmitir ao povo as palavras do Senhor para que todos tivessem a chance de escolher seu próprio caminho.

10 Tu, pois, filho do homem, dize à casa de Israel: Assim falais vós: Visto que as nossas prevaricações e os nossos pecados estão sobre nós, e nós desfalecemos neles, como, pois, viveremos?
11 Dize-lhes: Tão certo como eu vivo, diz o Senhor Deus, não tenho prazer na morte do perverso, mas em que o perverso se converta do seu caminho e viva. Convertei-vos, convertei-vos dos vossos maus caminhos; pois por que haveis de morrer, ó casa de Israel?
12 Tu, pois, filho do homem, dize aos filhos do teu povo: A justiça do justo não o livrará no dia da sua transgressão; quanto à perversidade do perverso, não cairá por ela, no dia em que se converter da sua perversidade; nem o justo pela justiça poderá viver no dia em que pecar.
13 Quando eu disser ao justo que, certamente, viverá, e ele, confiando na sua justiça, praticar iniqüidade, não me virão à memória todas as suas justiças, mas na sua iniqüidade, que pratica, ele morrerá.
14 Quando eu também disser ao perverso: Certamente, morrerás; se ele se converter do seu pecado, e fizer juízo e justiça,
15 e restituir esse perverso o penhor, e pagar o furtado, e andar nos estatutos da vida, e não praticar iniqüidade, certamente, viverá; não morrerá.
16 De todos os seus pecados que cometeu não se fará memória contra ele; juízo e justiça fez; certamente, viverá.

As suas ofensas e pecados contra Deus pesavam sobre eles, e eles desfaleciam, mas como eles poderiam viver? (Ez 33:10).
Esse verbo ‘desfalecer’, no hebraico significa ‘apodrecer, enfraquecer ou definhar’.
E o Senhor lhes respondeu que se eles se convertessem dos seus maus caminhos eles viveriam, pois Ele não tem prazer na morte de ninguém. Eles teriam que praticar o juízo e a justiça.

17 Todavia, os filhos do teu povo dizem: Não é reto o caminho do Senhor; mas o próprio caminho deles é que não é reto.
18 Desviando-se o justo da sua justiça e praticando iniqüidade, morrerá nela.
19 E, convertendo-se o perverso da sua perversidade e fazendo juízo e justiça, por isto mesmo viverá.
20 Todavia, vós dizeis: Não é reto o caminho do Senhor. Mas eu vos julgarei, cada um segundo os seus caminhos, ó casa de Israel.

Mas eles não achavam retos os caminhos do Senhor. Por isso, o Senhor os julgaria segundo as suas obras.

O mensageiro traz a notícia da queda de Jerusalém

21 No ano duodécimo do nosso exílio, aos cinco dias do décimo mês, veio a mim um que tinha escapado de Jerusalém, dizendo: Caiu a cidade.
22 Ora, a mão do Senhor estivera sobre mim pela tarde, antes que viesse o que tinha escapado; abrira-se-me a boca antes de, pela manhã, vir ter comigo o tal homem; e, uma vez aberta, já não fiquei em silêncio [NVI: Ora, na tarde do dia anterior, a mão do SENHOR estivera sobre mim, e ele abriu a minha boca antes de chegar aquele homem. Assim foi aberta a minha boca, e eu não me calei mais].

Essa profecia foi dada 2 meses antes da profecia anterior (capítulo 32), sobre Faraó e o Egito.
No 5º dia do 10º mês (Tebete, Dezembro-Janeiro) do 12º ano do cativeiro, um homem que tinha escapado de Jerusalém chegou à Babilônia pela manhã, avisando que a cidade havia caído. Ele demorou 5 meses para chegar até lá com a notícia.
No 9º dia do 4º mês (Tamuz, Junho-Julho) do 11º ano do reinado do rei Zedequias (586 AC), Jerusalém foi arrombada e o rei foi levado cativo (2 Rs 25: 3-4; Jr 39: 2-7; Jr 52: 4-12).
No 7º dia do 5º mês (’Abh, Julho-Agosto) do 19º ano de Nabucodonosor (586 AC – 2 Rs 25: 8 – 1 mês depois do exílio de Zedequias), Jerusalém foi completamente arrasada, incluindo o templo do Deus de Israel.
Então, Deus lhes mostrou a razão da queda de Jerusalém.

23 Então, veio a mim a palavra do Senhor, dizendo:
24 Filho do homem, os moradores destes lugares desertos da terra de Israel falam, dizendo: Abraão era um só; no entanto, possuiu esta terra; ora, sendo nós muitos, certamente, esta terra nos foi dada em possessão.
25 Dize-lhes, portanto: Assim diz o Senhor Deus: Comeis a carne com sangue, levantais os olhos para os vossos ídolos e derramais sangue; porventura, haveis de possuir a terra?
26 Vós vos estribais sobre a vossa espada, cometeis abominações, e contamina cada um a mulher do seu próximo; e possuireis a terra?
27 Assim lhes dirás: Assim diz o Senhor Deus: Tão certo como eu vivo, os que estiverem em lugares desertos cairão à espada, e o que estiver em campo aberto, o entregarei às feras, para que o devorem, e os que estiverem em fortalezas e em cavernas morrerão de peste.
28 Tornarei a terra em desolação e espanto, e será humilhado o orgulho do seu poder; os montes de Israel ficarão tão desolados, que ninguém passará por eles.
29 Então, saberão que eu sou o Senhor, quando eu tornar a terra em desolação e espanto, por todas as abominações que cometeram.

O profeta falou ao povo que havia restado nas ruínas de Jerusalém as palavras de Deus: eles tinham comido carne com seu sangue, olhado para os ídolos e praticado a violência, cometendo assassinato e adultério, por isso estavam sendo punidos.
Muitos morreriam pela espada ou por animais selvagens ou por peste. A terra deles seria desolada e cairia o orgulho deles. Assim, eles saberiam que Ele é o Senhor.

Não se sabe aqui se esse povo que tinha ficado era o grupo de Ismael, capitão do exército que havia matado Gedalias (Jr 41:2) ou o grupo de Joanã que depois fugiu para o Egito (Jr 43: 5-7). Ezequiel provavelmente despachou a mensagem pela pessoa que lhe trouxe a notícia da destruição de Jerusalém ou por algum mensageiro que não um exilado.

30 Quanto a ti, ó filho do homem, os filhos do teu povo falam de ti junto aos muros e nas portas das casas; fala um com o outro, cada um a seu irmão, dizendo: Vinde, peço-vos, e ouvi qual é a palavra que procede do Senhor.
31 Eles vêm a ti, como o povo costuma vir, e se assentam diante de ti como meu povo, e ouvem as tuas palavras, mas não as põem por obra; pois, com a boca, professam muito amor, mas o coração só ambiciona lucro.
32 Eis que tu és para eles como quem canta canções de amor, que tem voz suave e tange bem; porque ouvem as tuas palavras, mas não as põem por obra.
33 Mas, quando vier isto e aí vem, então, saberão que houve no meio deles um profeta.

Deus também revelou a Ezequiel que o povo vinha a ele, ouvia suas palavras, mas não as praticavam. Eles não queriam a instrução divina, mas entretenimento.
Seu coração não era reto, e o profeta era para eles como um bom cantor, mas não acreditavam no que ele dizia.
Entretanto, chegaria o dia em que eles saberiam que um profeta esteve no meio deles.

Vídeo de ensino

Esse vídeo é parte do curso bíblico (link dourado no alto das páginas).

O Profeta Ezequiel

Este estudo se encontra no livro:


O livro do profeta Ezequiel; livro evangélico

O livro do profeta Ezequiel

The book of prophet Ezekiel

Resumo sobre os profetas:


livro evangélico: Profeta, o mensageiro de Deus

Profeta, o mensageiro de Deus

Prophet, the messenger of God

Sugestão para download:


tabela de profetas AT

Tabela dos profetas (PDF)

Table about the prophets (PDF)


Autora: Pastora Tânia Cristina Giachetti

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