Explicação de Ezequiel capítulo 30: A destruição do Egito e seus aliados, e dos ídolos das cidades (Mênfis, Patros, Zoã, Tebas, Pelúsio ou Sim, Om, Bubástis, Tafnes). Deus secaria seus riachos e quebraria os dois braços de Faraó.

1 Veio a mim a palavra do Senhor, dizendo:
2 Filho do homem, profetiza e dize: Assim diz o Senhor Deus: Gemei: Ah! Aquele dia!
3 Porque está perto o dia, sim, está perto o Dia do Senhor, dia nublado; será o tempo dos gentios [NVI: uma época de condenação para as nações].
4 A espada virá contra o Egito, e haverá grande dor na Etiópia [Hebraico; Cuxe], quando caírem os traspassados no Egito; o seu povo será levado para o cativeiro, e serão destruídos os seus fundamentos [NVI: A espada virá contra o Egito, e angústia virá sobre a Etiópia. Quando os mortos caírem no Egito, sua riqueza lhe será tirada e os seus alicerces serão despedaçados].
O capítulo 30 é um lamento pelo Egito, onde Deus confirma que a nação seria conquistada pela Babilônia (entre 568-567 AC). Provavelmente essa profecia segue a última data (570 AC).
No v. 3 Ezequiel menciona o “Dia do Senhor” e acrescenta que será um dia nublado e uma época de condenação para as nações.
A expressão “Dia do Senhor”, na bíblia, representa um dia de julgamento de Deus, seja localizado num pequeno espaço de tempo e uma determinada situação, seja para um futuro da humanidade, onde Seus inimigos e os inimigos do Seu povo são julgados, um dia em que Sua paciência se esgota.
A imagem da “nuvem” simboliza julgamento e destruição, bem como a presença majestosa de Deus; um tempo de condenação para as nações que se opõem a Deus.
A invasão do Egito causaria também angústia e preocupação na Etiópia, sua aliada. A Etiópia é um país africano que faz fronteira com o Egito, portanto, a mais próxima e a primeira a sofrer com a desintegração do Egito.
No v. 4, a bíblia escreve: “A espada virá contra o Egito, e angústia virá sobre a Etiópia. Quando os mortos caírem no Egito, sua riqueza lhe será tirada e os seus alicerces serão despedaçados” (NVI).
Deus falou com o profeta dizendo que Ele iria enviar uma nação impiedosa para destruir o Egito e deixar a terra cheia de mortos. Essa nação era a Babilônia, a maior potência militar do mundo naquela época. Quando Nabucodonosor invadiu o Egito e derrotou o Faraó Amósis II em 568 AC, a invasão foi violenta e deixou o Egito em ruínas, pois o rei babilônico saqueou as cidades egípcias e levou muitos tesouros como espólio de guerra. A riqueza do Egito estava ligada à sua posição estratégica e ao seu comércio, que obviamente seriam afetados pela guerra. A Etiópia, por sua vez, sendo a nação mais próxima e mais beneficiada pela riqueza do Egito, sentiria os efeitos da guerra, mesmo que Nabucodonosor não entrasse ali naquele momento. Mas Deus continua.
5 A Etiópia [Cuxe], Pute [ou Pul, Is 66: 19, i.e., Líbia], e Lude [Lídia, Is 66: 19], e toda a Arábia, os de Cube [provavelmente um povo ao norte da África ou próximo ao sul do Egito] e os outros aliados do Egito cairão juntamente com ele à espada [NVI: “A Etiópia e Pute, Lude e toda a Arábia, a Líbia e o povo da terra da aliança cairão à espada com o Egito”].
6 Assim diz o Senhor: Também cairão os que sustêm o Egito [NVI: os aliados do Egito], e será humilhado o orgulho do seu poder; desde Migdol até Sevene, cairão à espada, diz o Senhor Deus.
7 Serão desolados no meio das terras desertas; e as suas cidades estarão no meio das cidades devastadas.
8 Saberão que eu sou o Senhor, quando eu tiver posto fogo no Egito e se acharem destruídos todos os que lhe prestavam auxílio.
9 Naquele dia, sairão mensageiros de diante de mim em navios, para espantarem a Etiópia descuidada; e sobre ela haverá angústia, como no dia do Egito; pois eis que já vem.
O Egito havia feito aliança com outras nações. Algumas eram aliadas econômicas, outras, aliadas militares, e outras ainda, eram aliadas com o intuito de fortalecer todas as práticas pagãs e idólatras que envolviam aquelas nações. Aqui a bíblia fala que seus aliados morreriam à espada, ou seja, elas seriam conquistadas em guerra por exércitos estrangeiros. Nabucodonosor não chegou a anexar o Egito ao seu império, nem as outras nações da África ao seu redor, mas a sua invasão foi o estopim para desencadear a interrupção do comércio, das alianças militares e do intercâmbio cultural e religioso entre países, ou seja, seus ‘alicerces’ ou ‘fundamentos’ (v.4). A invasão de Nabucodonosor foi o estopim para o declínio do Egito e para a instalação de novos impérios: os persas, os gregos e os romanos.
A Etiópia se sentia segura, mas no dia da queda do Egito, o Senhor lhe enviaria mensageiros em navios e a assustaria (Is 18: 2), pois o poderoso Egito era o pilar para as demais nações ao seu redor. A nação possuía vastos exércitos há séculos, mais do que qualquer outro povo. E mantinha boas relações com a Arábia (2 Cr 21: 16). Por isso Ezequiel menciona a Arábia aqui. Etiópia e Egito estiveram juntos em muitos momentos da História, como durante o período assírio e na época de Neco II (610-595 AC) contra a Babilônia em Carquemis (2 Cr 35: 20; Jr 46: 9).
A conquista do Egito por Cambises II em 525 AC abarcou a Etiópia (Cuxe) no domínio persa (Et 1: 1; Et 8: 9) e essa nação também sofreu sob sua violência, assim como os egípcios.
Os impérios grego e romano que se seguiram, sempre mantiveram controle sobre Egito e Etiópia em especial. Dessa forma, as nações vizinhas do Egito também foram conquistadas por exércitos estrangeiros ao longo dos séculos.
O Reino de Cuxe persistiu até os séculos III-VI, quando foi finalmente dominado pelo Reino de Axum, atual Eritréia. Sendo uma nação inicialmente cristã, a Etiópia foi dominada depois pelos turcos mamelucos (soldados e governantes muçulmanos de origem escrava), de religião Islâmica, por volta de 1315 DC.
Etiópia, Pute e Líbia cairiam diante de Nabucodonosor (Jr 46: 9; Ez 30: 4-5; Na 3: 9-10).
10 Assim diz o Senhor Deus: Eu, pois, farei cessar a pompa do Egito, por intermédio de Nabucodonosor, rei da Babilônia [NVI: “Assim diz o Soberano, o SENHOR: Darei fim à população do Egito pelas mãos do rei Nabucodonosor, da Babilônia”; KJV: “Porei fim às hordas do Egito”].
11 Ele [Nabucodonosor] e o seu povo com ele, os mais terríveis das nações, serão levados para destruírem a terra; desembainharão a espada contra o Egito e encherão de traspassados a terra.
12 Secarei os rios e venderei a terra, entregando-a nas mãos dos maus; por meio de estrangeiros, farei desolada a terra e tudo o que nela houver; eu, o Senhor, é que falei.
Através de Nabucodonosor, Deus poria um fim à arrogância do Egito (ARA: “farei cessar a pompa do Egito”; KJV: “Porei fim às hordas do Egito”), pois seus exércitos sempre foram um motivo de orgulho para aquela nação.
• Ez 30: 12: “Secarei os rios e venderei a terra, entregando-a nas mãos dos maus”.
Deus traria uma seca que afetaria o ciclo anual de cheia no Nilo, e isso comprometeria a lavoura, as colheitas, a economia e a vida de todos os cidadãos da nação. Era uma punição sobre o Egito por sua arrogância e idolatria.
• Ez 30: 12: “Por meio de estrangeiros, farei desolada a terra e tudo o que nela houver” – isso se refere aos babilônios.
Os “homens maus” que comprariam a terra eram provavelmente os inimigos do Egito que se aproveitariam da fraqueza do país após a seca e a invasão.
A seca comprometendo os riachos do Nilo simbolizava a retirada da bênção de Deus sobre o Egito.
13 Assim diz o Senhor Deus: Também destruirei os ídolos e darei cabo das imagens em Mênfis; já não haverá príncipe na terra do Egito, onde implantarei o terror.
14 Farei desolada a Patros [NVI: Arrasarei o Alto Egito], porei fogo em Zoã e executarei juízo em Nô [NVI: Tebas].
15 Derramarei o meu furor sobre Sim [NVI: Pelúsio], fortaleza do Egito, e exterminarei a multidão de Nô [NVI: acabarei com a população de Tebas; NIV em inglês: ‘Hordas de Tebas’].
16 Atearei fogo no Egito; Sim terá grande angústia, Nô será destruída, e Mênfis [Hebr.: Noph] terá adversários em pleno dia [NVI: Incendiarei o Egito; Pelúsio se contorcerá de agonia. Tebas será levada pela tempestade; Mênfis estará em constante aflição; NABRE: Tebas será invadida e Mênfis sitiada à luz do dia].
17 Os jovens de Áven [NVI: Heliópolis] e de Pi-Besete [NVI: Bubástis] cairão à espada, e estas cidades cairão em cativeiro.
18 Em Tafnes, se escurecerá o dia, quando eu quebrar ali os jugos do Egito e nela cessar o orgulho do seu poder; uma nuvem a cobrirá, e suas filhas cairão em cativeiro [NVI: As trevas imperarão em pleno dia em Tafnes quando eu quebrar o cetro do Egito; ali sua força orgulhosa chegará ao fim. Ficará coberta de nuvens, e os moradores dos seus povoados irão para o cativeiro].
19 Assim, executarei juízo no Egito, e saberão que eu sou o Senhor.
Os ídolos egípcios seriam destruídos. Cambises, por exemplo, destruiu os ídolos do Egito, mais por desprezo a toda religião do que em revolta contra a idolatria. Muitas cidades importantes no Egito seriam incendiadas e totalmente arrasadas em razão disso.
1) Mênfis (Hebr.: Mõph ou Nõph). É mencionada em Os 9: 6; Is 19: 13; Jr 2: 16; Jr 46:14,19; Ez 30:13,16. Ramessés II (ou Ramsés II), Merneptá (ou Meremptá) e Psamético I efetuaram extensas edificações nessa região. Os deuses principais da cidade eram Ptá, Sekmet, Sokar e Nefertem. No templo de Mênfis era conservado vivo o boi Ápis (o touro de Mênfis).
2) Patros – é o nome bíblico para a região do Alto Egito (o sul do país, correspondendo à área de Tebas/Luxor até Assuã), e Cuxe (ou Etiópia). Os deuses mais adorados na região eram:
• A Tríade de Tebas: Amon-Rá, Mut e Khonsu.
•• Amon: freqüentemente associado ao sol e ao ar, sendo posteriormente chamado de Amon-Rá; portanto, o deus supremo. É diferente de Amon de Tebas, o deus ‘oculto’, o deus guerreiro, substituto de Montu, a quem Amon venceu.
•• Mut: Esposa de Amon e rainha das deusas, simbolizada por um abutre, representava a maternidade.
•• Khonsu: O deus da lua, filho de Amon e Mut.
• Osíris, Ísis e Hórus: A trindade mais popular e venerada em todo o Egito, incluindo a região sul, representando a ressurreição, a magia, a maternidade e os céus.
• Khnum: Deus da criação, representado com cabeça de carneiro, muito adorado na região das cataratas do Nilo (Elefantina, no extremo sul de Patros).
3) Zoã (Tânis) – lá estavam os maiores conselheiros e príncipes de Faraó (Is 19: 11,13; Is 30: 4). Na mesma região se encontravam as cidades de Ramessés (antes, chamada Aváris) e Pitom (Êx 1: 11). Tânis foi capital dos Faraós da 21ª à 23ª dinastia. Um grande templo de Amom foi construído em Tânis, com pedras das ruínas de Pi-Ramessés.
O fato de estar escrito em Êx 1: 11 que os judeus escravos edificaram cidades-celeiros como Pitom e Ramessés, antes mesmo de Pi-Ramessés (ou Per-Ramessés, ‘A Casa de Ramessés’) existir, pois foi reconstruída por Ramessés II (1279-1212 AC) na 19ª dinastia (1295–1185 AC), sobre a antiga cidade de Aváris, pode significar apenas que os posteriores escritores bíblicos e tradutores do texto original de Moisés resolveram usar o nome que era mais conhecido na época para essa região onde se deu o Êxodo. Pi-Ramessés foi a capital do Baixo Egito até o fim da 20ª dinastia egípcia.
4) Tebas ou Nô-Amom (‘a cidade do deus Amom’ – em egípcio, n’iw(t)-’Imn) era uma cidade do Alto Egito, a leste do Nilo. Ámon (Amon ou Amun; em grego: ’Άμμων Ámmōn ou ‘Άμμων Hámmōn; em egípcio: Yamānu) era adorado em Tebas e Tânis (Zoã). Seu nome significa ‘o oculto’, uma vez que originalmente era a personificação dos ventos. A partir da XVIII dinastia (com o Faraó Tutancâmon – 1336-1327 AC) ele se tornou o deus do Império, passando a ser chamado de Amon-Rá (ou Amom-Re‘) por sua união com o deus cósmico Rá (Re‘ ou Atom, o deus-sol), e reverenciado sob aspectos criadores e solares. Derrotou Montu, deus solar considerado como a manifestação destrutiva do calor do sol. O culto a Amon acabou com a destruição de Tebas em 661 AC pelos assírios. No século VII DC, Tebas foi reconstruída pelos árabes e recebeu o nome de Luxor (também conhecida como Carnaque).
5) Sim (ou Pelúsio), no delta do Nilo; em Ez 30: 15 é chamada de ‘fortaleza do Egito’ (ma ‘ōz miṣrayim), simbolizando o poder egípcio. Pelúsio ou Sin (em hebraico, סִין, Ciyn, Strong #5512), segundo Gesenius (*) significa ‘lama’, ‘argila’ ou ‘lugar lamacento’. A cidade era conhecida na antiguidade por sua localização pantanosa e alagadiça. Sin é um nome que procede da mesma raiz egípcia, sjnw.
(*) Heinrich Friedrich Wilhelm Gesenius (1786–1842) era um orientalista alemão, crítico bíblico, teólogo e hebraísta, famoso por sua gramática hebraica e seu léxico hebraico bíblico.
A cidade foi conhecida por outros nomes, como Sena, Per-Amom, Per-Amun (‘templo de Amom’ ou ‘casa de Amom’), Pelousion (Πηλούσιον em grego clássico), Sin (em caldeu e hebraico), Seyân (em aramaico), Farama ou Al-Farama (algumas fontes históricas árabes, derivado dos nomes coptas) e Tell El-Farama (em árabe egípcio e árabe moderno).
Pelúsio, assim como Tafnes, era uma cidade fortificada, abrigando guarnições de defesa do Egito. Pelúsio se localizava um pouco mais a leste do que Tafnes.
Os deuses ali adorados eram:
• Amom (ou Amun) ou Zeus-Amon (uma fusão grega do deus egípcio do sol e do ar, Amon, com Zeus) era adorado lá. Era a principal divindade da cidade, associada ao sol e ao poder criador.
• Bastet: A deusa gata da proteção e do lar. Seu culto era tão forte em Pelúsio que Cambises II usou essa devoção a favor de seu exército na famosa Batalha de Pelúsio, colocando os gatos na frente da batalha para que os egípcios não os atacassem, sob o risco de matar os bichos.
6) Om (‘Heliópolis’, em grego; Ôn, ʾOn, אן, em hebraico, a ‘Cidade do Sol’; em egípcio, Iwnw, transl: Iunu, ‘os pilares’, por causa dos obeliscos) – ela é também chamada de Bete-Semes (‘Casa do Sol’ ou ‘templo do sol’, Jr 43: 13), e mencionada em Is 19: 18 (‘Cidade do Sol’). Bete-Semes (ou Ain-Semes, ‘Casa do Sol’) era uma cidade ao nordeste das montanhas de Judá, mas uma possessão de Dã (Js 15: 10). Ali se prestava um grande culto ao Sol.
A antiga cidade de Heliópolis está localizada 15-20 metros abaixo das ruas dos subúrbios de classe média e baixa ao norte do Cairo. Foi o grande centro da adoração ao sol no Egito, onde o deus-sol Rá ou Atom recebia honra especial. Há um monumento remanescente de Heliópolis que é o obelisco do Templo de Ra-Atum, ainda em seu local original, no atual subúrbio do Cairo, Al-Matariyyah.
Ezequiel faz um jogo de palavras com Om (’ôn ou Ôn, אן, owen), e Áven (’âven, awen, אָ֫וֶן, Strong #206, 205) – Ez 30: 17. Aven era o nome de três lugares: um na Celessíria, um no Egito (Om) e um na Palestina (Bete-Áven, se referindo a Betel), e significa: idolatria, vaidade, maldade; mais especificamente, um ídolo; falso ídolo, aflição, mal, iniqüidade, lamentos, entre outros significados. Bete-Áven (Beyth ’Aven, Strong #1007) significa: ‘Casa da vaidade’ ou ‘Casa da iniqüidade’ ou ‘Casa da perversidade’.
7) Pi-Besete (hebraico; Ez 30: 17) ou Bubástis (ou Per-Bast, em egípcio), significa ‘habitação da Deusa Bastet’. Bastet ou Ailurus (palavra grega para ‘gato’) era a deusa da fertilidade, protetora das mulheres, deusa da proteção e do lar, e que também representava o sol (Rá). Também ficava no Baixo Egito, próxima ao delta.
8) Tafnes – O Targum identifica Tafnes com Hanes (Jr 2: 16; Jr 43: 7-9), onde faraó tinha um palácio. Hanes é mencionada também em Is 30: 4, mas ninguém sabe sua real localização. A Septuaginta identifica Tafnes com Daphnae Pelusiae (das Histórias de Heródoto, atual Tell Defenneh), uma importante cidade fortificada na fronteira oriental do Egito, no baixo Nilo, a nordeste do Delta, próximo ao deserto de Sur. Daphnae, em grego, significa ‘bosque de louros’. Heródoto afirma que era uma fortaleza contra os árabes e assírios. Pelúsio ficava mais a leste de Tafnes.
Segundo os registros históricos, Tafnes (Tehaphnehes ou Tahpanhes, תְּחַפְנְחֵס, Strong #8471; Jr 2: 1; Jr 43: 7; Ez 30: 18) foi fundada por volta de 664 AC pelo faraó Psamético I, pai de Neco II, da 26ª dinastia (Saís), e funcionava como um posto militar estratégico e cidade de guarnição na fronteira oriental do Egito contra ameaças asiáticas e controlar as principais rotas de caravanas comerciais para a Síria. Esse posto militar era guardado por mercenários gregos e cários.
O significado do nome Tahpanhes permanece incerto, mas parece ser de origem egípcia, tḥ p-nḥsy ou t'ḥrnt-p'nḥsy, como sugerido por John L. McKenzie, estudioso bíblico. Esse nome egípcio significa ‘Fortaleza dos Núbios’ ou ‘Palácio dos Núbios’.
William Foxwell Albright (1891-1971, arqueólogo) afirma que Tafnes significa ‘Fortaleza de Pinehas’ ou ‘Fortaleza de Penhase’, o nome de um oficial egípcio, general de Ramsés II (escrito em hebraico como Pinehas).
Como uma importante base militar e comercial, a cidade venerava as divindades do Baixo Egito:
• Rá: O deus do Sol, que era freqüentemente adorado nas cidades na região do Delta.
• Amon-Rá: Uma fusão de Rá com Amom, o rei dos deuses.
• Outros deuses estrangeiros e semitas, além de divindades locais protetoras do Egito.
Resumindo:
Mênfis veria seus ídolos destruídos e ficaria em constante aflição, pois sitiada à luz do dia. Patros ficaria desolada.
Zoã seria consumida por um incêndio.
Tebas seria destruída invadida e perderia seu grande exército.
Os exércitos de Pelúsio seriam exterminados e ela sentiria angústia; seu orgulho como fortaleza do Egito cessaria.
Os jovens de Heliópolis e de Bubástis cairiam à espada e muitas pessoas seriam levadas em cativeiro.
Tafnes, que também era cidade de defesa e com guarnições militares, também veria cessar o seu orgulho. Haveria nuvens sobre ela, escurecendo o dia, o que pode falar a favor de um incêndio. Os moradores dos seus povoados iriam para o cativeiro.
20 No undécimo ano, no mês primeiro, aos sete dias do mês, veio a mim a palavra do Senhor, dizendo:
21 Filho do homem, eu quebrei o braço de Faraó, rei do Egito, e eis que não foi atado, nem tratado com remédios, nem lhe porão ligaduras, para tornar-se forte e pegar da espada [NVI: Filho do homem, quebrei o braço do faraó, rei do Egito. Não foi enfaixado para sarar, nem lhe foi posta uma tala para fortalecê-lo o bastante para poder manejar a espada].
22 Portanto, assim diz o Senhor Deus: Eis que eu estou contra Faraó, rei do Egito; quebrar-lhe-ei os braços, tanto o forte [NVI: o bom] como o que já está quebrado, e lhe farei cair da mão a espada.
23 Espalharei os egípcios entre as nações e os derramarei pelas terras.
24 Fortalecerei os braços do rei da Babilônia e lhe porei na mão a minha espada; mas quebrarei os braços de Faraó, que, diante dele, gemerá como geme o traspassado.
25 Levantarei os braços do rei da Babilônia, mas os braços de Faraó cairão; e saberão que eu sou o Senhor, quando eu puser a minha espada na mão do rei da Babilônia e ele a estender contra a terra do Egito.
26 Espalharei os egípcios entre as nações e os derramarei pelas terras; assim, saberão que eu sou o Senhor.
No v. 20, Ezequiel volta para a data de 587-586 AC (7º dia do 1º mês do 11º ano).
• Ez 30: 21: Então, Deus lhe diz: “Filho do homem, eu quebrei o braço de Faraó, rei do Egito, e eis que não foi atado, nem tratado com remédios, nem lhe porão ligaduras, para tornar-se forte e pegar da espada”.
Na antiga cultura do Oriente Próximo, os braços simbolizavam a força e a capacidade de exercer o poder.
Os braços aqui representam a força militar e o poder político do Faraó Hofra do Egito.
Isso ocorreu na tentativa fracassada do Egito de impedir a invasão de Jerusalém pelos babilônios meses antes (Ez 29: 6-7).
Os babilônios deixaram temporariamente a cidade para perseguir o exército egípcio (Jr 37: 5-9) e depois retomaram o cerco da cidade.
“Não foi atado, nem tratado com remédios, nem lhe porão ligaduras, para tornar-se forte e pegar da espada”, ou seja, essa força egípcia, que tentou ajudar Jerusalém contra a Babilônia, tornou-se indefesa e não mais se recuperaria. Faraó não poderia reagrupar suas tropas nem reorganizar uma nação que já mostrava sua decadência e fragilidade.
Mas o Senhor estava contra ele e lhe quebraria ambos os braços, o forte e o que já estava quebrado.
O braço forte representa o poder que ainda lhe restava; a força militar e influência remanescentes do Egito, que ainda estavam intactas, mas que em breve seriam destruídas pelo rei da Babilônia.
Deus prometeu destruir ambos para mostrar que a soberania do Egito seria completamente aniquilada.
“... nem lhe porão ligaduras, para tornar-se forte e pegar da espada” [NVI: nem lhe foi posta uma tala para fortalecê-lo o bastante para poder manejar a espada].
A espada caindo de sua mão significa que o Egito seria incapaz de se defender ou oferecer proteção aos seus aliados.
Era o fim de seu domínio, como governante de uma superpotência, o que se cumpriu totalmente mais tarde (Ez 29: 15).
Deus, então, estava removendo a capacidade do Egito de resistir ou interromper a conquista babilônica.
Os egípcios seriam espalhados pelas terras ao redor, enquanto o Senhor fortaleceria o braço do rei da Babilônia para destruir totalmente Faraó. Quando Nabucodonosor invadiu o Egito, depois que o cerco de Tiro terminou, Hofra já havia sido morto em guerra civil, por causa da revolta do seu general Amósis.
Esse vídeo é parte do curso bíblico (link dourado no alto das páginas).


Table about the prophets (PDF)
Autora: Pastora Tânia Cristina Giachetti
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