Explicação de Ezequiel capítulo 26: destruição e saque de Tiro: muros e torres, riquezas, mercadorias e pedras. Foi sitiada por Nabucodonosor durante 13 anos e se tornaria um enxugadouro de redes.
Explanation of Ezekiel chapter 26: destruction and plunder of Tyre: walls and towers, riches, merchandise, and stones. It was besieged by Nebuchadnezzar for 13 years and would become a place to spread fishnets.

1 No undécimo ano, no primeiro dia do mês, veio a mim a palavra do Senhor, dizendo:
2 Filho do homem, visto que Tiro disse no tocante a Jerusalém: Bem feito! Está quebrada a porta dos povos; abriu-se para mim; eu me tornarei rico, agora que ela está assolada,...
A partir do capítulo 26, Ezequiel se dirige a Tiro, uma poderosa cidade comercial e marítima na costa do Mediterrâneo. Neste capítulo 26, Tiro é criticada por sua alegria na destruição de Jerusalém.
No 11º ano do cativeiro (586 AC), a palavra do Senhor veio a Ezequiel em relação a Tiro, porque ela também se alegrou com o destino de Jerusalém, e achou que se enriqueceria com isso.
Jerusalém controlava as rotas comerciais terrestres do Egito e da Arábia para Tiro. Sua queda favoreceria Tiro.
Tiro explorava outras nações e adorava falsos deuses.
3 assim diz o Senhor Deus: Eis que eu estou contra ti, ó Tiro, e farei subir contra ti muitas nações, como faz o mar subir as suas ondas.
4 Elas destruirão os muros de Tiro e deitarão abaixo as suas torres; e eu varrerei o seu pó, e farei dela penha descalvada.
5 No meio do mar, virá a ser um enxugadouro de redes, porque eu o anunciei, diz o Senhor Deus; e ela servirá de despojo para as nações [NVI: Fora, no mar, ela se tornará um local propício para estender redes de pesca, pois eu falei. Palavra do Soberano, o SENHOR. Ela se tornará despojo para as nações].
6 Suas filhas que estão no continente serão mortas à espada; e saberão que eu sou o Senhor [NVI: e em seus territórios no continente será feita grande destruição pela espada. E saberão que eu sou o SENHOR].
7 Porque assim diz o Senhor Deus: Eis que eu trarei contra Tiro a Nabucodonosor, rei da Babilônia, desde o Norte, o rei dos reis, com cavalos, carros e cavaleiros e com a multidão de muitos povos.
8 As tuas filhas que estão no continente, ele as matará à espada; levantará baluarte contra ti; contra ti levantará terrapleno e um telhado de paveses [NVI: Ele desfechará com a espada um violento ataque contra os seus territórios no continente. Construirá obras de cerco e uma rampa de acesso aos seus muros. E armará uma barreira de escudos contra você].
9 Disporá os seus aríetes contra os teus muros e, com os seus ferros, deitará abaixo as tuas torres.
10 Pela multidão de seus cavalos, te cobrirá de pó; os teus muros tremerão com o estrondo dos cavaleiros, das carretas e dos carros, quando ele entrar pelas tuas portas, como pelas entradas de uma cidade em que se fez brecha.
11 Com as unhas dos seus cavalos, socará todas as tuas ruas; ao teu povo matará à espada, e as tuas fortes colunas cairão por terra [NVI: suas resistentes colunas ruirão].
12 Roubarão as tuas riquezas, saquearão as tuas mercadorias, derribarão os teus muros e arrasarão as tuas casas preciosas; as tuas pedras, as tuas madeiras e o teu pó lançarão no meio das águas.
Por causa de seu orgulho e arrogância, Deus traria muitas nações sobre a cidade, e elas destruiriam seus muros e suas torres.
Os exércitos que atacariam Tiro são comparados às ondas do mar, porque a cidade de Tiro localizada no continente (“a Velha Tiro”) era uma cidade bem próxima à costa, onde ancorava seus navios; e “a Nova Tiro” era uma fortaleza localizada numa ilha.
Tiro serviria apenas como um lugar propício para estender redes de pesca.
Os territórios da Tiro continental (“suas filhas”) morreriam à espada por Nabucodonosor e pelo seu exército, composto de soldados de muitos povos.
Essas cidades e vilas no continente estavam perto de Tiro e dependiam dela.
Nabucodonosor sitiou a Tiro continental por 13 anos (586-573 AC), e finalmente a destruiu.
• v.11 – “Com as unhas dos seus cavalos, socará todas as tuas ruas; ao teu povo matará à espada, e as tuas fortes colunas cairão por terra” [NVI: suas resistentes colunas] –
As colunas a que se refere aqui eram, na verdade, os obeliscos mencionados por Heródoto (484-425 AC), erguidos no templo de Héracles em Tiro. Ele visitou a cidade por volta de 450 AC. Um era de ouro e outro de esmeralda, que brilhava intensamente à noite, e era dedicado a Melcarte, a divindade oficial protetora de Tiro [Heródoto, ‘As Histórias’, Livro 2, §44]. Heródoto escreveu: “Além disso, desejando obter informações seguras sobre esses assuntos na medida do possível, empreendi uma viagem a Tiro, na Fenícia, ao saber que ali existia um templo sagrado de Héracles; vi que ele era ricamente adornado com muitas oferendas votivas e, em particular, que abrigava duas colunas: uma de ouro puro e a outra de uma pedra de esmeralda de tamanho tal que brilhava durante a noite...”. Heródoto chamou Melcarte de Héracles, porque os gregos acreditavam que essas duas divindades eram idênticas [Fonte: https://sacred-texts.com/cla/hh/hh2040.htm].
Melcarte (Melqart, Melkart, Melkarth ou Melgart, resultante da expressão fenícia melk qart, ‘Rei da Cidade’) era a divindade oficial protetora de Tiro, assim como Eshmun protegia Sidom. Melcarte era freqüentemente designado de Ba‘al, ‘Senhor’ de Tiro (Baal-Melcarte, 1 Rs 16: 31); em grego, Melcarte era chamado de Melicarthus, identificado com Héracles, um semideus da mitologia grega com grande força e sagacidade, símbolo do homem em luta contra as forças da natureza, exemplo de masculinidade e paladino da ordem olímpica contra os deuses ou espíritos do mundo subterrâneo. Os romanos o chamavam de Hércules. Assim como Tamuz e Adônis, Melcarte simbolizava um ciclo anual de morte e renascimento. Tiro foi fundada em torno de 2.750 AC de acordo com Heródoto (pela informação dos sacerdotes de lá) e foi originalmente construída como uma cidade murada no continente, agora conhecido como a velha cidade de Tiro. Na verdade, Hirão I (965–935 AC) já havia construído um templo para Héracles e Astarte [Josefo, Antiguidades dos Judeus xviii.v.§ 3]. Esses pilares impressionantes mencionados por Ezequiel e confirmados por Heródoto seriam demolidos pelo invasor de Tiro.
• v.12 – “As tuas madeiras e o teu pó lançarão no meio das águas” (v. 12) – Embora isso possa ter sido feito por Nabucodonosor e outros conquistadores, vale a pena lembrar que quando Alexandre, o Grande, atacou Tiro, a maior parte da população refugiou-se na ilha, que nem mesmo Nabucodonosor conseguiu conquistar. Os exércitos de Alexandre utilizaram os escombros da cidade continental para construir uma estrada elevada, sólida, que atravessava a água até a ilha, conquistando-a, exatamente como Ezequiel profetizou. Alexandre, o Grande, literalmente lançou as ‘pedras, madeira e entulho de Tiro ao mar’ quando construiu uma estrada elevada de oitocentos metros até a fortaleza insular para conquistar a cidade.
“O arqueólogo americano Edward Robinson (1794–1863) viu quarenta ou cinqüenta colunas de mármore submersas ao longo das margens de Tiro” (Charles Lee Feinberg, Estudioso bíblico da história judaica, das línguas e dos costumes do Antigo Testamento e das profecias bíblicas, 1909–1995).
13 Farei cessar o arruído das tuas cantigas, e já não se ouvirá o som das tuas harpas [NVI: Porei fim a seus cânticos barulhentos, e não se ouvirá mais a música de suas harpas].
14 Farei de ti uma penha descalvada; virás a ser um enxugadouro de redes, jamais serás edificada, porque eu, o Senhor, o falei, diz o Senhor Deus [NVI: Farei de você uma rocha nua, e você se tornará um local propício para estender redes de pesca. Você jamais será reconstruída, pois eu, o SENHOR, falei. Palavra do Soberano, o SENHOR].
15 Assim diz o Senhor Deus a Tiro: Não tremerão as terras do mar com o estrondo da tua queda, quando gemerem os traspassados, quando se fizer espantosa matança no meio de ti?
16 Todos os príncipes do mar descerão dos seus tronos, tirarão de si os seus mantos e despirão as suas vestes bordadas; de tremores se vestirão, assentar-se-ão na terra e estremecerão a cada momento; e, por tua causa, pasmarão.
17 Levantarão lamentações sobre ti e te dirão: Como pereceste, ó bem-povoada e afamada cidade, que foste forte no mar, tu e os teus moradores, que atemorizastes a todos os teus visitantes!
18 Agora, estremecerão as ilhas no dia da tua queda; as ilhas, que estão no mar, turbar-se-ão com tua saída [NVI: Agora as regiões litorâneas tremem no dia de sua queda; as ilhas do mar estão apavoradas diante de sua ruína’].
19 Porque assim diz o Senhor Deus: Quando eu te fizer cidade assolada, como as cidades que não se habitam, quando eu fizer vir sobre ti as ondas do mar e as muitas águas te cobrirem,
20 então, te farei descer com os que descem à cova, ao povo antigo, e te farei habitar nas mais baixas partes da terra, em lugares desertos antigos, com os que descem à cova, para que não sejas habitada; e criarei coisas gloriosas na terra dos viventes [NVI: então farei você descer com os que descem à cova, para fazer companhia aos antigos. Eu a farei habitar embaixo da terra, como em ruínas antigas, com aqueles que descem à cova, e você não voltará e não retomará o seu lugar na terra dos viventes].
21 Farei de ti um grande espanto, e já não serás; quando te buscarem, jamais serás achada, diz o Senhor Deus.
Tiro não mais cantaria nem tocaria música. Jamais seria edificada. As outras ilhas ficariam espantadas com a queda de Tiro.
Os governadores e príncipes da Fenícia (“Todos os príncipes do mar” ou “os príncipes do litoral”) ficariam amedrontados com as notícias da sua queda. Eles se renderiam e se submeteriam ao governo babilônico quando vissem o que ocorreria a Tiro. E lamentariam por ela.
As águas em que Tiro navegava com seus orgulhosos navios, e que eram a fonte de sua riqueza e prosperidade, se tornariam sua ruína.
O cumprimento da profecia começou com o longo cerco sob o comando de Nabucodonosor (586-573 AC).
A segunda fase teve início com a conquista persa, por volta de 525 AC.
E a terceira com o cerco de Alexandre em 332 AC, por 7 meses.
Os selêucidas recuperaram a Tiro do continente, mas não a da ilha.
Herodes o Grande fez ali um templo.
No século I DC havia ali uma colônia cristã (At 21: 3-6).
O último cerco militar de grande porte e a tomada final de Tiro ocorreram em 1291, quando o Sultanato Mameluco sitiou e conquistou a cidade, expulsando definitivamente os cruzados e causando o declínio e despovoamento da região que durou até cerca de 1750.
A atual cidade de Tiro ou Sour (do fenício, Ṣūr) cobre uma grande parte da ilha original e a maior parte da calçada construída por Alexandre, o Grande, em 332 AC, sendo que o istmo aumentou muito em largura ao longo dos séculos. A parte da ilha original não coberta pela moderna cidade de Tiro é principalmente um sítio arqueológico. Tiro (fenício, Ṣūr; hebraico, Tzór) significa, “rocha”. No grego clássico era escrito como Týros (Τύρος), e no latim, Tyrus.
Os dois principais sítios arqueológicos do grandioso complexo de ruínas antigas de Tiro são: Al Bass e Al Mina:
1. Al Bass (ou El Bass) localiza-se na parte continental e era a entrada principal da antiga Tiro e contém monumentos que datam do século II DC: o Hipódromo Romano, a Necrópole, o Arco do Triunfo e o Aqueduto
2. Al Mina situa-se no promontório voltado para o Mar Mediterrâneo, contendo as ruínas à beira-mar, com colunas de mármore que chegam a ficar submersas pela água; banhos romanos e mosaicos das eras Romana e Bizantina; a Arena e algumas estruturas portuárias, que são restos da antiga zona residencial e do porto submerso.
Esse vídeo é parte do curso bíblico (link dourado no alto das páginas).


Table about the prophets (PDF)
Autora: Pastora Tânia Cristina Giachetti
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