Explicação de Ezequiel capítulo 2: o chamado de Ezequiel e a visão do rolo de um livro que o Senhor lhe deu para comer.
Explanation of Ezekiel chapter 2: Ezekiel’s call and the vision of the scroll that the Lord gave him to eat.

1 Esta voz me disse: Filho do homem, põe-te em pé, e falarei contigo.
2 Então, entrou em mim o Espírito, quando falava comigo, e me pôs em pé, e ouvi o que me falava.
A expressão ‘Filho do homem’ em hebraico é ‘ben adam’, que significa ‘ser humano’ ou ‘filho de Adão’ (’adhãm = homem vermelho, humanidade, que procede da mesma raiz hebraica ’adhãmâ e significa: terra, para lembrar o homem de sua origem: Gn 2: 7 e Gn 3: 19). Esse título é a maneira habitual de Deus se dirigir ao profeta ao longo deste livro, provavelmente usada para enfatizar a separação entre o divino e o humano.
O Espírito do Senhor entrou no profeta e lhe deu forças para se levantar, para que Deus falasse com ele. ‘O Espírito’, em hebraico, é escrito como ‘Ruach’, significando ‘vento, sopro’, ou seja, um poder vital, vindo de Deus, que permitiu ao profeta ouvir a palavra divina (Ez 8: 3; Ez 11: 1, 24), como o ‘fôlego de vida’ (Gn 2:7), a centelha de vida (ou animação física e intelectual) concedida por Deus ao homem (Adão).
3 Ele me disse: Filho do homem, eu te envio aos filhos de Israel, às nações rebeldes que se insurgiram contra mim; eles e seus pais prevaricaram contra mim, até precisamente ao dia de hoje.
4 Os filhos são de duro semblante e obstinados de coração; eu te envio a eles, e lhes dirás: Assim diz o Senhor Deus.
5 Eles, quer ouçam quer deixem de ouvir, porque são casa rebelde, hão de saber que esteve no meio deles um profeta.
6 Tu, ó filho do homem, não os temas, nem temas as suas palavras, ainda que haja sarças e espinhos para contigo, e tu habites com escorpiões; não temas as suas palavras, nem te assustes com o rosto deles, porque são casa rebelde.
Ezequiel foi enviado aos filhos de Israel, que tinham se rebelado contra Deus, idolatrando outros deuses. Eles eram de coração duro e mente obstinada e resistiram às exortações dos profetas anteriores a ele, mas Deus lhe disse para falar Sua palavra, mesmo que eles não quisessem ouvir. De qualquer forma, saberiam que um profeta de Deus esteve no meio deles.
Quando o Senhor lhe disse ‘ainda que haja sarças e espinhos para contigo, e tu habites com escorpiões’ isso significava que o profeta deveria estar preparado para uma oposição amarga.
7 Mas tu lhes dirás as minhas palavras, quer ouçam quer deixem de ouvir, pois são rebeldes.
8 Tu, ó filho do homem, ouve o que eu te digo, não te insurjas como a casa rebelde; abre a boca e come o que eu te dou.
9 Então, vi, e eis que certa mão se estendia para mim, e nela se achava o rolo de um livro.
10 Estendeu-o diante de mim, e estava escrito por dentro e por fora; nele, estavam escritas lamentações, suspiros e ais.
Quanto a Ezequiel, o Deus lhe avisava para não ser rebelde como eles; pelo contrário, ser para aquele povo um exemplo de obediência mesmo em meio ao sofrimento. Então, disse para ele comer o que Ele estava lhe dando, Ezequiel olhou e viu um rolo de um livro, escrito por dentro e por fora, mas o que havia nele eram apenas lamentações, suspiros e ais.
O rolo que o profeta estava para comer (Ez 2: 8-10; Ez 3: 1-3) é muito semelhante ao que João comeu (Ap 5: 1; Ap 10: 2; 8-11), ou seja, as palavras proféticas de Deus para o povo através do profeta (Ez 3: 4-27).
As palavras de Deus eram duras, com lamentações, suspiros e ais, mas na sua boca eram doces. Eram doces pela sua obediência e submissão à vontade de Deus, mas logo ele sentiria o peso delas e a responsabilidade de sua missão.
Isso significava que o profeta deveria internalizar, absorver a palavra de Deus para transmiti-la, e mais do que isso, estar no mesmo ‘espírito da profecia’, ou seja, aceitar o caráter dela, a unção de autoridade que Deus derramaria sobre ele para poder liberá-la através da sua boca e realizar o que o Senhor pretendia.
Esse vídeo é parte do curso bíblico (link dourado no alto das páginas).



Table about the prophets (PDF)
Autora: Pastora Tânia Cristina Giachetti
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