Explicação de Ezequiel capítulo 19: a parábola do leão enjaulado se refere aos últimos reis de Judá: Joacaz e Jeoaquim. A parábola da videira arruinada fala da queda da linhagem real de Judá, na pessoa de Zedequias.
Explanation of Ezekiel chapter 19: the parable of the caged lion refers to the last kings of Judah: Jehoahaz and Jehoiakim. The parable of the ruined vine speaks of the fall of the royal lineage of Judah, in the person of Zedekiah.

1 E tu levanta uma lamentação sobre os príncipes de Israel
2 e dize: Quem é tua mãe? Uma leoa entre leões, a qual, deitada entre os leõezinhos, criou os seus filhotes.
No capítulo 19, Ezequiel conta duas parábolas. Uma delas é a do leão enjaulado, que consiste num lamento pelos príncipes da linhagem real de Davi, os últimos reis de Judá, mas Deus se refere a eles como príncipes de Israel, embora o reino do norte tenha sido conquistado e disperso há muitos anos.
A “mãe”, a “leoa” (Ez 19: 2), representa a tribo real de Judá. Dela nasceram vários governantes.
Seus reis, como leõezinhos, aprenderam a apanhar a presa, e devoraram homens. É interessante que nós nos lembremos da bênção de Jacó sobre Judá (Gn 49: 9-10), onde ele compara Judá a um leão: “Judá é leãozinho; da presa subsiste, filho meu. Encurva-se e deita-se como leão e como leoa; quem o despertará? O cetro não se arredará de Judá, nem o bastão de em entre seus pés, até que venha Siló; e a ele obedecerão os povos”.
3 Criou um dos seus filhotinhos, o qual veio a ser leãozinho, e aprendeu a apanhar a presa, e devorou homens.
4 As nações ouviram falar dele, e foi ele apanhado na cova que elas fizeram e levado com ganchos para a terra do Egito.
Esse é Joacaz (ou Joanã), levado por Faraó Neco ao Egito como prisioneiro (2 Rs 23: 31-34). Ele reinou apenas três meses em 609 AC. Seu nome original (Salum = retribuição – Jr 22: 11-12) foi trocado por Joacaz para dar sorte (informações históricas). Joacaz = ‘YHWH apoderou-se’ ou ‘YHWH deitou a mão’; Joanã = ‘YHWH tem sido gracioso’. Neco o prendeu e impôs tributo a Judá (100 talentos de prata e 1 talento de ouro), constituindo Eliaquim, filho de Josias rei em lugar de Joacaz, mudando seu nome para Jeoaquim. Joacaz morreu no Egito. Segundo alguns teólogos, seu reinado, embora curto, foi perverso. Ele foi um rei sanguinário, culpado de violência, explorou o povo e o devorou.
5 Vendo a leoa frustrada e perdida a sua esperança, tomou outro dos seus filhotes e o fez leãozinho.
6 Este, andando entre os leões, veio a ser um leãozinho, e aprendeu a apanhar a presa, e devorou homens.
7 Aprendeu a fazer viúvas e a tornar desertas as cidades deles; ficaram estupefatos a terra e seus habitantes, ao ouvirem o seu rugido.
8 Então, se ajuntaram contra ele as gentes das províncias em roda, estenderam sobre ele a rede, e foi apanhado na cova que elas fizeram.
[NVI: Então as nações vizinhas o atacaram. Estenderam sua rede para apanhá-lo, e ele foi pego na armadilha que fizeram].
[KJV fiel-PT 1611: Então, as nações se juntaram contra ele em cada lado das províncias, e estenderam sua rede sobre ele, e foi apanhado na cova deles].
9 Com gancho, meteram-no em jaula, e o levaram ao rei da Babilônia, e fizeram-no entrar nos lugares fortes, para que se não ouvisse mais a sua voz nos montes de Israel.
[NVI: Com ganchos elas o puxaram para dentro de uma jaula e o levaram ao rei da Babilônia. Elas o colocaram na prisão, de modo que não se ouviu mais o seu rugido nos montes de Israel].
Outro rei (leãozinho) tomou o lugar de Joacaz e também aprendeu a apanhar a presa e devorou homens. Embora muitos falem sobre Joaquim e Zedequias, apenas por causa do v.9, concordo com dois outros teólogos, John Gill [1697-1771 – ministro inglês, teólogo e estudioso bíblico da Igreja Batista] e Arthur Ernest Cundall [1914-2003 – clérigo anglicano, teólogo, escritor e estudioso e professor de AT no London School of Theology], que se trata de Jeoaquim, (Eliaquim), outro filho de Josias e irmão de Joacaz. Eliaquim reinou por 11 anos.
Neco o fez rei, mas com o consentimento do povo judeu. ‘andando entre os leões’ significa os reis de nações vizinhas, como Faraó do Egito e Nabucodonosor da Babilônia, pois às vezes ele se submetia a um, às vezes ao outro. Ele se tornou um príncipe opressor, um rei cruel e tirano e ‘aprendeu a caçar a presa, devorando homens’.
A bíblia diz que Jeoaquim cometeu homicídios (2 Rs 24: 1-4, Jr 22: 17) e tratou seu próprio povo com violência. Jeremias o descreve bem em Jr 22: 13-19: injustiça; presunção, ganância e luxo egoísta e indulgente, construindo palácios imponentes para si e forçando seus súditos a trabalhar para ele, sem lhe dar o salário; não seguiu o exemplo de Josias, seu pai; derramou sangue inocente (2 Rs 24: 1-4, Jr 22: 17); e extorquiu dinheiro do povo, pois tirou prata e ouro deles para poder pagar o tributo a Neco, Faraó do Egito (2 Rs 23: 33-35). O derramamento de sangue inocente descrito por Jeremias é outra maneira de se referir às palavras de Ez 19: 7: “Aprendeu a fazer viúvas e a tornar desertas as cidades deles; ficaram estupefatos a terra e seus habitantes, ao ouvirem o seu rugido”. No início do seu ministério e durante o reinado de Jeoaquim, Jeremias apontava esse tipo de pecado em Jerusalém por causa do seu mau exemplo: Jr 7: 3-11.
Pelas suas ameaças e intimidações, decretos e exigências, ele aterrorizou seus súditos; as suas exigências ameaçadoras, simbolizadas pelo rugido, concordam com o seu caráter de leão, ao qual é comparado (Pv 19: 12).
Jeoaquim reinou 11 anos e pagou tributo a Nabucodonosor por 3 anos (após a 1ª invasão de 605 AC), mas depois se rebelou, o que provocou o ataque das nações ao seu redor (Ez 19: 8), por permissão do Senhor por causa desse e de outros pecados (2 Rs 23: 2: caldeus, siros, moabitas, amonitas). “Então as nações vizinhas o atacaram. Estenderam sua rede para apanhá-lo, e ele foi pego na armadilha que fizeram”, ou seja, esses ataques o enfraqueceram e favoreceram a vinda de Nabucodonosor (segundo os historiadores, no final do ano, em 6 de dezembro de 598 AC), quando ele o prendeu com duas cadeias de bronze (2 Cr 36: 6) para levá-lo à Babilônia, mas parece que morreu no caminho ou enquanto Jerusalém foi sitiada pelos babilônios por causa de sua rebelião, antes de ser realmente levado.
É verdade que tanto o exército de Nabucodonosor quanto as nações que eram suas aliadas pertencia a povos das províncias vizinhas a Israel. Eles se ajuntaram ao redor de Jerusalém durante o cerco e ‘lançaram sua rede sobre o rei de Judá’.
Por ser um governante cruel e ganancioso, Jeremias escreveu (Jr 22: 18-19) que ninguém lamentaria por ele, e seu sepultamento seria como o de um jumento; que “o arrastariam e o lançariam para bem longe, para fora das portas de Jerusalém” (ARA). Em Jr 36: 30 o profeta diz: “Portanto, assim diz o Senhor, acerca de Jeoaquim, rei de Judá: Ele não terá quem se assente no trono de Davi, e o seu cadáver será largado ao calor do dia e à geada da noite.” Isso pode significar que por causa do cerco, ele não teve condições de ter um enterro digno ou porque chegou a ser levado para a Babilônia (antes do Joaquim), mas morreu no caminho.
Seu filho Joaquim (Jeconias ou Conias) ficou em seu lugar, mas 3 meses depois, na primavera de 597 AC foi levado por Nabucodonosor à Babilônia, junto com sua mãe e muitos príncipes e oficiais. Contudo, a bíblia não diz que Joaquim foi levado em grilhões. O texto de 2 Rs 24: 10-17 sugere que houve uma certa rendição voluntária da parte de Joaquim, e aí Nabucodonosor colocou Zedequias no trono.
Com Jeoaquim preso ou morto, seu rugido não seria mais ouvido nos montes de Israel.
• “Com gancho, meteram-no em jaula, e o levaram ao rei da Babilônia, e fizeram-no entrar nos lugares fortes, para que se não ouvisse mais a sua voz nos montes de Israel” (Ez 19: 9 – ARA).
O substantivo ‘jaula’, em hebraico é ‘sugar’ (סוּגַר, Strong #5474), que significa ‘gaiola’. Provavelmente é emprestada do termo acadiano ‘sigaru’, que significa uma gaiola para animais ou uma coleira para prisioneiros. Talvez, Ezequiel tenha feito um jogo de palavras, usando-a de maneira literal em relação à coleira para Jeoaquim e, ao mesmo tempo se referindo a ‘gaiola para animais’, que ao que parece, está no sentido figurado de como se apanha um leão.
Quanto a Jeconias ou Joaquim, seu filho, Jeremias escreveu que ele realmente tinha feito um mau reinado perante o Senhor (2 Rs 24: 9), mas era visto como uma coisa inútil, ligada à idolatria (Jr 22: 28):
• KJV Fiel: “É este homem Conias um ídolo quebrado desprezado? É ele um vaso o qual não é apreciado? Por que razão são expelidos, ele e a sua semente, e são lançados em uma terra que não conhecem?”
• ARA: “Acaso, é este Jeconias homem vil, coisa quebrada ou objeto de que ninguém se agrada? Por que foram lançados fora, ele e os seus filhos, e arrojados para a terra que não conhecem?”
• NVI: “É Joaquim um vaso desprezível e quebrado, um utensílio que ninguém quer? Por que ele e os seus descendentes serão expulsos e lançados num país que não conhecem?”
Quando ele usa a expressão “objeto de quem ninguém se agrada” (ARA) ou “um utensílio que ninguém quer” (NVI) ou “um vaso o qual não é apreciado” (KJV-PT) ele está se referindo de forma irônica às habilidades de liderança de Joaquim, ou seja, nenhuma (ele tinha 18 anos de idade quando começou a reinar). Por isso, eu também acho que com essa idade e com seu tempo curto de reinado não seria possível encaixá-lo na figura do 2º leão ameaçador cujo rugido todos estavam tão afoitos para silenciar.
10 Tua mãe, de sua natureza, era qual videira plantada junto às águas; plantada à borda, ela frutificou e se encheu de ramos, por causa das muitas águas.
11 Tinha galhos fortes para cetros de dominadores; elevou-se a sua estatura entre os espessos ramos, e foi vista na sua altura com a multidão deles.
12 Mas foi arrancada com furor e lançada por terra, e o vento oriental secou-lhe o fruto; quebraram-se e secaram os seus fortes galhos, e o fogo os consumiu.
13 Agora, está plantada no deserto, numa terra seca e sedenta.
14 Dos galhos dos seus ramos saiu fogo que consumiu o seu fruto, de maneira que já não há nela galho forte que sirva de cetro para dominar. Esta é uma lamentação e ficará servindo de lamentação.
A segunda parte do capítulo faz a comparação da queda da linhagem real de Judá com a parábola da videira arruinada.
• “Tua mãe” (Israel, mas aqui representando Judá), é comparada a uma videira (Ez 19: 10; Jr 2: 21) exuberante.
• Os “ramos fortes” ou “galhos fortes” lembram governantes poderosos que reinaram no trono de Davi.
Zedequias era um desses ramos. Mas a videira “foi arrancada com furor” e o “vento oriental” (Nabucodonosor) secou seu fruto (a prosperidade da terra). O “vento oriental” quebrou seus galhos (a família real), e o fogo (a ira do Senhor) os consumiu. Isso mostrava a iminente destruição da cidade santa.
O remanescente de Israel foi “plantado no deserto, numa terra seca e sedenta” ou seja, foi levado para a Babilônia. A Babilônia não era exatamente um deserto, mas para os reis e o povo exilado ela se parecia com um.
O fogo que saiu de um de seus ramos principais e consumiu seu fruto é uma alusão à rebelião de Zedequias, destruindo sua própria chance de reinar, assim como a da sua descendência (“já não há nela galho forte” ou “já não há nenhum ramo forte”). A destruição final de Judá veio por meio do seu governante, Zedequias. Zedequias foi o último dos reis da linhagem de Davi, até que o Messias estabelecesse o Seu reinado, conforme prometido a Davi (2 Sm 7: 11-16).
Esse vídeo é parte do curso bíblico (link dourado no alto das páginas).


Table about the prophets (PDF)
Autora: Pastora Tânia Cristina Giachetti
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