Explicação de Ezequiel capítulo 17: A parábola das duas águias (Nabucodonosor e Faraó) e da videira (reis de Judá). A ‘muda da terra’ é Zedequias; ‘a ponta do cedro’ é Salatiel, filho de Joaquim; o ‘renovo tenro’ é o Messias.
Explanation of Ezekiel chapter 17: The parable of the two eagles (Nebuchadnezzar and Pharaoh) and the vine (kings of Judah). ‘The seed of the land’ is Zedekiah; ‘the top of the cedar’ is Shealtiel, son of Jehoiachin; ‘the tender sprig’ is the Messiah.

1 Veio a mim a palavra do Senhor, dizendo:
2 Filho do homem, propõe um enigma e usa de uma parábola para com a casa de Israel [NVI: Filho do homem, apresente uma alegoria e conte uma parábola à nação de Israel];...
No capítulo 17, Ezequiel conta a parábola das duas águias e da videira, fazendo uma alusão à casa real de Judá. Deus se referiu ao reino e a tribo de Judá como a casa de Israel como um todo.
A parábola descreve os eventos entre o tempo do exílio do rei Joaquim (597 AC, quando também Nabucodonosor colocou Zedequias no trono de Judá) e o ano em que Zedequias se revoltou contra a Babilônia porque confiava na promessa da ajuda do Egito (588 AC).
3 e dize: Assim diz o Senhor Deus: Uma grande águia, de grandes asas, de comprida plumagem, farta de penas de várias cores, veio ao Líbano e levou a ponta de um cedro.
4 Arrancou a ponta mais alta dos seus ramos e a levou para uma terra de negociantes; na cidade de mercadores, a deixou.
Ele fala da uma grande águia, de comprida plumagem, farta de penas de várias cores, que veio ao Líbano e levou a ponta de um cedro. A grande águia representa Nabucodonosor, rei da Babilônia.
‘Grandes asas, comprida plumagem, farta de penas de várias cores’ – simboliza sua majestade como rei e seu domínio sobre muitos territórios, seu espírito altivo e conquistador, que voou vitoriosamente sobre muitas terras. ‘Penas de várias cores’ não apenas pode se referir aos seus trajes grandiosos de soberano, mas também às nações tributárias que faziam parte do seu reino.
O Líbano aqui é figura de Jerusalém, cidade adornada com madeira de cedro, especialmente no palácio e no templo. A Casa do Bosque do Líbano era o nome da casa real de Salomão (1 Rs 7: 2; 1 Rs 10: 17, 21; 2 Cr 9: 16,20). O cedro corresponde à casa de Davi.
• ‘Um cedro’ (v.3) se refere à casa de Israel, e a ‘ponta de um cedro’ se refere a Joaquim, rei de Judá.
• ‘A ponta mais alta dos seus ramos’ (v.4) representa a estirpe real, ou seja, os nobres e os chefes da terra, que foram levados para uma terra de negociantes, ou seja, para a terra de Babilônia e para a cidade de Babilônia (‘na cidade de mercadores’) junto com Joaquim.
5 Tomou muda da terra e a plantou num campo fértil; tomou-a e pôs junto às muitas águas, como salgueiro.
No v.5, quando Ezequiel fala que a águia tomou muda da terra, ele se refere a Zedequias, tio de Joaquim, que foi colocado no trono (‘um campo fértil’) por Nabucodonosor.
• ‘Pôs junto às muitas águas, como salgueiro’ – o salgueiro cresce muito bem perto de grandes correntes de água. Os salgueiros são freqüentemente plantados nas margens de riachos para que suas raízes entrelaçadas protejam a margem da ação da água. As raízes costumam ser maiores que o caule que delas cresce.
• ‘Muitas águas’ podem se referir à Babilônia, uma cidade que tinha muito comércio porque era bastante favorecida com fontes de água perto dela: seus dois rios, o Tigre e o Eufrates, e o Golfo Pérsico, davam-lhe comunicação com as nações mais ricas e mais distantes.
Deus permitiu Zedequias reinar sob condições de paz, se obedecesse. A expressão ‘salgueiro plantado junto às muitas águas’ significa que ele teve oportunidade de prosperar, se permanecesse fiel à aliança.
6 Ela cresceu e se tornou videira mui larga, de pouca altura, virando para a águia os seus ramos, porque as suas raízes estavam debaixo dela; assim, se tornou em videira, e produzia ramos, e lançava renovos.
A videira (a casa de Judá), embora de pouca altura, brotou e floresceu, ou seja, como nação dependente sob a proteção babilônica Zedequias prosperou porque pagava tributo. Em outras palavras, Zedequias foi submisso a Nabucodonosor e teve paz.
7 Houve outra grande águia, de grandes asas e de muitas penas; e eis que a videira lançou para ela as suas raízes e estendeu para ela os seus ramos, desde a cova do seu plantio, para que a regasse.
8 Em boa terra, à borda de muitas águas, estava ela plantada, para produzir ramos, e dar frutos, e ser excelente videira.
9 Dize: Assim diz o Senhor Deus: Acaso, prosperará ela? Não lhe arrancará a águia as raízes e não cortará o seu fruto, para que se sequem todas as folhas de seus renovos? Não será necessário nem poderoso braço nem muita gente para a arrancar por suas raízes.
10 Mas, ainda plantada, prosperará? Acaso, tocando-lhe o vento oriental, de todo não se secará? Desde a cova do seu plantio se secará.
Depois, Ezequiel cita uma segunda águia de grandes asas e muitas penas, e a videira lançou suas raízes e estendeu seus ramos para ela. Essa águia é o Egito, a quem Zedequias recorreu para que o livrasse do domínio babilônico.
Dessa forma, Zedequias se rebelou contra o rei da Babilônia e não mais lhe pagou tributo, e por isso, Nabucodonosor veio e o destituiu do poder, o levou cativo, matou seus filhos (‘as folhas de seus renovos’, v.9) e Zedequias morreu no exílio por causa da sua rebeldia contra o rei e contra Deus, pois isso já tinha sido profetizado pelos profetas, como Jeremias, avisando-o para se submeter ao jugo babilônico, pois assim seria conservado com vida.
Assim, Ezequiel profetiza novamente a mesma coisa: a videira de Judá (a casa real de Judá), que poderia ter vivido, seria queimada, ressecada, porque buscou raízes no lugar errado, no Egito, que mesmo com suas grandes tropas, não impediria a destruição de Judá e Jerusalém. Pelo contrário, eles recuariam diante dos babilônios (Jr 37: 5-10).
11 Então, veio a mim a palavra do Senhor, dizendo:
12 Dize agora à casa rebelde: Não sabeis o que significam estas coisas? Dize: Eis que veio o rei da Babilônia a Jerusalém, e tomou o seu rei e os seus príncipes, e os levou consigo para a Babilônia;
Então, Ezequiel explica a parábola ao povo. Nabucodonosor veio e tomou Joaquim e o levou para a Babilônia, juntamente com oficiais da corte e muitos príncipes de linhagem real (2 Rs 24: 10-16).
13 tomou um da estirpe real e fez aliança com ele; também tomou dele juramento, levou os poderosos da terra,
14 para que o reino ficasse humilhado e não se levantasse, mas, guardando a sua aliança, pudesse subsistir.
‘Um da estirpe real’ se refere ao tio de Joaquim, Matanias, a quem Nabucodonosor mudou o nome para Zedequias e o deixou na terra como rei de Judá.
A bíblia escreve: “Naquele tempo, subiram os servos de Nabucodonosor, rei da Babilônia, a Jerusalém, e a cidade foi cercada. Nabucodonosor, rei da Babilônia, veio à cidade, quando os seus servos a sitiavam. Então, subiu Joaquim, rei de Judá, a encontrar-se com o rei da Babilônia, ele, sua mãe, seus servos, seus príncipes e seus oficiais; e o rei da Babilônia, no oitavo ano do seu reinado, o levou cativo. Levou dali todos os tesouros da Casa do Senhor e os tesouros da casa do rei; e, segundo tinha dito o Senhor, cortou em pedaços todos os utensílios de ouro que fizera Salomão, rei de Israel, para o templo do Senhor. Transportou a toda a Jerusalém, todos os príncipes, todos os homens valentes, todos os artífices e ferreiros, ao todo dez mil; ninguém ficou, senão o povo pobre da terra. Transferiu também a Joaquim para a Babilônia; a mãe do rei, as mulheres deste, seus oficiais e os homens principais da terra, ele os levou cativos de Jerusalém à Babilônia. Todos os homens valentes, até sete mil, e os artífices, e ferreiros, até mil, todos eles destros na guerra, levou-os o rei da Babilônia cativos para a Babilônia. O rei da Babilônia estabeleceu rei, em lugar de Joaquim, ao tio paterno deste, Matanias, de quem mudou o nome para Zedequias” (2 Rs 24: 10-17).
15 Mas ele se rebelou contra o rei da Babilônia, enviando os seus mensageiros ao Egito, para que se lhe mandassem cavalos e muita gente. Prosperará, escapará aquele que faz tais coisas? Violará a aliança e escapará?
16 Tão certo como eu vivo, diz o Senhor Deus, no lugar em que habita o rei que o fez reinar, cujo juramento desprezou e cuja aliança violou, sim, junto dele, no meio da Babilônia será morto.
17 Faraó, nem com grande exército, nem com numerosa companhia, o ajudará na guerra, levantando tranqueiras e edificando baluartes, para destruir muitas vidas.
18 Pois desprezou o juramento, violando a aliança feita com aperto de mão, e praticou todas estas coisas; por isso, não escapará.
19 Portanto, assim diz o Senhor Deus: Tão certo como eu vivo, o meu juramento que desprezou e a minha aliança que violou, isto farei recair sobre a sua cabeça.
Zedequias se rebelou contra Nabucodonosor, enviando seus embaixadores para o Egito (a segunda águia), para conseguir cavalos e um grande exército. Esse faraó a quem Zedequias pediu ajuda era Hofra (חָפְרַע, em hebraico, Jr 44: 30), também conhecido como Apriés (589–570 AC), a versão grega do nome egípcio, Uahibré (Wahibre Haaibre), faraó da 26ª dinastia egípcia.
Hofra foi um soberano guerreiro, que apoiou os povos da região da Síria-Palestina na luta contra os Babilônios. Contudo, seu apoio não foi suficiente para impedir a tomada de Jerusalém por Nabucodonosor II (605–562 AC) em 586 AC.
Em Jr 44:30, Deus disse que o entregaria nas mãos dos seus inimigos, nas mãos dos que procuravam a sua morte. “Nas mãos dos que procuram a sua morte” se refere a seu próprio general, Amósis ou Amásis, que em 570 AC foi feito faraó pelos seus soldados depois de reprimir uma rebelião dentro do exército egípcio, que havia sido derrotado pelos gregos por causa do apoio de Hofra ao governante de Cirene (na costa da Líbia).
Apries (Hofra) reuniu um exército de mercenários contra Amósis, e os dois travaram batalha ao noroeste do Delta egípcio, mas Apries teve que recuar. Depois de uma segunda tentativa fracassada, ele deixou o Egito em 570 AC. Ele tentou recuperar o poder de novo em 567 AC, com auxílio de uma força naval Grega ou Cária, mas segundo o historiador Heródoto ele foi entregue por Amósis ao povo, que o estrangulou. Assim, o final desse faraó foi trágico, que pode se encaixar na profecia de Ez 32.
Amósis II (Amasis) conseguiu conter a investida de Nabucodonosor II no Egito, e o impediu de estender seu império até lá. Assim, ele manteve a soberania egípcia durante o seu reinado (570-526 AC).
Nessa profecia de Ez 17: 15-19, Deus repreende severamente a Zedequias por ter quebrado aliança que ele fez com Nabucodonosor sob juramento, ou seja, de estar em submissão ao domínio da Babilônia. É verdade que essa aliança não foi espontânea por parte de Zedequias. Nabucodonosor o obrigou a fazê-la: “Também se revoltou [Zedequias] contra o rei Nabucodonosor, que o havia obrigado a fazer um juramento em nome de Deus. Tornou-se muito obstinado e não quis se voltar para o Senhor, o Deus de Israel” (2 Cr 36: 13, NVI).
Mas ao revoltar-se e deixar de pagar tributo para a Babilônia, Zedequias não apenas traiu um acordo feito entre dois governantes; ele quebrou o juramento que havia sido feito em nome de Deus, como lemos acima. Deus esperava que Zedequias fosse leal à aliança e o puniria por quebrá-la.
Jeremias o havia alertado sobre essa submissão, que era da vontade de Deus. E Ezequiel o repreendia agora pela traição a Nabucodonosor e pela desobediência e traição a Deus.
A atitude benevolente de Nabucodonosor ajudou Zedequias a prosperar em seu governo. Se ele tivesse permanecido fiel ao seu juramento de fidelidade a Nabucodonosor, o reino de Judá poderia ter continuado a prosperar, pelo menos como um reino vassalo à Babilônia. Entretanto, o cativeiro seria inevitável, pois até Isaías já havia profetizado sobre isso 100 anos antes, inclusive, mencionando o nome de Ciro.
20 Estenderei sobre ele a minha rede, e ficará preso no meu laço; levá-lo-ei à Babilônia e ali entrarei em juízo com ele por causa da rebeldia que praticou contra mim.
21 Todos os seus fugitivos, com todas as suas tropas, cairão à espada, e os que restarem serão espalhados a todos os ventos; e sabereis que eu, o Senhor, o disse.
Nesses versículos, então, o Senhor fala sobre seu cativeiro.
• ‘Estenderei sobre ele a minha rede, e ficará preso no meu laço’ – Zedequias até tentou escapar no momento da invasão, mas Deus já havia estendido Sua rede sobre ele, ou seja, já o havia apanhado.
• ‘Levá-lo-ei à Babilônia e ali entrarei em juízo com ele por causa da rebeldia que praticou contra mim’ – Deus o levaria à Babilônia e o julgaria, pois levou em conta a quebra do juramento de Zedequias em relação a Ele, o Senhor. Por isso, Ele disse no v. 19: “o meu juramento que desprezou e a minha aliança que violou”.
O Senhor termina dizendo que todas as tropas de Zedequias seriam mortos à espada e os que escapassem seriam dispersos entre outras nações.
22 Assim diz o Senhor Deus: Também eu tomarei a ponta de um cedro e a plantarei; do principal dos seus ramos cortarei o renovo mais tenro e o plantarei sobre um monte alto e sublime.
23 No monte alto de Israel, o plantarei, e produzirá ramos, dará frutos e se fará cedro excelente. Debaixo dele, habitarão animais de toda sorte, e à sombra dos seus ramos se aninharão aves de toda espécie.
24 Saberão todas as árvores do campo que eu, o Senhor, abati a árvore alta, elevei a baixa, sequei a árvore verde e fiz reverdecer a seca; eu, o Senhor, o disse e o fiz.
O Senhor prossegue dizendo que Ele mesmo tomará a ponta do cedro (Salatiel, filho de Joaquim) e a plantará; do seu ramo principal (os governantes do trono de Davi), Ele cortará um renovo mais tenro (o Messias, Is 11:1; Is 53:2; Jr 23: 5-6; Jr 33:15; Zc 6:12; Ap 22:16) e o plantará no monte alto de Israel: a Sião física, i.e., o monte do Templo em Jerusalém, na 1ª vinda de Cristo, onde a linhagem de Davi seria restaurada. O monte Sião aqui representa o lugar de honra e segurança futura do governo divino do Messias, em contraste com a ruína de Jerusalém na época.
Ezequiel acreditava na restauração da dinastia de Davi, governando sobre um Israel novo e renovado nos tempos vindouros, assim como Isaías. Nos capítulos 9 e 11 do livro de Isaías, nós podemos ver isso com mais clareza: todas as vezes que ele falava sobre o Messias, dá a impressão de que ele falava de algo muito próximo, seja porque a sua vontade era que Ele viesse logo ou porque ele não tinha, na verdade, a noção do reino espiritual trazido pelo Messias. Em sua mente humana, como um judeu, ele esperava um Messias em forma humana e trazendo um reino militar, como Davi ou Ciro. Ezequiel e muitos profetas do AT pensavam da mesma forma. Por isso, Jesus surpreendeu Seu povo, quando veio em forma humana e sem a glória material que todos estavam esperando.
O Messias nascerá da linhagem real de Judá e Seu reino é universal. Ele frutificará (Jo 15:5) e sob Seu governo muitos encontrarão refúgio. Judeus e gentios estarão sob Seu domínio e todas as nações reconhecerão o Seu poder e Sua autoridade de humilhar os soberbos (‘a árvore alta’) e elevar os humildes (‘a árvore baixa’); tornar verde a ‘árvore seca’ (a casa de Davi em decadência) e secar a ‘árvore verde’ (as potências humanas, que aparentemente são prósperas e frutificam).
Esse vídeo é parte do curso bíblico (link dourado no alto das páginas).


Table about the prophets (PDF)
Autora: Pastora Tânia Cristina Giachetti
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