Explicação de Ezequiel capítulo 16: Jerusalém é comparada a uma noiva infiel e a uma prostituta. O Senhor os resgatou da dura escravidão no Egito e os fez Seu povo, mas eles O traíram.


Ezequiel capítulo 16



A infidelidade de Jerusalém

Ez 16: 1-63 (ARA)

1 Veio a mim a palavra do Senhor, dizendo:
2 Filho do homem, faze conhecer a Jerusalém as suas abominações;
3 e dize: Assim diz o Senhor Deus a Jerusalém: A tua origem e o teu nascimento procedem da terra dos cananeus; teu pai era amorreu, e tua mãe, hetéia.

Este texto (Ez 16: 1-63), embora fale das abominações e da infidelidade de Jerusalém, inicia com uma declaração de amor de Deus ao Seu povo, Sua Noiva (v. 1-14). De uma forma figurada o Senhor explica o que fez conosco quando nos separou para Ele através de Jesus.

O Senhor lembra que a nação israelita veio da terra dos cananeus, que foi dada a Abraão (Gn 12: 5), assim como dos demais povos que ali habitavam como os heteus e os amorreus.

“Teu pai era amorreu, e tua mãe, hetéia” – ‘Amorreu’ e ‘heteu ou hitita’ eram nomes gerais, representando o povo de Canaã, pois eram as mais poderosas das nações que ali habitavam. Esse frase também faz referência às origens culturais e morais de Jerusalém. A antiga Canaã era habitada por povos semíticos e não semíticos. Os amorreus e os heteus são associados nas Escrituras com o território montanhoso ao sul, onde Jerusalém estava localizada (Nm 13: 29). O profeta mostra que povos sem descendência israelita fundaram a cidade. Os jebuseus a controlavam quando os israelitas entraram na terra sob o comando de Josué (Js 15: 8, 63). Israel só obteve o controle pleno da cidade quando Davi a conquistou (2 Sm 5: 6, 7). O que lhe deu posição de honra foi o resgate do Senhor, Sua escolha por ela. O termo ‘cananeu’ era um sinônimo de decadência moral.

Os cananeus foram os primeiros moradores da terra prometida antes de Israel chegar. Eles habitavam na região próxima ao Grande Mar (Mar Mediterrâneo) até o Norte, por isso também eram chamados de Siro-Fenícios. Nos tempos do AT, a Fenícia era chamada de Canaã (Hebr.: Kena‘an), e seus habitantes, Cananeus (Hebr.: Kna‘aniy; Strong #3669), que significa ‘comerciantes’, ‘mascates’; e assim como um comerciante zela pelas suas mercadorias para que não sejam roubadas e para que ele não tenha prejuízo financeiro com elas, nós podemos estender seu significado para ‘zeloso’. Em grego, a Fenícia é chamada Phoiníkē, Φοινίκη, ‘terra das palmeiras’. Heteu (Hebr.: Chitti; Strong #2850) significa ‘descendente de Hete’; e Hete significa ‘medo, terror’. Nós podemos dizer, portanto, que Heteu significa ‘o que não tem medo de mostrar quem é’. Amorreu (Hebr.: Emori; Strong #567) é uma palavra derivada de uma raiz primitiva que significa proeminência; conseqüentemente, montanhês, habitante da montanha, alpinista, montanhista; simbolicamente, visionário [Os nomes bíblicos e seus significados – Evandro de Souza Lopes – CPAD, 8ª edição 2002].

Simbolicamente, para nós hoje, isso significa que aquilo que Ele desejou para Sua Noiva era o que estava na mão do inimigo antes de Ele entregar aquela terra ao povo escolhido. Ao invés de características e bênçãos pertencentes aos ímpios, deveriam ser nossas características. Nós é que deveríamos zelar pela palavra e pelas coisas de Deus, cuidar delas como sementes plantadas dentro de nós; nós é que deveríamos pensar alto como os habitantes das montanhas, como os visionários, e não termos medo de mudar de vida e de mostrar quem somos. Mas tanto Israel como Judá deixaram tudo isso de lado, no sentido de que preferiram imitar os erros desses povos, suas idolatrias e atitudes ruins.

4 Quanto ao teu nascimento, no dia em que nasceste, não te foi cortado o umbigo, nem foste lavada com água para te limpar, nem esfregada com sal, nem envolta em faixas.

Ainda quanto às suas origens, Deus fala de Jerusalém como um bebê recém-nascido que não foi muito bem cuidado. Ele fala no versículo 4: “Quanto ao teu nascimento, no dia em que nasceste, não te foi cortado o umbigo, nem foste lavada com água para te limpar, nem esfregada com sal, nem envolta em faixas”, ou seja, ‘sem a devida atenção ao cordão umbilical’, pois a criança que acabou de nascer é susceptível de morrer por causa de uma infecção grave.

O nascimento de uma criança, no Oriente Médio em especial, obedecia a certos padrões e tinha um significado. Cortar o cordão umbilical, lavar o recém-nascido, esfregar sal na sua pele e enfaixá-lo como proteção eram atos legais habituais de legitimação ou de paternidade legal sobre a criança. A mesma coisa era com a escolha do nome da criança. Da mesma forma, Deus “tomava sobre Si a paternidade” sobre os primogênitos do sexo masculino no oitavo dia de vida, por meio da circuncisão, segundo a lei de Moisés determinava (Êx 13: 2; Nm 8: 17). Todo primogênito era consagrado ao Senhor.

Enfaixar o recém-nascido era uma prática comum na Antiguidade, mostrando também que ele era bem cuidado. Primeiro o cordão umbilical era cortado e a criança era lavada com água, para remover do seu corpo o líquido amniótico e o sangue presente ao nascimento. O bebê era então esfregado com uma pequena quantidade de sal e azeite de oliva, para ajudar a limpar e desinfetar a pele. Algumas tribos do deserto esfregavam sal na pele da criança recém-nascida para que esta suportasse melhor o calor, o que significa: proteção, fortalecimento e resistência às condições adversas.

Outro significado dessa prática, igualmente importante para os judeus, é que o sal era acrescentado a cada oferta no altar do sacrifício no Tabernáculo e no Templo. Muito provavelmente, as mães israelitas viam esse costume em relação aos seus bebês como uma maneira simbólica de oferecer seu filho ao serviço do Senhor; de dedicá-lo a Deus. O sal diz respeito à fidelidade das promessas, ao amor imutável de Deus, à natureza duradoura da aliança, do Seu pacto com os homens.

Depois disso o bebê era envolto em longas faixas de linho ou algodão, o que ajudava a prover conforto à criança; as faixas apertadas repetiriam, por assim dizer, a sensação do conforto do útero. Em algumas ocasiões as bandagens eram marcadas de alguma forma para se saber de quem era o bebê. Alguns estudiosos dizem que eram bordadas com símbolos da ancestralidade da criança.


Recém nascido esfregado com sal e azeite

Recém-nascido envolto em faixas


E Ele vai mais longe, comparando-a com um bebê jogado no campo (Ez 16: 5-6):
5 Não se apiedou de ti olho algum, para te fazer alguma destas coisas, compadecido de ti; antes, foste lançada em pleno campo, no dia em que nasceste, porque tiveram nojo de ti.
6 Passando eu por junto de ti, vi-te a revolver-te no teu sangue e te disse: ainda que estás no teu sangue, vive; sim, ainda que estás no teu sangue, vive.

Isso é uma alusão a crianças expostas por seus pais não naturais ou parteiras cruéis, e deixadas em um campo aberto ou em qualquer lugar do deserto para perecerem por falta de cuidados, comida, água e proteção, a menos que alguém as visse e se compadecesse delas. Os Egípcios maltrataram o povo do Senhor, pois os hebreus eram uma abominação para eles, e quiseram jogar os recém-nascidos hebreus no Nilo. Da mesma forma, muitos filhos de Deus nasceram e sofreram a dor da rejeição, ostensiva ou não e até de maneira inexplicável, pois o inimigo tocou nessas pessoas para agirem dessa maneira, sabendo de alguma forma que essas crianças já estavam separadas por Deus para serem dEle em algum momento de suas vidas; elas eram ‘diferentes’. Jesus disse: “Qualquer que receber uma criança, tal como esta, em meu nome, a mim me recebe; e qualquer que a mim me receber, não recebe a mim, mas ao que me enviou” (Mc 9: 37).

Nos casos de negligência e abandono de uma criança em campo aberto, o pai renunciava legalmente a todos os direitos e responsabilidades em relação à criança.

Por isso, no versículo 6, o Senhor diz: “Passando eu por junto de ti, vi-te a revolver-te no teu sangue e te disse: ainda que estás no teu sangue, vive; sim, ainda que estás no teu sangue, vive”. O Senhor passou por ela e lhe deu uma palavra de resgate e vida. “Deixai vir a mim os pequeninos, não os embaraceis, porque dos tais é o reino de Deus. Em verdade vos digo: Quem não receber o reino de Deus como uma criança de maneira nenhuma entrará nele. Então, tomando-as nos braços e impondo-lhes as mãos, as abençoava” (Mc 10: 14b-16).

Em Dt 7: 7-8, Deus explicou a razão pela qual Ele colocou Sua atenção em Israel para resgatá-los: “Não vos teve o Senhor afeição, nem vos escolheu porque fôsseis mais numerosos do que qualquer povo, pois éreis o menor de todos os povos, mas porque o Senhor vos amava e, para guardar o juramento que fizera a vossos pais, o Senhor vos tirou com mão poderosa e vos resgatou da casa da servidão, do poder de Faraó, rei do Egito.” A razão não foi porque Israel era tão numeroso, ou tão diferente de outros povo ou tão santo. Eles eram fracos, pobres e perto da morte naquela escravidão do Egito. Mas Deus passou e tomou conhecimento deles.

7 Eu te fiz multiplicar como o renovo do campo; cresceste, e te engrandeceste, e chegaste a grande formosura; formaram-se os teus seios, e te cresceram os cabelos; no entanto, estavas nua e descoberta [significando que não era tão auto-suficiente a ponto de não precisar mais de Deus; estava sem a proteção do ‘manto’].
8 Passando eu por junto de ti, vi-te, e eis que o tempo era tempo de amores; estendi sobre ti as abas do meu manto e cobri a tua nudez; dei-te juramento e entrei em aliança contigo, diz o Senhor Deus; e passaste a ser minha.

A noiva cresceu e, no versículo 7, quando chegou o tempo de ter filhos, Ele estendeu sobre ela o Seu manto. Em hebraico, a palavra ‘manto’ (Kanaph, כָּנָף), significa, entre outras coisas, ‘asas’ e é símbolo de proteção, vida, unção, poder. Também se refere aos pedidos de casamento. Assim, quando o Senhor nos separou para Ele, passamos a ser Sua propriedade exclusiva e deixamos de nos sentir desprotegidos. Deus fez conosco uma aliança como num casamento (v. 8).

9 Então, te lavei com água, e te enxuguei do teu sangue, e te ungi com óleo.
10 Também te vesti de roupas bordadas, e te calcei com couro da melhor qualidade, e te cingi de linho fino, e te cobri de seda.

Do versículo 9 ao 14, Ele relata o processo de crescimento e embelezamento da noiva, a quem Ele mesmo vai acrescentando dons e bênçãos como ornamentos. No versículo 9, Ele diz que nos lavou com água, ou seja, viemos para Jesus, passamos a ouvir a Sua palavra e ela começou a nos lavar das maneiras antigas de pensar e agir. Ele diz também que nos enxugou do nosso sangue, ou seja, curou nossas feridas. Depois nos ungiu com óleo, ou seja, foi derramado do Seu Espírito em nós, nos fortalecendo e nos santificando e nos consagrando para Ele.

No versículo 10, Ele fala de trajes finos como seda, linho fino, bordados e de calçados, como couro (“Também te vesti de roupas bordadas, e te calcei com couro da melhor qualidade, e te cingi de linho fino, e te cobri de seda”). A palavra ‘seda’ em Ez 16: 10, 13, em hebraico é meshi, מֶ֫שִׁי, Strong #4897, que significa, seda (como a extraída do casulo); ou um material caro para roupas, talvez seda, segundo alguns teólogos. Ela só ocorre essas duas vezes na bíblia.

O linho fino é símbolo de santidade e justiça (Ap 19: 8). A seda, de refinamento e sensibilidade. Ele protegeu os pés da noiva dos ferimentos, assim como os capacitou a andar com segurança. Onde está escrito “te calcei com couro da melhor qualidade”, a palavra usada para ‘couro’ em hebraico é tahash (tā·haš) ou tachash – תחש (plural: tahashim ou thchshim – תחשים) – Strong #8476; provavelmente originada do egípcio thhs, ‘couro’, e do árabe tuhasum, ‘delfim’. Tahash significa: golfinho; porco do mar; vaca marinha ou peixe-boi (dugongo); um animal limpo com pele ou pêlo macio (como o de certas espécies de cabra). A expressão ‘peles finas’ ou ‘animais marinhos’ na KJV traduzida como ‘peles de texugos’. Provavelmente, aqui se referia a sapatos, não sandálias. Os sapatos eram feitos de couro macio; as sandálias, de couro duro.

Sandálias e sapatos nos tempos antigos

As sandálias eram bem conhecidas: Am 2: 6; Am 8: 6; Dt 25: 10; em Ez 24: 17, onde na nossa versão está escrito sandália (סנדל), em hebraico está escrito ‘calçado’ ou ‘sapato’ – na‘al, נעל ou נָעַל – Strong #5275; em Ez 16: 10 é a mesma palavra, usada para o verbo ‘calçar’ (נָעַל – Strong #5274, naal ou na‘al).

Sandálias com solas (ne‘ãlïm ou na‘alayim – נעל – Strong #5275) de couro foram usadas para proteger os pés da areia ardente e umidade. As sandálias também podiam ter um solado (ne‘ãlïm) de madeira preso com correias ou tiras de couro (serõkh – Gn 14: 23; Is 5: 27; Mc 1: 7; Lc 3: 16; Mc 6: 9). Sandálias não eram usadas em casa nem no santuário (Êx 3: 5; Js 5: 15). Andar sem sandálias era sinal de grande pobreza (Dt 25: 9; Lc 15: 22) ou de luto (2 Sm 15: 30; Is 20: 2-4; Ez 24: 17, 23). Quando um anjo apareceu a Pedro na prisão, ordenou-lhe que calçasse as sandálias (At 12: 8).

Na Assíria, as sandálias cobriam também o calcanhar e o lado do pé. A sandália e a correia eram tão comuns que simbolizavam a coisa mais insignificante, como em Gn 14: 23. A maioria das pessoas naquele tempo andava descalça ou usava sandálias, mas os sapatos não eram tão comuns. Os pobres não podiam se dar ao luxo de usar sapatos, visto que estes eram feitos de couro macio, que era escasso. As sandálias eram de couro duro. Os judeus não usavam as sandálias dentro de casa (Lc 7: 38); eles as retiravam ao entrar na casa, e lavavam os pés.

Sandálias dizem respeito a autoridade, ocupação, posse material. Em Êx 3: 5 e Js 5: 15, quando o Senhor diz a Moisés e a Josué, em ocasiões diferentes, para tirar as sandálias dos pés, está implícita a ligação entre tirar os sapatos e se entregar, se render, sinal de submissão, reverência e respeito: “Tira as sandálias dos pés, pois o lugar que estás é terra santa”.

Os judeus consideravam carregar ou desatar as sandálias de outra pessoa como uma tarefa muito humilde. Quando João Batista falou da vinda de Cristo, disse: “O qual vem após mim, do qual não sou digno de desatar-lhe as correias das sandálias” (Jo 1: 27).


Tipos de sandália nos tempos bíblicos

Tipos de sandália nos tempos de Jesus


Assim, Deus a lavou com água, a ungiu, curou suas feridas, a vestiu, a alimentou com o que tinha de melhor e calçou seus pés, e a embelezou com jóias. Adornos e enfeites para nós significam os dons e frutos do Espírito Santo:

11 Também te adornei com enfeites e te pus braceletes nas mãos e colar à roda do teu pescoço.
12 Coloquei-te um pendente no nariz, arrecadas (NVI: brincos) nas orelhas e linda coroa na cabeça.
13 Assim, foste ornada de ouro e prata; o teu vestido era de linho fino, de seda e de bordados; nutriste-te de flor de farinha (NVI: da melhor farinha), de mel e azeite; eras formosa em extremo e chegaste a ser rainha.
14 Correu a tua fama entre as nações, por causa da tua formosura, pois era perfeita, por causa da minha glória que eu pusera em ti, diz o Senhor Deus.

Na Antiguidade, os homens judeus usavam braceletes, anéis, correntes e colares de vários tipos. No Oriente Próximo, ambos os sexos usavam cadeias de ouro como ornamento e símbolo de dignidade. Os oficiais do governo colocaram tais colares de ouro em José e em Daniel como símbolo de soberania (Gn 41: 42; Dn 5: 29). Os homens judeus usavam jóias com o intuito de melhorar sua aparência pessoal. A arte de joalheria iniciou em um período remoto da humanidade (Nm 31: 50; Jz 8: 26; Os 2: 13). O judeu usava o anel como selo e símbolo de sua autoridade (Gn 41: 42; Dn 6: 17). Com o sinete ele estampava seu selo pessoal nos documentos oficiais (no tempo de Ester, por exemplo). Podia ser usado num cordão em torno do pescoço ou no dedo. Os homens também usavam anéis ou faixas nos braços (cf. 2 Sm 1: 10). O bracelete e a coroa são símbolo de glória e majestade. O colar é símbolo de graça, misericórdia (Hebr.: Hesedh ou Chesed) com que somos ornados. As mulheres usavam brincos e outras jóias (Gn 24: 22, 30, 53; Gn 35: 4; Êx 32: 2-3; Ez 16: 12).

Mas um judeu, como homem livre, nunca usava brincos. Os pendentes e brincos são símbolos de propriedade particular voluntária. No AT, quando chegava o sétimo ano da escravidão de alguém, ele tinha direito a ser alforriado, mas se quisesse permanecer com o seu senhor, este o levava aos juízes e sua orelha era colocada na ombreira da porta e furada. Era colocado, então, um brinco e o escravo passava a servir aquele senhor para sempre (Êx 21: 6; Dt 15: 16-17): “Se você comprar um escravo hebreu, ele o servirá por seis anos. Mas no sétimo ano será liberto, sem precisar pagar nada... Se, porém, o escravo declarar: ‘Eu amo o meu senhor, a minha mulher e os meus filhos, e não quero sair livre’, o seu senhor o levará perante os juízes. Terá que levá-lo à porta ou à lateral da porta e furar a sua orelha. Assim, ele será seu escravo por toda a vida” (Êx 21: 2; 5-6); “Mas se o seu escravo lhe disser que não quer deixá-lo, porque ama você e sua família e não tem falta de nada, então apanhe um furador e fure a orelha dele contra a porta, e ele se tornará seu escravo para o resto da vida. Faça o mesmo com a sua escrava” (Dt 15: 16-17). Assim, o brinco era sinal de escravidão.

No versículo 13, o Senhor fala que alimentou Sua noiva com o que tinha de melhor: mel, azeite e flor de farinha (a farinha mais fina): “Também te vesti de roupas bordadas, e te calcei com couro da melhor qualidade, e te cingi de linho fino, e te cobri de seda... Assim, foste ornada de ouro e prata; o teu vestido era de linho fino, de seda e de bordados; nutriste-te de flor de farinha (NVI: da melhor farinha), de mel e azeite” (Ez 16: 10, 13).

Roupas bordadas, couro da melhor qualidade ou ‘peles finas’, linho fino, flor de farinha, mel e azeite são palavras e expressões que ocorrem com muita freqüência nas descrições do tabernáculo e suas cortinas, das vestes sacerdotais e das ofertas, em especial as ofertas de manjares, os holocaustos e as ofertas pacíficas. Isso nos leva a crer que Jerusalém, a noiva do Senhor, estava vestida com as vestes de santidade, como as do Seu santuário, e era alimentada com o ‘alimento’ de suas ofertas.

Assim, bem-tratada e adornada, ela chegou a ser formosa e sua fama se espalhou pelas nações. Por causa do amor e cuidado amoroso de Deus, Jerusalém se destacou em beleza e foi elevada ao status de rainha entre as cidades do mundo antigo. O que tornou os israelitas famosos entre as nações não veio deles mesmos, mas foram as bênçãos que Deus lhes concedeu. Essa honra foi apenas por causa da escolha do Senhor por eles.

Esse esplendor atingiu seu ápice durante o reinado do rei Davi e durante os primeiros anos de Salomão, e Israel foi um reino próspero. Enquanto Israel obedeceu à Sua Palavra e se manteve fiel à Sua aliança, Deus os abençoou abundantemente assim como Ele prometeu. Ele deu a Israel filhos saudáveis, rebanhos de ovelhas e manadas férteis, colheitas abundantes e proteção contra doenças, desastres e invasão.

Nos versículos seguintes, como um marido traído e revoltado, Ele relata a infidelidade da Sua noiva se entregando a todo o tipo de idolatria e que a levou à perda da beleza. Assim, o Senhor nos toma do mundo, nos cura, nos enfeita, nos sustenta, nos embeleza; portanto, Ele deseja de nós a fidelidade e a gratidão, e não que nós venhamos a repetir o mesmo erro de Israel. Saiba guardar a herança preciosa que você recebeu dEle, esperando-o pela Sua vinda.

Jerusalém foi infiel, entregando-se aos ídolos das nações e até mesmo sacrificando os seus próprios filhos.

15 Mas confiaste na tua formosura e te entregaste à lascívia, graças à tua fama; e te ofereceste a todo o que passava, para seres dele.

A confiança excessiva em si mesma, o orgulho de ser o que era, provocou a própria queda de Jerusalém e de toda a nação. E o povo se esqueceu de que não eles eram nada quando Deus os encontrou e que Ele lhes tinha concedido a sua beleza, sua riqueza, a sabedoria, os cidadãos saudáveis e bem alimentados. Ao invés de confiar em Deus, eles confiaram na bênção que Deus lhes deu. Eles acabaram usando a fama que tinham entre as nações para correr atrás dos ídolos das nações pagãs, como uma meretriz corre atrás de seus ‘clientes’.

16 Tomaste dos teus vestidos e fizeste lugares altos adornados de diversas cores, nos quais te prostituíste; tais coisas nunca se deram e jamais se darão [NVI: Você usou algumas de suas roupas para adornar altares idólatras, onde levou adiante a sua prostituição. Coisas assim jamais deveriam acontecer!].
17 Tomaste as tuas jóias de enfeite, que eu te dei do meu ouro e da minha prata, fizeste estátuas de homens [NVI: ídolos em forma de homem] e te prostituíste com elas.

‘Altares idólatras ou lugares altos adornados de diversas cores’ (v.16): as vestes coloridas das mulheres acabaram sendo usadas para decorar os altares idólatras, ou seja, faziam parte dos penduricalhos coloridos das tendas montadas nos lugares altos, e que eram lugares de banquete, fornicação, idolatria e sacrifício de crianças.

Israel tomou o ouro e a prata que Deus lhes deu para adornar os lugares da idolatria pagã e usados na adoração de ídolos com conotação sexual [NVI: ídolos em forma de homem]. Aqui se referem aos príapos, que eram representações rituais do órgão sexual masculino, um pênis ereto e desproporcional, geralmente de madeira nos cultos de Baco. Aqui em Ezequiel, parece que eram feitos de ouro e prata. Esses amuletos celebravam a vida, o ciclo de renovação e a abundância agrícola estavam associados ao deus grego da fertilidade, Príapo. Eles eram carregados nas festividades em homenagem a Osíris, Baco (Dionísio) e Adônis.

18 Tomaste os teus vestidos bordados e as [as estátuas] cobriste; o meu óleo e o meu perfume puseste diante delas.
19 O meu pão, que te dei, a flor da farinha, o óleo e o mel, com que eu te sustentava, também puseste diante delas em aroma suave; e assim se fez, diz o Senhor Deus [NVI: E até a minha comida: a melhor farinha, o azeite de oliva e o mel; você lhes ofereceu tudo como incenso aromático. Foi isso que aconteceu, diz o Soberano, o SENHOR].

As vestes bordadas foram usadas para cobrir os ídolos. O meu pão [NVI: a minha comida]: pão é um nome genérico para todos os alimentos. Como eu comentei acima, esses elementos eram ingredientes importantes usados nas ofertas de manjares, nos holocaustos e nas ofertas pacíficas, com exceção do mel, pois eram bolos asmos feitos com farinha, azeite e sal.

Mais do que isso, a terra de Canaã era uma terra de trigo, de onde se fazia a farinha da melhor qualidade (‘flor de farinha’) para ser usada nas ofertas do templo; a terra de oliveiras, de onde vinha o melhor azeite; e ‘uma terra que manava leite e mel’, dada pelo Senhor a eles. Pode-se dizer, então, que o Senhor os tinha alimentado com isso, porém, em vez de glorificá-lo por meio desses frutos e de usá-los da maneira como se deveria, eles ofereceram todos esses frutos da terra aos ídolos para obter seu favor e boa vontade e para apaziguá-los e torná-los propícios a eles. Exceto o mel, que era proibido nas ofertas do templo, a farinha e o azeite eram dedicados ao Senhor nas ofertas do templo, e o perfume de que Ele falava era o incenso aromático, usado pelo sacerdote no altar de ouro, na frente do Santo dos Santos durante as orações, e colocado também sobre as ofertas de manjares. O mel era apenas usado nos sacrifícios pelos gentios (Lv 2: 1-11, 13).

20 Demais, tomaste a teus filhos e tuas filhas, que me geraste, os sacrificaste a elas, para serem consumidos. Acaso, é pequena a tua prostituição?
21 Mataste a meus filhos e os entregaste a elas como oferta pelo fogo.
22 Em todas as tuas abominações e nas tuas prostituições, não te lembraste dos dias da tua mocidade, quando estavas nua e descoberta, a revolver-te no teu sangue.

Israel tornou-se tão degenerado em sua devoção aos ídolos que ofereceu seus próprios filhos e filhas e os sacrificou aos ídolos pagãos, como o detestável Moloque, deus Amonita.

Acaz (2 Rs 16: 3; 2 Cr 28: 3) e Manassés (2 Rs 21: 6; 2 Cr 33: 6), reis de Judá, participaram desta prática horrível de sacrificar crianças aos deuses cananeus. Até Salomão sancionou a adoração de Moloque, deus dos Amonitas, e Quemós, deus dos Moabitas, e construiu um templo para esses ídolos (1 Rs 11: 3-7) e seguiu Astarote. As tribos do norte foram ao cativeiro na Assíria porque haviam cometido os mesmos pecados (2 Rs 17: 17). Josias, rei de Judá, destruiu um lugar de adoração a Moloque (2 Rs 23: 10).

Israel não se lembrava mais de seu pobre e humilde começo, onde a proteção e a provisão de Deus eram suas maiores bênçãos.

23 Depois de toda a tua maldade (Ai, ai de ti! — diz o Senhor Deus),
24 edificaste prostíbulo de culto e fizeste elevados altares por todas as praças.
[NVI: em cada praça pública, você construiu para você mesma altares e santuários elevados].
[NABRE: você construiu uma plataforma para si mesma e ergueu um estrado em cada lugar público (‘um estrado’: está associado a rituais emprestados dos cananeus) – tradução].
[KJV-Fiel-Pt-1611: “Que também construíste para ti um lugar eminente, e fizeste para ti um lugar alto em cada rua”].

‘Lugar eminente’ (‘altares’, ‘plataforma’ ou ‘prostíbulo de culto’), em hebraico é gab (גָּב, Strong #1354), que significa: aros. Vem de uma raiz não utilizada que significa: oco ou curva; a parte de trás (como arredondada); por analogia, topo ou aro, um relevo (saliência), uma abóbada, arco (do olho), baluartes; lugar eminente, lugar mais alto, nave, entre outros significados. Em outras palavras, uma superfície curva ou arredondada, uma abóbada ou uma cúpula elevada, uma câmara abobadada. Poderia ser uma pequena colina ou uma estrutura de um certo tamanho, mas com formato abobadado como um grande ‘nicho’ na rocha, com a imagem do ídolo e/ou onde se faziam sacrifícios a ele.

‘Lugar alto’ (‘elevados altares’ ou ‘um estrado’), em hebraico é ramah (רָמָה, Strong #7413), que significa: lugar; uma altura (como um local de idolatria). Nas terras dos cananeus e no antigo Oriente Próximo esses lugares estavam, freqüentemente, em montes ou plataformas artificiais usados para sustentar ídolos e fazer sacrifícios.

À medida que pioravam na maldade, Israel começou a multiplicar sua idolatria. Tornou-se generalizada e comum em toda a terra.

‘Por todas as praças’, ‘em cada lugar público’ ou ‘em cada rua’ – a palavra hebraica é rechob ou rchowb (רְחוֹב, Strong #7339), traduzido como ‘rua’ ou ‘praça’. É originada da palavra rachab, que significa: largura, lugar largo (caminho), rua, avenida ou área. Isso se refere, portanto, a um local público de reunião, não exatamente uma rua; refere-se a um local amplo, a um espaço aberto na cidade, onde pessoas se encontram e onde estão os mercados.

‘Por todas as praças’, ‘em cada lugar público’ ou ‘em cada rua’, não importa a versão bíblica, nos faz lembrar Acaz (2 Cr 28: 24-25; 2 Rs 16: 10-18) e Manassés (2 Cr 33: 3; 2 Rs 21: 3; 2 Cr 33: 3, 4-5, 7; 2 Rs 21: 4-5, 7) que ergueram altares em todos os ‘cantos de Jerusalém’ (ARA), inclusive na própria Casa do Senhor, como Acaz com o altar semelhante ao que viu na Assíria e Manassés com os altares no Templo e o ídolo, provavelmente, se referindo ao ‘ídolo do ciúme’ mencionado por Ezequiel.

25 A cada canto do caminho, edificaste o teu altar, e profanaste a tua formosura, e abriste as pernas a todo que passava, e multiplicaste as tuas prostituições [NVI: No começo de cada rua você construiu seus santuários elevados e deturpou sua beleza, oferecendo seu corpo com promiscuidade cada vez maior a qualquer um que passasse].

A infidelidade de Israel a Deus não estava apenas em todos os lugares, mas aparentemente também em todo deus pagão (‘a todo que passava’ ou ‘a qualquer um que passasse’). Eles fizeram tudo para provocar Deus à ira.

Ezequiel usou essa linguagem chocante e indelicada para sacudir seus ouvintes, totalmente alheios e apáticos à voz da repreensão profética de Deus. Um povo carnal e pecaminoso talvez entendesse uma linguagem dessa, e uma comparação tão deplorável com a traição espiritual ao seu Deus.

O Senhor menciona as nações mais importantes com que ela compartilhou sua idolatria: Egito, Filístia, Assíria e Caldéia:

26 Também te prostituíste com os filhos do Egito, teus vizinhos de grandes membros, e multiplicaste a tua prostituição, para me provocares à ira [NVI: Você se prostituiu com os egípcios, os seus vizinhos cobiçosos, e provocou a minha ira com sua promiscuidade cada vez maior].

“Teus vizinhos de grandes membros” ou “os seus vizinhos cobiçosos” – da mesma forma que os versículos anteriores, essa linguagem também é chocante e bastante indelicada para se referir à promiscuidade espiritual do Egito e sua idolatria. O profeta se refere claramente ao órgão sexual masculino para descrever a degradação moral e à perversão sexual às quais o povo tinha caído.

27 Por isso, estendi a mão contra ti e diminuí a tua porção; e te entreguei à vontade das que te aborrecem, as filhas dos filisteus, as quais se envergonhavam do teu caminho depravado [NVI: Por isso estendi o meu braço contra você e reduzi o seu território; eu a entreguei à vontade das suas inimigas, as filhas dos filisteus, que ficaram chocadas com a sua conduta lasciva].

“Diminuí a tua porção” ou “reduzi o seu território” – se refere não apenas à diminuição da porção de alimento do seu povo, permitindo que o inimigo assuma o controle da terra e conseqüentemente da colheita, tomando o produto da colheita à força, como aconteceu no tempo dos juízes (Jz 10: 7; Jz 13: 1; 14: 4; Jz 15: 11; 1 Sm 4: 1-10), quando o Senhor usou os filisteus para disciplinar Seu povo. Refere-se também a perda de território.

“As filhas dos filisteus” se refere às cidades dos filisteus. Até eles têm vergonha da conduta obscena de Jerusalém, com tanta idolatria. No tempo de Acaz, os filisteus investiram contra Judá (2 Cr 28: 18-19), tomando cidades de Judá e habitando nelas.

28 Também te prostituíste com os filhos da Assíria, porquanto eras insaciável; e, prostituindo-te com eles, nem ainda assim te fartaste;...

Depois de compartilhar a idolatria do Egito, Jerusalém se prostituiu espiritualmente com os assírios, pois também abraçou seus ídolos. Esses ídolos foram trazidos a Jerusalém principalmente pelo rei Acaz (2 Rs 16: 10-18; 2 Cr 28: 23). Prostituir-se com os assírios também se refere ao acordo político e militar com a Assíria (2 Cr 28: 16, 20-21 – Acaz chegou a dar os tesouros do templo e da casa real para Tiglate-Pileser III; Os 5: 13; Os 7: 11 – provavelmente na época de Menaém, rei de Israel, que também fez acordo com Tiglate-Pileser III). Israel também confiou na aliança política com nações estrangeiras.

29 antes, multiplicaste as tuas prostituições na terra de Canaã até a Caldéia e ainda com isso não te fartaste.

Os israelitas não apenas correram atrás dos deuses babilônicos, mas também formaram alianças políticas com essa nação e com outras. Ao buscar relações comerciais com a Babilônia (Caldéia), Jerusalém abriu a porta para a idolatria babilônica, e o profeta diz que, mesmo assim, ela não está satisfeita com essa idolatria.

30 Quão fraco é o teu coração, diz o Senhor Deus, fazendo tu todas estas coisas, só próprias de meretriz descarada.
[NVI: Como você tem pouca força de vontade, palavra do Soberano, o SENHOR, quando você faz todas essas coisas, agindo como uma prostituta descarada!]
A NKJV (tradução em PT) escreve: “Quão é degenerado o seu coração!”, diz o Senhor Deus, “vendo você praticar todas essas coisas, obras de uma meretriz descarada.”

“Quão fraco é o teu coração” ou “Como você tem pouca força de vontade” ou “Quão é degenerado o seu coração!” – O problema com Israel era muito mais profundo do que suas ações, pois seu coração havia se tornado orgulhoso e insatisfeito com seu Deus e com Sua aliança. Aos olhos de Deus, esse comportamento era degenerado, fraco, doente. O declínio de Israel começou na maldade do seu coração e prosseguiu com os seus feitos, como os de prostitutas descaradas.

31 Edificando tu o teu prostíbulo de culto à entrada de cada rua e os teus elevados altares em cada praça, não foste sequer como a meretriz, pois desprezaste a paga;
32 foste como a mulher adúltera, que, em lugar de seu marido, recebe os estranhos.
33 A todas as meretrizes se dá a paga, mas tu dás presentes a todos os teus amantes; e o fazes para que venham a ti de todas as partes adulterar contigo.
34 Contigo, nas tuas prostituições, sucede o contrário do que se dá com outras mulheres, pois não te procuram para prostituição, porque, dando tu a paga e a ti não sendo dada, fazes o contrário.

Agora o Profeta compara a nação com o comportamento ‘comercial’ de uma prostituta e de uma adúltera, pois ao desprezar seu marido e se voltar para os estranhos, a adúltera é movida apenas pela emoção da transgressão, cede seu corpo de graça. A prostituta, porém, recebe pagamento.

Eles construíram altares idólatras em todos os lugares, porém, não receberam nenhum pagamento, nenhum lucro, nenhum benefício com isso, nem de homens, nem desses falsos deuses; pelo contrário, eles pagaram às outras nações por seus ídolos. E apesar do seu ‘prejuízo, eles ainda persistiram na idolatria. Eles haviam desprezado o salário de uma prostituta e comprado presentes luxuosos para seus amantes ilícitos.

Mas que presentes seriam esses?

Israel fazia sacrifícios caros a deuses estrangeiros e dava ouro e sua prata para comprar os ídolos. E também pagava tributo a povos estrangeiros para garantir seu sustento e sua estabilidade. Eles fizeram pactos políticos com nações gentias em trocas dos seus favores e da sua amizade. Os judeus deram dinheiro aos egípcios e assírios para obter alianças comerciais e militares com eles. Acaz deu os tesouros do templo e da casa real para os Assírios (Tiglate-Pileser III – 2 Cr 28: 20-21; 2 Rs 16; 8), assim como Asa (1 Rs 15: 18, ao rei da Síria), Ezequias (2 Rs 18: 15, para Senaqueribe) e Joás (2 Rs 12: 18, para o rei da Síria). No tempo de Salomão, Israel importava cavalos do Egito.

Isaías os repreendia por tentar aliança política com o Egito para defendê-los da Assíria (essa é uma profecia da época de Senaqueribe): “Através da terra da aflição e angústia de onde vêm a leoa, o leão, a víbora e a serpente volante [ele se referia à terra do Egito, em hebraico, ‘Mizraim’ significa ‘terra de escravidão, dilema, conflito, confusão, aflição, problema, perturbação’], levam a lombos de jumento as suas riquezas e sobre as corcovas de camelos, os seus tesouros, a um povo que de nada lhes aproveitará. Pois, quanto ao Egito, vão e inútil é o seu auxílio; por isso, lhe chamei Gabarola (Hebr.: Raabe que significa: ‘insolência, altivez, largo, ferocidade’, ‘ostentador, bufão, fanfarrão’) que nada faz” (Is 30: 6-7).

Os versículos acima expressam quanta riqueza da terra de Israel já tinha sido carregada sobre esses animais como um tributo ao Egito ou como presentes para obter sua amizade e ajuda política. Durante a invasão de Senaqueribe, rei da Assíria, muitos habitantes da Judéia e Jerusalém fugiram para o Egito com tudo o que tinham, com suas riquezas sobre jumentos e camelos jovens, em busca de abrigo; para um povo também impotente, que em nada os ajudaria, pois eles mesmos eram súditos da Assíria naquela época.

35 Portanto, ó meretriz, ouve a palavra do Senhor.
36 Assim diz o Senhor Deus: Por se ter exagerado a tua lascívia e se ter descoberto a tua nudez nas tuas prostituições com os teus amantes; e por causa também das abominações de todos os teus ídolos e do sangue de teus filhos a estes sacrificados,
37 eis que ajuntarei todos os teus amantes, com os quais te deleitaste, como também todos os que amaste, com todos os que aborreceste; ajuntá-los-ei de todas as partes contra ti e descobrirei as tuas vergonhas diante deles, para que todos as vejam.
38 Julgar-te-ei como são julgadas as adúlteras e as sanguinárias; e te farei vítima de furor e de ciúme.
39 Entregar-te-ei nas suas mãos, e derribarão o teu prostíbulo de culto e os teus elevados altares; despir-te-ão de teus vestidos, tomarão as tuas finas jóias e te deixarão nua e descoberta.

Então, o Senhor diz que o pecado de Jerusalém será exposto e Ele fará as nações idólatras com quem ela se aliou se virarem contra ela para destruí-la. O profeta explica o juízo que está sendo anunciado a eles. Deus não se dirigiu a ela por um nome nobre; pelo contrário, a chamou de um nome chocante (“Portanto, ó meretriz, ouve a palavra do Senhor”).

Seus amantes a odiariam. Eles mesmos seriam instrumentos da vingança de Deus sobre ela. E isso, por si só, já traria vergonha sobre ela, pois eles lhe mostrariam quão pouco valor davam a ela. Tanto egípcios, quanto os caldeus a quem ela odiava viriam de todas as direções.

‘Descobrirei as tuas vergonhas diante deles, para que todos as vejam’ – Deus prometeu humilhar Israel diante de seus vizinhos pagãos. A nação tinha mostrado aos estrangeiros seus ‘adornos’, ‘sua beleza’, os ‘presentes’ que Deus lhe tinha dado, ou seja, tinha desnudado seu corpo a todos os transeuntes. Agora, então, Deus a exporia totalmente. Ele a deixaria nua e despojada de tudo. As nações vizinhas e seus deuses a conquistariam e a humilhariam.

Primeiro, o profeta lhe diz que Deus a expõe em público, como uma mulher devassa ou uma adúltera pega em flagrante, o que era um costume bem conhecido no antigo Israel. Depois, ela seria apedrejada até a morte, que é descrito nos próximos versículos.

40 Farão subir contra ti uma multidão, apedrejar-te-ão e te traspassarão com suas espadas.
41 Queimarão as tuas casas e executarão juízos contra ti, à vista de muitas mulheres; farei cessar o teu meretrício, e já não darás paga.
42 Desse modo, satisfarei em ti o meu furor, os meus ciúmes se apartarão de ti, aquietar-me-ei e jamais me indignarei.
43 Visto que não te lembraste dos dias da tua mocidade e me provocaste à ira com tudo isto, eis que também eu farei recair sobre a tua cabeça o castigo do teu procedimento, diz o Senhor Deus; e a todas as tuas abominações não acrescentarás esta depravação.

Descrevendo o juízo vindouro contra Jerusalém, a meretriz:

‘Farão subir contra ti uma multidão’ se refere aos exércitos das nações que viriam contra ela, como uma forma de juízo da parte de Deus. A figura do apedrejamento mostra bem as pedras de ataque dos invasores, que vem junto com os golpes das espadas e o fogo da destruição.

‘À vista de muitas mulheres’ pode se referir às nações ou às cidades importantes das nações, que praticavam coisas semelhantes e que a tinham ajudado nessa prostituição.

‘Desse modo, satisfarei em ti o meu furor, os meus ciúmes se apartarão de ti, aquietar-me-ei e jamais me indignarei’ – a ira do Senhor não duraria para sempre. Quando eles tivessem consciência e mostrassem arrependimento, Ele se daria por vingado, se lembraria dela de novo.

‘Visto que não te lembraste dos dias da tua mocidade e me provocaste à ira com tudo isto, eis que também eu farei recair sobre a tua cabeça o castigo do teu procedimento, diz o Senhor Deus; e a todas as tuas abominações não acrescentarás esta depravação’ (v. 43) – Como sua traição tinha sido pública, a vingança do seu marido também seria pública. Eles causaram sua própria destruição por causa do orgulho e porque não se lembraram que todas as coisas boas que eles tinham era uma bênção e dom de Deus.

44 Eis que todo o que usa de provérbios usará contra ti este, dizendo: Tal mãe, tal filha.
45 Tu és filha de tua mãe, que teve nojo [NVI: detestou] de seu marido e de seus filhos; e tu és irmã de tuas irmãs, que tiveram nojo [NVI: detestaram] de seus maridos e de seus filhos; vossa mãe foi hetéia, e vosso pai, amorreu.

‘Tal mãe, tal filha’ e ‘vossa mãe foi hetéia, e vosso pai, amorreu’ ilustram a zombaria que Israel receberia das nações vizinhas, pois tinha se comportado com as nações pagãs, onde estavam suas origens.

‘Tu és filha de tua mãe, que teve nojo [NVI: detestou] de seu marido e de seus filhos; e tu és irmã de tuas irmãs, que tiveram nojo [NVI: detestaram] de seus maridos e de seus filhos; vossa mãe foi hetéia, e vosso pai, amorreu’ (v.45) – Israel se aborreceu [‘teve nojo’, ‘detestou’] de seu marido perfeito e o trocou por outros amantes (outros deuses), mas dizer que os heteus, os sodomitas e os samaritanos se cansaram também dos seus deuses parece um pouco estranho. Eles não se cansaram dos seus deuses para buscar o verdadeiro Deus Vivo, entretanto, como seu comportamento era promíscuo, quando eles se cansavam de um falso deus eles buscavam bênçãos em outro e assim caminhavam.

46 E tua irmã, a maior, é Samaria, que habita à tua esquerda com suas filhas; e a tua irmã, a menor, que habita à tua mão direita, é Sodoma e suas filhas.
47 Todavia, não só andaste nos seus caminhos, nem só fizeste segundo as suas abominações; mas, como se isto fora mui pouco, ainda te corrompeste mais do que elas, em todos os teus caminhos.

‘Tua irmã, a maior, é Samaria’ e ‘a tua irmã, a menor, é Sodoma’ – algumas versões escrevem “irmã mais velha” e “irmã mais jovem”, mas os termos hebraicos são, literalmente, “grande” (gadol, Strong #1419) e “pequena” ou “menor” (katan ou catan, Strong #6996), respectivamente. A cidade de Samaria era a capital do reino do norte de Israel, e Jerusalém, tão fiel a Deus por um tempo, tornou-se tão corrupta quanto sua irmã mais velha, Samaria.

O pior ainda era comparar Jerusalém com sua irmã mais nova, Sodoma, com todas as suas infames corrupções (Gn 13: 13, Gn 19: 1-24; Is 1: 10; Jr 23: 14). Isaías (740-681 AC) já tinha feito essa comparação quase 150 anos antes, e Jeremias (626-585AC) usou a mesma expressão algumas décadas antes de Ezequiel (592-571 AC). Portanto, seu pecado não era tão recente, e a paciência de Deus não duraria para sempre.

Sodoma representava as ruínas da sociedade Cananéia, que não tinha qualquer lealdade a Deus. E Samaria havia sido a causa de uma ruptura no reino unido de Israel. Essas diferenças não eram meramente culturais ou políticas, mas espirituais, pois nenhuma dessas nações tiveram lealdade nem aliança com o Deus Altíssimo.

A triste realidade é que Jerusalém havia se tornado mais corrupta do que essas cidades. Dizer que era mais corrupta do que Sodoma era uma coisa apenas para Deus dizer. Ele tinha chamado Israel para ser diferente das nações pagãs, e em vez disso ela se tornou como elas.

48 Tão certo como eu vivo, diz o Senhor Deus, não fez Sodoma, tua irmã, ela e suas filhas, como tu fizeste, e também tuas filhas.
49 Eis que esta foi a iniqüidade de Sodoma, tua irmã: soberba, fartura de pão e próspera tranqüilidade teve ela e suas filhas; mas nunca amparou o pobre e o necessitado.
50 Foram arrogantes e fizeram abominações diante de mim; pelo que, em vendo isto, as removi dali.

Quando Deus menciona os pecados de Sodoma no texto acima, não quer dizer que Ele ignorou a depravação sexual da cidade (Gn 19: 4-5) e a violência que praticavam junto com aqueles pecados, nem a idolatria abominável da cidade com seus sacrifícios. Ele simplesmente está dizendo que a ‘soberba, fartura de pão e próspera tranqüilidade’ que Sodoma e as cidades em redor tiveram foram a raiz dos pecados que vieram depois (Gn 13:13; 18:20).

Eles se orgulhavam da vegetação fértil da terra que era bem regada, pois em Gn 13:10 está escrito que a terra de Sodoma era “como o jardim do SENHOR”. Sendo a terra bem regada, era boa para a agricultura e para a pastagem, o que trouxe fartura de alimento e uma certa ociosidade, pois havia paz, conforto, entretenimento. Esses tipos de bênçãos os tornaram auto-suficientes. Eles ainda não conheciam o Deus de Abraão, mesmo porque todos os povos ali viviam nas trevas da idolatria. Deus falou a Abraão que sua descendência seria afligida e peregrina em terra alheia (Gn 15: 13) até que, na 4ª geração, pudessem voltar para lá, pois ainda não havia se enchido “a medida da iniqüidade dos amorreus” (Gn 15: 16). Mesmo porque sua índole era má e pecaminosa (Gn 13:13; 18:20).

Sodoma tinha muita soberba, fartura de pão e próspera tranqüilidade, mas “nunca amparou o pobre e o necessitado,... fizeram abominações” (Ez 16: 49-50). ‘Abominações’ é um termo que se refere à sua terrível idolatria, e a depravação sexual descrita em Gn 19: 4-5 era uma conseqüência dela. E por isso, Deus a destruiu junto com as demais cidades em redor (Gn 14: 8: Gomorra, Admá e Zeboim), exceto Zoar, porque Ló tinha ido para lá (Gn 19: 20-25; 29; 30; Dt 29: 23) – “em vendo isto, as removi dali” (Ez 16: 50). A falta de ajuda ao necessitado também estava entre as repreensões proféticas de Isaías e Jeremias e só agravaram até o tempo do exílio. Da mesma forma, Deus traria seu julgamento a Jerusalém e a Judá, pois em muitos aspectos eram piores do que Sodoma.

51 Também Samaria não cometeu metade de teus pecados; pois tu multiplicaste as tuas abominações mais do que elas e assim justificaste a tuas irmãs [NVI: tem feito suas irmãs parecerem mais justas] com todas as abominações que fizeste.
52 Tu, pois, levas a tua ignomínia, tu que advogaste a causa de tuas irmãs; pelos pecados que cometeste, mais abomináveis do que elas, mais justas são elas do que tu; envergonha-te logo também e leva a tua ignomínia, pois justificaste a tuas irmãs [NVI: Agüente a sua vergonha, pois você proporcionou alguma justificativa às suas irmãs. Visto que os seus pecados são mais detestáveis que os delas, elas parecem mais justas que você. Envergonhe-se, pois, e suporte a sua humilhação, porquanto você fez as suas irmãs parecerem justas].

Desde que se separou de Judá, Samaria e o reino do norte perderam, por assim dizer, as bênçãos que Deus deu à Casa de Davi. Samaria e todo o reino do norte (Efraim) se engajaram mais facilmente na idolatria, especialmente depois dos bezerros de Jeroboão I. Seus reis, ao contrário dos reis de Judá, deixaram de ser escolhidos por Deus ou ter sua aprovação, pois mesmo errando e pecando, o reino do Sul ainda estava debaixo da promessa do Senhor a Davi. O templo e o sacerdócio tiveram mais luz de entendimento vinda de Deus, pois Sua presença estava naquela Casa desde que foi construída por Salomão, e os profetas do Senhor não cansaram de clamar por santidade e arrependimento. A Arca ainda estava lá com as Tábuas da Lei, e os sacerdotes levitas conheciam muito bem a lei do Senhor. Então, nós podemos dizer que Judá e Jerusalém tiveram um privilégio espiritual bem maior, entretanto, uma responsabilidade maior diante de Efraim e de nações pagãs, e a chance de ser uma luz para os povos.

Todos os dons que o Senhor nos dá requerem uma vigilância maior para que não sejam roubados ou contaminados pelos valores mundanos. Sendo assim, Judá deveria manter essa responsabilidade diante de Deus, de ser um exemplo de retidão para outros povos e países. Mas acabaram se dobrando à idolatria. Jesus deixou um alerta bastante forte na parábola do servo vigilante: “Aquele servo, porém, que conheceu a vontade de seu senhor e não se aprontou, nem fez segundo a sua vontade será punido com muitos açoites. Aquele, porém, que não soube a vontade do seu senhor e fez coisas dignas de reprovação levará poucos açoites. Mas àquele a quem muito foi dado, muito lhe será exigido; e àquele a quem muito se confia, muito mais lhe pedirão” (Lc 12: 47-48).

Justamente por saber a verdade e desobedecer a Deus mesmo assim, se voltando às abominações dos gentios, é que o peso do pecado de Judá era maior do que os de Samaria, Sodoma e Gomorra e dos cananeus. E pecando mais, a terra de Judá tornava as outras mais justas. Todas seriam corrigidas e punidas por Deus, mas Judá não deveria ter julgado tão precocemente Samaria e outras cidades, sem que antes olhasse para si mesma. Suportar o julgamento de Deus seria a sua vergonha.

53 Restaurarei a sorte delas, a de Sodoma e de suas filhas, a de Samaria e de suas filhas e a tua própria sorte entre elas,
54 para que leves a tua ignomínia e sejas envergonhada por tudo o que fizeste, servindo-lhes de consolação.
55 Quando tuas irmãs, Sodoma e suas filhas, tornarem ao seu primeiro estado, e Samaria e suas filhas tornarem ao seu, também tu e tuas filhas tornareis ao vosso primeiro estado.
56 Não usaste como provérbio o nome Sodoma, tua irmã, nos dias da tua soberba,
57 antes que se descobrisse a tua maldade? Agora, te tornaste, como ela, objeto de opróbrio das filhas da Síria [NVI: Aram, na maioria dos textos Massoréticos, LXX e Vulgata; muitos textos Massoréticos e siríacos escrevem ‘Edom’] e de todos os que estão ao redor dela, as filhas dos filisteus que te desprezam.
58 As tuas depravações e as tuas abominações tu levarás, diz o Senhor.
59 Porque assim diz o Senhor Deus: Eu te farei a ti como fizeste, pois desprezaste o juramento, invalidando a aliança.

Restaurar a sorte” significa trazer de volta do cativeiro. Deus prometeu restauração para Sodoma e Samaria, e Jerusalém também teria seus cativos trazidos de volta. Nem a bíblia nem a História falam do retorno dos cativos de Sodoma. Sodoma estava localizada na planície do Jordão (ou vale de Sidim, Gn 14: 3, onde houve a guerra dos quatro reis contra cinco), ao longo da margem sul ou sudeste do atual Mar Morto (‘Mar Salgado’), que fazia parte antiga terra de Canaã. O vale de Sidim era conhecido por causa dos seus poços de betume. Depois que foi destruída pelo Senhor, não sabemos mais nada dela. Embora não saibamos se Sodoma recebeu de volta seus cativos, se Deus falou é porque aconteceu.

“Para que leves a tua ignomínia e sejas envergonhada por tudo o que fizeste, servindo-lhes de consolação” [NVI: para que você carregue a sua vergonha e seja humilhada por tudo que você fez, o que serviu de consolo para elas] (v.54) – a restauração de Samaria e Sodoma depois do cativeiro serviria como uma forma de trazer Judá a um patamar de humildade, pois os judeus saberiam que não eram os únicos objetos do favor de Deus. Seu amor e Sua misericórdia se estendiam a toda as outras nações.

“Não usaste como provérbio o nome Sodoma, tua irmã, nos dias da tua soberba, antes que se descobrisse a tua maldade?” [NVI: “Você nem mencionaria o nome de sua irmã Sodoma na época do orgulho que você sentia, antes da sua impiedade ser trazida a público”] – antes do cativeiro, Jerusalém usava o nome de Sodoma como uma zombaria ou nem o usava, mas agora era ela que tinha seu nome zombado entre as cidades da Síria (Arã ou Aram) e da Filístia, pois sua própria maldade fora tornada pública através do julgamento divino.

60 Mas eu me lembrarei da aliança que fiz contigo nos dias da tua mocidade e estabelecerei contigo uma aliança eterna.
61 Então, te lembrarás dos teus caminhos e te envergonharás quando receberes as tuas irmãs, tanto as mais velhas como as mais novas, e tas darei por filhas, mas não pela tua aliança [NVI: Então você se lembrará dos seus caminhos e se envergonhará quando receber suas irmãs, a mais velha e a mais nova. Eu as darei a você como filhas, não porém com base em minha aliança com você].
62 Estabelecerei a minha aliança contigo, e saberás que eu sou o Senhor,
63 para que te lembres e te envergonhes, e nunca mais fale a tua boca soberbamente, por causa do teu opróbrio, quando eu te houver perdoado tudo quanto fizeste, diz o Senhor Deus [NVI: “Então, quando eu fizer propiciação em seu favor por tudo o que você tem feito, você se lembrará e se envergonhará e jamais voltará a abrir a boca por causa da sua humilhação. Palavra do Soberano, o Senhor”].

“Eu me lembrarei da aliança que fiz contigo nos dias da tua mocidade e estabelecerei contigo uma aliança eterna” – apesar do julgamento severo que se aproximava, Deus prometia a Israel que Sua aliança seria renovada; agora, seria uma aliança eterna. Mesmo que o longo cativeiro os fizessem perder a esperança no favor de Deus novamente, Ele refaria Sua aliança com eles.

“Você se lembrará e se envergonhará” ou “para que te lembres e te envergonhes” – a restauração traria humildade a Israel, não apenas para com Deus, mas também para aqueles que eles haviam anteriormente desprezado e julgado.

“Quando eu te houver perdoado tudo quanto fizeste” ou “quando eu fizer propiciação em seu favor por tudo o que você tem feito” – O perdão e a expiação dos pecados mencionada nessa versículo de Ezequiel sugerem a futura e definitiva aliança com os homens através do sacrifício de Jesus na cruz. A expiação fornecida por Deus é um aspecto importante da nova aliança, já mencionada em Ez 11: 19. Esta seria a verdadeira e última restauração de Israel.

“Espírito novo porei dentro deles” sugere a presença do Espírito Santo, derramado no NT por Jesus sobre os que aceitaram a nova aliança que Ele veio fazer. E o Espírito Santo tem esse poder de transformação e restauração (Ez 11: 19).

Vídeo de ensino

Esse vídeo é parte do curso bíblico (link dourado no alto das páginas).

O Profeta Ezequiel

Este estudo se encontra no livro:


O livro do profeta Ezequiel; livro evangélico

O livro do profeta Ezequiel

The book of prophet Ezekiel

Resumo sobre os profetas:


livro evangélico: Profeta, o mensageiro de Deus

Profeta, o mensageiro de Deus

Prophet, the messenger of God

Sugestão para download:


tabela de profetas AT

Tabela dos profetas (PDF)

Table about the prophets (PDF)


Autora: Pastora Tânia Cristina Giachetti

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