Estudo e aprendizados com a passagem do evangelho onde Jesus acalma uma tempestade. Quando passamos a seguir o Senhor, jamais poderemos “levá-lo” de qualquer jeito, nem deixá-lo “dormir” no nosso barco. Ele passa a ter prioridade.


Jesus acalma uma tempestade


“Naquele dia, sendo já tarde, disse-lhes Jesus: Passemos para a outra margem. E eles, despedindo a multidão, o levaram assim como estava, no barco; e outros barcos o seguiam. Ora, levantou-se grande temporal de vento, e as ondas se arremessavam contra o barco, de modo que o mesmo já estava a encher-se de água. E Jesus estava na popa, dormindo sobre o travesseiro; eles o despertaram e lhe disseram: Mestre; não te importa que pereçamos? E ele, despertando, repreendeu o vento e disse ao mar: Acalma-te, emudece! O vento se aquietou, e fez-se grande bonança. Então, lhes disse: Por que sois assim tímidos? Como é que não tendes fé? E eles, possuídos de grande temor, diziam uns aos outros: Quem é este que até o vento e o mar lhe obedecem?” (Mc 4: 35-41; Mt 8: 23-27; Lc 8: 22-25).

Este é um dos textos em que podemos ver um milagre de Jesus desafiando as forças da natureza e mostrando a todos o Seu poder soberano sobre tudo o que foi criado debaixo do céu. Ele e os discípulos haviam estado no monte pregando para as multidões e depois passado por todas as outras cidades da Galiléia, por isso podemos pensar que já era final de tarde ou começo da noite quando Jesus lhes disse para subirem aos barcos, a fim de passarem para a outra margem. Talvez pelo cansaço e pelo avançado da hora é quer podemos ler na passagem bíblica: “... o levaram assim como estava, no barco [no caso, o de Pedro]”. A impressão que temos aqui é que o levaram de qualquer jeito, como quem se despede apressadamente de algum lugar porque já é tarde. Não lhe perguntaram se precisava de algo, se ainda pretendia fazer alguma coisa, se gostaria de descansar antes de partir, ou até se gostaria de subir ao monte para orar sozinho.

Aprendizados

1) Isso nos traz o primeiro aprendizado: quando estamos ouvindo a voz do Senhor, seja orando, seja depois de uma ministração na Igreja, seja após um louvor, não podemos sair correndo como quem sai fugido de algum lugar. É preciso uma pausa para refletir e assimilar o que foi ministrado no nosso espírito. Um exemplo prático é quando estamos em espírito num momento de oração, onde abrimos nosso coração para Ele, sentimos Sua unção nos envolvendo como um sinal de que estamos sendo ouvidos, recebemos Sua direção, mas, rapidamente, interrompemos este contato por causa de alguém que toca a campainha ou o telefone, e quando vamos atender não é ninguém; ou o contato é interrompido porque os filhos pequenos começam a chorar ou a fazer birra ou porque o marido ou a mulher acabou de chegar e quer comer etc., etc., etc. Então, largamos Jesus ou o trazemos conosco de “qualquer jeito” (‘o levaram assim como estava’) porque as necessidades mundanas falam mais alto. O espírito sai da “conexão” e entramos rapidamente “na carne”, esquecendo a revelação que Deus havia dado; não houve tempo de guardá-la com cuidado no espírito nem na alma para refletirmos depois. Com os discípulos aconteceu a mesma coisa. Eles tinham acabado de receber ensinamentos valiosos durante todo um dia e, de repente, se voltaram para as coisas naturais, se esquecendo do que se passara. É como se o despertador tocasse e tivessem que acordar. Portanto, quando entramos em contato com o Senhor não podemos levá-lo de qualquer jeito; aliás, quando passamos a segui-lo como discípulos, jamais poderemos levá-lo de qualquer jeito pelo resto das nossas vidas. Ele passa a ter prioridade.

2) A bíblia diz que o colocaram no barco e partiram. Vencido pelo cansaço, Ele dormiu. Parece que eles o ignoraram, pois estavam preocupados com o temporal que se aproximava. A tempestade veio e eles não conseguiam fazer nada para dominá-la. Só então se lembraram de chamar o Senhor; e ainda o despertaram como se Ele estivesse errado em estar dormindo ou como se fosse um absurdo dormir em face de tamanho perigo. Entretanto, o Senhor sabia de todas as coisas. Eles haviam recebido a unção suficiente durante todo um dia para poderem fazer a tempestade parar, se quisessem, mas não estavam no Espírito para perceber que já tinham o poder dentro de si. Eles ainda precisavam que Jesus mostrasse sinais visíveis, por isso o Senhor lhes disse: “Como é que não tendes fé?” Eles foram confrontados com suas próprias atitudes erradas, pois se não tivessem levado Jesus “de qualquer jeito” e refletissem sobre tudo o que tinham ouvido, talvez estivessem num patamar espiritual diferente para entenderem que já haviam recebido a capacitação divina para realizar o milagre. Muitos crentes recebem uma força e uma unção de Deus que já os estão preparando para uma prova que virá, porém não lhes dão valor suficiente e as largam. Depois, quando a prova vem, se acham desprovidos de capacitação para suportá-la. Irmão! Aprenda uma coisa: quando Deus derramar muita unção sobre você, guarde-a e medite, pois ela pode ser uma capacitação para poder superar um possível temporal mais tarde. É só exercitar a fé na palavra que já está no seu espírito.

3) Terceiro (ainda ligado ao aprendizado anterior): é preciso exercitar a fé e ter coragem para vencer os temporais que vêm sobre nossa vida para nos intimidar, na certeza de que Jesus está conosco “neste barco”. Mesmo que Ele pareça estar dormindo, sem falar conosco aparentemente, Sua palavra está acordada e bem viva na nossa boca para que a usemos em nosso favor. Seu sono aparente é uma forma de testar se nós estamos vigilantes e dispostos a usar a autoridade que Ele nos deu. O que vem de fora não pode nos intimidar ou nos amedrontar quando sabemos que o que está dentro de nós é maior.

4) Quando levamos Jesus “de qualquer jeito”, ou seja, quando o nosso relacionamento com Ele não é total e as necessidades físicas e materiais parecem assumir a prioridade, nós o deixamos dormir, ou seja, apagamos a chama do Espírito em nós; aí, sim, quando a violência do inimigo vem para nos derrubar, nós nos sentimos sem rumo, sem apoio, por isso o desespero. Em outras palavras, o contato foi quebrado e a fé e a esperança foram embora. Portanto, este quarto ensinamento é: não deixar Jesus dormir na nossa vida, não nos esquecer de manter nossa intimidade com Ele. Aí acontece o que aconteceu com os apóstolos: sua visão ficou distorcida e acharam que Jesus não se importava com eles (“Mestre, não te importa que pereçamos?”).


Jesus acalma uma tempestade


5) A palavra de Deus tem todo o poder de acalmar a fúria do inimigo. Foi só Jesus se levantar e dizer: “Acalma-te, emudece!” para acalmar toda a turbulência do mar e os ventos e trovões do céu. Espiritualmente falando, Ele rugiu mais alto que os outros leões, e a paz voltou a reinar. Por isso, quando a mentira do diabo tenta nos fazer enxergar uma catástrofe, devemos “gritar mais alto” do que ele, liberando a Palavra a nosso favor, pois está escrito que a voz do Senhor é como a voz de muitas águas, como voz de trovão que despedaça os cedros do Líbano: “Ouve-se a voz do Senhor sobre as águas; troveja o Deus da glória; o Senhor está sobre as muitas águas. A voz do Senhor é poderosa; a voz do Senhor é cheia de majestade. A voz do Senhor quebra os cedros; sim, o Senhor despedaça os cedros do Líbano... a voz do Senhor despede chamas de fogo. A voz do Senhor faz tremer o deserto; o Senhor faz tremer o deserto de Cades. A voz do Senhor faz dar cria às corças e desnuda os bosques; e no seu templo tudo diz: Glória! O Senhor preside os dilúvios; como rei, o Senhor presidirá para sempre. O Senhor dá força ao seu povo, o Senhor abençoa com paz ao seu povo” (Sl 29: 3-11).

6) Quando Jesus faz um milagre, Sua autoridade e Sua honra são reconhecidas. Ao experimentar o milagre, os apóstolos temeram e respeitaram Jesus ainda mais, pois Seu poder e Sua autoridade foram confirmados novamente. Assim, quando estamos diante de uma situação totalmente impossível de ser resolvida, humanamente falando, e Jesus faz um milagre, temos que reconhecer que a glória e a honra deste feito pertencem a Ele e a mais ninguém.

Autora: Pastora Tânia Cristina Giachetti

Este texto se encontra no livro:


livro evangélico: Ensinos, curas e milagres

Ensinos, curas e milagres

Teachings, healings and miracles

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