Oséias repreende os reis, os sacerdotes e o povo infiel pela hipocrisia religiosa, sacrifícios e rituais externos sem devoção. Deus os despedaçou e os sarará; fez a ferida e a ligará. A ‘chuva temporã’ e a ‘serôdia’ são símbolo do derramamento do Espírito Santo.


Explicação de Oséias 6–9




Este texto dá sequência ao estudo sobre o livro de Oséias, falando agora dos capítulos 6, 7, 8 e 9. Oséias, profeta de Israel, do reino do norte, exerceu seu ministério profético de 755 a 715 AC. Nessa parte de suas profecias, o profeta repreende principalmente as classes dominantes da sociedade: os reis corruptos e os sacerdotes ignorantes e cobiçosos, que levaram o povo à ruína. Critica a hipocrisia religiosa: os sacrifícios e os rituais externos (Os 6: 6), sem devoção. Ele descreve a certeza do julgamento (Os 9: 1; Os 10: 5) de Deus. Também diz que Deus os despedaçou e os sarará; fez a ferida e a ligará. Por isso, ele incita o povo a conhecer o Senhor. Oséias deixou bem claro o que Deus pedia ao povo (Os 6: 6: ‘Hesedh’ ou ‘Chesed’, ‘misericórdia’). No passado, a misericórdia de Deus tinha chamado Israel (Os 11: 1). No presente, Sua misericórdia era a esperança de Israel, que estava sem direção moral (Os 5: 4; Os 11: 7) e precisava de uma conversão sincera.


Profeta Oséias

Capítulo 6 – Conversão insincera

• Os 6: 1-3: “Vinde, e tornemos para o Senhor, porque ele nos despedaçou e nos sarará; fez a ferida e a ligará [NVI: ele nos feriu, mas sarará nossas feridas]. Depois de dois dias, nos revigorará; ao terceiro dia, nos levantará, e viveremos diante dele [NVI: nos restaurará, para que vivamos em sua presença]. Conheçamos e prossigamos em conhecer ao Senhor; como a alva, a sua vinda é certa; e ele descerá sobre nós como a chuva, como chuva serôdia que rega a terra [NVI: Tão certo como nasce o sol, ele aparecerá; virá para nós como as chuvas de inverno, como as chuvas de primavera que regam a terra]”.

Aqui nós vemos o povo que foi afligido pelo Senhor exortando uns aos outros, e reconhecendo que foi Ele o autor da ferida, por causa dos pecados deles. Assim, eles buscariam a renovação da aliança com Deus. Ele fez a ferida e Ele mesmo a sarará.
‘Depois de dois dias, nos revigorará; ao terceiro dia, nos levantará’ – isso diz respeito a um curto período de tempo em que ocorre a restauração deles, pois quando Deus vê arrependimento no coração de Seus filhos, Ele prontamente entra com a cura de suas almas e restaura seu relacionamento com Ele (Dt 30: 1-3).

Ao morrer na cruz, Jesus realizou uma grande vitória sobre as trevas. Mas a vitória foi mais além, quando após Sua morte, Ele ficou no túmulo por três dias, como Jonas na barriga do peixe, para livrar a nossa alma da morte eterna. Todavia, ao ressuscitar e voltar à terra, Ele trouxe consigo as chaves da morte e do inferno, tirando, portanto, de Satanás seu domínio sobre as almas dos homens (Ap 1: 18).

Oséias 6: 1-2 (cf. Lc 24: 46; 1 Co 15: 3-4) tem relação com a cruz: ‘Vinde, e tornemos para o Senhor, porque ele nos despedaçou e nos sarará; fez a ferida e a ligará. Depois de dois dias, nos revigorará; ao terceiro dia, nos levantará, e viveremos diante dele’. O ‘ontem’ na nossa vida, quando estávamos no ‘Egito’ (mundo) e não conhecíamos Jesus, foi um momento que Deus nos feriu e nos despedaçou para podermos nos achegar a Ele e sermos resgatados e sarados. ‘Depois de dois dias nos revigorará’ fala do hoje (do segundo dia) em que temos Jesus e somos revigorados pelo Seu poder e pela Sua graça que operam em nós; e o terceiro dia se refere ao nosso futuro, que logicamente está ligado à nossa escolha de hoje de andarmos com Ele e o servirmos, ou seja, à ressurreição e à vida eterna. Por isso, é importante vivermos todo dia o nosso hoje na Sua presença, pois, assim, nosso passado será apenas um testemunho de vitória, cura e libertação; já nenhuma acusação pesa mais sobre a nossa vida. O nosso presente é momento de vitória e ressurreição dos problemas do ontem, e o nosso futuro será sempre glorioso, pois foi gerado e moldado pelas nossas atitudes do presente. Viveremos eternamente com Ele. Segundo a interpretação judaica até o 1º século, o 1º dia correspondia ao tempo de pecado; o 2º dia, o dia do perdão de Deus, e o 3º, ao tempo da redenção do povo de Deus.

Chuva temporã e a serôdia

Depois desses versículos, o Senhor diz para nós prosseguirmos em conhecê-lo, pois com certeza, a Sua vinda é certa. Isso não só se refere à Sua primeira vinda, quando Ele derramaria o Espírito Santo sobre os que cressem Nele (‘chuva’), mas à Sua segunda vinda (‘chuva serôdia que rega a terra’). É interessante perceber que tanto Oséias como Joel mencionam a chuva temporã e a serôdia.

Na bíblia, os termos ‘chuva temporã’ e ‘serôdia’ são usados como símbolo do derramamento do Espírito Santo e estão relacionados com a estação das chuvas anuais da Palestina. A chuva temporã caía durante o outono (mês de Outubro, início do inverno) no tempo de semear a terra garantindo assim, a colheita do inverno. Era o período do plantio. Essa chuva era necessária para a semente germinar, para fazer brotar a semente. A chuva serôdia caía durante as primeiras semanas da primavera (mês de Abril, início do verão) antes da colheita, e era necessária para fazer com que a plantação amadurecesse para a colheita. Em outras palavras, era o período do amadurecimento e colheita dos frutos. Simbolicamente, a chuva temporã significa o derramamento do Espírito Santo que aconteceu no início da igreja primitiva (Atos 2: 1-47). Essa manifestação do Espírito Santo veio para germinar a semente do evangelho que estava sendo semeada. Em outras palavras: a chuva temporã capacitou os apóstolos para realizar a obra prodigiosa de Deus. A chuva serôdia representa o derramamento do Espírito Santo que se manifestará nos últimos dias da história da humanidade e irá preparar a terra para a colheita que Cristo realizará na Sua 2ª vinda (Os 6: 3; Os 10: 12; Jl 2: 23):
• Os 6: 3: “Conheçamos e prossigamos em conhecer ao Senhor; como a alva, a sua vinda é certa; e ele descerá sobre nós como a chuva, como chuva serôdia que rega a terra”.
• Jl 2: 23: “Alegrai-vos, pois, filhos de Sião, regozijai-vos no Senhor, vosso Deus, porque ele vos dará em justa medida a chuva; fará descer, como outrora, a chuva temporã e a serôdia”.

Por isso, precisamos receber a chuva temporã, que o Espírito Santo derramou e quer continuar a derramar sobre nós, para que possamos receber a chuva serôdia para o arrebatamento, ou seja, uma força especial para pregar o evangelho como a última chance de arrependimento dada ao homem antes do juízo divino. É para separar definitivamente os que se destinam à Salvação.

Como um resumo de tudo isso, nós podemos dizer que devemos deixar o Espírito Santo trabalhar em nossa alma como numa terra que precisa ser lavrada e semeada para poder dar fruto, mesmo que pareçamos feridos por Deus. Ele mesmo curará a nossa ferida, pois ela foi necessária para o nosso crescimento. Em segundo lugar, devemos estar abertos ao Seu avivamento, buscando os dons do Espírito Santo e sendo instrumentos em Suas mãos para continuar a obra que foi iniciada por Jesus.


chuva temporã


• Os 6: 4: “Que te farei, ó Efraim? Que te farei, ó Judá? Porque o vosso amor é como a nuvem da manhã e como o orvalho da madrugada, que cedo passa”.
Aqui o Senhor volta a fazer um novo discurso contra esse povo, pois parece que o seu amor é pequeno ainda, e logo termina. Ele pergunta o que deve fazer com eles por causa dessa instabilidade de coração. O amor de Israel podia ser instável, mas o de Deus é imutável.

• Os 6: 5-7: “Por isso, os abati por meio dos profetas; pela palavra da minha boca, os matei; e os meus juízos sairão como a luz [NVI: os meus juízos reluziram como relâmpagos sobre vocês]. Pois misericórdia quero, e não sacrifício, e o conhecimento de Deus, mais do que holocaustos. Mas eles transgrediram a aliança, como Adão; eles se portaram aleivosamente contra mim [NVI: eles quebraram a aliança, e me foram infiéis]”.

Então, Oséias continua denunciando a corrupção, o orgulho e a idolatria de Israel (4: 1 – 7: 16; 8: 4); por isso a nação é reprovada diante de Deus.
Por causa desse amor instável Deus os tinha repreendido através de Seus profetas, e Suas palavras foram bastante duras, quase que os matando. Seu juízo reluziu e ainda reluziria como um relâmpago; seria súbito e evidente. Ele já estava farto de holocaustos e sacrifícios; o que Ele mais queria era que eles praticassem a misericórdia e tivessem conhecimento Dele. E esse conhecimento só seria possível após o abandono das práticas idólatras, pois assim Ele se voltaria para eles com o Seu favor e perdão; Ele se revelaria a eles. Isso implicaria num reconhecimento da autoridade do Senhor e, portanto, em obediência aos Seus mandamentos.
Deus volta a repetir que da mesma forma que Adão fez no Éden, eles transgrediram a aliança que Ele tinha feito. Aleive ou aleivosia significa deslealdade, traição, fraude e injúria; e Seu próprio povo o traiu quando decidir adorar outros deuses.

• Os 6: 8-9: “Gileade é a cidade dos que praticam a injustiça, manchada de sangue. Como hordas de salteadores que espreitam alguém, assim é a companhia dos sacerdotes [NVI: assim fazem também os bandos de sacerdotes], pois matam no caminho para Siquém; praticam abominações”.

‘Gileade é a cidade dos que praticam a injustiça, manchada de sangue’ – isso se refere ao assassinato de Pecaías por Peca (2 Rs 15: 23-25). Entretanto, Gileade também sofreu nas mãos de Tiglate-Pileser III (745-727 AC). Ele conquistou três regiões de Israel entre 734-732 AC: Zebulom, Naftali e Galiléia (2 Rs 15: 29: “Nos dias de Peca, rei de Israel, veio Tiglate-Pileser, rei da Assíria, e tomou a Ijom, a Abel-Bete-Maaca, a Janoa, a Quedes, a Hazor, a Gileade e à Galiléia, a toda a terra de Naftali, e levou os seus habitantes para a Assíria”). As cidades de Naftali que foram conquistadas são: Ijom (1 Rs 15: 20; 2 Rs 15: 29; 2 Cr 16: 4, ao norte de Naftali), Abel-Bete-Maaca (1 Rs 15: 20; 2 Rs 15: 29; 2 Cr 16: 4 – chamada de Abel-Maim; Abel-Bete-Maaca = ‘prado da casa da opressão’), Janoa (2 Rs 15: 29. Significa ‘descanso’), Quedes (2 Rs 15: 29) e Hazor (2 Rs 15: 29. Significa ‘vila, povoação’. Fica a sudoeste do lago Hulé da Galiléia).
A cidade da região de Gileade à qual o profeta se refere é, provavelmente, Ramote-Gileade, na tribo de Gade, quase na fronteira com Manassés do leste, na região montanhosa de Gileade (1 Rs 4: 13; Gn 31: 21-25). Ramote-Gileade era uma das seis cidades de refúgio para o homicida, junto com: Hebrom, Quedes, Siquém, Bezer e Golã – Nm 35: 9-15; 22-28; Dt 4: 41-43; Dt 19: 1-3; 4; 6; 10; Js 20: 7-8.

‘Como hordas de salteadores que espreitam alguém, assim é a companhia dos sacerdotes, pois matam no caminho para Siquém; praticam abominações’ – as cidades de refúgio para o homicida involuntário era um lugar onde ele era acolhido para ser preservado do vingador de sangue, um parente da pessoa que ele matou. E ali ele ficava até que houvesse julgamento; após ser inocentado pela congregação, ele ali permanecia até morte do sumo sacerdote (Nm 35: 25; 28). Siquém também era cidade de refúgio, e por muito tempo foi a capital civil de Efraim, enquanto Siló foi a capital religiosa. Siquém foi a cidade onde morou Jeroboão I (1 Rs 12: 25). O que Oséias está dizendo aqui é que até mesmo nas cidades de refúgio o homicida não tinha mais segurança, pois até os sacerdotes estavam corrompidos e cometiam crimes.

• Os 6: 10-11: “Vejo uma coisa horrenda na casa de Israel: ali está a prostituição de Efraim; Israel está contaminado. Também tu, ó Judá, serás ceifado”.
‘A prostituição’ se refere à idolatria.
‘Coisa horrenda’ – essa expressão é usada no livro de Jeremias para se referir à idolatria, aos pecados dos profetas e sacerdotes, ou à corrupção no meio da corte (Jr 5: 30; Jr 18: 13; Jr 23: 14).

‘Ceifado’ – ‘ceifar’ se refere ao juízo divino, cortando definitivamente (Jr 51: 33; Jl 3: 13; Ap 14: 15) os atos ou as pessoas perversas. Deus disse que também Judá seria cortado da sua terra e de diante dos olhos misericordiosos de Deus. O resultado dessa ceifa ou dessa colheita (Os 8: 7; Os 10: 12; Jó 4: 8; Pv 22: 8) era derivado do que esse reino plantara, ou seja, as mesmas abominações idólatras de Israel. Isso aconteceu principalmente no reinado de Acaz, contemporâneo de Oséias e Peca, reis de Israel. O primeiro cativeiro para Israel foi por Tiglate-Pileser III, seguido por Salmaneser e Sargom II. Depois, Senaqueribe capturou as cidades fortificadas de Judá e cercou Jerusalém, que se livrou pela mão de Deus, mas caiu sob Nabucodonosor.

Capítulo 7 – Iniqüidade dos reis e príncipes

Oséias continua a denunciar a corrupção, o orgulho e a idolatria de Israel (Os 4: 1 – Os 7: 16; Os 8: 4), que o faz reprovado diante de Deus.

• Os 7: 1-2: “Quando me disponho a mudar a sorte do meu povo e a sarar a Israel, se descobre a iniqüidade de Efraim, como também a maldade [NVI: os crimes] de Samaria, porque praticam a falsidade; por dentro há ladrões, e por fora rouba a horda de salteadores [NVI: ladrões entram nas casas, bandidos roubam nas ruas]. Não dizem no seu coração que eu me lembro de toda a sua maldade; agora, pois, os seus próprios feitos os cercam; acham-se diante da minha face [NVI: eu os vejo constantemente]”.
Oséias enumera os pecados do reino do norte: crimes, falsidade, roubo, falta de vergonha e falta de arrependimento. O Senhor diz que eles estão presos nos próprios laços que armaram, e os seus pecados estão sempre diante da Sua face.

• Os 7: 3: “Com a sua malícia, alegram ao rei e com as suas mentiras, aos príncipes [NVI: Eles alegram o rei com as suas impiedades, os líderes, com as suas mentiras]”.
O povo alegrava ao rei com a sua malícia, e ele, ao invés de ter aversão a elas, se comprazia com tudo aquilo. Os príncipes eram enganados com mentiras e bajulações.

• Os 7: 4-7: “Todos eles são adúlteros: semelhantes ao forno aceso pelo padeiro, que somente cessa de atiçar o fogo desde que sovou a massa até que seja levedada. No dia da festa do nosso rei, os príncipes se tornaram doentes com o excitamento do vinho, e ele deu a mão aos escarnecedores [NVI: os líderes são inflamados pelo vinho, e o rei dá as mãos aos zombadores]. Porque prepararam o coração como um forno, enquanto estão de espreita; toda a noite, dorme o seu furor, mas, pela manhã, arde como labaredas de fogo [NVI: Quando se aproximam com suas intrigas, seus corações ardem como um forno. A fúria deles arde lentamente, a noite toda; pela manhã queima como chama abrasadora]. Todos eles são quentes como um forno e consomem os seus juízes [NVI: os seus governantes]; todos os seus reis caem; ninguém há, entre eles, que me invoque”.

Tanto o rei quanto os príncipes e conselheiros adulteravam. E o que o profeta quer dizer aqui é que havia muita intriga no meio do governo, pois a disputa de poder era grande. Havia escárnio, ira e planos iníquos sendo urdidos para derrubar os que estavam na liderança. Vários reis foram assassinados depois de Jeroboão II, inclusive por seus próprios capitães ou homens de confiança. Depois de Jeroboão II vieram: Zacarias (seu filho – 2 Rs 14: 29), Salum (conspirou contra Zacarias – 2 Rs 15: 10), Menaém (conspirou contra Salum – 2 Rs 15: 14), Pecaías (seu filho – 2 Rs 15: 22-23), Peca (um capitão, conspirou contra Pecaías – 2 Rs 15: 25) e Oséias (conspirou contra Peca e o matou – 2 Rs 15: 30). Assim, num período de vinte anos (752-732 AC), cinco reis subiram ao trono através de intrigas e conspirações, cada um deles matando o seu antecessor. Todos eles eram como um forno aceso, que havia esquentado por muitas horas até que a massa do pão fermentasse, e pela manhã era um fogo destruidor. Nenhum deles consultou a Deus.

• Os 7: 8-9: “Efraim se mistura com os povos e é um pão que não foi virado. Estrangeiros lhe comem a força, e ele não o sabe; também as cãs já se espalham sobre ele [NVI: ‘a cinza’ espalha-se pelo seu cabelo], e ele não o sabe”.
Os reis faziam aliança com nações estrangeiras sem consultar o Senhor, e o resultado disso podia ser comparado a um pão que não foi virado, ou seja, queimava de um lado só e depois de torrado, ninguém podia mais comer.
‘As cãs já se espalham sobre ele’ ou ‘a cinza espalha-se pelo seu cabelo’ – significa um declínio, como o envelhecimento traz cabelos brancos, pouco a pouco, e a pessoa mal se dá conta disso.

• Os 7: 10-12: “A soberba de Israel, abertamente, o acusa; todavia, não voltam para o Senhor, seu Deus, nem o buscam em tudo isto. Porque Efraim é como uma pomba enganada, sem entendimento; chamam o Egito e vão para a Assíria [NVI: ora apela para o Egito, ora volta-se para a Assíria]. Quando forem, sobre eles estenderei a minha rede e como aves do céu os farei descer; castigá-los-ei, segundo o que eles têm ouvido na sua congregação”.

Israel tinha uma instabilidade política muito grande, desde o reinado de Menaém (752-742 AC). Tiglate-Pileser III (Pul) da Assíria veio contra Israel durante o reinado de Menaém (2 Rs 15: 19-20) e este deu ao rei assírio mil talentos de prata, para que este o ajudasse a consolidar o seu reino. A bíblia diz que ‘Menaém arrecadou este dinheiro de Israel para pagar ao rei da Assíria, de todos os poderosos e ricos, cinqüenta siclos de prata por cabeça; assim, voltou o rei da Assíria e não se demorou ali na terra’.

Nos dias de Peca (740-732 AC), rei de Israel, Tiglate-Pileser veio e tomou cinco cidades de Naftali (Ijom, Abel-Bete-Maaca, Janoa, Quedes e Hazor), além de Gileade, Galiléia e Zebulom, e levou os seus habitantes para a Assíria (no período de 734-732 AC – 2 Rs 15: 29). Ele também reduziu o reino do norte de Israel à região montanhosa de Efraim, sendo Samaria sua capital. Além de ter matado Rezim, rei da Síria, o rei assírio confirmou o reino a Oséias, que matou Peca (2 Rs 15: 30; 2 Rs 17: 1), deixando-o governar em Samaria. Tiglate-Pileser pretendia vir a Judá e, em seguida, invadir Jerusalém. Mesmo que não tivessem entrado na Cidade Santa (Is 37: 6-7; 33-35) os assírios vieram e destruíram grande parte das terras de Judá (2 Rs 18: 13; 2 Cr 32: 1-2; Is 8: 8; Is 36: 1-3).

No sétimo ano de Oséias (725 AC), Salmaneser V da Assíria subiu contra Israel e o derrotou porque este pediu auxílio a Faraó Sô do Egito (2 Rs 17: 4; provavelmente uma abreviatura de (O)so(rkon), Osorkon IV, da 22ª dinastia – 730-712 AC, que reinou em Tânis e Bubástis – ou Tefnacte, da 24ª dinastia, e que reinou em Saís (Sa el-Hagar, no oeste do Delta), 732-725 AC. Sua autoridade também foi reconhecida em Memphis). Mas Tefnacte (Sô) não pôde ajudá-lo porque estava com problemas internos no país, em guerra contra faraós de Cuxe, que disputavam o trono do Egito. Oséias foi encarcerado. Samaria foi sitiada por três anos. No nono ano, Israel foi tomado por Sargom II e exilado. No reinado de Sargom II (722-705 AC) o Egito também caiu em poder dos assírios (716 AC), no ano que Ezequias subiu ao poder em Judá.

Assim, Israel, pela sua soberba, como diz Oséias, não consultou o Senhor e preferiu ficar como uma pomba voando de lá para cá, oscilando entre Assíria e Egito. Até tentou manter sua independência jogando uma potência contra a outra, mas essa política não teve sucesso. O Senhor os puniria por sua inconstância espiritual.

• Os 7: 13-14: “Ai deles! Porque fugiram de mim; destruição sobre eles, porque se rebelaram contra mim! Eu os remiria, mas eles falam mentiras contra mim. Não clamam a mim de coração, mas dão uivos nas suas camas [NVI: Eles não clamam a mim do fundo do coração quando gemem orando em suas camas]; para o trigo e para o vinho se ajuntam, mas contra mim se rebelam”.
A rebeldia de Israel teria um preço. Eles fugiam para longe de Deus. O Senhor diz que tinha poder para redimi-los, mas como eles mentiam e o traíam, orando para outros deuses livrá-los, teriam que acertar as contas com Ele. A seca que o Senhor enviou acabou com o trigo e com o vinho; ainda assim buscaram a Baal, pois pensavam que a sua desaprovação ou o seu afastamento era a causa da seca. Por isso Oséias diz que ‘davam uivos nas suas camas’ ou ‘gemiam orando em suas camas’. Suas lágrimas não eram para Deus.

• Os 7: 15-16: “Adestrei e fortaleci os seus braços; no entanto, maquinam contra mim. Eles voltam, mas não para o Altíssimo. Fizeram-se como um arco enganoso [NVI: defeituoso]; caem à espada os seus príncipes, por causa da insolência da sua língua; este será o seu escárnio na terra do Egito [NVI: E por isso serão ridicularizados no Egito]”.
‘Adestrei e fortaleci os seus braços’ – pode se referir à época de Jeroboão II (782-753 AC), quando Deus o adestrou para a guerra. Naquela época (2 Rs 14: 23-29), a opressão da Síria tinha diminuído sobre Israel devido às vitórias que Deus tinha dado a Jeoás, o pai de Jeroboão II (2 Rs 13: 22-25), e este resolveu estender suas fronteiras (2 Rs 14: 25-28), portanto, conquistou Hamate e Damasco. Os israelitas pareciam não ter gratidão a Deus por causa disso, e se voltavam para outros deuses, por isso o Senhor disse que eles maquinavam contra Ele.

Eles tinham se transformado num ‘arco enganoso’ ou ‘defeituoso’, ou seja, uma arma danificada, que não acerta no alvo; e eles eram uma arma como essa, na qual Deus não confiava mais para realizar Seus projetos, pois foram infiéis a Ele (cf. Sl 78: 57).
Por causa da sua insolência, seus príncipes morriam à espada; talvez esteja falando dessa série de reis um período de vinte anos, ou de nobres ou capitães que morriam nessas batalhas de invasão da sua terra.
‘Este será o seu escárnio na terra do Egito’ – isso significa que, quando o Senhor trouxesse Seu julgamento, o Egito, em quem eles tinham buscado apoio, zombaria deles.

Capítulo 8 – O castigo está próximo

A partir daqui (Os 8: 1 – Os 13: 16), Oséias cessa de denunciar os pecados de Israel; portanto, terminam as reprovações de Deus, e começam as profecias de retribuição pelos atos da nação.

• Os 8: 1-3: “Emboca a trombeta! [NVI: Coloquem a trombeta em seus lábios!] Ele vem como a águia contra a casa do Senhor, porque transgrediram a minha aliança e se rebelaram contra a minha lei. A mim, me invocam: Nosso Deus! Nós, Israel, te conhecemos [NVI: Ó nosso Deus, nós te reconhecemos]. Israel rejeitou o bem; o inimigo o perseguirá”.
O Senhor diz para os israelitas colocarem a trombeta na boca e dar o alarme, pois a punição de Deus está vindo e o inimigo (Assíria) está chegando veloz e vorazmente (‘águia’) contra eles, por terem se rebelado contra Sua lei (Am 5: 14-15; Mq 6: 8). A casa do Senhor se refere a toda a terra de Israel. Não adianta mais dizer que o conhecem e que Ele é o seu Deus, quando transgrediram tanto seus mandamentos e os rejeitaram. Eles não quiseram a aliança com Ele.

• Os 8: 4: “Eles estabeleceram reis, mas não da minha parte; constituíram príncipes, mas eu não o soube [NVI: escolheram líderes sem a minha aprovação]; da sua prata e do seu ouro fizeram ídolos para si, para serem destruídos”.
A nomeação de governantes sem a direção do Senhor iniciou com a divisão dos dois reinos, e a liderança de Jeroboão I (931-910 AC) como seu primeiro rei. A partir dali, os reis não eram nomeados por Deus como havia sido com o reino de Judá. Nos últimos anos desde a morte de Jeroboão II (782-753 AC) e de Zacarias (seu filho 753-752 AC), por causa da instabilidade política, cinco reis subiram ao trono em Samaria, através de conspirações e assassinatos, logicamente, sem a aprovação divina. ‘Príncipes’ ou ‘líderes’ não apenas se refere à área política, mas à liderança eclesiástica da nação. Com medo de que o povo voltasse a adorar em Jerusalém e retornasse para Roboão, Jeroboão I (1 Rs 12: 25-33) fez dois bezerros de ouro e disse ao povo que aqueles eram os deuses que os fizeram sair do Egito. E pôs um em Betel e o outro, em Dã. Também fez santuários nos altos e, dentre o povo, constituiu sacerdotes que não eram dos filhos de Levi. Ali se queimava incenso. A seu bel-prazer instituiu uma festa no 15º dia do 8º mês, igual à festa dos Tabernáculos que se fazia em Judá, e sacrificou no altar em Betel e em Dã. O povo e os reis de Israel seguiram o seu exemplo por dois séculos.

• Os 8: 5-7: “O teu bezerro, ó Samaria, é rejeitado; a minha ira se acende contra eles; até quando serão eles incapazes da inocência? Porque vem de Israel, é obra de artífice, não é Deus; mas em pedaços será desfeito o bezerro de Samaria. Porque semeiam ventos e segarão tormentas; não haverá seara; a erva não dará farinha; e, se a der, comê-la-ão os estrangeiros [NVI: Ainda que produzisse trigo, estrangeiros o devorariam]”.
As suas práticas idólatras não eram do agrado do Senhor e, por isso, Ele destruiria suas imagens, em especial, os dois bezerros de ouro. O que eles semearam, eles colheriam. Semearam idolatria e corrupção moral, portanto, colheriam o julgamento vindouro. Igualmente, suas alianças fúteis com ídolos e nações estrangeiras só trariam desgosto, problemas e devastação (‘semeiam ventos e segarão tormentas’). Não mais poderiam comer dos produtos da seara, pois o Senhor não lhes daria o trigo; mesmo que o trigo crescesse, quem o comeria seriam os estrangeiros.

• Os 8: 8-10: “Israel foi devorado; agora, está entre as nações como coisa de que ninguém se agrada, porque subiram à Assíria; o jumento montês anda solitário, mas Efraim mercou amores [NVI: O jumento selvagem mantém-se livre, mas Efraim vendeu-se para os seus amantes]. Todavia, ainda que eles merquem socorros entre as nações, eu os congregarei; já começaram a ser diminuídos por causa da opressão do rei e dos príncipes [NVI: Embora tenham se vendido às nações, agora os ajuntarei, e logo começarão a definhar sob a opressão do poderoso rei]”.
• ‘Israel foi devorado’ – por causa de alianças com nações estrangeiras, a nação estava sendo consumida aos poucos, pois ímpios só tiravam vantagem delas. Quem saía perdendo era Israel. Economicamente falando, eles só sofriam perdas.

• ‘O jumento montês anda solitário’ ou ‘O jumento selvagem mantém-se livre’ – dependendo da versão bíblica em português e em inglês (ARA, NVI; NRSV, NIV), esta frase tem uma pontuação diferente, muitas vezes dando a entender que se trata do rei da Assíria, como um rei teimoso, pérfido, insociável, desumano e que via apenas o que era vantajoso para si; ainda assim, era livre, pois sua nação dominava sobre muitas outras, inclusive sobre Israel, e não estava necessitado de nenhuma aliança política (‘mercar amores’) para ser ajudado. Israel, sim, precisava de ajuda e, por isso, o ‘jumento selvagem’ ou ‘jumento montês’ pode ser visto como a nação Israelita, que era tão estúpida e obstinada como um jumento selvagem, rejeitando a disciplina de Deus e desejando ser livre, seguindo a impetuosidade das suas concupiscências, e estava ‘solitário’ nessa empreitada.

• ‘Efraim mercou amores’ ou ‘Efraim vendeu-se para os seus amantes’ – Israel se vendeu não só para seus ídolos, mas para governantes pagãos, em busca de auxílio político, em especial a Assíria.

• ‘Porque subiram à Assíria’ – pode se tratar de Menaém (752-742 AC), que deu a Pul, rei da Assíria (Tiglate-Pileser III – 745-727 AC), 1.000 talentos de prata para que este o ajudasse a consolidar seu reino, e o inimigo deixou a terra (2 Rs 15: 19-20). O nome de Menaém é lido nas inscrições no palácio de Ninrude, como um tributário do rei assírio no oitavo ano do governo daquele, ou seja, 744 AC.

• ‘Todavia, ainda que eles merquem socorros entre as nações, eu os congregarei; já começaram a ser diminuídos por causa da opressão do rei e dos príncipes [NVI: Embora tenham se vendido às nações, agora os ajuntarei, e logo começarão a definhar sob a opressão do poderoso rei]’ – Deus congregará Seu povo, não para libertá-lo, mas para que sigam para o cativeiro. Ele também fala que logo Israel ‘começaria a definhar sob a opressão do poderoso rei’ ou ‘começaram a ser diminuídos por causa da opressão do rei e dos príncipes’, o que fala do rei da Assíria, dos seus comandantes de exército e dos seus governadores colocados nas nações conquistadas para coletar os tributos (cf. Is 10: 8).

• Os 8: 11-14: “Porquanto Efraim multiplicou altares para pecar, estes lhe foram para pecar. Embora eu lhe escreva a minha lei em dez mil preceitos, estes seriam tidos como coisa estranha. Amam o sacrifício; por isso, sacrificam, pois gostam de carne e a comem, mas o Senhor não os aceita; agora, se lembrará da sua iniqüidade e lhes castigará o pecado; eles voltarão para o Egito. Porque Israel se esqueceu do seu Criador e edificou palácios, e Judá multiplicou cidades fortes; mas eu enviarei fogo contra as suas cidades, fogo que consumirá os seus palácios”.
O profeta fala mais uma vez sobre os altares idólatras que haviam se disseminado, e de quanto os sacrifícios já tinham se tornado desagradáveis para Deus. Quando ele fala que eles gostam de carne, lembra o que já havia dito sobre os sacerdotes e suas abominações (Os 4: 8; Os 6: 9), pois aceitavam a carne dos sacrifícios hipócritas dos adoradores por causa da sua ganância e cobiça (‘Alimentam-se do pecado do meu povo’ – Os 4: 8).
Mas Deus se lembrará da sua iniqüidade e lhes castigará o pecado. Eles voltarão a ser escravos de estrangeiros, como o foram no Egito, pois tinham se esquecido do seu Deus. O Egito simbolizava exílio e escravidão; e é isso que eles experimentariam na Assíria. Israel edificou palácios e cidades fortificadas e tinha orgulho disso. Entretanto, o Senhor faria com que fossem queimadas. O Senhor não era mais a fortaleza deles.

Capítulo 9 – Israel já antes castigado

Oséias continua a falar sobre a retribuição de Deus pelos atos da nação. Ela pode ter certeza do julgamento (Os 9: 1 – Os 10: 15).

• Os 9: 1-2: “Não te alegres, ó Israel, não exultes, como os povos; porque, com prostituir-te, abandonaste o teu Deus, amaste a paga de prostituição em todas as eiras de cereais. A eira e o lagar não os manterão; e o vinho novo lhes faltará”.
Além de atribuir a Baal a produtividade de suas colheitas, as eiras de trigo onde as festas de celebração eram feitas eram os lugares onde o povo oferecia sacrifícios a esse falso deus. Por isso, o Senhor tiraria deles a alegria da colheita de trigo e da colheita de uvas. A eira e o lagar ficariam vazios, pois a produção seria destruída. Israel não tinha motivo de se alegrar com sua imoralidade.

• Os 9: 3: “Na terra do Senhor, não permanecerão; mas Efraim tornará ao Egito e na Assíria comerá coisa imunda [NVI: comerá comida impura]”.
‘Na terra do Senhor’ – significa que a terra era Dele, e Ele a havia dado a Israel (Lv 25: 23).
O profeta reforça a idéia do cativeiro na Assíria, aqui simbolizado pelo Egito, a ali comerá o seu pão imundo, ou seja, o pão da ira de Deus e sem Sua a bênção (cf. Ez 4: 13). O ‘pão imundo’ seria uma forma de dizer que já que eles rejeitaram o pão espiritual vindo de Deus, assim como o pão material como um sinal de Sua bênção pela fidelidade deles e tiveram prazer na idolatria se alimentando de comida consagrada a ídolos, então eles comeriam o imundo, e isso seria vergonha para eles diante das nações, até porque não fizeram distinção entre o alimento dos judeus e dos gentios.

• Os 9: 4-5: “Não derramarão libações de vinho ao Senhor, nem os seus sacrifícios lhe serão agradáveis; seu pão será como pão de pranteadores, todos os que dele comerem serão imundos; porque o seu pão será exclusivamente para eles e não entrará na Casa do Senhor. Que fareis vós no dia da solenidade e no dia da festa do Senhor? [NVI: O que farão vocês no dia de suas festas fixas, nos dias de festa do Senhor]”.
Os pranteadores, por terem tocado um cadáver, ficavam cerimonialmente impuros e contaminavam tudo que tocavam (Nm 19: 14; 19; 22). Repetindo um pouco o que foi escrito acima, eles comeriam o ‘pão imundo’, pois seria o pão da aflição comido em cativeiro, como o pão de quem pranteava por um morto. O seu contato com os ímpios em terra estranha os fazia cerimonialmente impuros, pois aqueles eram como ‘mortos’, não tinham relacionamento com o Deus Vivo. Estando impuros, portanto, os israelitas estavam impossibilitados de adorar ao Senhor com holocaustos e ofertas. Aí vem uma pergunta: o que eles fariam nos dias das festas instituídas pelo Senhor? Estavam como que excluídos delas. Assim, mais um motivo para não terem do que se alegrar: o exílio em terra estranha e seu afastamento das solenidades do Senhor e da adoração a Ele.

A libação era uma oferta de líquidos (em geral o vinho e o azeite), derramados em sacrifício de dedicação a Deus; uma parte do líquido era derramada junto com a oferta de manjares das ofertas contínuas (ou ‘ofertas regulares’) apresentadas todos os dias (Êx 29: 38-41; Nm 28: 1-8), ou das ofertas voluntárias ou nos dias de sábado (Nm 28: 9; 10) e nas festas fixas (Nm 15: 3; 5; 7; 10): nas festas da Lua Nova (Nm 28: 14), na Páscoa (Nm 28: 24), Pentecostes ou Festa das Colheitas (Shavuot – Nm 28: 26; 31), Rosh haShaná (Ano Novo civil – Nm 29: 1; 6), Dia da Expiação (Yom Kippur – Nm 29: 7; 11), Festa dos Tabernáculos (Sucot – Nm 29: 12; 16; 19; 22; 25; 28; 31; 34; 38).

• Os 9: 6: “Porque eis que eles se foram por causa da destruição, mas o Egito os ceifará, Mênfis os sepultará; as preciosidades da sua prata, as urtigas as possuirão [NVI: Os seus tesouros de prata as urtigas vão herdar]; espinhos crescerão nas suas moradas”.
Mais uma vez, o Egito é colocado aqui como uma metáfora para a Assíria. Mênfis era uma cidade egípcia que tinha muitos cemitérios, tumbas e pirâmides, e simbolizava a terra impura do exílio de Israel (a Assíria) para onde estavam sendo levados cativos. Eles seriam sepultados naquela terra.
Israel seria uma terra abandonada e os bens dos israelitas seriam herdados pelas urtigas. Espinheiros cresceriam nas suas casas. Qual o motivo de Israel se alegrar quando sabia que seria preso?

• Os 9: 7: “Chegaram os dias do castigo, chegaram os dias da retribuição; Israel o saberá; o seu profeta é um insensato, o homem de espírito é um louco [NVI: o profeta é considerado um tolo, e o homem inspirado, um louco violento], por causa da abundância da tua iniqüidade, ó Israel, e o muito do teu ódio”.
O dia do juízo de Deus estava chegando, e mais uma vez, o profeta falava que os profetas de Israel (os falsos profetas que tinham profetizado prosperidade à nação) seriam tidos como loucos ao presenciar a verdade de Deus sendo realizada. ‘O homem de espírito’ era aquele que fingia estar recebendo as inspirações de Deus. Este também seria considerado louco, insano (Lm 2: 14; Ez 13: 3; Mq 3: 11; Sf 3: 4). Israel tinha desprezado os verdadeiros profetas de Deus, considerando-os loucos, mas eram eles os cegos espirituais por causa dos seus muitos pecados e do seu ódio e violência; o ódio de Israel aos profetas verdadeiros enviados por Deus e à Sua lei.

• Os 9: 8: “O profeta é sentinela contra Efraim, ao lado de meu Deus [ou ‘O profeta é a sentinela que vigia Efraim, o povo do meu Deus’], laço do passarinheiro em todos os seus caminhos e inimizade na casa do seu Deus [NVI: contudo, laços o aguardam em todas as suas veredas, e a hostilidade, no templo do seu Deus]”.
‘Sentinela ou vigia ou atalaia’ – seu papel era ver se exércitos inimigos estavam chegando e avisar o povo, para que eles pudessem se preparar para a batalha (Ez 33: 6) e se defender. Os profetas eram as sentinelas de Deus para alertar o povo acerca do seu comportamento e, portanto, do julgamento de Deus, fazendo-os com que se arrependessem (Ez 3: 17; 19; Ez 2: 7).
Mas os profetas de Israel tinham se mostrado contra seu povo, pois não se comportaram como verdadeiros vigias; foram laços de passarinheiro para a nação.

• Os 9: 9: “Mui profundamente se corromperam, como nos dias de Gibeá. O Senhor se lembrará das suas injustiças e castigará os pecados deles”.
‘Nos dias de Gibeá’ – uma referência ao caso do levita e sua concubina (Jz 19: 1-30). Esse incidente deu início a uma guerra civil. Muitos naquela época se alegaram ter sido o crime mais violento de toda a história de Israel. Contudo, os pecados da geração de Oséias se equiparavam a esse infame assassinato.
Portanto, o terceiro motivo para Israel não ter do que se alegrar era a negligência de alguns de seus habitantes para com o seu chamado como profetas do Senhor, e que participaram das injustiças.

• Os 9: 10: “Achei a Israel como uvas no deserto, vi a vossos pais como as primícias da figueira nova; mas eles foram para Baal-Peor, e se consagraram à vergonhosa idolatria, e se tornaram abomináveis como aquilo que amaram”.
Quando Deus os chamou pela primeira vez, Ele se deleitou neles como quem acha uvas num lugar tão improvável como o deserto. Para Ele aquele povo era como os primeiros frutos de uma figueira nova, uma novidade, e as primícias de uma semente plantada, algo irresistível (figos temporãos: Is 28: 4; Jr 24: 2; Mq 7: 1). Porém, o Senhor acabou se decepcionando com eles quando eles estavam para entrar na Terra Prometida e se sentiram atraídos pela idolatria, cedendo à adoração de Baal-Peor (Nm 25: 1-18; Dt 4: 3; Sl 106: 28-31 cf. Mq 6: 5). Naquele lugar, em Peor (uma montanha na região ao norte do Mar Morto e defronte de Jericó e perto do acampamento deles em Sitim, na terra de Moabe), os israelitas participaram de ritos de fertilidade com mulheres moabitas, ocasionando, assim, o juízo de Deus sobre a nação.

• Os 9: 11-13: “Quanto a Efraim, a sua glória voará como ave; não haverá nascimento, nem gravidez, nem concepção. Ainda que venham a criar seus filhos, eu os privarei deles, para que não fique nenhum homem. Ai deles, quando deles me apartar! Efraim, como planejei, seria como Tiro, plantado num lugar aprazível; mas Efraim levará seus filhos ao matador”.
O Senhor diz que por causa de Baal-Peor e por causa do que continuavam a fazer até aquele momento, depois de muitos séculos de caminhada com Ele, ao invés de fertilidade, Ele lhes traria a esterilidade. Assim, a honra de Efraim, sua glória, fugiria dele como um pássaro, pois para os israelitas, a esterilidade era uma maldição. As crianças eram sua glória; e sua fama de povo fértil fugiria deles, pois Deus os tornaria estéreis. Ainda que eles criassem filhos, estes seriam mortos durante a invasão. Depois, Ele profere um ‘ai’ sobre eles, quando Ele se afastar completamente, isto é, quando Ele os deixar entregues a si mesmos e aos assírios. Deus tinha planejado Efraim para ser como Tiro, uma cidade erguida num lugar muito bonito, e ‘mãe’ de muitas colônias além do Mar Mediterrâneo, pois sua prosperidade, seu comércio e seus marinheiros levaram sua fama para lugares distantes e Tiro fundou muitas colônias. Porém, Israel, aqui chamado Efraim, levará seus filhos para o matador, os assírios.

• Os 9: 14-17: “Dá-lhes, ó Senhor; que lhes darás? Dá-lhes um ventre estéril e seios secos. Toda a sua malícia se acha em Gilgal, porque ali passei a aborrecê-los [NVI: de fato, ali os odiei]; por causa da maldade das suas obras, os lançarei fora de minha casa; já não os amarei; todos os seus príncipes [NVI: seus líderes] são rebeldes. Ferido está Efraim, secaram-se as suas raízes; não dará fruto; ainda que gere filhos, eu matarei os mais queridos do seu ventre [NVI: eu matarei sua prole querida]. O meu Deus os rejeitará, porque não o ouvem; e andarão errantes entre as nações [NVI: serão peregrinos entre as nações]”.
O profeta continua a falar sobre a esterilidade das mulheres (‘ventre estéril e seios secos’).

Gilgal (cf. Js 5: 9), que desde o início da entrada dos israelitas na terra de Canaã foi um grande centro para as ações de justiça de Deus (Js 4: 20; Js 5: 9-10; Js 14: 6; Jz 2: 1; 1 Sm 7: 16; 1 Sm 15: 12; 22-23; 26-31; 33-35; 2 Rs 2: 1; Mq 6: 5), agora havia se tornado um centro de adoração idólatra (Os 12: 11; Os 4: 15), ligada a Betel por uma estrada importante (2 Rs 2: 1-2). Gilgal e Betel eram centros de adoração criados por Jeroboão I (desde a época da separação da nação em dois reinos) e seguidos por todos os demais reis de Israel. Betel, Gilgal, Berseba se tornaram centros de cultos corruptos. Betel ficava na tribo de Efraim; Gilgal, no território de Manassés do oeste, próximo à fronteira de Efraim; e Berseba, ao sul, no território de Simeão. Quanto a Dã, onde estava o outro bezerro de ouro de Jeroboão I, ficava ao norte de Israel, na tribo de Naftali.

Por causa das suas atitudes desleais a Deus, Gilgal estava sendo rejeitada por Ele, e Ele lançaria seus habitantes para fora, como uma esposa infiel é expulsa de casa pelo marido traído: ‘por causa da maldade das suas obras, os lançarei fora de minha casa’. ‘Minha casa’ era a terra de Canaã, que Ele tinha dado para os israelitas. Ele deixaria de cuidar dessa terra (‘já não os amarei’).
Seus líderes eram rebeldes e, agora, estéreis: ‘Ferido está Efraim, secaram-se as suas raízes; não dará fruto; ainda que gere filhos, eu matarei os mais queridos do seu ventre’.
Por serem rejeitados por Deus, eles seriam levados ao exílio, e dispersos entre as nações, por onde andariam errantes, como aconteceu com Caim, após ter sido amaldiçoado por Deus pela morte de Abel (Gn 4: 11; 12; 14; 16).
Encerrando esse capítulo, podemos dizer que o quarto motivo para Israel não ter do que se alegrar era a esterilidade e o repúdio por parte de Deus.

Resumindo: o julgamento de Deus sobre Israel tiraria deles toda a alegria. Eles teriam motivo para não se alegrar: sua imoralidade; o exílio em terra estranha e seu afastamento das solenidades do Senhor e da adoração a Ele; a negligência dos seus profetas para com o Senhor; a esterilidade e o repúdio por parte de Deus.

Autora: Pastora Tânia Cristina Giachetti

Sugestão para download:

tabela de profetas AT

Tabela dos profetas (PDF)

Table about the prophets (PDF)


livro evangélico: Profeta, o mensageiro de Deus

Profeta, o mensageiro de Deus

Prophet, the messenger of God


Este texto se encontra no 1º volume do livro:


livro evangélico: Os profetas menores

Os profetas menores vol. 1

Os profetas menores vol. 2

Os profetas menores vol. 3

The minor prophets vol. 1

The minor prophets vol. 2

The minor prophets vol. 3

▲ Início  

relacionamentosearaagape@gmail.com