Os homens judeus costumam cobrir a cabeça com chapéus: Quipá, Shtreimel, Hoicher Samet, Fedora, Spodik, Kolpik e Kashket. Explicação sobre 1 Co 11: 4-16 (o véu; cobrir a cabeça).


Chapéus usados pelos judeus



Introdução

A prática de homens judeus cobrirem a cabeça não é um mandamento bíblico direto. Não há versículos específicos para isso. A obrigação de usar a quipá é tradição rabínica e da sua interpretação da Torá. Segundo o Talmude, a prática de usar uma cobertura para a cabeça surgiu durante e após a ocupação romana, para mostrar a distinção e o respeito na presença de Deus, a verdadeira autoridade superior. A única referência bíblica que podemos encontrar sobre cobrir a cabeça no momento das orações se encontra, de uma maneira um tanto sugestiva, em Nm 15: 37-41 e Dt 22: 12, sobre as franjas do Talit colocadas nas borlas das vestes e que seriam um lembrete ao povo para se lembrarem e cumprirem todos os mandamentos do Senhor, evitando seguir os desejos do coração e dos olhos, os dois maiores órgãos responsáveis por levá-los ao pecado. Em Dt 22: 12 está escrito: “Farás borlas (franjas) nos quatro cantos do manto com que te cobrires”, o que sugere que o Talit foi uma orientação de Deus no momento das orações deles, para lembrar Seu povo da importância da obediência aos Seus mandamentos e da Sua cobertura e autoridade sobre eles. O Talit é usado pelos homens como uma cobertura na hora das preces judaicas, especialmente na oração da manhã (Shacharit) e no momento da oração na sinagoga.

Um comentário sobre 1 Co 11: 4-16

O texto de 1 Co 11: 4-16 no Novo Testamento, onde o apóstolo Paulo discute a cobertura da cabeça no contexto da igreja primitiva, não se encaixa na prática judaica contemporânea, pois foi escrito num contexto cultural e teológico diferente do judaísmo rabínico. Ali, Paulo estava falando sobre a autoridade do marido sobre a mulher (no sentido de ‘cobertura’ e ‘submissão’) e por ser o homem criado primeiro do barro, depois Eva da sua costela; em outras palavras, a autoridade (cobertura) de Deus sobre o homem, e deste sobre a mulher (v. 3: “Quero, entretanto, que saibais ser Cristo o cabeça de todo homem, e o homem, o cabeça da mulher, e Deus, o cabeça de Cristo”) e, portanto, o homem não deveria manter sua cabeça coberta (ou ‘velada’, no sentido original grego da palavra katakaluptó, Strong #2619, de kata, Strong #2596, uma preposição que significa, entre outras coisas: abaixo de, contra, de acordo com, ao longo de, durante, mas freqüentemente denota oposição + kalupto: velar, cobrir a cabeça, esconder, cobrir totalmente – v.7) para estar completamente receptivo à vontade de Deus e, depois, orientar sua mulher, que estaria em submissão a ele, humanamente falando, mas nunca espiritualmente, porque o espírito dos dois pertence a Deus e não um ao outro.

No texto de 2 Co 3: 14-18, Paulo escreve em relação à cegueira espiritual dos próprios compatriotas judeus à manifestação e à revelação do Espírito Santo, o que pode corroborar o comentário anterior sobre não estar com a cabeça coberta ou velada: “Mas os sentidos deles se embotaram. Pois até ao dia de hoje, quando fazem a leitura da antiga aliança, o mesmo véu permanece, não lhes sendo revelado que, em Cristo, é removido. Mas até hoje, quando é lido Moisés, o véu está posto sobre o coração deles. Quando, porém, algum deles se converte ao Senhor, o véu lhe é retirado. Ora, o Senhor é o Espírito; e, onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade. E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito”.

Dessa forma, o véu pode simbolizar tanto a cobertura espiritual sobre uma pessoa como o velamento do seu entendimento às coisas espirituais.

Algumas vezes nós vemos na bíblia o ato de cobrir a cabeça como um dos sinais de luto. Por exemplo:

• 2 Sm 15: 30 – fugindo de Absalão, Davi cobre sua cabeça com o manto e chora em sinal de luto e vergonha: “Seguiu Davi pela encosta das Oliveiras, subindo e chorando; tinha a cabeça coberta e caminhava descalço; todo o povo que ia com ele, de cabeça coberta, continuou chorando”.
• Jr 14: 3: “Os seus poderosos [os de Jerusalém] enviam os criados a buscar água; estes vão às cisternas e não acham água; voltam com seus cântaros vazios e, decepcionados e confusos, cobrem a cabeça”.

No caso dos chapéus, do ponto de vista rabínico, é um costume religioso para os homens judeus cobrirem suas cabeças, pois significa o reconhecimento da superioridade divina sobre o ser humano e um símbolo de humildade perante Deus e de submissão à Sua vontade.

Entre as vestimentas judaicas, nós podemos encontrar várias coberturas de cabeça:

1) Quipá (Kippah)

Uma quipá é uma peça de vestuário utilizada pelos judeus tanto como símbolo da religião judaica como símbolo de temor a Deus; do reconhecimento da superioridade divina sobre o ser humano e símbolo de humildade perante o Criador e de submissão à Sua vontade.

O termo kippah (em hebraico: כיפה) significa literalmente ‘cúpula’, pois a kippah é usada na cabeça como uma cúpula. Quipá é um substantivo feminino singular; o plural é kippot. Em iídiche, a palavra é escrita como keppel ou koppel (pequena cúpula). A outra palavra em iídiche, yarmulke (יאַרמלקע, yarmlke), vem do polonês ‘jarmułka’, que significa ‘boina’, ou do ucraniano, ‘yarmulka’ que, por sua vez, é derivado do latim medieval, almutia (‘capuz de monge’ ou ‘capuz’). Yarmulke está ligado ao termo aramaico ‘yire malka’ [ירא מלכא, que significa, ‘temor ao Rei’). A quipá é semelhante ao zucchetto (zucchetta ou zucchini) em italiano, ou solidéu [proveniente do latim ‘soli Deo tollitur’, ou seja ‘só por Deus é tirado (da cabeça)’], usados pelos padres católicos, com cores variadas de acordo com a hierarquia: branco para o papa, carmesim para os cardeais, roxo para bispos, cônegos e monsenhores, e preto para todos os outros.

A quipá simboliza a necessidade de se ter sempre o temor a Deus sobre a cabeça. A maioria dos judeus a usam apenas ao freqüentar uma sinagoga, durante o estudo das Escrituras, em cerimônias religiosas e durante os momentos de oração, enquanto alguns a utilizam o dia inteiro. Alguns a usam durante as refeições. Entre os judeus ortodoxos, somente os homens usam a quipá, mas as ramificações não ortodoxas do judaísmo permitem que as mulheres também o utilizem, em especial as que são rabinas. Até o século XVI ou XVIII, não era obrigatória a cobertura para a cabeça como símbolo religioso, mas a partir daí os judeus asquenazes começaram a usar a quipá. Há referência ao uso da quipá por algumas comunidades judaicas na época do exílio babilônico.

Em Israel, kippot feitas de tricô ou crochê (feitas pela primeira vez no final da década de 1940) são conhecidas como ‘kippot serugot’ (‘quipá de crochê ou tricô’), e geralmente usadas por sionistas religiosos e judeus ortodoxos modernos. Também podem ser feitas de camurça ou couro. A maioria dos judeus Haredi (tradicionais) usam quipás de veludo preto ou tecido.


Quipá

Quipás de seda usadas num casamento e quipás de crochê

2) Shtreimel

Um shtreimel (plural: shtraimlech) é um chapéu de pele usado por muitos homens Haredi casados, no Shabbat e em feriados judaicos e outras ocasiões festivas, particularmente pelos membros do Judaísmo Hassídico (um dos ramos do judaísmo Haredi, com uma base mais tradicionalmente erudita e fundado no século XVIII em reação ao Judaísmo rabínico).

Em Jerusalém, o shtreimel também é usado pelos judeus de Litvak (não-Hassídicos da comunidade Asquenaze original de Jerusalém). O termo ‘Asquenazes’ ou ‘Asquenazim’ diz respeito aos descendentes dos primeiros judeus da Europa Oriental, espalhados por todo mundo após o Holocausto e provém da palavra hebraica medieval para a Alemanha.

Não há significado religioso especial para o shtreimel em comparação com outras coberturas de cabeça, como a quipá. O shtreimel é geralmente feito das pontas das caudas de martas zibelinas [uma marta com cauda curta e pelagem marrom escura, nativa do Japão e da Sibéria e valorizada por sua pele (Martes zibellina)] canadenses ou russas, fuinhas, marta-dos-pinheiros-europeia [uma marta com pelagem marrom escura, garganta amarelada e cauda espessa (Martes martes)], ou de raposas-cinzentas americanas. O shtreimel é o artigo mais caro da roupa hassídica e feito sob medida para o usuário. É possível comprar um shtreimel feito de pele sintética, que é mais comum em Israel. Ele é mais baixo, mais largo e em forma de disco, enquanto os kolpiks são mais altos, mais finos e de formato cilíndrico.

O shtreimel é sempre usado em cima de uma quipá e geralmente acompanha as vestimentas do Shabbat, diferentemente das roupas comuns da semana. Também é usado nos Feriados judaicos, como Rosh Hashaná [ano novo], Yom Kippur [dia da Expiação], Sucot [tabernáculos], Simchat Torá [a leitura da Torá no 8º dia da festa dos tabernáculos], Shemini Atzeret [a assembléia solene no 8º dia dos Tabernáculos], Purim, Pessach [Páscoa] e o dia seguinte ao Pessach [Páscoa], Shavuot [Pentecostes], no próprio casamento ou dos familiares ou membros da família do Rabino e em um brit milah [circuncisão] de um familiar direto. Normalmente o pai da noiva compra o shtreimel para o noivo no seu casamento.


Shtreimel

Shtreimels usados por Judeus em Páscoa Judaica da Comunidade Hassídica em Londres

3) Hoicher

A expressão ‘Hoicher Samet’ se refere a um chapéu alto de veludo ou feltro. Hoicher ou hoycher, em Iídiche é similar à palavra alemã ‘hoher, que significa ‘alto’. Samet: em Iídiche significa ‘veludo’. É um tipo de chapéu freqüentemente usado por membros de comunidades judaicas ultraortodoxas (Haredi) no Shabbat, feriados judaicos ou em ocasiões formais.


Hoicher Samet

Judeu no Muro das Lamentações, usando um Hoicher Samet

4) Fedora

Há chapéus pretos grandes de abas largas, como o Fedora, usados pelos Chabad Lubavitch (uma das ramificações do hassidismo. Lubavitch é o nome em iídiche da cidade russa de Lyubavichi). Esses chapéus são parte da vestimenta diária ou para ir à sinagoga, dependendo da comunidade e do nível de observância.


Fedora de lã e feltro

Fedora de lã de aba larga, usado por judeus hassídicos e Fedora de feltro com tranças.

Chapéu usado pelos Chabad Lubavitch


Há outros chapéus, como na imagem acima, com coroas redondas ou chatas, não é tão altas quanto o Hoicher Samet. Alguns Chabad usam a fita de gorgorão na direita, outros na esquerda. O tecido pode ser feltro ou lã.

5) Spodik

O spodik é um chapéu alto de pele preta usado por alguns judeus hassídicos poloneses. Por ser tingido, o spodik é um chapéu mais barato que o shtreimel, que pode valer mais ou menos US$ 1,900 (R$ 10.000,00).


Spodik

Rabino Menachem Mendel Mendzon, usando um spodik

6) Kolpik

O kolpik é um chapéu cilíndrico tradicional feito de pele marrom, ao contrário do spodik, e é usado por homens solteiros (o shtreimel é usado pelos homens casados) e alguns rabinos hassídicos de ascendência húngara em ocasiões especiais que não sejam o Shabbat ou feriados importantes. O shtreimel é mais baixo, mais largo e em forma de disco, enquanto os kolpiks são mais altos, mais finos e de formato cilíndrico.


Kolpik

Rabino Moshe Leib Rabinovich, usando um Kolpik

7) Kashket

O kashket (do polonês kaszkiet e do francês casquette ‘boné’; também conhecido como kashkettel ou kasket) é um gorro, geralmente feito de feltro, usado principalmente por crianças judias hassídicas como alternativa ao quipá. Possui uma copa, uma faixa e uma aba. Do início do século XX até a Segunda Guerra Mundial, muitos judeus russos e poloneses usavam esse gorro como parte de seu vestuário cotidiano.


Kashket

Dois meninos usando o kashket

Este texto se encontra no anexo:


Chapéus usados pelos judeus – Estudo Judaico (PDF)

Chapéus usados pelos judeus (PDF)

Hats worn by Jews (PDF)


Principal fonte de pesquisa: wikipedia.org


Autora: Pastora Tânia Cristina Giachetti

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