Estudo sobre a ordem do acampamento de Israel no deserto e os estandartes das tribos de Israel. Os emblemas nas bandeiras das doze tribos têm origem nas bênçãos de Jacó. Significado de: ‘até que venha Siló’
Quando os judeus se acamparam no deserto após deixar o Egito, eles foram instruídos a montar quatro acampamentos, um para cada ponto cardeal, com o tabernáculo no centro. Quatro tribos – Judá, Rúben, Efraim e Dã – foram reconhecidas como líderes tribais (Nm 2: 1-34). Cada uma teve seu próprio estandarte ou bandeira que os identificava como cabeça das tribos. Na tenda da congregação ficavam os objetos sagrados e a arca da Aliança, símbolo de Deus entre os homens. Ali o Senhor falava com Moisés.

O primeiro era chamado o acampamento de Judá e incluía Zebulom e Issacar e se localizava a leste (Nm 2: 3).
O segundo acampamento era encabeçado por Rúben e incluía Simeão e Gade. Eles se localizavam ao sul do tabernáculo (Nm 2: 10).
O terceiro acampamento era chamado de Efraim e incluía Manassés e Benjamim. Posicionava-se a oeste (Nm 3: 18).
O quarto acampamento era o de Dã com Aser e Naftali incluídos, e se localizava ao norte (Nm 2: 25).
Deus olharia para baixo e veria Israel com o tabernáculo no centro e os quatro acampamentos ao redor dele. Quais os estandartes dessas tribos?
Primeiro, vamos nos lembrar das bênçãos de Jacó, especificamente sobre essas quatro tribos:
• Gn 49: 1-28 (as bênçãos de Jacó sobre seus filhos): “Depois, chamou Jacó a seus filhos e disse: Ajuntai-vos, e eu vos farei saber o que vos há de acontecer nos dias vindouros: Ajuntai-vos e ouvi, filhos de Jacó; ouvi a Israel, vosso pai. Rúben, tu és meu primogênito, minha força e as primícias do meu vigor, o mais excelente em altivez e o mais excelente em poder. Impetuoso como a água, não serás o mais excelente, porque subiste ao leito do teu pai e o profanaste; subiste à minha cama [ele se referia ao fato de Rúben coabitar com sua concubina]. Simeão e Levi são irmãos; as suas espadas são instrumentos de violência. No seu conselho, não entre a minha alma; com o seu agrupamento, minha glória não se ajunte; porque no seu furor mataram homens, e na sua vontade perversa jarretaram touros [ele se referia à traição de Simeão e Levi, matando os homens de Hamor, pai de Siquém, com quem a filha de Jacó, Diná, tinha casado. O povo de Hamor tinha feito um pacto de se unir com Jacó e por isso, circuncidaram todos os do sexo masculino; entretanto, enquanto estavam sarando das feridas no acampamento, Simeão e Levi foram até lá e mataram todos eles – Gn 34: 1-31]. Maldito seja o seu furor, pois era forte, e a sua ira, pois era dura; dividi-los-ei em Jacó e os espalharei em Israel. Judá, teus irmãos te louvarão; a tua mão estará sobre a cerviz dos teus inimigos; os filhos de teu pai se inclinarão a ti. Judá é leãozinho; da presa subsiste, filho meu. Encurva-se e deita-se como leão e como leoa; quem o despertará? O cetro não se arredará de Judá, nem o bastão de em entre seus pés, até que venha Siló; e a ele obedecerão os povos. Ele amarrará o seu jumentinho à vide e o filho da sua jumenta, à videira mais excelente; lavará as suas vestes no vinho e a sua capa, em sangue de uvas. Os seus olhos serão cintilantes de vinho, e os dentes, brancos de leite. Zebulom habitará na praia dos mares e servirá de porto aos navios, e o seu limite se estenderá até Sidom. Issacar é jumento de fortes ossos, de repouso entre os rebanhos de ovelhas. Viu que o repouso era bom e que a terra era deliciosa; baixou os ombros à carga e sujeitou-se ao trabalho servil. Dã julgará o seu povo, como uma das tribos de Israel. Dã será serpente junto ao caminho, uma víbora junto à vereda, que morde os talões do cavalo e faz cair o seu cavaleiro por detrás. A tua salvação espero, ó Senhor! Gade, uma guerrilha o acometerá; mas ele a acometerá por sua retaguarda. Aser, o seu pão será abundante e ele motivará delícias reais. Naftali é uma gazela solta; ele profere palavras formosas. José é um ramo frutífero, ramo frutífero junto à fonte; seus galhos se estendem sobre o muro. Os flecheiros lhe dão amargura, atiram contra ele e o aborrecem. O seu arco, porém, permanece firme, e seus braços são feitos ativos pelas mãos do Poderoso de Jacó, sim, pelo Pastor e pela Pedra de Israel, pelo Deus de teu pai, o qual te ajudará, e pelo Todo-Poderoso, o qual te abençoará com as bênçãos dos altos céus [espirituais], com bênçãos das profundezas [emocionais], com bênçãos dos seios e da madre [materiais]. As bênçãos de teu pai excederão as bênçãos de meus pais até ao cimo dos montes eternos; estejam elas sobre a cabeça de José e sobre o alto da cabeça do que foi distinguido entre seus irmãos. Benjamim é lobo que despedaça; pela manhã devora a presa e à tarde reparte o despojo. São estas as doze tribos de Israel; e isto lhes falou seu pai quando os abençoou; a cada um deles abençoou segundo a bênção que lhe cabia”.
O que significa essa expressão dita por Jacó? Foi em Siló que a tenda da congregação foi armada nos primeiros dias depois da conquista da Terra Prometida (Js 18: 1), e foi esse o principal santuário dos israelitas durante o tempo dos juízes (Jz 18: 31). Pelo tempo de Eli (o sacerdote) e seus filhos, o santuário já se tornara uma estrutura bem estabelecida de adoração centralizada. Depois de Siló, a arca da Aliança mudou várias vezes de lugar, pois foi roubada pelos inimigos (filisteus), até ser transferida para Baalim de Judá, também chamada de Quiriate-Jearim ou Quiriate-Baal (Js 18: 14; 1 Sm 7: 1-2; 1 Cr 13: 5) para a casa de Abinadabe e seus filhos, Uzá e Aiô (2 Sm 6: 2-3); dali foi para casa de Obede-Edom (provavelmente um filisteu de Gate e que morava perto de Jerusalém – 2 Sm 6: 10; 1 Cr 13: 13-14; 1 Cr 15: 25 – segundo: “O Novo Dicionário da Bíblia – J. D. Douglas – edições vida nova, 2ª edição 1995”), de onde Davi (como rei) a tomou e a levou até Sião, a cidade de Davi, até conquistar seu lugar definitivo no templo de Jerusalém construído por Salomão (o povo sacrificava no altar do holocausto colocado no alto em Gibeão – 1 Cr 16: 39; 1 Cr 21: 29; 2 Cr 1: 3-5 – mas a arca ficou em Jerusalém, numa tenda que Davi construiu para ela: 1 Cr 15:1; 1 Cr 16:1; 37-39; 2 Cr 1: 3-5; 1 Rs 3: 4; 15).
A expressão usada por Jacó: “até que venha Siló”, em referência a Judá, em hebraico: ‘adh kï-yãbhô’ shïlõh, pode ser traduzida de várias maneiras. As duas mais cabíveis a meu ver são: 1) “Até que ele [em referência a Judá] venha a Siló”, cumprindo o que está escrito em Js 18: 1, quando, numa reunião, a tribo nobremente rejeitou a proeminência que havia desfrutado anteriormente (na peregrinação pelo deserto). 2) Emendando-se shïlõh para shellõh e traduzindo a frase como faz a Septuaginta (a versão grega do AT), “até que aquilo que é dele venha”, isto é, “as coisas reservadas para ele”, talvez aqui seja uma referência a Davi ou uma referência messiânica [ele = Jesus].
• 1 Cr 5: 1-2: “Quanto aos filhos de Rúben, o primogênito de Israel (pois era o primogênito, mas, por ter profanado o leito de seu pai, deu-se a sua primogenitura aos filhos de José, filho de Israel; de modo que, na genealogia, não foi contado como primogênito. Judá, na verdade, foi poderoso entre seus irmãos, e dele veio o príncipe [Davi; Jesus]; porém, o direito da primogenitura foi de José)”.
• Jr 31: 9 b: “porque sou pai para Israel, e Efraim é o meu primogênito”.
Podemos notar que as chamadas bênçãos de Jacó sobre os filhos, são, na verdade, a descrição da personalidade de cada um deles que já estavam sendo exercidas, alguns filhos pelo próprio significado dos seus nomes, pois foram recebidos segundo uma situação entre Jacó, Lia e Raquel; outros filhos adquiriram o comportamento acima descrito por Jacó devido à necessidade em que se encontraram, não necessariamente pela má índole nos seus corações, como foi o caso de Simeão e Levi. Na verdade, eles estavam tomando uma atitude de precaução para proteger a família. Podemos até imaginar que eles sentiram pelo seu espírito que não era da vontade de Deus a união com aqueles incircuncisos (Gn 34: 14 e 31). Simeão ouviu a voz de Deus dentro de si, e Levi, por estar unido e aderido (significado dos seus nomes) às leis que conhecia através de Abraão, também não concordou com aquele acordo, tampouco com a atitude covarde e egoísta de Jacó, pensando mais em si mesmo do que na família ou em Diná, a filha violentada: “Então, disse Jacó a Simeão e a Levi: Vós me afligistes e me fizestes odioso entre os moradores desta terra, entre os cananeus e os fereseus; sendo nós pouca gente, reunir-se-ão contra mim, e serei destruído, eu e minha casa” (Gn 34: 30). Embora tenha mencionado sua casa, os pronomes foram colocados em primeira pessoa do singular: eu, me, mim e minha.
Os significados dos nomes são os seguintes:
• Rúben, 1º – Re’ubhen, ou Rã’â be‘onÿi que significa: ‘o Senhor olhou para minha aflição’ ou ‘eis um filho’. Texto bíblico: Gn 29: 32b: “O Senhor atendeu à minha aflição. Por isso agora me amará meu marido” (Lia disse).
• Simeão, 2º – Shim‘ôn = ‘Deus ouviu, aquele que ouve’. Texto bíblico: Gn 29: 33 b: “Soube o Senhor que era preterida e me deu mais este; chamou-lhe, pois Simeão” (pois Deus ouvira a súplica de Lia).
• Levi, 3º – Lewi, da raiz lãwâ = juntar, portanto, Levi = unido, ligado, aderido. Texto bíblico: Gn 29: 34b: “Agora, desta vez, se unirá mais a mim meu marido, porque lhe dei à luz três filhos; por isso, lhe chamou Levi” (Lia disse).
• Judá, 4º – Yehüdhâ = louvado, celebrado, festejado em louvor (ydh) ao Senhor. Texto bíblico: Gn 29: 35b: “Esta vez louvarei o Senhor. E por isso lhe chamou Judá; e cessou de dar á luz” (Lia).
• Dã, 5º – Dãn = Deus me julgou, Deus é juiz. Texto bíblico: Gn 30: 6: “Então, disse Raquel: Deus me julgou, e também me ouviu a voz, e me deu um filho; portanto, lhe chamou Dã” (de sua serva Bila).
• Naftali, 6º – Naphtãlï = lutador, pois “Disse Raquel: Com grandes lutas tenho competido com minha irmã e logrei prevalecer; chamou-lhe, pois Naftali” (filho de Bila, serva de Raquel). Texto bíblico: Gn 30: 8.
• Gade, 7º = boa sorte, afortunado. Texto bíblico: Gn 30: 11: “Disse Lia: Afortunada! E lhe chamou Gade” (Zilpa, sua serva concebeu de Jacó).
• Aser, 8º – ’ãsher = feliz, bem-aventurado, tesouro. Texto bíblico: Gn 30: 13: “Então, disse Lia: É a minha felicidade! Porque as filhas me terão por venturosa; e lhe chamou Aser” (filho de Zilpa, serva de Lia).
• Issacar, 9º – ’ïsh = homem e sãkhãr = salário, portanto, ‘trabalhador alugado’, pois Lia comprou de Raquel o direito de coabitar com Jacó por um punhado de mandrágoras (Gn 30: 14-16). Texto bíblico: Gn 30: 18: “Então, disse Lia: Deus me recompensou, porque dei a minha serva [no caso do filho anterior, Aser, pois Issacar foi filho legítimo de Lia] a meu marido; e chamou-lhe Issacar”.
• Zebulom, 10º, do acadiano Zabalu = exaltar (Acade, região da Suméria, uma das designações dadas à metade norte do Iraque, para cima de Bagdá). Texto bíblico: Gn 30: 20: “E disse: Deus me concedeu excelente dote; desta vez permanecerá comigo meu marido, porque lhe dei seis filhos; e lhe chamou Zebulom” (Lia).
• Diná, única mulher, dïnâ = inocente, absolvida, julgada. Texto bíblico: Gn 30: 21: “Depois disto, deu à luz uma filha e lhe chamou Diná” (Lia).
• José, 11º, originado do verbo Yãsaph = adicionar, portanto, yôseph = que Deus adicione (filhos), pois Raquel pediu a Deus que lhe desse outro filho. Jacó tinha por volta de 91 anos quando nasceu José. Texto bíblico: Gn 30: 23-24: “Ela (Raquel) concebeu, deu à luz um filho e disse: Deus me tirou o meu vexame. E lhe chamou José, dizendo: Dê-me o Senhor ainda outro filho”.
• Benjamim, 12º, Binyãmïn = filho da minha mão direita. Texto bíblico: Gn 35: 18: “Ao lhe sair a alma (porque morreu), deu-lhe o nome de Benoni (filho da minha aflição [Raquel deu]); mas seu pai lhe chamou Benjamim”.
Uma vez que os símbolos das tribos seguem as bênçãos de Jacó, quando pesquisamos a imagem desses estandartes, o que encontramos é o seguinte (segundo a ordem dos acampamentos):

Judá, Zebulom e Issacar

Rúben, Simeão e Gade

Efraim, Manassés e Benjamim

Dã, Naftali e Aser

José e Levi

Dã e Aser (outras imagens vistas nos estandartes)
Fonte das imagens: www.praisebanners.com e www.christianbanners.com
Os emblemas das doze tribos de Israel se originaram nas bênçãos de Jacó e serviram de fonte de inspiração para artistas por incontáveis gerações. Nós podemos notar que duas tribos (Dã e Aser) muitas vezes são simbolizadas de duas maneiras: Dã pela balança da justiça e pela serpente. E Aser, pelo pão (referido por Jacó) e pela oliveira, como visto acima, como símbolo da sua prosperidade, bem-aventurança e bem-estar. A maioria das tribos tem seu emblema relacionado à sua personalidade, sob a percepção de Jacó, mas os de Simeão e Gade são previsões sua futura ocupação, até relacionada com estrangeiros. A insígnia de Gade é geralmente uma tenda ou um grupo de três tendas, um número sem significado específico. A de Zebulom é um navio. Jacó prevê que Zebulom se tornará um refúgio para navios, provavelmente navios estrangeiros que trazem comércio e economia, embora sua parte da terra estivesse um pouco mais para o interior do que a de Aser, na costa do Mediterrâneo. O emblema de Gade se refere a uma tropa de invasores que o roubam, e posteriormente Gade deve persegui-los (“Gade, uma guerrilha o acometerá; mas ele a acometerá por sua retaguarda”). Os invasores podem ser futuros israelenses que se tornarão corruptos ou ladrões de nações estrangeiras. Gade ocupou a região da Transjordânia, entre Rúben e meia tribo de Manassés, mais especificamente próximo a Amon. E houve muitas guerras entre judeus e Amonitas.
O que vemos no estandarte de Gade é mais provavelmente uma imagem do significado do seu nome: ‘boa sorte, afortunado’, pois era uma tribo gozava do bem-estar e da abundância. Quanto a Aser, Jacó fala de pão, o que nos faz pensar que se tratava de uma tribo próspera. Seu nome significa ‘feliz, bem-aventurado, tesouro’. O que vemos na insígnia (a oliveira), lembra a bênção de Moisés em Dt 33: 24-25: “De Aser disse: Bendito seja Aser entre os filhos de Jacó, agrade a seus irmãos e banhe em azeite o pé. Sejam de ferro e de bronze os teus ferrolhos, e, como os teus dias, durará a tua paz”.
| Tribos | Símbolos |
| Judá | leão |
| Zebulom | porto de navios |
| Issacar | jumento entre rebanhos de ovelhas |
| Rúben | mandrágora e face de homem (Gn 30: 14-16) |
| Simeão | espada |
| Gade | tropa de cavalo (cavalo = guerra) / tendas |
| Efraim | boi |
| Manassés | ramo frutífero (de oliveira) |
| Benjamim | lobo |
| Dã | serpente / balança |
| Naftali | gazela |
| Aser | pão / oliveira (Dt 33: 24-25) |
| Levi | Arca da Aliança (Dt 33: 8) ou o peitoral do juízo com as pedras |
Vamos prosseguir com nosso raciocínio:
• Judá recebeu o direito de liderar todos os seus irmãos (1 Cr 5: 1-2), pois dessa tribo viria o Messias, e Jacó o chamou de Leão, não só em referência ao Leão de Judá, Jesus, mas porque para liderar um povo e estar na presença de Deus é necessário autoridade, força e poder espiritual, representados pela figura do leão (uma das imagens vistas por Ezequiel nos querubins).
• A segunda tribo separada foi a de Rúben, justamente o que profanou o leito de Jacó, coabitando com sua concubina (Gn 35: 22: “E aconteceu que, habitando Israel [Jacó] naquela terra, foi Rúben e se deitou com Bila, concubina de seu pai; e Israel o soube. Eram doze os filhos de Israel”), mesmo correndo o risco de perder o direito da primogenitura por causa disso, como de fato perdeu. Bila era serva de Raquel, mulher de Jacó, da qual nasceram os outros irmãos de Rúben: Dã e Naftali. Assim, podemos dizer que Rúben é o símbolo do rosto de homem (também visto nos querubins), pois o livre-arbítrio dado ao homem no Éden estava ali e Rúben o exerceu, deixando prevalecer sua natureza carnal; usou mal a inteligência que recebeu do Senhor. Além disso, existe a referência acima à mandrágora.
• A terceira tribo separada é a de Efraim. Da mesma forma que José não era o primogênito de Jacó, mas recebeu o direito da primogenitura (1 Cr 5: 1-2 e Jr 31: 9 b, como vimos acima), Efraim não era o primogênito de José, e sim Manassés, porém, teve do avô a bênção do primogênito, ou seja, a porção dobrada das bênçãos do seu irmão (Gn 48: 11-22). Por isso, Jacó disse em Gn 49: 22-26: “José é um ramo frutífero, ramo frutífero junto à fonte; seus galhos se estendem sobre o muro. Os flecheiros lhe dão amargura, atiram contra ele e o aborrecem. O seu arco, porém, permanece firme, e seus braços são feitos ativos pelas mãos do Poderoso de Jacó, sim, pelo Pastor e pela Pedra de Israel, pelo Deus de teu pai, o qual te ajudará, e pelo Todo-Poderoso, o qual te abençoará com as bênçãos dos altos céus, com bênçãos das profundezas, com bênçãos dos seios e da madre. As bênçãos de teu pai excederão as bênçãos de meus pais até ao cimo dos montes eternos; estejam elas sobre a cabeça de José e sobre o alto da cabeça do que foi distinguido entre seus irmãos”. Quando Jacó menciona as bênçãos dos altos céus, ele se refere às bênçãos espirituais. Quando fala sobre as bênçãos das profundezas, se refere à vida emocional e, quando diz “bênçãos dos seios e da madre” está se referindo às bênçãos materiais (seios = leite = alimento, e madre = útero, de onde se gera a vida física. NVI: fertilidade e fartura). Juntando essas informações podemos dizer que seu símbolo é o boi porque o boi simboliza a força física, o suprimento, a provisão, a riqueza e a abundância, além de ser um animal usado na adoração a Deus. Mais uma informação importante sobre a prosperidade de Efraim: foi uma das tribos mais populosas (Gn 48: 19) e com grande poder militar (Nm 2: 18-19: “O estandarte do arraial de Efraim, segundo as suas turmas, estará para o lado ocidental; e Elisama, filho de Amiúde, será príncipe dos filhos de Efraim. E o seu exército, segundo o censo, foram quarenta mil e quinhentos”). O boi também é uma das imagens vistas por Ezequiel nos querubins.
• Em último lugar aparece a tribo de Dã [‘Deus me julgou’, ‘Deus é juiz’, Gn 30: 6: “Então, disse Raquel: Deus me julgou, e também me ouviu a voz, e me deu um filho (de sua serva Bila); portanto, lhe chamou Dã”]. Jacó disse (Gn 49: 16-17): “Dã julgará o seu povo, como uma das tribos de Israel. Dã será serpente junto ao caminho, uma víbora junto à vereda, que morde os talões do cavalo e faz cair o seu cavaleiro por detrás. A tua salvação espero, ó Senhor!” Quanto ao v.16, poderia estar se referindo a Sansão, que foi juiz de Israel pela tribo de Dã? Quanto ao v.17, poderia ser um alusão dessa tribo na idolatria que causou a queda de Israel como nação (Jz 18: 30-31; mais tarde abrigando o bezerro de Jeroboão – 1 Rs 12: 29)? Isso mostra que nunca foi uma tribo com proeminência espiritual.
Nós podemos ver no seu estandarte a balança da justiça, de acordo com a palavra profetizada de Jacó de que Dã julgaria seus irmãos, ao mesmo tempo em que a astúcia e a traição (serpente) poderiam distorcer essa justiça. Ao permitir essa face de serpente prevalecer, estaria pondo à parte o seu lado de águia (uma ave que devora a serpente, pois não têm medo dela). Se ele estivesse disposto a se renovar como uma águia, a deixar que o Senhor mudasse seu interior e transformasse sua carne, poderia estar olhando diretamente para o Norte, para a face de Deus. Como vimos, a águia, simboliza a majestade, a renovação, a capacidade de ver longe, de ter movimentos livres para dominar o espaço, de alcançar grandes alturas, portanto, de chegar às alturas espirituais (espiritualidade).
Rememorando: Um dos lados do rosto dos querubins era a face de homem, simbolizando a inteligência e o livre-arbítrio dado por Deus ao homem; de outro lado do rosto aparecia a imagem de leão, simbolizando realeza, autoridade, liderança, força, poder espiritual. O boi simbolizava a força física, o suprimento, a provisão, a riqueza e a abundância, além de ser um animal usado na adoração a Deus; em outras palavras, a obediência e o serviço a Ele. O último animal era a águia, simbolizando a longevidade, a capacidade de ver longe, de se renovar, de ter movimentos livres para dominar o espaço e de alcançar grandes alturas, portanto, de chegar às alturas espirituais (espiritualidade). Podemos dizer que estas eram as qualidades dadas por Deus às quatro ordens de tribos que Ele via sempre diante de si através dos querubins. Entretanto, dois de Seus filhos distorceram essas qualidades usando-as pelo lado oposto, o negativo. Apenas Judá e Efraim pareceram usá-las adequadamente.
Chegamos agora ao ponto em que podemos adicionar mais uma informação sobre os pontos cardeais mencionados na bíblia e, logicamente, explicar melhor o posicionamento das tribos e das faces dos querubins. O paralelo vai ser com a nossa vida cristã. O Norte, na bíblia, significa: o trono de Deus, o que norteia nossa vida, Sua palavra e Sua vida plena para nós. O Sul significa: a nossa própria vida, nossa humanidade e imperfeição, em confronto com a majestade e plenitude de Deus. O Ocidente significa: o mundo material, as coisas naturais, o antigo; e o Oriente, o mundo espiritual, as coisas espirituais.
Para liderar o clã de Israel, Judá precisaria ser um leão, olhando para o oriente, estando, portanto, atento ao mundo espiritual, de onde viria a glória de Deus para supri-lo (a entrada do tabernáculo e do templo era voltada para o Oriente). A segunda face é a do homem, representado pela tribo de Rúben, que estava ao sul do arraial. Como foi dito, o sul significa a nossa própria vida, nossa humanidade e imperfeição, em confronto com a majestade e plenitude de Deus. Foi o que Rúben fez: deixou seu livre-arbítrio pender para o lado da sua humanidade, para a sua pequenez. Efraim recebeu a grande bênção de ser populoso e suprido, especialmente na vida material, por isso a face voltada para o ocidente, para o material, como um boi, símbolo da força física (o poder militar da tribo), do suprimento, da provisão, da riqueza e da abundância, além de ser um animal usado na adoração a Deus. Apesar da abastança em que foi colocado, ele não poderia deixar de ser um adorador, de agradecer a Deus por tê-lo abençoado (é uma pena que séculos mais tarde se voltou para a idolatria. Efraim, uma parte das dez tribos do Norte lideradas por Jeroboão, adorou a imagem de um bezerro: 1 Rs 12: 25-33). E o último animal é a águia, símbolo de longevidade, espiritualidade, de renovação, de majestade, de capacidade de ver longe, de ser livre. O Norte significa o trono de Deus, o que norteia nossa vida, Sua palavra e Sua vida plena para nós. Concluindo, Dã rejeitou essa bênção e preferiu olhar para o lado oposto (o do mal, ao invés do bem e da glória de Deus), usando da astúcia e da traição.
Em relação aos estandartes das tribos nós podemos dizer que explicação pode ser encontrada nas bênçãos de Jacó:
• Judá recebeu o direito de liderar seus irmãos, mas para liderar e estar na presença de Deus é necessário a autoridade, a força e o poder espiritual, representados pela figura do leão, uma das faces dos querubins vistas por Ezequiel.
• Rúben profanou o leito de Jacó, coabitando com sua concubina, por isso o rosto de homem, símbolo da inteligência e do livre-arbítrio que lhe foram dados por Deus, entretanto, usados de maneira errada por Rúben. O rosto de homem também é uma das faces dos querubins vistas por Ezequiel.
• Efraim (representando José – Gn 49: 22-26, nas bênçãos de Jacó) teve a bênção da primogenitura mesmo sem ser o primogênito. Suas bênçãos foram espirituais, emocionais e materiais. Seu símbolo é o boi: força física, suprimento, provisão, riqueza, abundância e adoração a Deus. O boi também é uma das faces dos querubins vistas por Ezequiel.
• Dã: seu estandarte consta de uma balança, a balança da justiça, de acordo com a palavra profetizada de Jacó de que Dã julgaria seus irmãos, ao mesmo tempo em que a astúcia e a traição poderiam distorcer essa justiça. Ao permitir essa face de serpente (também um dos símbolos dessa tribo) prevalecer, pôs à parte o seu lado de águia (uma ave que devora a serpente, pois não têm medo dela) e não se renovou; não deixou que o Senhor mudasse seu interior levando-o a olhar diretamente para o Norte, para a face de Deus. A águia também é uma das faces dos querubins vistas por Ezequiel.
• As imagens dos querubins era o que Deus desejaria ver como qualidade no Seu povo.

Curiosidades e revelações (PDF)
Curiosities and Revelations (PDF)
Autora: Pastora Tânia Cristina Giachetti
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E-mail: msearaagape@gmail.com