Estudo baseado no texto bíblico de Lv 14: 33-57. ‘Casa’, ‘templo’ ou ‘santuário’ são símbolos do nosso corpo, mas também se refere à família, à descendência. Como se lidava com a lepra numa casa? Qual o significado de hissopo e cedro?


A lepra na casa




No AT a lepra era vista como uma praga, inclusive nas casas (trata-se de mofo). Quando as tentativas de purificá-las não eram bem-sucedidas, derrubavam-se casas inteiras para não deixar a praga se espalhar (Lv 14: 43-45). Além de casa, templo ou santuário serem símbolos do nosso corpo, como diz o apóstolo Paulo (1 Co 6: 19-20; 2 Co 6: 16 b-18), a palavra casa também é usada, muitas vezes, na bíblia como sinônimo de família, descendência:

• 1 Cr 17: 7-10: “Agora, pois, assim dirás ao meu servo Davi: Assim diz o Senhor dos Exércitos: Tomei-te da malhada e de detrás das ovelhas, para que fosses príncipe sobre o meu povo de Israel. E fui contigo, por onde quer que andaste, eliminei os teus inimigos diante de ti e fiz grande o teu nome, como só os grandes têm na terra. Prepararei lugar para o meu povo de Israel e o plantarei para que habite no seu lugar e não mais seja perturbado; e jamais os filhos da perversidade o oprimam, como dantes, desde o dia em que mandei houvesse juízes sobre o meu povo de Israel; porém abati todos os teus inimigos e também te fiz saber que o Senhor te edificaria uma casa”.
• 1 Cr 17: 16-17; 23: “Então, entrou o rei Davi na Casa do Senhor, ficou perante ele e disse: Quem sou eu, Senhor Deus, e qual é a minha casa, para que me tenhas trazido até aqui? Foi isso ainda pouco aos teus olhos, ó Deus, de maneira que também falaste a teu servo para tempos distantes; e me trataste como se eu fosse homem ilustre, ó Senhor Deus... Agora, pois, ó Senhor, a palavra que disseste acerca de teu servo e acerca da sua casa, seja estabelecida para sempre; e faze como falaste”.

Dessa forma, o que o Senhor quer nos dizer é que, quando alguém na família cometeu um grave pecado, seja no presente ou no passado, o mal tende a se alastrar e a se perpetuar em toda a descendência. É o que acontece com as maldições hereditárias, onde, muitas vezes, se repete os mesmos pecados cometidos há gerações, causando morte e destruição a todos os descendentes daquele “leproso”. E quando alguém é chamado por Jesus à verdade, tem que fazer um esforço para se purificar, para não repetir os erros do passado e para começar tudo de novo da maneira santa de Deus. Aí surgem grandes lutas e grandes barreiras a serem enfrentadas porque as antigas estruturas precisam ser arrancadas do modo de agir de toda aquela casa. Este tipo de trabalho é necessário e urgente para que a descendência também não seja comprometida e venha a perder a salvação.

Por isso, está escrito neste capítulo de Lv 14: 33-57:... “o dono da casa fará saber ao sacerdote, dizendo: parece-me que há como que praga na minha casa... O sacerdote... examinará a praga. Se, nas paredes da casa, há manchas esverdinhadas ou avermelhadas e parecem mais fundas do que a parede, então, o sacerdote sairá da casa e a cercará por sete dias. Ao sétimo dia, voltará o sacerdote e examinará; se vir que a praga se estendeu nas paredes da casa, ele ordenará que arranquem as pedras em que estiver a praga e que as lancem fora da cidade num lugar imundo; e fará raspar a casa por dentro, ao redor, e o pó que houverem raspado lançarão, fora da cidade, num lugar imundo. Depois, tomarão outras pedras e as porão no lugar das primeiras; tomar-se-á outra argamassa e se rebocará a casa. Se a praga tornar a brotar na casa, depois de arrancadas as pedras, raspada a casa e de novo rebocada, então, o sacerdote entrará e examinará. Se a praga se tiver estendido na casa, há nela lepra maligna; está imunda. Derribar-se-á, portanto, a casa, as pedras e a sua madeira, como também todo o reboco da casa; e, se levará tudo para fora da cidade, a um lugar imundo. Aquele que entrar na casa, enquanto está fechada, será imundo até a tarde. Também o que se deitar na casa lavará as suas vestes; e quem nela comer lavará as suas vestes. Porém, tornando o sacerdote a entrar, e, examinando, se a praga na casa não se tiver estendido depois que a casa foi rebocada, o sacerdote a declarará limpa, porque a praga está curada. Para purificar a casa, tomará duas aves, e pau de cedro, e estofo carmesim, e hissopo, imolará uma ave num vaso de barro sobre águas correntes, tomará o pau de cedro, e o hissopo, e o estofo carmesim, e a ave viva, e os molhará no sangue da ave imolada e nas águas correntes, e aspergirá a casa sete vezes. Assim, purificará aquela casa com o sangue da ave, e com as águas correntes, e com a ave viva, e com o estofo carmesim. Então, soltará a ave viva para fora da cidade, para o campo aberto; assim, fará expiação pela casa, e será limpa”.

Nas palavras em negrito estão as chaves para a nossa interpretação:
• o dono da casa fará saber ao sacerdote: o nosso sacerdote é Jesus e o “dono da casa” é aquele que o Senhor separou como líder espiritual daquele clã, seja pai ou filho. O responsável espiritual por aquela família se achegará ao sacerdote (Jesus) e confessará o pecado dela para que haja perdão e purificação. É reconhecer que existe uma coisa errada se repetindo em vários membros daquela casa.
• O sacerdote... examinará a praga... a cercará por sete dias. Isso significa que o Senhor já está ciente da situação, mas dá um tempo antes de começar a agir até que outros ali também percebam o pecado.
• Ao sétimo dia, voltará o sacerdote e examinará; se vir que a praga se estendeu nas paredes da casa, ele ordenará que arranquem as pedras em que estiver a praga e que as lancem fora da cidade num lugar imundo; e fará raspar a casa por dentro, ao redor, e o pó que houverem raspado lançarão, fora da cidade, num lugar imundo. Isso significa que, no tempo perfeito de Deus, Ele voltará para começar a trabalhar ali. Ele, então, ordena que se arranquem as pedras responsáveis pela praga e o revestimento da casa e lancem fora tudo aquilo em lugar imundo. As pedras são as estruturas espirituais e morais presentes numa geração, que estão firmes e imóveis há anos, assim como a aparência externa (o “revestimento”) diante do mundo. É como uma marca registrada presente na família, que o mundo natural e o espiritual reconhecem. Tudo precisa ser mudado numa nova estrutura para salvar o resto.
• Depois, tomarão outras pedras e as porão no lugar das primeiras; tomar-se-á outra argamassa e se rebocará a casa. Um novo padrão precisa ser introduzido, que é a verdade de Deus. Esse padrão deve ser tanto externo como interno (no corpo, na alma e no espírito). Após as novas bases implantadas, o sacerdote vai reavaliar a situação (“Se a praga tornar a brotar na casa, depois de arrancadas as pedras, raspada a casa e de novo rebocada, então, o sacerdote entrará e examinará”).
• Se a praga se tiver estendido na casa, há nela lepra maligna; está imunda. Derribar-se-á, portanto, a casa, as pedras e a sua madeira, como também todo o reboco da casa; e, se levará tudo para fora da cidade, a um lugar imundo. Isso significa que quando se detecta algo realmente maligno, não se pode ter dó; derruba-se toda a estrutura até o pó para que se erga tudo de novo. O pecado precisa ser extirpado pela raiz.
• Para purificar a casa... tomará o pau de cedro, e o hissopo, e os molhará no sangue... e nas águas correntes, e aspergirá a casa sete vezes. Assim, purificará aquela casa com o sangue... O significado disso para nós é que para purificar o pecado, seja nosso ou da nossa família, só o sangue de Jesus poderá fazê-lo. Não apenas o Seu sangue, mas a ação constante do Seu Espírito (“águas correntes”), até que tudo esteja verdadeiramente liberto do mal (“sete vezes”). No Egito, ao passar o Destruidor, nas casas onde ele viu a marca do sangue do cordeiro nas vergas das portas, ele passou, mas não as tocou, pois estavam protegidas e “tinham dono”. Assim, a família que tem a marca do sangue de Jesus sobre si é liberta do pecado e poupada da destruição.

Hissopo

O hissopo é símbolo de purificação, por isso Davi disse no Sl 51: 7: “Purifica-me com hissopo, e ficarei limpo; lava-me, e ficarei mais alvo que a neve”.

Existe uma passagem interessante sobre o poder purificador do hissopo. Nos momentos finais da vida de Jesus, quando estava na cruz num grau extremo de desidratação, Ele disse: “Tenho sede!”; então, alguém molhou uma esponja no vinagre, fixando-a num ramo de hissopo e Lha deu para beber. Foi, na verdade, um ato de misericórdia, pois o corpo de Jesus, em face da desidratação e do vinagre, morreria. Ao receber a esponja no galho de hissopo e beber dela, Jesus expirou, significando que a purificação da humanidade estava consumada. O Seu sacrifício tinha chegado ao fim e a lepra (o pecado) do mundo estava limpa. O texto diz: “Depois, vendo Jesus que tudo já estava consumado, para se cumprir a Escritura disse: Tenho sede! Estava ali um vaso cheio de vinagre. Embeberam de vinagre uma esponja e, fixando-a num caniço de hissopo, lha chegaram à boca. Quando, pois Jesus, tomou o vinagre, disse: Está consumado! E, inclinando a cabeça, rendeu o espírito” (Jo 19: 28-30).


Hissopo Mofo Aspergir a casa com sangue
Hissopo; Lepra na casa = mofo; Aspergir a casa

Cedro

O cedro do Líbano (Cedrus libani) é uma majestosa conífera de madeira durável, por isso Davi construiu sua casa com cedro e Salomão, o templo, assim como o segundo templo de Esdras também foi reconstruído com essa madeira. O cedro pode atingir quarenta metros de altura e os escritores antigos usavam-no como símbolo da estatura de um homem (Ez 31: 3; Am 2: 9), igualmente de força, majestade e poder (Ct 3: 9), altivez, dureza, inflexibilidade (Sl 29: 5).
No caso do leproso, o uso do cedro poderia estar relacionado com o poder, a força e a majestade de Deus presente no milagre de cura, quebrando o orgulho e a altivez de espírito da pessoa que ficou doente (a ‘lepra’, o pecado), e lembrando-a da importância da humildade, como Jesus se humilhou na cruz, dando Seu sangue como propiciação pelos nossos pecados, fazendo-a reconhecer que Deus é soberano e é o único que pode perdoar os pecados.

Relação entre a lepra e quem se converte a Jesus

Para finalizar, gostaria de colocar um comentário que acho pertinente em relação a todo aquele que se converte a Jesus. Esse comentário é baseado nos itens acima que dizem:
• Ao sétimo dia, voltará o sacerdote e examinará; se vir que a praga se estendeu nas paredes da casa, ele ordenará que arranquem as pedras em que estiver a praga e que as lancem fora da cidade num lugar imundo; e fará raspar a casa por dentro, ao redor, e o pó que houverem raspado lançarão, fora da cidade, num lugar imundo.
• Depois, tomarão outras pedras e as porão no lugar das primeiras; tomar-se-á outra argamassa e se rebocará a casa.
• Se a praga se tiver estendido na casa, há nela lepra maligna; está imunda. Derribar-se-á, portanto, a casa, as pedras e a sua madeira, como também todo o reboco da casa; e, se levará tudo para fora da cidade, a um lugar imundo.

Quando os apóstolos foram chamados por Jesus no Mar da Galiléia, a bíblia diz que imediatamente deixaram tudo e o seguiram. Isso tem a ver com a lepra do mundo que precisa ser poderosamente colocada para baixo na vida de quem quiser ser discípulo de verdade. A pessoa que vem para o Senhor traz consigo o seu pecado e o da sua família (maldições hereditárias). Ao se entregar para Jesus, seu espírito é recriado e ela é transformada numa nova criatura. Entretanto, a sua carne (a parte da sua alma que tende ao pecado) traz consigo seus velhos hábitos e sua hereditariedade e precisa também se entregar completamente ao Senhor para que haja uma mudança real de comportamento. Isso depende do esforço da pessoa em reconhecer seus pecados e suas fraquezas e querer se limpar deles através de um posicionamento palpável, real, não só de uma oração momentânea. Atitudes concretas, materiais, muitas vezes radicais e dolorosas, precisam ser tomadas para que nem ela nem sua família voltem ao pecado. É o que foi dito anteriormente: 1) Deus ordena que se arranquem as pedras responsáveis pela praga e o revestimento da casa e lancem fora tudo aquilo em lugar imundo. Como vimos, as pedras são as estruturas espirituais e morais presentes numa geração, que estão firmes e imóveis há anos, assim como a aparência externa (o “revestimento”) diante do mundo. É como uma marca registrada presente na família, que o mundo natural e o espiritual reconhecem. Tudo precisa ser mudado numa nova estrutura para salvar o resto. Resumindo: não voltar a cometer os mesmos erros de antes. 2) Um novo padrão precisa ser introduzido, que é a verdade de Deus. Esse padrão deve ser tanto externo como interno (no corpo, na alma e no espírito). Após as novas bases implantadas, o sacerdote (Jesus) voltará ali e reavaliará a situação. Ele saberá se é necessário arrancar definitivamente as pedras responsáveis pela praga e o “revestimento” da casa. Tudo precisa ser mudado totalmente numa nova estrutura para salvar o resto.

Estou dizendo tudo isso, porque certas pessoas pensam que apenas seus padrões emocionais, espirituais e morais precisam ser renovados, se esquecendo que outras áreas importantes de suas vidas estão em jogo e são justamente elas que as fazem perpetuar na escravidão da lepra do mundo. Estamos falando, por exemplo, da profissão que esta pessoa tinha antes de conhecer Jesus. Para o mundo era plenamente aceitável; entretanto, não é mais compatível com um autêntico servo de Deus. Isso se refere a fazer coisas que estão em franco confronto com as orientações bíblicas em relação à vida espiritual, à vida sexual, às leis da verdadeira cidadania e ao dinheiro. Tudo isso, mais cedo ou mais tarde, vai trazer certo conflito interior e será necessária uma decisão drástica para continuar a ser crente. Deus lhe dá o livre-arbítrio, mas permanecerá sendo o detentor de toda a autoridade e poder. Se ela insistir no erro e isso vier a comprometer ou desencaminhar outras vidas, Ele vai intervir para que Sua vontade prevaleça. Por isso, reavalie sua situação profissional, hoje, diante de Deus. Se ela for uma opressão constante sobre sua fraqueza carnal, largue-a definitivamente nas mãos do Senhor, sem dó. Faça o mesmo com as heranças e costumes familiares perniciosos.

Conclusão

A conclusão deste tópico é: o mal precisa ser extirpado pela raiz, mesmo que precise atingir toda a família e toda a profundidade do nosso ser. Isso significa destronar os antigos altares.

Autora: Pastora Tânia Cristina Giachetti

Este texto se encontra no livro:


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