A CURA DA MULHER ENCURVADA


Estudo bíblico sobre a cura da mulher encurvada há 18 anos. Por que a expressão “filha de Abraão?” Do ponto de vista emocional e espiritual, o que aquela enfermidade significava?

A bible study on the healing of the woman who had been bent over for 18 years. Why the expression “daughter of Abraham”? From an emotional and spiritual point of view, what did that illness mean?


A cura da mulher encurvada


“Ora, ensinava Jesus no sábado numa das sinagogas. E veio ali uma mulher possessa de um espírito de enfermidade, havia já dezoito anos; andava encurvada, sem de modo algum poder endireitar-se. Vendo-a Jesus, chamou-a e disse-lhe: Mulher, estás livre da tua enfermidade; e, impondo-lhe as mãos, ela imediatamente se endireitou e dava glória a Deus. O chefe da sinagoga, indignado de ver que Jesus curava no sábado, disse à multidão: Seis dias há em que se deve trabalhar; vinde, pois, nesses dias para serdes curados e não no sábado. Disse-lhe, porém, o Senhor: Hipócritas, cada um de vós não desprende da manjedoura, no sábado, o seu boi ou o seu jumento, para levá-lo a beber? Por que motivo não se devia livrar deste cativeiro, em dia de sábado, esta filha de Abraão, a quem Satanás trazia presa há dezoito anos? Tendo ele dito estas palavras, todos os seus adversários se envergonharam. Entretanto, o povo se alegrava por todos os gloriosos feitos que Jesus realizava” (Lc 13: 10-17).

Explicação do texto

Mais uma vez, Jesus desafia as regras religiosas para libertar Seus escolhidos das prisões do inimigo. A mulher estava na sinagoga e, provavelmente, a freqüentava por anos a fio sem ter, entretanto, solução alguma para o seu caso. Foi quando Jesus decidiu entrar ali para pregar, pois onde parecia haver a luz era lá que mais se precisava dela, onde a religiosidade e as regras humanas impediam os que lá estavam de ter a liberdade de se expressar e de pedir verdadeiramente ao Senhor o que necessitavam. Havia muita palavra, pouca devoção e nenhuma unção, tanto é que a mulher permanecia debaixo de opressão.

A bíblia não revela o que ela havia feito para ficar naquele estado, mas Jesus não se importou com o que ela havia praticado de errado, e sim com o mal que a fazia permanecer encurvada. Do ponto de vista emocional e espiritual, aquela situação deveria ser um tormento para ela; ela era forçada a olhar para baixo, moldando sua mente a ver as coisas sob um prisma pequeno e depressivo; mais do que isso, deveria fazê-la se sentir acusada, culpada, sem ter quem a defendesse, sem poder viver a retidão como uma virtude e um padrão moral que ela provavelmente almejava. Ela não podia sequer se erguer para clamar a Deus de uma maneira mais aberta. Provavelmente, ela já havia se conformado com as dores físicas, pois aquela posição incômoda deveria fazê-la sofrer no corpo também. Todavia, o fato de continuar indo à sinagoga nos faz pensar que o seu espírito ainda mantinha uma esperança em Deus de que um dia terminaria aquele cativeiro. Por ser mulher, ela deveria permanecer no lado em que as mulheres se sentavam, e ficavam caladas durante todo o serviço religioso, a não ser para repetir os preceitos que eram lidos. Mas era pouco provável que pudesse se aproximar sequer de um dos mestres da lei para pedir socorro. No 1º século da era cristã era costume nas sinagogas a separação dos assentos para homens e mulheres [O Novo Dicionário da Bíblia – J. D. Douglas – edições vida nova, 2ª edição 1995; ‘Sinagoga’, pg. 1532].


A mulher encurvada


Quando lemos o evangelho prestando atenção aos detalhes, podemos perceber quantas vezes Jesus entrou em sinagogas justamente no sábado, parecendo ter prazer em provocar os religiosos e colocar para baixo o tradicionalismo vazio que impedia o povo do Senhor de conhecer a vida e a verdade. Nós sabemos que todo Judeu tinha que ir à sinagoga no Shabbat, por isso Jesus assim fazia, mas quando Ele ia a alguma delas, algo diferente acontecia. Este era mais um dos casos que transgrediam as regras do Shabbat para mostrar novamente a todos que Ele, Jesus, era o senhor do sábado. A bíblia não diz se Ele estava discutindo com os fariseus, se estava pregando, se tinha ou não começado a cerimônia religiosa, apenas que o Mestre a viu entre tantos e a chamou.

A expressão “filha de Abraão” não apenas confirmava que a mulher era uma judia, mas que tinha muita fé em Deus, que era uma crente, como foi Abraão. Se Deus havia permitido que Satanás a oprimisse, como fez com Jó, era para mostrar mais uma vez a Sua glória sobre todas as obras do maligno e Sua soberania sobre todas as coisas, Seu poder de trazer cura, vida e restauração.

Essa atitude de Jesus, por si só já era uma forma de honrá-la e de mostrar a ela que mesmo que muitos não se importassem com a sua vida ou com o seu sofrimento, Ele se importava e estava ali para curá-la e libertá-la daquele tormento. Ele reafirmava também a Sua autoridade sobre todas as coisas, inclusive sobre o mundo espiritual, coisa que ninguém tinha feito até aquele momento, que era expulsar espíritos imundos das pessoas. Bastou um toque de Jesus, o espírito de enfermidade a deixou e ela se endireitou. Isso deve ter provocado um verdadeiro rebuliço na sinagoga, pois muitos outros doentes devem ter saído dos seus lugares para poder tocar no Mestre; por isso, o chefe da sinagoga os repreendeu por vir ali no sábado para serem curados, ao invés de vir durante a semana; só que Jesus não estaria lá. Que pena!

Isso nos mostra o ciúme espiritual e a disputa de poder que podem acometer os entendidos em religião. Não conseguem realizar nenhum tipo de milagre, suas palavras e suas orações são vazias e inúteis, mas começam a sentir ciúme e inveja de quem tem realmente a presença de Deus e amor para colocar em prática o poder que Ele lhe deu. Jesus não se deixou dominar pela falsa autoridade religiosa que ali estava tentando bloqueá-lo na Sua missão; pelo contrário, usou da Sua autoridade confrontando-os com a própria Lei. Eles nada puderam dizer diante da veracidade das Suas palavras e das evidências do milagre. Ao que parece, Jesus não se deteve apenas em curar aquela mulher; curou outros, a fim de que o nome do Pai fosse engrandecido. Com a cura, a mulher poderia não apenas endireitar sua postura física, mas endireitar-se emocional e espiritualmente, mostrando que os impossíveis aos homens são possíveis para Deus.

Como eu escrevi acima, do ponto de vista emocional e espiritual aquela situação deveria ser um tormento para ela; ela era forçada a olhar para baixo, moldando sua mente a ver as coisas sob um prisma pequeno e depressivo; mais do que isso, deveria fazê-la se sentir acusada, culpada, sem ter quem a defendesse, sem poder viver a retidão como uma virtude e um padrão moral que ela provavelmente almejava. Ela não podia sequer se erguer para clamar a Deus de uma maneira mais aberta.

Mas a partir daquele momento, ela poderia viver a retidão de Deus. Ela ganhou muito mais do que cura física; conquistou a segurança e a autoridade sobre o mal. Ninguém mais a dominaria ou a influenciaria com sua maneira pobre e limitada de ver a vida. Jesus tinha lhe devolvido a dignidade diante de todos e ela agora poderia andar de cabeça erguida. Seu testemunho de vida traria avivamento àquele lugar, colocando por terra a incredulidade e a pequenez de pensamento. Mais do que tudo, seu testemunho estava quebrando todas as obras de idolatria que pudessem ter causado aquele problema, deixando bem claro a todos quem era o verdadeiro Deus. Nada poderia destruir o que Ele determinasse para um filho ou filha. Seu Filho amado tinha vindo à terra para destruir as obras do diabo e ela era testemunha viva disso. Ela agora poderia andar retamente diante dEle, levando Sua luz aos que estavam nas trevas.

O maior aprendizado deste texto para nós é que Jesus não é detido por nada, por nenhum homem, por nenhum demônio, por nenhuma regra, e tudo o que Ele deseja fazer para engrandecer Seu próprio nome e libertar Seus filhos Ele o faz. A bíblia diz que tudo Ele sujeitou debaixo dos pés.


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Autora: Pastora Tânia Cristina Giachetti
Atualização: 08/09/26

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