Quais eram os estandartes do Exército romano? Conheça a hierarquia do exército romano: as centúrias, as coortes e as legiões; centuriões, legados e tribunos.
What were the standards of the Roman army? Discover the hierarchy of the Roman army: the centuries, the cohorts, and the legions; centurions, legates, and tribunes.

Um centurião era um soldado romano que comandava oitenta a cem soldados do exército, as “centúrias”. No início da República, cada centúria era composta por 100 homens, daí o seu nome. No início do Império, a centúria tinha 80 legionários, e seis centúrias formavam uma coorte (480 legionários), geralmente comandada por um tribuno. O centurião da 6ª centúria era o mais jovem da coorte, enquanto o centurião da 1ª centúria era o mais antigo. As coortes se juntavam em grupos de dez (numeradas de I a X) e formavam as legiões. A legião romana era a divisão fundamental do exército romano. Do final do século II AC até meados do século III DC, as legiões tinham cerca de 5.000 soldados. Durante as suas campanhas na Gália, as legiões de Júlio César eram compostas por não mais de 3.000 soldados. A primeira coorte da legião era composta por legionários experientes, enquanto os legionários da décima coorte eram menos experientes.
Portanto, um centurião era um homem investido de autoridade, assim como também submetido à autoridade do imperador romano (César) ou à dos legados legionários (legatus legionis ou praefectus legionis), comandantes das legiões de elite, ou à de um legado propretor (legatus Augusti pro praetore; lit. ‘enviado do imperador’, ‘agindo para o pretor’), que governava uma província romana e era comandante de quatro ou mais legiões, ou, então, à autoridade dos tribunos militares. Os tribunos militares eram representante dos soldados e infantes perante os generais, tenentes e alto comando do exército. Suas funções iniciaram com a República Romana (444 AC) e perduraram até o fim do Principado, antes do Dominato de Diocleciano (este regime durou de 285 DC até o fim do reinado de Justiniano em 565 DC).
Na Roma antiga havia também o tribuno da plebe, que atuava junto ao Senado em defesa dos direitos e interesses da plebe como magistrado. Ele era um plebeu, não um patrício – um romano de classe alta, nobre – e esse cargo de tribuno foi criado na época da República Romana (495 AC), passando a ser incorporado pelo ditador ou imperador na época de Júlio César (49-44 AC), exercendo estes (os imperadores) a função de tribunos da plebe também. Essa função foi diminuindo e se perdendo até o fim do reinado do imperador Marco Aurélio, mais ou menos 180 DC.
Signífero era um porta-estandarte que carregava um tipo de símbolo do exército romano. Cada legião tinha suas próprias bandeiras e estandartes, e logicamente, havia posições de honra ligadas a eles. O vexilário ou porta-estandarte da cavalaria carregava o vexillum, que era um estandarte com o nome e o emblema da legião; o signífero ou porta-estandarte da infantaria carregava o signum (o manus e as fáleras); o imaginífero da primeira coorte de uma legião era o porta-imagem do imperador esculpida numa placa de pedra ou metal batido (a imago), e o aquilífero da primeira coorte de uma legião era o porta-estandarte da águia dourada (a aquilia). Cada coorte tinha como o seu próprio estandarte a serpente ou dragão, o draco, hasteado em um bastão dourado e transportado pelo draconário (‘draconarius’). O draco era o estandarte das coortes, enquanto a águia era o estandarte das legiões.
Os signíferos todos usavam uma pele de animal sobre a cabeça: de leões, ursos e lobos, de acordo com os locais onde os romanos estiveram presentes. Geralmente, os soldados pretorianos usavam a pele de leão, e os legionários, as peles de lobos e ursos.
O termo ‘signum’ (plural = signa) tinha um duplo significado: de modo geral, podia se referir a qualquer tipo de estandarte como a aquila, o vexillum, o draco e a imago, ou, no sentido mais estrito, a um estandarte composto por uma haste, que terminava por uma ponta de lança ou uma mão aberta (manus). O signum servia como estandarte as unidades menores como centúrias e coortes, e era um ponto de referência no campo de batalha para que os soldados se reunissem em torno do seu signífero. A mão aberta (manus) simbolizava proteção divina sobre a unidade militar e o juramento de lealdade dos soldados ao imperador e a Roma.
Geralmente, havia outros elementos decorativos no signum, mais freqüentemente, as fáleras (em latim, phalerae), que eram discos metálicos de bronze, prata ou ouro que representavam condecorações militares coletivas para as coortes e centúrias, ou concedidas por bravura e serviço, que os soldados, especialmente os oficiais, usavam no peito como emblemas de suas ações heróicas e a lealdade pessoal, muitas vezes representando deuses, heróis ou figuras mitológicas. As fáleras também eram exibidas durante desfiles militares e triunfos. Quanto mais discos um estandarte possuía, mais honrada e experiente era a unidade.
Outro elemento às vezes visto nos estandartes romanos era o orbe (ou esfera), que simbolizava o domínio de Roma sobre o mundo. Os romanos associavam o globo ao deus Júpiter e, posteriormente, ao imperador como seu representante terrestre, o que reforçava a autoridade divina do governante. Na Coluna de Trajano, havia uma imagem da deusa Vitória sobre a esfera. No século V, a deusa foi substituída por uma cruz, simbolizando a soberania de Cristo e do Cristianismo sobre o mundo (o símbolo é conhecido como globus cruciger).
Uma águia (aquila) era um símbolo de destaque das legiões romanas. Um aquilífero era um signífero mais antigo que carregava o estandarte de águia de uma legião romana, geralmente o aquilífero da 1ª coorte. Cada legião carregava uma águia. A águia era extremamente importante para o soldado romano, além de simplesmente ser um símbolo de uma legião. Um estandarte perdido era considerado como um acontecimento extremamente grave, e os soldados Romanos muitas vezes caminhavam grandes distâncias para proteger um estandarte ou para recuperá-lo se tivesse sido perdido. Uma série de outras águias romanas já foram descobertas por arqueólogos, quer simbolizando o domínio imperial ou usadas como emblemas de funeral. Os dois emblemas (a águia e o raio) eram vistos também nas moedas. Junto com Juno e Minerva (A Tríade Capitolina), Júpiter ele era o guardião central do estado. Sua árvore sagrada era o carvalho. Júpiter era o irmão de Netuno e Plutão. Cada um deles presidia sobre um dos três reinos do universo: o céu (Júpiter), as águas (Netuno), e o submundo (Plutão).
Cada legião tinha suas próprias bandeiras e estandartes, como por exemplo: a Legio X Fretensis tinha como símbolo o touro, um navio, o deus Netuno e um javali. O símbolo da Legio VI Ferrata era o touro e a loba, representando Rômulo e Remo, os fundadores de Roma que foram amamentados por uma loba. A Legio XXII Primigenia tinha como símbolo um Capricórnio e o semideus Hércules (este também presente na Legio II Traiana Fortis). E a Legio XII Fulminata tinha como emblema um raio em um escudo (fulmen). A Legio IIII Flavia Felix tinha um leão como seu emblema; o da Legio V Alaudae ou Legio V Gallica (‘Quinta Legião da Cotovia’) era o elefante; a Legio V Macedonica usava o touro e a águia. E a Legio XXX Ulpia Victrix tinha como emblema os deuses Netuno e Júpiter e o capricórnio.
O draco tinha a cabeça de dragão, geralmente feita de bronze ou outro metal, colocada sobre um poste. Tinha uma longa cauda em forma de tubo e era de tecido colorido de seda, preso à sua cabeça. Ele era segurado acima da cabeça de um cavaleiro. À medida que ele cavalgava, o draco se enchia de ar e dava a impressão de que estava vivo; fazia um som sibilante enquanto o vento passava pelo tecido, o que o tornava útil no campo de batalha. O objetivo original era provavelmente fornecer direção do vento para o tiro com arco, mas também externalizava o poder físico, a força e o terror do poderio militar romano. O dragão representava a ferocidade, animalidade, hostilidade e destruição. As coortes podiam identificar-se pelas cores do draconário, e assim se reunirem e manterem sua ordem de batalha. Provavelmente, o draco foi adotado dos povos da Dácia, a região da atual Romênia, após as Guerras Dácias no início do século II DC, talvez, no reinado do imperador Trajano (98-117). A primeira representação em escultura de um draco carregado por um soldado romano data da época do imperador Marco Aurélio (161-180 DC). Alguns dizem que o draco é de origem sármata ou persa.

As asas de águia nos escudos e o aquilífero

Draconário (Draconarius)

Soldado romano com fáleras na armadura

Signum do Exército Romano com o manus (uma mão levantada em um poste) e as fáleras
Fonte de pesquisa: wikipedia.org
Autora: Pastora Tânia Cristina Giachetti
Atualização: 02/10/26
SOBRE A AUTORA E O MINISTÉRIO
PIX: msearaagape@gmail.com
Contato: msearaagape@gmail.com